Gomo a gomo,
gota a gota,
o sumo deste corpo urbano
esfarela-se
como folhas de Outono.
A noite da cidade
é a cor do meu olhar,
sombras que me oferecem sorrisos,
sorrisos que são o pranto
da vida que se consome,
do luto que a pele veste,
da ausência que o amor tece
em dobrados de cintura fina.
Passo a passo,
a amplitude da sonolência
abraça a luta do silêncio,
emagrece a morfina do seu brilho
e oferece às carícias dos dedos
a bica do consumo rápido.
Sensível,
o sangue queima o desejo,
busca na fluência do seu estado
o porto da infância
onde as palavras brincam
com as células da fecundidade,
com os baloiços da tempestade
que endoidecem o medo
e serenam a coragem
a que um tédio peculiar
se aconchega, fortuito,
por desconhecer que a vida
é um molde de consequências avaras.
Dedos erráticos
navegam, digitais,
por dentro das palavras mudas,
rasgando ruídos,
filtrando silêncios,
erguendo, na planície dos calo estéticos,
o edifício caloroso
de uma tempestade solitária.
Nela, perco os sentidos
das grades que bocejam
e dos olhos que esmiuçam
a grandeza das suas minúcias,
o espectro agudo
da constelação infinita,
essa longevidade irreal
de nascer e morrer
na audácia da verbalização urbana.
Passo a passo,
gota a gota,
sou a doçura da água
e o sal do mar
onde quem sou
serei o que sou.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Escrito e postado, directamente, no blogue, em 01 de Fevereiro de 2013, na Biblioteca Nacional, entre as 16H24, as 16H00 do dia 04 de Fevereiro de 2013 e as 15H00 do dia 05 de Fevereiro de 2013.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
AFLUENTES POEMÁTICOS - XXVII - QUE MORTE SE ESPANTARÁ?
Que vida é esta que arquivo na minha memória
como se ela fosse um besouro
que se ouve na estridência do hálito urbano?
Recordo o que não vejo
e esqueço o que sinto
na virulência deste pedaço de carne humana
como se fosse um grito de silêncio
ou um eco de porcelana
no hábito de uma fome ancestral.
A resistência ao acto de sangrar palavras
é esta cinza que me respira todo
é esta sombra nocturna
que vagueia elástica
entre o fogo que a astúcia consome
e o gelo que a definha
para além de todos os mistérios
que a janela aberta do tempo
segreda
como se fossem o isco dos pensamentos
que em vagas de sangue sensível
rasgam a plasticina do passo frágil
e modelam o riso vital das noites inesperadas.
Acordo por dentro
desfaleço por fora
e seguro do abraço quotidiano
piso a rota diária da fábula serena.
Que morte se espantará com a lava edílica do meu fermento?
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Escrito e postado, directamente, no blogue, em 29 de Janeiro de 2013, entre as 16H19 e as 16H50
como se ela fosse um besouro
que se ouve na estridência do hálito urbano?
Recordo o que não vejo
e esqueço o que sinto
na virulência deste pedaço de carne humana
como se fosse um grito de silêncio
ou um eco de porcelana
no hábito de uma fome ancestral.
A resistência ao acto de sangrar palavras
é esta cinza que me respira todo
é esta sombra nocturna
que vagueia elástica
entre o fogo que a astúcia consome
e o gelo que a definha
para além de todos os mistérios
que a janela aberta do tempo
segreda
como se fossem o isco dos pensamentos
que em vagas de sangue sensível
rasgam a plasticina do passo frágil
e modelam o riso vital das noites inesperadas.
Acordo por dentro
desfaleço por fora
e seguro do abraço quotidiano
piso a rota diária da fábula serena.
Que morte se espantará com a lava edílica do meu fermento?
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Escrito e postado, directamente, no blogue, em 29 de Janeiro de 2013, entre as 16H19 e as 16H50
1980 - "MR.CLARINET" - BIRTHDAY PARTY
Nick Cave é, nos tempos que correm, um dos apóstolos mais gratificantes da música popular. Interessante é reviver, por momentos, o seu passado sonoro. Esqueçamos os Boys Next Door e naveguemos nas águas profundas dos Birthday Party que se revelaram um dos grupos mais originais da década de oitenta. Esta memória curta, debruça-se sobre um dos seus primeiros 7", para a 4AD. Trata-se de "Mr.Clarinet", de 1980. A voz de Nick Cave é, claramente, a extensão de um fontanário de águas tumultuosas. Os sons da banda, esses são a foice que corta o trigo da inovação. Pese-se a composição em uma balança de memórias e ver-se-á que o seu peso se reflecte na futurologia sonora de Nick Cave. Diz-se que o seu valor é precário, mas em minha opinião, "Mr.Clarinet", é uma sombrinha sonora que seduz os ouvidos atentos de quem se ouve. Ouvir com claridade, é desposar a clarividência da sua singularidade.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Escrito e postado, directamente, no blogue, em 29 de Janeiro de 2013, entre as 15H36 e as 15H54.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Escrito e postado, directamente, no blogue, em 29 de Janeiro de 2013, entre as 15H36 e as 15H54.
ABSURDOS - I
Abram-se as portas do absurdo! Proclame-se a dinâmica do caótico onde o caótico é a frustação de um formigueiro que absolve a gravata dos molhos psicóticos. Sinalize-se, com dados viciados, os prognósticos analfabetos das ventosas digitais. Reclame-se, em outdoors gigantes, o simbolismo austero da poesia prática. Ensaboe-se os computers da biodiversidade com a ginástica polifónica da vírgula verrinosa. Escrevam soluções poluídas com o timbre majestoso do feixe educacional abstracto. Abram alas à futurologia sintética das sínteses programadas em tablets de alta costura para que os sons astrais vocabulizem a geometria assimétrica. Sofram com a ciência aguda das incongruências indomáveis e descreva-se, com golos aritméticos, a paixão do seu rouxinol decadente. As alegrias serão cascalho grosso nas ruelas dos estribilhos conflituosos. Que se danem as aventuras do posfácio e a boatice dos prefácios entalados entre o virtual gorduroso e as condolências dos séquitos obtusos. Forremos os vitrais dos olhares oblíquos com as folhas ridículas de um apogeu missionário e, sobretudo, aspirem os aromas camuflados das estantes imortais. O absurdo é o instantâneo fotográfico da soma que o quadrado belicoso desintrega para que a vastidão da insensatez seja um produto informático de viroses apoteóticas. O absurdo, este absurdo, é um par ambivalente de lentes progressivas.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Escrito e postado, directamente, no blogue, em 29 de Janeiro de 2013, na Biblioteca Nacional, entre as 14H47 e as 15H22.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Escrito e postado, directamente, no blogue, em 29 de Janeiro de 2013, na Biblioteca Nacional, entre as 14H47 e as 15H22.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
DIÁRIOS - V
O dia já passou do seu meio dia e, eu, que já enganei a meia idade com o avanço da carne madura, pergunto às palavras que cobiço, por onde andam as roupas que despem, ao tempo que desfruto, os solavancos de um comboio que perdeu a noção das estações e a imaginação das colecções humanas que embarcam e desembarcam nos sorrisos das idades passageiras. Disseco a natureza do meu cais e recrio-me, na fonte da vida, com os bisturis que me lavam os pensamentos, seduzindo raciocínios, ao raciocínio, e revelando a realidade insociável da sua frontalidade insaciável. Menosprezo o desprezo e alimento a tempestade gradual do meu descontentamento com as palavras que sirvo ao pequeno-almoço das estâncias pueris. São passeios poéticos nas margens dóceis de uma vida que se vai esgotando por entre os escolhos que uma câmera, sem operador, recolhe aos filtros de mistérios inúteis. A chama da vida é um simples sopro de uma brisa que se afoita, inocente, por entre os diálogos breves que selam pactos de solidão com as fronteiras da decadência. Desfraldo a morte com bandeiras de vida e sacudo, com acuidade, os solavancos das impertinências inúteis. O dia subleva-se e, eu, que nele me inscrevo, escrevo a docilidade do seu tempêro mecânico. Passo a passo, desdobro os farrapos do leite nocturno. Onde há brancura, há pureza, mesmo que o seu gosto saiba à dureza do lado obscuro da vida. Obscuro, ou não, salivo o dia com a luminosidade solar de uma gargalhada singular.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Escrito e postado, directamente, no blogue, em 28 de Janeio de 2013, na Biblioteca Nacional, entre as 14H42 e as 15H32.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Escrito e postado, directamente, no blogue, em 28 de Janeio de 2013, na Biblioteca Nacional, entre as 14H42 e as 15H32.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
DIÁRIOS - IV
A noite anoitece e emagrece a obesidade da sua cultura adiposa. O dia acorda e engorda a cultura urbana do seu primitivismo diário. Pergunto à arte baça do meu espelho narcísico por onde andam os reflexos imagísticos que definem os contornos ávidos das idades imaturas e dos acentos circunflexos das Primaveras que, do viço, apenas enxergam o olfacto das usuras. As gargalhadas profanas das bocas mundanas desfilam eclesiásticas pelas baforadas de um cigarro que se esfuma e da insensatez que se fuma por dentro da acidez mórbida. Rastejar é um dom, sucumbir é perspicácia e lavar a alma no óleo dos fritos é o frenesim festivo da inépcia pura. São os umbigos que, entre persianas, compôem o fado lusitano com uma orquestra de finados. Afinam-se gargantas, mascaram-se imprudências e difundem-se calosidades neste império de imperadores minorcas. Passo a passo, percorro as ruas da vida, da minha e a dos outros que se estendem sobre o ácido das peneiras. O dia é um parasita no riso esquelético de um gavião. Voa por fora e esconde-se mal o vento lhe corta as asas. Tudo o que passa, tudo o que mexe são sombras que o dia arrefece e que os adamastores da morte lenta proclamam como bastiões de lapidações doiradas. Nos carris das chamas virtuais osculam-se celulares com garrafinhas de digitalizações que divulgam cenas que esses olhos infantis de raízes pragmáticas atropelam, sem pestanejar, bué de amores entregues às volúpias de uma sangria falsamente emocional. São sentimentos de luxúrias desbragadas e fantasias de remendos ambientais. O dia é uma circulação de vícios, vícios que a noite conhece, brochuras que o dia inventa. Eis como se fecha o livro do dia: sem páginas, sem epílogos, só com o prefácio de um monólogo de um vaqueiro vicentino. Urbi et orbi.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Escrito e postado, directamente, no blogue, em 25 de Janeiro de 2013, na Biblioteca Nacional, entre as 14H07 e as 14H52
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Escrito e postado, directamente, no blogue, em 25 de Janeiro de 2013, na Biblioteca Nacional, entre as 14H07 e as 14H52
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
CRITICARTE - XIX - "A ESTRADA"
Com o nascimento dos tablets, o acesso à leitura de obras, em prosa e em poesia, transformou-se, para o bem e para o mal, em um microcosmos de cultos. Fácil de transportar e de manusear. E o livro, em papel, qual o seu destino? Acaba, ou será ele que, no futuro se transformará em objecto de culto? Eu, por exemplo, nunca abdicarei dele. O grafismo, o cheiro, o virar das páginas, o prazer de os conservar acessíveis em qualquer estante são razões mais que sufecientes para não os abandonar à sua sorte. Todo este arrazoado vem a propósito do livro que escolhi para partilhar com quem ler este post "Estrada", de Comarc Maccarthy. A estrutura do livro segue, página a página, como se o leitor caminhasse, lado a lado, com os personagens do livro que se resumem a um pai e um filho na sua longa saga pela sobrevivência. O fôlego da sua leitura vai aumentando com os prazeres da descoberta do amor paternal e filial. A escrita que Comarc nos oferece é objectiva, clara e emotiva. O enredo é simples, mas a teia que o autor nos oferece mantém-nos cativos, impele-nos, quasi sem darmos por isso, à busca compulsiva do seu final que, diga-se de passagem, me emocionou, profundamente. No fundo, bem lá no fundo, todos os leitores compreenderão que, no interior de cada um de nós, há uma espécie de estrada, muitas vezes labirintica, que se faz caminhando por ela, sofrendo ou sorrindo, até ao último passo. Acompanhem Comarc na sua "Estrada" e descubram os atalhos que o amor tece. Boa leitura.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Escrito e postado, directamente, no blogue, em 24 de Janeiro de 2013, na Biblioteca Nacional, entre as 15H08 e as 15H46.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Escrito e postado, directamente, no blogue, em 24 de Janeiro de 2013, na Biblioteca Nacional, entre as 15H08 e as 15H46.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
A BORDO DO MUSTANG
São onze da matina. Acabei de tomar um banho à Macua. Estou nu no meio da sala e o meu corpo contorce-se sob os sons do grupo Haim. Esmero-me no aquecimento fortuito do meu regalo diário. O telemóvel toca e, eu, atendo, sorrindo à voz que me saúda, inundada pelas suavidades das suas modulações ternurentas:
- Olá amor, subo ou desces, sol doirado da minha alma.
- Desço já, donzela da eternidade. É só o tempo de me vestir.
Vesti-me, sem pressa. Umas cuecas violetas, uma camisa plasmada com cores floridas, calças à boca de sino e umas botinas com primeiro andar. Com os dedos revoltei os meus cabelos doirados e espalhei pelo pescoço umas gotas de Boss. Desci com as chaves do meu belo Mustang na mão. Abraçámo-nos e beijámo-nos como já não nos víssemos desde as rimas de um poema, longo e disperso, pelo correio das viagens. Entrámos no Mustang, liguei o motor e, ao ouvir o seu relincho, sorri, abençoado pela vastidão das pradarias que me invadiram o olhar. O telemóvel da Ana relinchou e, eu, aproveitei para ligar o taxímetro das ideias, enquanto me entrava pelos ouvidos a voz de Ana a falar de uma sua exposição - era pintora e escultora - numa galeria, pomposamente chamada, "O Pincel do Pastel". O cavalo, em um galope desenfreado, escapava das palavras que me banhavam as areias movediças de uma espiral que sucumbia nos refrescos que embolavam aos escrutíneos das minhas projecções cósmicas as paixões pela velocidade e pelo fervor da liquidez juvenil. Os sons que brotavam do CD esmagavam a atmosfera interior do Mustang e, sem palavras trocadas, mas por entre carícias, sofregamente esbanjadas, o cavalo, a galope, atingiu os caminhos arborizados da serra de Sintra. Desliguei o CD e, em silêncio, quebrado pelo rugir do vento, adoçámos os nossos pensamentos untados com o ardor dos nossos gestos, ceifámos angústias e pesadelos, e ascendemos ao paraíso da maçã mordiscada pela ternura da nossa vitalidade jovem. Peças de roupa voaram e, sem pudores que listassem os nossos desejos, entregámo-nos a essa jura sexual de sentimentos que criam e desenvolvem as expressões mais belas de corpos bailando entre a sua sedução e os queixumes pachorrentos de um Mustang que testemunhava as acelarações de protões em busca das suas partículas divinas. Selado o choque supremo, rimo-nos e cantámos para as árvores que, fascinadas, observavam, com espanto, a diálise de um amor poroso. Com a fome à deriva nos nossos corpos, liguei-me ao Mustang e cavalgámos direitos ao primeiro restaurante que nos apareceu pela frente. Só o amor nos revela a cor única do tempo mais meigo. O amor e o Mustang.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Escrito e postado, directamente, no blogue, em 23 de Janeiro de 2013, na Biblioteca Nacional, entre as 14H32 e as 15H38
- Olá amor, subo ou desces, sol doirado da minha alma.
- Desço já, donzela da eternidade. É só o tempo de me vestir.
Vesti-me, sem pressa. Umas cuecas violetas, uma camisa plasmada com cores floridas, calças à boca de sino e umas botinas com primeiro andar. Com os dedos revoltei os meus cabelos doirados e espalhei pelo pescoço umas gotas de Boss. Desci com as chaves do meu belo Mustang na mão. Abraçámo-nos e beijámo-nos como já não nos víssemos desde as rimas de um poema, longo e disperso, pelo correio das viagens. Entrámos no Mustang, liguei o motor e, ao ouvir o seu relincho, sorri, abençoado pela vastidão das pradarias que me invadiram o olhar. O telemóvel da Ana relinchou e, eu, aproveitei para ligar o taxímetro das ideias, enquanto me entrava pelos ouvidos a voz de Ana a falar de uma sua exposição - era pintora e escultora - numa galeria, pomposamente chamada, "O Pincel do Pastel". O cavalo, em um galope desenfreado, escapava das palavras que me banhavam as areias movediças de uma espiral que sucumbia nos refrescos que embolavam aos escrutíneos das minhas projecções cósmicas as paixões pela velocidade e pelo fervor da liquidez juvenil. Os sons que brotavam do CD esmagavam a atmosfera interior do Mustang e, sem palavras trocadas, mas por entre carícias, sofregamente esbanjadas, o cavalo, a galope, atingiu os caminhos arborizados da serra de Sintra. Desliguei o CD e, em silêncio, quebrado pelo rugir do vento, adoçámos os nossos pensamentos untados com o ardor dos nossos gestos, ceifámos angústias e pesadelos, e ascendemos ao paraíso da maçã mordiscada pela ternura da nossa vitalidade jovem. Peças de roupa voaram e, sem pudores que listassem os nossos desejos, entregámo-nos a essa jura sexual de sentimentos que criam e desenvolvem as expressões mais belas de corpos bailando entre a sua sedução e os queixumes pachorrentos de um Mustang que testemunhava as acelarações de protões em busca das suas partículas divinas. Selado o choque supremo, rimo-nos e cantámos para as árvores que, fascinadas, observavam, com espanto, a diálise de um amor poroso. Com a fome à deriva nos nossos corpos, liguei-me ao Mustang e cavalgámos direitos ao primeiro restaurante que nos apareceu pela frente. Só o amor nos revela a cor única do tempo mais meigo. O amor e o Mustang.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Escrito e postado, directamente, no blogue, em 23 de Janeiro de 2013, na Biblioteca Nacional, entre as 14H32 e as 15H38
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
AFLUENTES POEMÁTICOS - XXVI - CORPO ETÉREO
Na pastagem idílica do teu olhar infinito
há um rebanho de candeeiros nervosos.
Iluminam a árvore frondosa dos amantes
que florescem no dique das palavras secas,
esse descritor de páginas acesas
pelo lastro do fogo que te fecunda o amor
que em teu peito florido recolhes
sob o Pégaso de uma luxúria navegante
que Neptuno amansa e Apolo excita
para que nas veias do teu sangue efémero
corra a lava vesuviana do eterno pensamento
plantando nas pétalas do vigor ternurento
a estrela fulminante do teu corpo etéreo.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Escrito e postado, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, em 22 de Janeiro de 2013, entre as 16H01 e as 16H20.
há um rebanho de candeeiros nervosos.
Iluminam a árvore frondosa dos amantes
que florescem no dique das palavras secas,
esse descritor de páginas acesas
pelo lastro do fogo que te fecunda o amor
que em teu peito florido recolhes
sob o Pégaso de uma luxúria navegante
que Neptuno amansa e Apolo excita
para que nas veias do teu sangue efémero
corra a lava vesuviana do eterno pensamento
plantando nas pétalas do vigor ternurento
a estrela fulminante do teu corpo etéreo.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Escrito e postado, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, em 22 de Janeiro de 2013, entre as 16H01 e as 16H20.
DIÁRIOS - III
Nestes diários de pássaros diluvianos pergunto à interrogação que me transcreve as edições dos meus estados de alma que lamaçal é este em que, estulticiamente, me escondem nas prateleiras do sabiá. Vá lá saber-se o que eles são...A paciência que me atola os sentidos, desdobra-se em fornadas de tumultos interiores que são de difícil diagnóstico. Não me envaideço por nada deste mundo, onde os pássaros esvoaçam em encantamentos que só um deslumbramento de um voo picado arrefece o ânimo de uma escrita que vai para além do que é um factor normalizado nas gargantas de um digitalismo feroz que afoga em artes de insignificância o prazer de um gosto, limpo de preces inúteis. Se tenho asas, pouco importa. Abraço os desejos da longevidade na superficialidade da distância que tenho que percorrer para que a liberdade que me sustenta o olhar seja a noite lunar que me sossega os tormentos de uma imbecilidade que paira sobre a arte falsa de lábios parasitas. Desgostam-me parêntisis de borras decadentes que, de um modo altivo, se encadeiam com os romanceiros da criolina decadente. Ambiciono o que a ambição não ambiciona. Vagueio, por entre as esterias da solidão, complacente com as raivinhas de um estômago que, sem defesas, absorve os sumos ideais de ser a mestria de uma Humanidade que respira a serenidade de um poente admirável. Voo, pássaro livre, por entre horizontes de fragilidades, endurecidas com o aço da experiência. Construo caracois de células solares e restauro o princípio básico de ser o que o futuro será.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Biblioteca Nacional, 22 de Janeiro de 2013, entre as 14H14 e as 14H45
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Biblioteca Nacional, 22 de Janeiro de 2013, entre as 14H14 e as 14H45
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
GOMOS DE UMA VIDA - 5º GOMO - ÚLTIMO
A noite é um prazer dócil de se viver, mesmo se nuvens grávidas de silêncio nos enviam as suas dores de parto ao parirem uma chuva miudinha, infantil, de tão fresca no acto de nos enfeitiçar o corpo de andarilhos. Esquadrinhei a praceta com o olhar desprendido de quem nada reconhece. Recolhi a filosofia de nada sentir sentido tudo o que se desprendia do seu cor...po, agora hirto, olhos chamejantos fitos em um horizonte que as pelejas do seu pensamento descortinavam por entre as brumas da sua inocência instável. Relâmpagos faiscaram, cortaram-me a fixidez do olhar que se vestiu de espanto ao deparar com um corpo feminino, nocturno na sua nudez, felino na riqueza escultural do seu caminhar e uns olhos que, de uma intensidade luminosa, pareciam duas estrelas fugidas do cosmos cintilante. Aproximou-se, com a mudez do seu ritmo corporal, daquele estranho que me cativara os sentidos e, com a desenvoltura de uma amante, acariciou-lhe os cabelos rebeldes, aninhou a sua cabeça entre os seus seios entumescidos, beijou-lhe os lábios cerrados e com um abraço forrado de carinho ergueu-o, levando-o para o interior de uma névoa, entretanto, surgida do nada. Um estranho perfume envolveu-me, como que me despindo da vida. A chuva bebeu-me o corpo, a névoa desfez-se e senti uma estranha solidão a embebedar o hálito nocturno. Alfarroba. Onde fica, onde estou? Não sei, talvez, na imaginação invisível de um corpo secreto. A lua cheia, o lago de águas prateadas. Despi-me e, sem tristezas, penetrei, profundo, na melodia serena das suas águas.
Jorge Manuel Brasil Mesquita.
Biblioteca Nacional, 18 de Janeiro de 2013, entre as 14h05 e as 15ho1.
Jorge Manuel Brasil Mesquita.
Biblioteca Nacional, 18 de Janeiro de 2013, entre as 14h05 e as 15ho1.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
GOMOS DE UMA VIDA - 4º GOMO
A noite é um fascínio, a vida de uma interrogação é um algarismo sem dicionário. Descobrem-se os seus sinónimos na ravina dos seus conceitos. Os pensamentos que me sangravam o poiso luarento de uma sequência imaginária de cenas insaciáveis foram, rispidamente, decepados pela frescura mórbida de umas gargalhadas que incendiaram a noite com os prazeres de uma festividade ...inédita. A claquete da sua voz suspendeu-as.
- Sou filho do silêncio e da razão, sou o futuro de todas as memórias que vestem este corpo de melancolias inóspitas.
- Que memórias, que tempos as vestem?
- Não sei, desconheço a trivialidade do seu consumo em leitos de perfume. Cada passo que dou é um vestígio lunar que pontifica na natureza do meu refúgio mais solene.
Nada mais disse, refugiou-se entre a solidão de um peso e a atmosfera híbrida do seu convento verbal. Levantei-me. Vagabundei, um pouco, pela praceta. Vasculhei a noite e as cores do seu humanismo solitário. Observei o bailado das nuvens que revelavam no seu passeio discreto alterações atmosféricas que se casariam com o hálito nocturno. Observei-o de vários ângulos. Parecia ter adormecido. No entanto, os seus olhos luziam, parecendo os farois de um temporal na calma suicida de um novelo sufocante. Sentei-me a seu lado. Não se moveu, não deu pela minha presença. A súbita obscuridade que abraçara a noite transformou-o em uma espécie de estátua cujos contornos fustigavam a embalagem da sua vida.
Jorge Manuel Brasil Mesquita.
Biblioteca Nacional, 17 de Janeiro de 2013, entre as 14h36 e as 15h20.
- Sou filho do silêncio e da razão, sou o futuro de todas as memórias que vestem este corpo de melancolias inóspitas.
- Que memórias, que tempos as vestem?
- Não sei, desconheço a trivialidade do seu consumo em leitos de perfume. Cada passo que dou é um vestígio lunar que pontifica na natureza do meu refúgio mais solene.
Nada mais disse, refugiou-se entre a solidão de um peso e a atmosfera híbrida do seu convento verbal. Levantei-me. Vagabundei, um pouco, pela praceta. Vasculhei a noite e as cores do seu humanismo solitário. Observei o bailado das nuvens que revelavam no seu passeio discreto alterações atmosféricas que se casariam com o hálito nocturno. Observei-o de vários ângulos. Parecia ter adormecido. No entanto, os seus olhos luziam, parecendo os farois de um temporal na calma suicida de um novelo sufocante. Sentei-me a seu lado. Não se moveu, não deu pela minha presença. A súbita obscuridade que abraçara a noite transformou-o em uma espécie de estátua cujos contornos fustigavam a embalagem da sua vida.
Jorge Manuel Brasil Mesquita.
Biblioteca Nacional, 17 de Janeiro de 2013, entre as 14h36 e as 15h20.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
GOMOS DE UMA VIDA - 3º GOMO
O diálogo da vida pode ser monótono e, a brevidade do seu sumo, o prazer descascado de uma ironia metálica. Decifrar a riqueza de uma monotonia é encontrar nas profundezas de uma alma fictícia o volume da sua essência. Escapei às dúvidas do verbo ser e sentei-me a seu lado. Não se mostrou incomodado. Apagou o seu cigarro e projectou-se nas trevas da sua existência. Enco...lheu-se no banco, os seus olhos pareciam duas fontes de imagens suculentas. A violência do silêncio foi digerida pelas melodias de notas forradas de pranto imaginado.
- A minha infância foi leve e curta. Durou enquanto o riso foi original, enquanto não descobri que o tempo é uma região obscura onde os abraços das suas raízes são labirintos de medo ou de névoas que se aprendem a dissipar com a nudez do ritmo racional. A adolescência foi uma liana na floresta do desconhecido. Criei aparições, inventei imagens de um futuro que se revelou em tranças de mistérios e de promontórios de mar revoltado. Não me recordo da idade adulta.
Endireitou o corpo, imobilizou-se como uma estátua, e, nos seus lábios finos, onde havia frieza, desnovelou-se a cadeia sincopada do cinismo. Olhei para as águas do lago que reflectiam a luz prateada de uma lua cheia que esfaqueara, sem dor, a multiplicidade caótica da noite sórdida. Um mocho piou, um lobo uivou.
Jorge Manuel Brasil Mesquita.
Biblioteca Nacional, 16 de Janeiro de 2013, entre as 14h42 e as 15h25.s
- A minha infância foi leve e curta. Durou enquanto o riso foi original, enquanto não descobri que o tempo é uma região obscura onde os abraços das suas raízes são labirintos de medo ou de névoas que se aprendem a dissipar com a nudez do ritmo racional. A adolescência foi uma liana na floresta do desconhecido. Criei aparições, inventei imagens de um futuro que se revelou em tranças de mistérios e de promontórios de mar revoltado. Não me recordo da idade adulta.
Endireitou o corpo, imobilizou-se como uma estátua, e, nos seus lábios finos, onde havia frieza, desnovelou-se a cadeia sincopada do cinismo. Olhei para as águas do lago que reflectiam a luz prateada de uma lua cheia que esfaqueara, sem dor, a multiplicidade caótica da noite sórdida. Um mocho piou, um lobo uivou.
Jorge Manuel Brasil Mesquita.
Biblioteca Nacional, 16 de Janeiro de 2013, entre as 14h42 e as 15h25.s
GOMOS DE UMA VIDA - 2º GOMO
A proximidade raspou no meu olhar um rosto anguloso, chupado pelos cânticos dos pássaros desvairados. O cabelo, negro como as noites mais profundas, espalhava-se revolto e pendia, levemente, sobre a testa, alta e soberana. Os olhos vítreos, presos em algum vestígio memorial, fundiam-se com a longevidade do tempo. A suave cadência dos meus passos não lhe sobressaltaram a... expressão vadia.
- Posso se...ntar-me?
- Para quê?
- Para esventrar o silêncio da noite
- E se fosse parir?
- Talvez seja melhor. O sentido da vida é outro.
- A vida é uma cruz nas migalhas da nossa viagem temporal.
Como um sopro que se esvai nas dobras de uma onda felina a sua voz perdeu-se na escultura da sua densidade emocional. O seu olhar, em reflexos violácios, escapou-se, por breves instantes, para onde as fronteiras são hipnoses imateriais. A distância não me refreou o ímpeto de rasgar o manto esquelético que parecia implantado entre o desejo de penetrar o escudo da vida que, ante mim, floria murcho e o meu instinto de cabra cega.
Jorge Manuel Brasil Mesquita.
Biblioteca Nacional, 15 de Janeiro de 2013, entre as 14h46 e as 15h13.s
- Posso se...ntar-me?
- Para quê?
- Para esventrar o silêncio da noite
- E se fosse parir?
- Talvez seja melhor. O sentido da vida é outro.
- A vida é uma cruz nas migalhas da nossa viagem temporal.
Como um sopro que se esvai nas dobras de uma onda felina a sua voz perdeu-se na escultura da sua densidade emocional. O seu olhar, em reflexos violácios, escapou-se, por breves instantes, para onde as fronteiras são hipnoses imateriais. A distância não me refreou o ímpeto de rasgar o manto esquelético que parecia implantado entre o desejo de penetrar o escudo da vida que, ante mim, floria murcho e o meu instinto de cabra cega.
Jorge Manuel Brasil Mesquita.
Biblioteca Nacional, 15 de Janeiro de 2013, entre as 14h46 e as 15h13.s
GOMOS DE UMA VIDA - 1º GOMO
Alfarroba. Do anoitecer pálido nada sobra. O cavalo da noite varre as sombras da rua e ilumina a praceta onde se sente o hálito de uma atmosfera sórdida. Os meus olhos, cansados de tanta nudez viva, observam no asfalto de um candeeiro mortiço a figura recortada de um homem que se senta na iminência parda de um banco equestre. Espreito-lhe o rosto subornado pela velhi...ce e descubro no seu olhar o brilho racional da comicidade e a da ironia bastarda. Entre os seus lábios finos dança a cigarra meia calada de um cigarro meio morto. Veste um casaco com gola de pele, uma camisa de flanela e umas calças coçadas de ganga. Olhámo-nos como se fôssemos a teoria de uma conspiração falhada. Levantei-me e, sem que a flacidez dos músculos me detivesse, aproximei-me cauteloso.
Jorge Manuel Brasil Mesquita.
Biblioteca Nacional, 14 de Janeiro de 2013 - 15h40 - 16H01.
Jorge Manuel Brasil Mesquita.
Biblioteca Nacional, 14 de Janeiro de 2013 - 15h40 - 16H01.
terça-feira, 10 de julho de 2012
DIÁRIOS - II
Hoje acordei morto. Fingi que me lavei, vesti-me como se veste um vivo, tomei um pequeno-almoço qualquer e escapei de casa, dirigindo-me à estação de caminhos de ferro de Oeiras. Apanhei o comboio que pára em todas as estações, porque adoro apreciar os vivos que entram e saem sugando vidas que desconhecem, abraçando com as pupilas os mortos que não se vêem e que não os vêem. Como, hoje, vivo morto, ninguém repara no cheiro a chá de cidreira que espalho por onde passo. Cheguei ao Cais do Sodré, subi a rua do Alecrim, cantando canções que ninguém ouvia. Quem se interessa pelos sons de um morto que vive a vida de um vivo que não se encontra vivo. Passei pelo Chiado e observei com minúcia a estátua do poeta cheio de nomes. Não gosto da estátua. Falta-lhe a arca e o poema do guardador de rebanhos. Rebanhos que, como eu, sobem e descem o Chiado, chilreando como passaritos sem poiso certo. Vivos ou mortos, como eu?
Parei em frente a uma montra na Rua do Carmo. Poderá um morto apaixonar-se por um manequim, exposto na montra de uma boutique? Afinal, com tantos manequins que se riem e conversam na rua, logo havia eu de me apaixonar por um manequim. Como morto, ninguém reparou que entrei na boutique, que surripiei o manequim e que fomos, ébrios de vida, dançar para o meio da rua. Parece que só eu ouvia a música que nos embalava, só eu era o metrómono do meu ritmo de morto. Assim que me cansei, devolvi o manequim à montra e enfiei-me no metro. Saí em São Sebastião e fui ao cinema, entusiasmado por poder ver um filme do grande detective Sherlock Holmes. Poderá um morto assassinar a morte de uma película cinematográfica? Descobri no final de uma desilusão que não, embora as minhas cavidades oculares estivessem em brasa, mas juro que não queimaram nada. Comi qualquer coisa na restauração do Corte Inglês, meti-me no metro e regressei a casa, acompanhado por uma multidão de vivos, ou, talvez, quem o saberá, de outros mortos como eu, mas sem que ainda se tenham apercebido de tal. À noite, vesti-me de vivo, deitei-me na cama e sonhei como morto. Sonhei com essa maldita pergunta que perdurou para além de toda a ciência flutuante. Estarei vivo, como vivo, ou vivo, como morto? Não sei, nem quero saber. Um morto, nunca quer saber de nada, excepto quando é embalado pelo prazer da vida.Centro Cultural de Belém, 09/01/2010 - Jorge Brasil Mesquita - 16H16
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado e corrigido, directamente, no blogue, em 10 de Julho de 2012, na Biblioteca Nacional, entre as 16H18 e as 16H29 do dia 10 de Julho de 2012.
Parei em frente a uma montra na Rua do Carmo. Poderá um morto apaixonar-se por um manequim, exposto na montra de uma boutique? Afinal, com tantos manequins que se riem e conversam na rua, logo havia eu de me apaixonar por um manequim. Como morto, ninguém reparou que entrei na boutique, que surripiei o manequim e que fomos, ébrios de vida, dançar para o meio da rua. Parece que só eu ouvia a música que nos embalava, só eu era o metrómono do meu ritmo de morto. Assim que me cansei, devolvi o manequim à montra e enfiei-me no metro. Saí em São Sebastião e fui ao cinema, entusiasmado por poder ver um filme do grande detective Sherlock Holmes. Poderá um morto assassinar a morte de uma película cinematográfica? Descobri no final de uma desilusão que não, embora as minhas cavidades oculares estivessem em brasa, mas juro que não queimaram nada. Comi qualquer coisa na restauração do Corte Inglês, meti-me no metro e regressei a casa, acompanhado por uma multidão de vivos, ou, talvez, quem o saberá, de outros mortos como eu, mas sem que ainda se tenham apercebido de tal. À noite, vesti-me de vivo, deitei-me na cama e sonhei como morto. Sonhei com essa maldita pergunta que perdurou para além de toda a ciência flutuante. Estarei vivo, como vivo, ou vivo, como morto? Não sei, nem quero saber. Um morto, nunca quer saber de nada, excepto quando é embalado pelo prazer da vida.Centro Cultural de Belém, 09/01/2010 - Jorge Brasil Mesquita - 16H16
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado e corrigido, directamente, no blogue, em 10 de Julho de 2012, na Biblioteca Nacional, entre as 16H18 e as 16H29 do dia 10 de Julho de 2012.
MEMÓRIAS SONORAS - XXII - "A HARD RAIN' S A-GONNA FALL"
A memória é uma espécie de computador onde se podem pesquisar factos históricos que justificam o nascimento de composições musicais que se tornaram em bandeiras ou em manifestações de oposição a erros políticos que inúmeras vezes se transformam em riscos para a Humanidade.
Estão, neste caso, os acontecimentos ocorridos entre 1961 e 1963, entre os EUA e a União Soviética, que graças à ingenuidade e imaturidade política do Presidente Kennedy dos EUA, provocaram o desastre da Baía dos Porcos. Sucederam-se a tentativa de envenenamento de Fidel de Castro, o bloqueio naval e, sobretudo, a crise dos mísseis, todos eles ligados a Cuba e que estiveram na origem de uma quase catástrofe nuclear. As oposições musicais que surgiram, especialmente, entre os Folk Singers estado-unidenses, contribuiram para o aumento da popularidade de Bob Dylan que já havia conquistado grande notoriedade com o tema “Blowing In The Wind” que não é a minha memória sonora. Esta refere-se a outra composição que Bob Dylan considerou como uma espécie de epitáfio musical, tal era a convicção do desespero que reinava nesse tempo. A composição chama-se “A Hard Rain´S Gonna Fall”. Seguindo o próprio pensamento de Dylan, o verso chave da canção é “The Pellets Of Poison Are Flooding Us All”. A canção foi escrita no final de 1962 e, incluída, no álbum “Freewheelin”, de 1963.
Como é habitual apresento a seguir o acesso ao You Tube e a letra da composição:
vids.myspace.com/index.cfm?fuseaction=vids.individual&videoid=31363243
A Hard Rain's A-Gonna Fall
Oh, where have you been, my blue-eyed son?
Oh, where have you been, my darling young one?
I've stumbled on the side of twelve misty mountains,
I've walked and I've crawled on six crooked highways,
I've stepped in the middle of seven sad forests,
I've been out in front of a dozen dead oceans,
I've been ten thousand miles in the mouth of a graveyard,
And it's a hard, and it's a hard, it's a hard, and it's a hard,
And it's a hard rain's a-gonna fall.
Oh, what did you see, my blue-eyed son?
Oh, what did you see, my darling young one?
I saw a newborn baby with wild wolves all around it
I saw a highway of diamonds with nobody on it,
I saw a black branch with blood that kept drippin',
I saw a room full of men with their hammers a-bleedin',
I saw a white ladder all covered with water,
I saw ten thousand talkers whose tongues were all broken,
I saw guns and sharp swords in the hands of young children,
And it's a hard, and it's a hard, it's a hard, it's a hard,
And it's a hard rain's a-gonna fall.
And what did you hear, my blue-eyed son?
And what did you hear, my darling young one?
I heard the sound of a thunder, it roared out a warnin',
Heard the roar of a wave that could drown the whole world,
Heard one hundred drummers whose hands were a-blazin',
Heard ten thousand whisperin' and nobody listenin',
Heard one person starve, I heard many people laughin',
Heard the song of a poet who died in the gutter,
Heard the sound of a clown who cried in the alley,
And it's a hard, and it's a hard, it's a hard, it's a hard,
And it's a hard rain's a-gonna fall.
Oh, who did you meet, my blue-eyed son?
Who did you meet, my darling young one?
I met a young child beside a dead pony,
I met a white man who walked a black dog,
I met a young woman whose body was burning,
I met a young girl, she gave me a rainbow,
I met one man who was wounded in love,
I met another man who was wounded with hatred,
And it's a hard, it's a hard, it's a hard, it's a hard,
It's a hard rain's a-gonna fall.
Oh, what'll you do now, my blue-eyed son?
Oh, what'll you do now, my darling young one?
I'm a-goin' back out 'fore the rain starts a-fallin',
I'll walk to the depths of the deepest black forest,
Where the people are many and their hands are all empty,
Where the pellets of poison are flooding their waters,
Where the home in the valley meets the damp dirty prison,
Where the executioner's face is always well hidden,
Where hunger is ugly, where souls are forgotten,
Where black is the color, where none is the number,
And I'll tell it and think it and speak it and breathe it,
And reflect it from the mountain so all souls can see it,
Then I'll stand on the ocean until I start sinkin',
But I'll know my song well before I start singin',
And it's a hard, it's a hard, it's a hard, it's a hard,
It's a hard rain's a-gonna fall.
Bob Dylan
Copyright ©1963; renewed 1991 Special Rider Music
Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado e corrigido, em 10 de Julho de 2012, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, entre as 14H55 e as 15H03 do dia 10 de Julho de 2012.
Estão, neste caso, os acontecimentos ocorridos entre 1961 e 1963, entre os EUA e a União Soviética, que graças à ingenuidade e imaturidade política do Presidente Kennedy dos EUA, provocaram o desastre da Baía dos Porcos. Sucederam-se a tentativa de envenenamento de Fidel de Castro, o bloqueio naval e, sobretudo, a crise dos mísseis, todos eles ligados a Cuba e que estiveram na origem de uma quase catástrofe nuclear. As oposições musicais que surgiram, especialmente, entre os Folk Singers estado-unidenses, contribuiram para o aumento da popularidade de Bob Dylan que já havia conquistado grande notoriedade com o tema “Blowing In The Wind” que não é a minha memória sonora. Esta refere-se a outra composição que Bob Dylan considerou como uma espécie de epitáfio musical, tal era a convicção do desespero que reinava nesse tempo. A composição chama-se “A Hard Rain´S Gonna Fall”. Seguindo o próprio pensamento de Dylan, o verso chave da canção é “The Pellets Of Poison Are Flooding Us All”. A canção foi escrita no final de 1962 e, incluída, no álbum “Freewheelin”, de 1963.
Como é habitual apresento a seguir o acesso ao You Tube e a letra da composição:
vids.myspace.com/index.cfm?fuseaction=vids.individual&videoid=31363243
A Hard Rain's A-Gonna Fall
Oh, where have you been, my blue-eyed son?
Oh, where have you been, my darling young one?
I've stumbled on the side of twelve misty mountains,
I've walked and I've crawled on six crooked highways,
I've stepped in the middle of seven sad forests,
I've been out in front of a dozen dead oceans,
I've been ten thousand miles in the mouth of a graveyard,
And it's a hard, and it's a hard, it's a hard, and it's a hard,
And it's a hard rain's a-gonna fall.
Oh, what did you see, my blue-eyed son?
Oh, what did you see, my darling young one?
I saw a newborn baby with wild wolves all around it
I saw a highway of diamonds with nobody on it,
I saw a black branch with blood that kept drippin',
I saw a room full of men with their hammers a-bleedin',
I saw a white ladder all covered with water,
I saw ten thousand talkers whose tongues were all broken,
I saw guns and sharp swords in the hands of young children,
And it's a hard, and it's a hard, it's a hard, it's a hard,
And it's a hard rain's a-gonna fall.
And what did you hear, my blue-eyed son?
And what did you hear, my darling young one?
I heard the sound of a thunder, it roared out a warnin',
Heard the roar of a wave that could drown the whole world,
Heard one hundred drummers whose hands were a-blazin',
Heard ten thousand whisperin' and nobody listenin',
Heard one person starve, I heard many people laughin',
Heard the song of a poet who died in the gutter,
Heard the sound of a clown who cried in the alley,
And it's a hard, and it's a hard, it's a hard, it's a hard,
And it's a hard rain's a-gonna fall.
Oh, who did you meet, my blue-eyed son?
Who did you meet, my darling young one?
I met a young child beside a dead pony,
I met a white man who walked a black dog,
I met a young woman whose body was burning,
I met a young girl, she gave me a rainbow,
I met one man who was wounded in love,
I met another man who was wounded with hatred,
And it's a hard, it's a hard, it's a hard, it's a hard,
It's a hard rain's a-gonna fall.
Oh, what'll you do now, my blue-eyed son?
Oh, what'll you do now, my darling young one?
I'm a-goin' back out 'fore the rain starts a-fallin',
I'll walk to the depths of the deepest black forest,
Where the people are many and their hands are all empty,
Where the pellets of poison are flooding their waters,
Where the home in the valley meets the damp dirty prison,
Where the executioner's face is always well hidden,
Where hunger is ugly, where souls are forgotten,
Where black is the color, where none is the number,
And I'll tell it and think it and speak it and breathe it,
And reflect it from the mountain so all souls can see it,
Then I'll stand on the ocean until I start sinkin',
But I'll know my song well before I start singin',
And it's a hard, it's a hard, it's a hard, it's a hard,
It's a hard rain's a-gonna fall.
Bob Dylan
Copyright ©1963; renewed 1991 Special Rider Music
Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado e corrigido, em 10 de Julho de 2012, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, entre as 14H55 e as 15H03 do dia 10 de Julho de 2012.
segunda-feira, 9 de julho de 2012
DIÁRIOS - I
Saí de casa, bem cedinho, com um caderninho e uma esferográfica na mão. Caminhava indiferente ao tempo chuvoso, enquanto ia cantarolando qualquer coisa imperceptível para enganar todos os pensamentos que me aprisionavam. Entrei num café, sentei-me numa mesa junto da janela e pedi um garrafa de água natural, sem gás. Assim que a depositaram na mesa, bebi uns quantos goles e, depois, abri o caderninho, e, de esferográfica em punho, fui escrevendo, ao acaso, uma cachoeira de palavras até que fui invadido pelo fastio. Fechei o caderninho, cruzei os braços sobre o peito e fechei os olhos, fingindo que dormitava. Desconheço o tempo que passou. Abri o caderninho e tentei descobrir no emaranhado das palavras escritas um sentido qualquer. Pareciam palavras isentas de honestidade, aprendidas como quem com elas se disfarça com o intuito de cozinhar um rodeo de segredos e de mentiras que rimam com as deontologias da ilusão. Tentei fazer com elas um alfabeto e desenhar, no meu pensamento, uma luz clara que a todos iluminasse o caminho da verdade. Foi uma leitura inútil. Quanto mais olhava para as palavras, mais poeira lançava para o interior de mim mesmo. Não que eu seja cego, mas quando se interlaçam os mistérios e os sons de uma floresta, é quase certo que rebenta uma disfunção cerebral qualquer que não me permite celebrar palavras que se riem de mim com as grossas gargalhadas de pavões que, com os seus leques abertos de cores, ficam óptimas em uma passerelle, onde os supra sumos da sapiência ditam as palavras das insuficiências culturais. As palavras escritas não se resumiam de maneira nenhuma, não explodiam em ideias, foram o reflexo de um dia chuvoso.
Paguei a água, levantei-me e abandonei o café, gastando o resto do dia em passeios ao acaso. Usei-os como um subterfúgio para me esconder de mim próprio. A noite crescia quando regressei a casa, onde, com um pouco de música, adormeci, rastejando pelo mundo envidraçado dos sonhos. E, assim, se passou mais um dia na vida de quem sabe que a vida é um mero segundo de palavras abertas e de sentidos desérticos.
Biblioteca de Oeiras, 09/01/2010 - Jorge Brasil Mesquita - 15H01
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, directamente, no blogue, em 09 de Julho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 16H03. Corrigido, em 10 de Julho de 2012, às 14H43.
Paguei a água, levantei-me e abandonei o café, gastando o resto do dia em passeios ao acaso. Usei-os como um subterfúgio para me esconder de mim próprio. A noite crescia quando regressei a casa, onde, com um pouco de música, adormeci, rastejando pelo mundo envidraçado dos sonhos. E, assim, se passou mais um dia na vida de quem sabe que a vida é um mero segundo de palavras abertas e de sentidos desérticos.
Biblioteca de Oeiras, 09/01/2010 - Jorge Brasil Mesquita - 15H01
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, directamente, no blogue, em 09 de Julho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 16H03. Corrigido, em 10 de Julho de 2012, às 14H43.
MEMÓRIAS SONORAS - XXI - "WOODSTOCK"
O Festival de Woodstock, realizado nos dias 15, 16 e 17 de Agosto de 1969, na herdade de Max Yasgur, Estado de Nova Iorque, foi, simultaneamente, o apogeu e o início do declínio do movimento de contra-cultura e hippie, iniciado em San Francisco e tendo como mentores os elementos fundadores da Beat Generation e que foi engolido pelo Sistema com a maior das naturalidades. Contudo, não é com o Festival que preencherei esta memória sonora, mas sim com a composição “Woodstock” que é uma celebração do Festival e que foi composta por essa grande senhora da música popular, Joni Mitchell, em 1969 e editada no seu álbum “Ladies of The Canyon” de 1970. Porém, não é a sua versão, nem a dos seus amigos e companheiros Crosby, Stills, Nash and Young que se encontra no álbum “Deja Vu” de 1970. Esta memória sonora pertence ao grupo Matthews Southern Comfort de Ian Matthews, que, entretanto, havia abandonado os Fairport Convention. A versão é uma mistura de Folk, açúcar e harmonias vocais que brilham pela limpidez e que traduzem, em minha opinião, o ambiente que se viveu no Festival.
www.youtube.com/watch?v=pyTUF5gP2KE
Woodstock Lyrics
I came upon a child of God
He was walking along the road
And I asked him, "Where are you going?"
And this he told me...
I'm going on down to Yasgur's Farm,
I'm gonna join in a rock and roll band.
I'm gonna camp out on the land.
I'm gonna get my soul free.
We are stardust.
We are golden.
And we've got to get ourselves back to the garden.
Then can I walk beside you?
I have come here to lose the smog,
And I feel to be a cog in something turning.
Well maybe it is just the time of year,
Or maybe it's the time of man.
I don't know who I am,
But you know life is for learning.
We are stardust.
We are golden.
And we've got to get ourselves back to the garden.
By the time we got to Woodstock,
We were half a million strong
And Everywhere there was song and celebration.
And I dreamed I saw the bombers
Riding shotgun in the sky,
And they were turning into butterflies
Above our nation.
We are stardust..
We are golden..
And we've got to get ourselves back to the garden.
Joni Mitchell
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, directamente, no blogue, em 09 de Julho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H22.
www.youtube.com/watch?v=pyTUF5gP2KE
Woodstock Lyrics
I came upon a child of God
He was walking along the road
And I asked him, "Where are you going?"
And this he told me...
I'm going on down to Yasgur's Farm,
I'm gonna join in a rock and roll band.
I'm gonna camp out on the land.
I'm gonna get my soul free.
We are stardust.
We are golden.
And we've got to get ourselves back to the garden.
Then can I walk beside you?
I have come here to lose the smog,
And I feel to be a cog in something turning.
Well maybe it is just the time of year,
Or maybe it's the time of man.
I don't know who I am,
But you know life is for learning.
We are stardust.
We are golden.
And we've got to get ourselves back to the garden.
By the time we got to Woodstock,
We were half a million strong
And Everywhere there was song and celebration.
And I dreamed I saw the bombers
Riding shotgun in the sky,
And they were turning into butterflies
Above our nation.
We are stardust..
We are golden..
And we've got to get ourselves back to the garden.
Joni Mitchell
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, directamente, no blogue, em 09 de Julho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H22.
sábado, 7 de julho de 2012
FRICÇÕES - VIII - VETO AOS SUBSÍDOS
CORTES DOS SUBSÍDIOS DE FÉRIAS E DO NATAL: O TRIBUNAL CONSTITUCIONAL VETA E NÃO VETA, O GOVERNO EMBOLSA O VETO COM O SEU MEIO VETO. SERÁ QUE O MEIO VETO NÃO É INCONSTITUCIONAL?
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, escrito e corrigido, directamente, no blogue, em 07 de Julho de 2012, na Biblioteca Nacional, entre as 13H31 e as 13H35 do dia 07 de Julho de 2012 e, às 15H24.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, escrito e corrigido, directamente, no blogue, em 07 de Julho de 2012, na Biblioteca Nacional, entre as 13H31 e as 13H35 do dia 07 de Julho de 2012 e, às 15H24.
quarta-feira, 4 de julho de 2012
AFLUENTES POEMÁTICOS - XXV - MURAL
NO SILÊNCIO QUE SE ADORA
HÁ PRISÕES DE ASFALTO
QUE ATRAVESSAM A HORA
COM O RISO DE QUEM CHORA
E A FEBRE DE UM ASSALTO
À SOLIDÃO QUE RESVALA
ENTRE A DOR QUE TUDO EMBALA
E A CORTE DA AGONIA
QUE EM TUDO FANTASIA.
SÃO AS JORNAS DO DESTINO
NAS OLHEIRAS DOS AFAGOS
ESSES CÂNTICOS SEM TINO
QUE ROMPEM VAGAS E BAGOS
ÀS GARGANTAS DO SEGREDO
E ÀS CAMAS DO DEGREDO.
NO SILÊNCIO QUE DEVORA
A ESPERA DA ESPERANÇA
HÁ UM AMOR QUE NAMORA
A TRISTEZA DE QUEM DANÇA
E O FUTURO DA CORAGEM
NA PINTURA DA MENSAGEM
QUE SE ABRAÇA AO MURAL
DO FASCÍNIO MAIS CARNAL.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado e escrito, directamente, no blogue, em 04 de Julho de 2012, na Biblioteca Nacional, entre as 16H17 e as 16H51 do dia 04 de Julho de 2012.
HÁ PRISÕES DE ASFALTO
QUE ATRAVESSAM A HORA
COM O RISO DE QUEM CHORA
E A FEBRE DE UM ASSALTO
À SOLIDÃO QUE RESVALA
ENTRE A DOR QUE TUDO EMBALA
E A CORTE DA AGONIA
QUE EM TUDO FANTASIA.
SÃO AS JORNAS DO DESTINO
NAS OLHEIRAS DOS AFAGOS
ESSES CÂNTICOS SEM TINO
QUE ROMPEM VAGAS E BAGOS
ÀS GARGANTAS DO SEGREDO
E ÀS CAMAS DO DEGREDO.
NO SILÊNCIO QUE DEVORA
A ESPERA DA ESPERANÇA
HÁ UM AMOR QUE NAMORA
A TRISTEZA DE QUEM DANÇA
E O FUTURO DA CORAGEM
NA PINTURA DA MENSAGEM
QUE SE ABRAÇA AO MURAL
DO FASCÍNIO MAIS CARNAL.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado e escrito, directamente, no blogue, em 04 de Julho de 2012, na Biblioteca Nacional, entre as 16H17 e as 16H51 do dia 04 de Julho de 2012.
CRITICARTE - XVIII - "OS COMBOIOS VÃO PARA O PURGATÓRIO"
Um escritor é tanto mais suculento quanto maior for a sua capacidade de transformar em um delírio contínuo o sumo ritmado da sua prosa musculada. Um breve comentário introdutório para, resumidamente, abordar um livro que encantou a minha sensibilidade: "Os Comboios Vão para o Purgatório", de Hernán Rivera Letelier. Um comboio atravessa as entranhas do deserto de Atacama, no Chile, levando no seu interior uma multidão de sabores, um mercado de emoções e de paixões que se vão criando e desenvolvendo ao longo de uma viagem cujo destino é a ignorância de um futuro ausente. Leitura iniciada e, passageiros do comboio, percorremos, quasi sem fôlego, o cordão umbilical da sua viagem. Um belo livro!
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado e escrito, directamente, no blogue, em 04 de Julho de 2012, na Biblioteca Nacional, entre as 15H05 e as 15H22 do dia 04 de Julho de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado e escrito, directamente, no blogue, em 04 de Julho de 2012, na Biblioteca Nacional, entre as 15H05 e as 15H22 do dia 04 de Julho de 2012.
FALTA DE APETITE
Hoje, falta-me, em apetite, o que me sobra em desleixo escriturário. Os meus olhos são os chips secretos do que escrevo e do que transmito para que outros olhos de leitura automática se esquivem à consulta de um original que preza os castiçais da sua castidade. Quero lá saber que os apetites sejam como o azeite que vêem à tona da água para demonstrar a veracidade aos que conjuram as mentiras do seu suporte. A escrita é um recreio onde brincam as palavras dos jogos que me aliviam o stress humanístico de uma reforma fisgada pelas ondas da austeridade. Escrevo porque me apetece. Descanso os verbos para que os adjectivos não tenham substantivos. É um carrocel de identidades argutas que distendem os seus augustos abraços por todos aqueles que se atrevem a escapar às manipulações que outros subscrevem de uma forma despudorada. O eldorado de uns é a ruína de outros, facto que todos estimam e engolem para que as suas ternuras não se ofendam com a caliça de um cérebro oco. Não tenham pena deste autor, nem dos seus direitos que são oferenda de lautos banquetes e de pagodes da velha ciência para que o alvo a atingir sejam estas linhas de embalagens titânicas. Tudo tentam para me castrar a personalidade que não está à venda, que não se entrega ao acantonamento da sua liberdade. Os olhos podem filmar, mas a razão que os sustenta é um guião que não cabe na memória de todos aqueles que os usurpam. Quero lá saber do que não sei e do que sei saber.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado e escrito, directamente, no blogue, em 04 de Julho de 2012, na Biblioteca Nacional, èntre as 13H58 e as 14H31 do dia 04 de Julho de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado e escrito, directamente, no blogue, em 04 de Julho de 2012, na Biblioteca Nacional, èntre as 13H58 e as 14H31 do dia 04 de Julho de 2012.
MINIATURAS - XII
O EMPOBRECIMENTO DA CULTURA DEVE-SE À CULTURA DO EMPOBRECIMENTO.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado e escrito, directamente, no blogue, em 04 de Julho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H50.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado e escrito, directamente, no blogue, em 04 de Julho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H50.
terça-feira, 3 de julho de 2012
HARMONICA BLUES - VI
Os diabinhos rubros com caudas doiradas ligaram os turbos e distenderam as asas dos dois skates que, prontamente, se elevaram no ar que, pouco a pouco, se ia tornando irrespirável.
- Porquê, para norte? - perguntou um deles, meio desvairado.
- Sim, porquê, para norte - repetiu o outro cada vez mais rubro.
- Porque o norte é o norte de tudo o que não é do sul.
O silêncio regressou e, eu, voltei-me para sul com os olhos inundados pelos ritmos das saudades. O corpo, os lábios, os cabelos de avelâ, os olhos de topázio. "I´m In Love With a Girl That Does Not Exist". Voávamos sem tempo. Retirei a máscara da minha cintura e ajustei-a ao meu rosto. Ao aproximar-nos do primeiro horizonte desvendámos nos curto-circuitos das nuvens esventradas a galopada infernal dos "Riders On The Sorm". Vinham do poente e sonhavam com o nascente. Não tinham ilusões e fundavam em cada baforada de vícios ancestrais as relíquias de um futuro por desvendar. Um vento mais opaco obrigou-nos a regressar à auto-estrada, cada vez mais negra, cada vez mais sangrenta. Um pouco mais à frente, ou seria um pouco mais para trás? Não sei, encontrámos, na berma da estrada que se confundia com o poente, o poeta Allen Ginsberg que, empoleirado num "Green Tambourin" debitava para um mesclado de imigrantes o seu poema "Howl".
- Eh! Ginsberg, por onde anda o Beat da Generation?
- Não sei, perdi-lhe o rastro. Não me interrompas que perco o fio à meada.
Como conhecia de cor e salteado a bebedeira das palavras pedi aos diabinhos rubros que acelarassem os skates e armado da minha harmonica soprei com quanta força tinha "I Got My Mojo Working", enquanto o norte era cada vez mais o norte.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado e escrito, directamente, no blogue, em 03 de Julho de 2012, na Biblioteca Nacional, entre as 14H10 e as 14H45 do dia 03 de Julho de 2012.
- Porquê, para norte? - perguntou um deles, meio desvairado.
- Sim, porquê, para norte - repetiu o outro cada vez mais rubro.
- Porque o norte é o norte de tudo o que não é do sul.
O silêncio regressou e, eu, voltei-me para sul com os olhos inundados pelos ritmos das saudades. O corpo, os lábios, os cabelos de avelâ, os olhos de topázio. "I´m In Love With a Girl That Does Not Exist". Voávamos sem tempo. Retirei a máscara da minha cintura e ajustei-a ao meu rosto. Ao aproximar-nos do primeiro horizonte desvendámos nos curto-circuitos das nuvens esventradas a galopada infernal dos "Riders On The Sorm". Vinham do poente e sonhavam com o nascente. Não tinham ilusões e fundavam em cada baforada de vícios ancestrais as relíquias de um futuro por desvendar. Um vento mais opaco obrigou-nos a regressar à auto-estrada, cada vez mais negra, cada vez mais sangrenta. Um pouco mais à frente, ou seria um pouco mais para trás? Não sei, encontrámos, na berma da estrada que se confundia com o poente, o poeta Allen Ginsberg que, empoleirado num "Green Tambourin" debitava para um mesclado de imigrantes o seu poema "Howl".
- Eh! Ginsberg, por onde anda o Beat da Generation?
- Não sei, perdi-lhe o rastro. Não me interrompas que perco o fio à meada.
Como conhecia de cor e salteado a bebedeira das palavras pedi aos diabinhos rubros que acelarassem os skates e armado da minha harmonica soprei com quanta força tinha "I Got My Mojo Working", enquanto o norte era cada vez mais o norte.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado e escrito, directamente, no blogue, em 03 de Julho de 2012, na Biblioteca Nacional, entre as 14H10 e as 14H45 do dia 03 de Julho de 2012.
segunda-feira, 2 de julho de 2012
TENHO DIAS...
Tenho dias que vivo no deserto, entre as areias errantes, as estrelas e o Sol. Quando o vento entoa os seus cânticos de desespero, eu desapareço. Abraço-me ao alfabeto das dunas e não faço perguntas, nem ouço respostas. O vento apesar de ser um concerto de sons que lambem e lamentam toda a solidão que vestem, são o corpo do silêncio que caminha, perdido e cansado, entre a luz ofegante do Sol e a suavidade luminosa das estrelas.
A noite é o camelo que me conduz à lanterna de um oásis, onde o cansaço é um sonho de nunca mais acordar. A simplicidade deste percurso diário, é a arte complicada de não pensar, sugando todo o seu encanto com a realidade das dunas que me povoam e com a eternidade do camelo que se arrasta sem oásis e sem desertos para compreender que a água reservada, não é mais do que um sopro de pérolas que choveram dos olhos, sem luz do dia, sem a luz da noite, porque as dunas apenas lambem o tempo com os lacraus da finidade. Tem dias que esta duna que aparento ser, cobre a razão da luz, esconde no silêncio da sua imobilidade a voz que o silêncio abraça ternamente para que não se ouçam os pingos da chuva que nunca se olham.
Tenho dias que sou o adeus do próprio adeus. Só o vento me acalma, só uma palmeira conhece a sombra da minha sombra.
Tenho dias que entre o deserto e as estrelas, sou a simplicidade do nada, do ninguém.
Tenho dias que é este o hábito que visto na areia solitária de um silêncio.Biblioteca de Oeiras, 07/12/2009 - Jorge Brasil Mesquita. Jorge Manuel Brasil Mesquita. Recriado e escrito, directamente, no blogue, em 02 de Julho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H52.
sábado, 30 de junho de 2012
MEMÓRIAS SONORAS - XX - "THE PARTISAN"
Enquanto a França viveu sob a ocupação da Alemanha Nazi, durante a II Grande Guerra, formaram-se vários grupos de guerrilheiros que constituíram A Resistência. Um desses grupos denominava-se Partisans que combatiam apoiados pela força aglutinadora do seu hino “Le Chante de Partisan”, composto por Maurice Druon e Joseph Kessel. Porém, este hino baseou-se numa composição, em russo, de Anna Marly, com tradução posterior para inglês de Hy Zaret. Foi este “The Partisan” que o poeta e cantautor canadiano Leonard Cohen contribuiu para a sua divulgação junto da juventude dos anos 70, como homenagem à Resistência Francesa e contra toda a forma de imperialismos. O tema retrata a caminhada de um Partisan, na sua acção de resistência. “The Partisan” é uma das faixas incluídas no álbum “Songs From a Room” de 1969. Seguem-se os acessos ao You Tube e os poemas de cada um dos temas:
www.youtube.com/watch?v=oG4ndbhOkpI
"The Partisan"
When they poured across the border
I was cautioned to surrender,
this I could not do;
I took my gun and vanished.
I have changed my name so often,
I've lost my wife and children
but I have many friends,
and some of them are with me.
An old woman gave us shelter,
kept us hidden in the garret,
then the soldiers came;
she died without a whisper.
There were three of us this morning
I'm the only one this evening
but I must go on;
the frontiers are my prison.
Oh, the wind, the wind is blowing,
through the graves the wind is blowing,
freedom soon will come;
then we'll come from the shadows.
Les Allemands e'taient chez moi, (The Germans were at my home)
ils me dirent, "Signe toi," (They said, "Sign yourself,")
mais je n'ai pas peur; (But I am not afraid)
j'ai repris mon arme. (I have retaken my weapon.)
J'ai change' cent fois de nom, (I have changed names a hundred times)
j'ai perdu femme et enfants (I have lost wife and children)
mais j'ai tant d'amis; (But I have so many friends)
j'ai la France entie`re. (I have all of France)
Un vieil homme dans un grenier (An old man, in an attic)
pour la nuit nous a cache', (Hid us for the night)
les Allemands l'ont pris; (The Germans captured him)
il est mort sans surprise. (He died without surprise.)
Oh, the wind, the wind is blowing,
through the graves the wind is blowing,
freedom soon will come;
then we'll come from the shadows.
Anna Marly/ Hy Zaret
youtube.com/watch?v=QRhg-Ioik8c
Le chant des partisans
Ami, entends-tu le vol noir des corbeaux sur nos plaines ?
Ami, entends-tu les cris sourds du pays qu’on enchaîne ?
Ohé, partisans, ouvriers et paysans, c’est l’alarme.
Ce soir l’ennemi connaîtra le prix du sang et les larmes.
Montez de la mine, descendez des collines, camarades !
Sortez de la paille les fusils, la mitraille, les grenades.
Ohé, les tueurs à la balle et au couteau, tuez vite !
Ohé, saboteur, attention à ton fardeau : dynamite…
C’est nous qui brisons les barreaux des prisons pour nos frères.
La haine à nos trousses et la faim qui nous pousse, la misère.
Il y a des pays où les gens au creux des lits font des rêves.
Ici, nous, vois-tu, nous on marche et nous on tue, nous on crève…
Ici chacun sait ce qu’il veut, ce qu’il fait quand il passe.
Ami, si tu tombes un ami sort de l’ombre à ta place.
Demain du sang noir sèchera au grand soleil sur les routes.
Chantez, compagnons, dans la nuit la Liberté nous écoute…
Ami, entends-tu ces cris sourds du pays qu’on enchaîne ?
Ami, entends-tu le vol noir des corbeaux sur nos plaines ?
Oh oh oh oh oh oh oh oh oh oh oh oh oh oh oh oh…
Maurice Druon/ Joseph KesselJorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, directamente, no blogue, em 30 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H58.
www.youtube.com/watch?v=oG4ndbhOkpI
"The Partisan"
When they poured across the border
I was cautioned to surrender,
this I could not do;
I took my gun and vanished.
I have changed my name so often,
I've lost my wife and children
but I have many friends,
and some of them are with me.
An old woman gave us shelter,
kept us hidden in the garret,
then the soldiers came;
she died without a whisper.
There were three of us this morning
I'm the only one this evening
but I must go on;
the frontiers are my prison.
Oh, the wind, the wind is blowing,
through the graves the wind is blowing,
freedom soon will come;
then we'll come from the shadows.
Les Allemands e'taient chez moi, (The Germans were at my home)
ils me dirent, "Signe toi," (They said, "Sign yourself,")
mais je n'ai pas peur; (But I am not afraid)
j'ai repris mon arme. (I have retaken my weapon.)
J'ai change' cent fois de nom, (I have changed names a hundred times)
j'ai perdu femme et enfants (I have lost wife and children)
mais j'ai tant d'amis; (But I have so many friends)
j'ai la France entie`re. (I have all of France)
Un vieil homme dans un grenier (An old man, in an attic)
pour la nuit nous a cache', (Hid us for the night)
les Allemands l'ont pris; (The Germans captured him)
il est mort sans surprise. (He died without surprise.)
Oh, the wind, the wind is blowing,
through the graves the wind is blowing,
freedom soon will come;
then we'll come from the shadows.
Anna Marly/ Hy Zaret
youtube.com/watch?v=QRhg-Ioik8c
Le chant des partisans
Ami, entends-tu le vol noir des corbeaux sur nos plaines ?
Ami, entends-tu les cris sourds du pays qu’on enchaîne ?
Ohé, partisans, ouvriers et paysans, c’est l’alarme.
Ce soir l’ennemi connaîtra le prix du sang et les larmes.
Montez de la mine, descendez des collines, camarades !
Sortez de la paille les fusils, la mitraille, les grenades.
Ohé, les tueurs à la balle et au couteau, tuez vite !
Ohé, saboteur, attention à ton fardeau : dynamite…
C’est nous qui brisons les barreaux des prisons pour nos frères.
La haine à nos trousses et la faim qui nous pousse, la misère.
Il y a des pays où les gens au creux des lits font des rêves.
Ici, nous, vois-tu, nous on marche et nous on tue, nous on crève…
Ici chacun sait ce qu’il veut, ce qu’il fait quand il passe.
Ami, si tu tombes un ami sort de l’ombre à ta place.
Demain du sang noir sèchera au grand soleil sur les routes.
Chantez, compagnons, dans la nuit la Liberté nous écoute…
Ami, entends-tu ces cris sourds du pays qu’on enchaîne ?
Ami, entends-tu le vol noir des corbeaux sur nos plaines ?
Oh oh oh oh oh oh oh oh oh oh oh oh oh oh oh oh…
Maurice Druon/ Joseph KesselJorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, directamente, no blogue, em 30 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H58.
MINIATURAS - XI
NO PEITO DO FUTURO PULSA O CORAÇÃO DO PASSADO.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado e escrito, directamente, no blogue, em 30 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H55.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado e escrito, directamente, no blogue, em 30 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H55.
MEMÓRIAS SONORAS - XIX - "CHERNOBYL BABY"
Tem-se vindo a notar, ultimamente, uma crescente insistência em discutir-se a utilização da energia nuclear, como uma das soluções tendentes a resolver os problemas energéticos que o planeta enfrenta, justificando-se a opção, com uma maior segurança oferecida pelos reactores de última geração. Contudo, será conveniente não esquecer-se os problemas que representam os resíduos radioactivos, para os quais ainda não se encontrou qualquer solução e que representam, igualmente, um factor de risco.
A este propósito fui pesquisar à memória os dois acidentes nucleares que durante estas discussões, não devem ser colocados de lado, como foram os casos mundialmente conhecidos de Three Mile Island, em 1979, no Estado da Pensilvânia, nos EUA e, sobretudo, o catastrófico acidente de Chernobyl, na ex-União Soviética, hoje Ucrânia, em Abril de 1986 e cujas consequências radioactivas, ainda, hoje, se fazem sentir.
Em 1987, Alan McGee, dono da editora independente Creation Records, com o auxílio de Nick Currie, decidiram formar um agrupamento feminino. Com esse objectivo deslocaram-se a uma das megas lojas da Virgin Records e abordaram e recrutaram três das suas empregadas, Jackie, Perule e Jo, sem qualquer preocupação com as suas qualidades musicais. Assim nasceram as Baby Amphetamine, cujo nome foi retirado da capa de um dos singles do grupo australiano Go Betweens. Alan McGee escreveu para as Baby Amphetamine a composição “Chernobyl Baby” que foi editada, em 7” e 12”, em 1987. Infelizmente por dificuldades operacionais não posso incluir nesta memória sonora a música do tema, nem me foi possível encontrá-la na net. Resta-me apenas a divulgação da letra.
CHERNOBYL BABY
I´m a Chernobyl Baby POW! POW! POW!
With radiation contamination waiting for an operation
Gillette software, Sony c.d.´s
Electronic toyland all a kid could be
WHO NEEDS THE GOVERNMENT!
I´m a Chernobyl Baby POW! POW! POW!
With a Matusi, John Belushi, radioactive type of sushi
Playgirl heir in Spy-Fi drama
Who needs Bananarama
WHO NEEDS THE GOVERNMENT!
Alan McGeeJorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, directamente, no blogue, em 30 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H45.
A este propósito fui pesquisar à memória os dois acidentes nucleares que durante estas discussões, não devem ser colocados de lado, como foram os casos mundialmente conhecidos de Three Mile Island, em 1979, no Estado da Pensilvânia, nos EUA e, sobretudo, o catastrófico acidente de Chernobyl, na ex-União Soviética, hoje Ucrânia, em Abril de 1986 e cujas consequências radioactivas, ainda, hoje, se fazem sentir.
Em 1987, Alan McGee, dono da editora independente Creation Records, com o auxílio de Nick Currie, decidiram formar um agrupamento feminino. Com esse objectivo deslocaram-se a uma das megas lojas da Virgin Records e abordaram e recrutaram três das suas empregadas, Jackie, Perule e Jo, sem qualquer preocupação com as suas qualidades musicais. Assim nasceram as Baby Amphetamine, cujo nome foi retirado da capa de um dos singles do grupo australiano Go Betweens. Alan McGee escreveu para as Baby Amphetamine a composição “Chernobyl Baby” que foi editada, em 7” e 12”, em 1987. Infelizmente por dificuldades operacionais não posso incluir nesta memória sonora a música do tema, nem me foi possível encontrá-la na net. Resta-me apenas a divulgação da letra.
CHERNOBYL BABY
I´m a Chernobyl Baby POW! POW! POW!
With radiation contamination waiting for an operation
Gillette software, Sony c.d.´s
Electronic toyland all a kid could be
WHO NEEDS THE GOVERNMENT!
I´m a Chernobyl Baby POW! POW! POW!
With a Matusi, John Belushi, radioactive type of sushi
Playgirl heir in Spy-Fi drama
Who needs Bananarama
WHO NEEDS THE GOVERNMENT!
Alan McGeeJorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, directamente, no blogue, em 30 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H45.
AFLUENTES POEMÁTICOS - XXIV - RÉGUA DE VENTO
ESTA RÉGUA DE VENTO
QUE NOS MEDE A IDADE
COM DEDOS DE TALENTO
É A VOZ DA CIDADE
E DO SEU MOVIMENTO
EM VOLTA DE UMA POSE
QUE A MODA DESCOSE
P´RA QUE OS SONS DE UM RITO
SE TRANSFORMEM NO MITO
QUE A MIRAGEM HUMANA
ASSIMILA URBANA
NA CAMA DA MORAL
E NA CHAMA CARNAL.
ESTE TEMPO QUE PASSA
SEM SOMBRAS DE FUTURO
É A FRASE DEVASSA
DO PASSADO MADURO
QUE PERDIDO ESQUECE
A DOR QUE AMANHECE
E O PORVIR DA PRECE
QUE PARTE SEM PORTO
E RENEGA ABSORTO
A NOITE QUE SE AQUECE
AO CANTO DO AMOR
ÀS CHAGAS DA SUA FLOR.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado e escrito, directamente, no blogue, em 30 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, entre as 14H03 e as 14H37 do dia 30 de Junho de 2012.
QUE NOS MEDE A IDADE
COM DEDOS DE TALENTO
É A VOZ DA CIDADE
E DO SEU MOVIMENTO
EM VOLTA DE UMA POSE
QUE A MODA DESCOSE
P´RA QUE OS SONS DE UM RITO
SE TRANSFORMEM NO MITO
QUE A MIRAGEM HUMANA
ASSIMILA URBANA
NA CAMA DA MORAL
E NA CHAMA CARNAL.
ESTE TEMPO QUE PASSA
SEM SOMBRAS DE FUTURO
É A FRASE DEVASSA
DO PASSADO MADURO
QUE PERDIDO ESQUECE
A DOR QUE AMANHECE
E O PORVIR DA PRECE
QUE PARTE SEM PORTO
E RENEGA ABSORTO
A NOITE QUE SE AQUECE
AO CANTO DO AMOR
ÀS CHAGAS DA SUA FLOR.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado e escrito, directamente, no blogue, em 30 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, entre as 14H03 e as 14H37 do dia 30 de Junho de 2012.
MEMÓRIAS SONORAS - XVIII - "SHIPBUILDING"
Durante a guerra que se travou entre a Inglaterra e a Argentina em 1982, durante o reinado Tatcheriano em Inglaterra, foram muitas as formas de oposição ao conflito e, entre elas, destacaram-se algumas canções. Uma delas, foi composta por Elvis Costello que escreveu a letra e por Clive Langer que a musicou. A composição com o título de “Shipbuilding” faz parte do álbum “Punch the Clock”, editado em 1983 por Elvis Costello. Mas a minha memória sonora centra-se na notável versão de Robert Wyatt, que antes de cantar a solo, pertenceu a um dos melhores agrupamentos musicais que emergiram nos finais da década de sessenta na UK: os Soft Machine. Foi durante o período que Robert integrou o grupo que teve um estúpido acidente que lhe paralisou as pernas e o obrigou a deslocar-se em cadeira de rodas. O 7” de Robert Wyatt com o “Shipbuilding” trazia uma magnífica reprodução parcial de um quadro de Stanley Spencer (1891-1959), “Shipbuilding On The Clyde”, pintado durante a Segunda Grande Guerra. Da letra da canção saliento, especialmente, os significativos 5 últimos versos que resumem todo o pensamento sobre o conflito armado que opôs Ingleses a Argentinos.
Como é habitual, completo a memória indicando o acesso ao You Tube e a transcrição da letra da composição:
www.youtube.com/watch?v=Rh6IwFhG8G8
Robert Wyatt
Shipbuilding lyrics
Is it worth it
A new winter coat and shoes for the wife
And a bicycle on the boy's birthday
It's just a rumour that was spread around town
By the women and children
Soon we'll be shipbuilding
Well I ask you
The boy said 'DAD THEY'RE GOING TO TAKE ME TO TASK
BUT I'LL BE BACK BY CHRISTMAS'
It's just a rumour that was spread around town
Somebody said that someone got filled in
For saying that people get killed in
The result of this shipbuilding
With all the will in the world
Diving for dear life
When we could be diving for pearls
It's just a rumour that was spread around town
A telegram or a picture postcard
Within weeks they'll be re-opening the shipyards
And notifying the next of kin
Once again
It's all we're skilled in
We will be shipbuilding
WITH ALL THE WILL IN THE WORLD
DIVING FOR DEAR LIFE
WHEN WE COULD BE DIVING FOR PEARLS
Elvis Costello/Clive LangerJorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, directamente, no blogue, em 30 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H45.
Como é habitual, completo a memória indicando o acesso ao You Tube e a transcrição da letra da composição:
www.youtube.com/watch?v=Rh6IwFhG8G8
Robert Wyatt
Shipbuilding lyrics
Is it worth it
A new winter coat and shoes for the wife
And a bicycle on the boy's birthday
It's just a rumour that was spread around town
By the women and children
Soon we'll be shipbuilding
Well I ask you
The boy said 'DAD THEY'RE GOING TO TAKE ME TO TASK
BUT I'LL BE BACK BY CHRISTMAS'
It's just a rumour that was spread around town
Somebody said that someone got filled in
For saying that people get killed in
The result of this shipbuilding
With all the will in the world
Diving for dear life
When we could be diving for pearls
It's just a rumour that was spread around town
A telegram or a picture postcard
Within weeks they'll be re-opening the shipyards
And notifying the next of kin
Once again
It's all we're skilled in
We will be shipbuilding
WITH ALL THE WILL IN THE WORLD
DIVING FOR DEAR LIFE
WHEN WE COULD BE DIVING FOR PEARLS
Elvis Costello/Clive LangerJorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, directamente, no blogue, em 30 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H45.
sexta-feira, 29 de junho de 2012
ZIPS SONOROS - XIV - "THROUGH THE TREES" - HANDSOME FAMILY
Brett e Rennie Sparks são o núcleo base de um dos melhores exemplares de Americana, os Handsome Family. Rennie é a liricista e, Brett, o criador sonoro. Às vezes, são ambos. "Through The Trees" é um exemplo superior de criatividade. As composições são quadros pincelados pelas cores diversificadas do quotidiano. "Weighless Again", "Stalled", "Cathedrals" e "Bury Me" são tradições sonoras que se ouvem como se fossem o slow motion de fotografias que nos deleitam os tímpanos. Gosto do album, gosto do seu grafismo, gosto do Brett e da Rennie.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 28 de Junho de 2012, em casa, à volta das 22H27, sob influência do cd do grupo.
Escrito, directamente, no blogue, no dia 29 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, entre as 13H58 e as 14H14 do dia 29 de Junho de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 28 de Junho de 2012, em casa, à volta das 22H27, sob influência do cd do grupo.
Escrito, directamente, no blogue, no dia 29 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, entre as 13H58 e as 14H14 do dia 29 de Junho de 2012.
FRICÇÕES - VII - FEDERAÇÃO DE ESTADOS
UMA FEDERAÇÃO DE ESTADOS NÃO É UMA FEDERAÇÃO DE NAÇÕES.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado e escrito, directamente, no blogue, no dia 29 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H40.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado e escrito, directamente, no blogue, no dia 29 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H40.
quinta-feira, 28 de junho de 2012
AMIGOS DA ONÇA
Num destes dias, escutei com liberdade, numa mesa pública de um café da selva urbana, uma conversa de uma onça e dos seus amigos.
Começou por dizer que tentara comprar um GPS, mas o orçamento não lho permitia. Porém, conseguiu reunir um grupo de amigos e explicou-lhes o objectivo de tal aquisição. Que não se destinava à sua orientação num qualquer deserto e muito menos para se orientar nas ruas da selva. A sua ambição era outra. Com a ajuda de todos e de uma aparelhagem mais sofisticada, podia penetrar, habilmente, em uma qualquer casa de famosos, espiar-lhes as cenas mais picantes ou escabrosas, conforme os casos, e usá-las, de uma forma delicada, para cobrir as despesas dos tais aparelhos sofisticados. Mas a onça não se ficou por aí. Elaborou um plano e um método, em que podia espiar à vontade os rascunhos de certos jornalistas e, com eles, vender a jornalistas de jornais diferentes, revelações sensacionais, que cada um deles pudesse eventualmente dispor, identificando-se como sendo uma fonte privilegiada. Se as mesma notícias aparecessem em diversos jornais, quem se daria ao trabalho de acorrentar a fonte, perguntou a onça, com um sorriso nos lábios. Mas o sistema não parava por ali. Com estudos laboriosos, escolheria alguns escritores famosos portugueses e copiar-lhes-ia os originais que, rapidamente, espalharia por um mercado ávido de novidades literárias e com a possibilidade de aparecerem com o nome de outro autor. Pelo menos, dizia ele com uma grande dose de ironia, que por este processo nunca seria necessário roubar computadores de um qualquer escritor. Mas, verdadeiramente, o que mais interessava à onça, era poder copiar e manipular os discursos rabiscados dos políticos. Imaginava ele, o gozo que seria um político ir discursar a Condeixa-a-Nova e a população inteira rir-se às gargalhadas com os enganos do político, que é como quem diz, com os efeitos da onça. Afirmou a onça, descaradamente, que por este processo, viveríamos numa Democracia muito mais aberta. E a Justiça, alvitrou um dos amigos? Não me preocupo com a Justiça, porque essa anda meia perdida com as injustiças da Justiça. Garanto-vos que só assim viveríamos numa verdadeira Democracia, onde todos se tornarão em amigos da onça. As gargalhadas foram gerais, perante as doces e compensadoras perspectivas que toda uma selva destas lhes abria.
Mudo e quedo, levantei-me do café e percebi, finalmente, o "1984" de Orwell. Biblioteca de Oeiras, 17/12/2009 - 14H01 - Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil MesquitaComeçou por dizer que tentara comprar um GPS, mas o orçamento não lho permitia. Porém, conseguiu reunir um grupo de amigos e explicou-lhes o objectivo de tal aquisição. Que não se destinava à sua orientação num qualquer deserto e muito menos para se orientar nas ruas da selva. A sua ambição era outra. Com a ajuda de todos e de uma aparelhagem mais sofisticada, podia penetrar, habilmente, em uma qualquer casa de famosos, espiar-lhes as cenas mais picantes ou escabrosas, conforme os casos, e usá-las, de uma forma delicada, para cobrir as despesas dos tais aparelhos sofisticados. Mas a onça não se ficou por aí. Elaborou um plano e um método, em que podia espiar à vontade os rascunhos de certos jornalistas e, com eles, vender a jornalistas de jornais diferentes, revelações sensacionais, que cada um deles pudesse eventualmente dispor, identificando-se como sendo uma fonte privilegiada. Se as mesma notícias aparecessem em diversos jornais, quem se daria ao trabalho de acorrentar a fonte, perguntou a onça, com um sorriso nos lábios. Mas o sistema não parava por ali. Com estudos laboriosos, escolheria alguns escritores famosos portugueses e copiar-lhes-ia os originais que, rapidamente, espalharia por um mercado ávido de novidades literárias e com a possibilidade de aparecerem com o nome de outro autor. Pelo menos, dizia ele com uma grande dose de ironia, que por este processo nunca seria necessário roubar computadores de um qualquer escritor. Mas, verdadeiramente, o que mais interessava à onça, era poder copiar e manipular os discursos rabiscados dos políticos. Imaginava ele, o gozo que seria um político ir discursar a Condeixa-a-Nova e a população inteira rir-se às gargalhadas com os enganos do político, que é como quem diz, com os efeitos da onça. Afirmou a onça, descaradamente, que por este processo, viveríamos numa Democracia muito mais aberta. E a Justiça, alvitrou um dos amigos? Não me preocupo com a Justiça, porque essa anda meia perdida com as injustiças da Justiça. Garanto-vos que só assim viveríamos numa verdadeira Democracia, onde todos se tornarão em amigos da onça. As gargalhadas foram gerais, perante as doces e compensadoras perspectivas que toda uma selva destas lhes abria.
Mudo e quedo, levantei-me do café e percebi, finalmente, o "1984" de Orwell. Biblioteca de Oeiras, 17/12/2009 - 14H01 - Jorge Brasil Mesquita
Recriado, em 28 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 17H10.
MEMÓRIAS SONORAS - XVII - "GHOST TOWN"
Nos finais da década de 70, formou-se, em Inglaterra, uma pequena editora discográfica, a Two-Tone, a que estiveram ligados na sua fase inicial, grupos como os Madness, os The Beat, os Selecter e, especialmente, os Specials, onde predominava a força impulsionadora e criadora da Two-Tone e do grupo, Jerry Dammers. A editora girava, musicalmente, à volta de uma mistura entre o Punk, a Soul, o Ska e o Reggae. Porém, a memória sonora que aqui pretendo recordar, pertence a uma composição de Dammers, de 1981, cujo título “Ghost Town” traduzia as consequências do declínio da indústria automóvel, em Coventry, terra natal da Dammers. Inesperadamente, a canção ganhou uma maior notoriedade porque o seu lançamento coincidiu com os motins registados no gueto de Brixton, transformando a composição numa espécie de fotografia sonora dos resultados gerados pelos motins.
www.youtube.com/watch?v=RZ2oXzrnti4
The Specials - Ghost Town
This town, is coming like a ghost town
All the clubs have been closed down
This place, is coming like a ghost town
Bands won't play no more
too much fighting on the dance floor
Do you remember the good old days
Before the ghost town?
We danced and sang,
And the music played inna de boomtown
This town, is coming like a ghost town
Why must the youth fight against themselves?
Government leaving the youth on the shelf
This place, is coming like a ghost town
No job to be found in this country
Can't go on no more
The people getting angry
This town, is coming like a ghost town
This town, is coming like a ghost town
This town, is coming like a ghost town
This town, is coming like a ghost town
Jerry DammersJorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 28 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 16H56.
www.youtube.com/watch?v=RZ2oXzrnti4
The Specials - Ghost Town
This town, is coming like a ghost town
All the clubs have been closed down
This place, is coming like a ghost town
Bands won't play no more
too much fighting on the dance floor
Do you remember the good old days
Before the ghost town?
We danced and sang,
And the music played inna de boomtown
This town, is coming like a ghost town
Why must the youth fight against themselves?
Government leaving the youth on the shelf
This place, is coming like a ghost town
No job to be found in this country
Can't go on no more
The people getting angry
This town, is coming like a ghost town
This town, is coming like a ghost town
This town, is coming like a ghost town
This town, is coming like a ghost town
Jerry DammersJorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 28 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 16H56.
MEMÓRIAS SONORAS - XVI - "KLU KLUX KLAN"
O Reggae conheceu uma forte difusão, em Inglaterra, na década de 70. Um dos grupos ingleses que aderiu ao Reggae e ao Rastafarismo, foram os Steel Pulse que se formaram em 1975, na Handsworth School, em Birmingham, constituídos por David Hinds, Basil Gabbidon e Ronnie McQueen. A primeira gravação do grupo, “Kibudu, Mansetta and Abuku”, foi lançada na editora independente Dip e, musicalmente, estabelecia um compromisso entre os sons de uma juventude negra urbana e os da imagem de um grande lar africano. A segunda gravação saiu na Anchor com o tema “Nyah Love”. O grupo viu serem-lhes recusados espectáculos nos Midlands ingleses devido à sua adesão ao Rastafarismo. Participaram na organização do Rock Against Racism. Com a participação em espectáculos como suporte de uma grandes intérpretes jamaicanos de reggae, Burning Spear, proporcionou-lhes um contrato com a editora Island Records. “Klu Klux Klan” foi o primeiro lançamento da editora e o tema, que abordava os demónios do racismo daquela seita, é a memória sonora de hoje.
O Klu Klux Klan é o nome de uma seita, fundada nos Estados Unidos da América, em 24/12/1865, em Pulaski, sede de distrito, no Tennessee meridional, a 80 milhas de Nasheville, próximo do Estado do Alabama, por Calvin E. Jones, Frank O. McCord, Richard Reed, Jonh B. Kennedy, John C. Lester e James R. Crowe, todos eles desmobilizados do exército dos Confederados.
O nome da seita provém da palavra grega Kuklos – faixa ou círculo – que foi dividida em duas palavras: Ku e Klos que modificado se transformou em Ku Klux. Como todos tinham ascendência escocesa foi proposta e aceite a palavra escocesa Clan que se tornou em Klan.
Visto que o Klan visava, primordialmente, a pureza e a preservação do lar e a protecção das mulheres e das crianças e, em especial, das viúvas e dos órfãos dos soldados Confederados, o branco, símbolo da pureza, foi escolhido para as túnicas e para que fossem notadas e despertassem temor, o vermelho, símbolo do sangue, que os homens do Klan estavam dispostos a derramar em defesa dos fracos, foi escolhida para as guarnições.
No Covil de Pulaski, num lugar chamado “A Enseada”, um anfiteatro natural no fundo da floresta, ficou decidido que o futuro e a finalidade do Klu Klux Klan, fosse a manutenção da supremacia branca.
A estrutura primitiva formal do Klan era formada, em cada Estado por um Reino, governado por um Grande Dragão; cada distrito congressional era um Domínio, governado por um Grande Titã; e cada Condado, uma Província gerida por um Grande Gigante. Toda a área coberta pelo poder do Klan, constituía o Império Invisível.
A finalidade deste texto dedicado ao Klu Klux Klan, teve, apenas, como objectivo revelar a origem, a estrutura e a finalidade da seita nos seus primeiros anos de vida que foi baseado no livro “The Klu Klux Klan” – a Century of Infamy, de 1965 e da autoria dWilliam Peirce Randel.
www.youtube.com/watch?v=yULRZ3zLXc8
Steel Pulse - Ku Klux Klan Lyrics
Walking along just kicking stones
Minding my own business
I come face to face, with my foe
Disguised In violence from head to toe.
I holla and I bawl (Ku Klux Klan)
But dem naw let me go now
To let me go was not dem intention
Dem seh one nigger the less
The better for the show
Stand strong black skin and take your blow
It's the Ku, the Ku Klux Klan
Here to stamp out blackman yah
The Ku, the Ku Klux Klan heh!
To be taught a lesson not to walk alone
I was waiting for the Good Samaritan
But waiting was hopeless
It was all in vain
The Ku Klux Klan back again
I holla and I bawl (Ku Klux Klan)
Dem naw let me go now
Dem seh one nigger the less
The better the show
Stand strong blackskin and take your blow
The Ku, Ku Klux Klan
Rape, lynch, kill and maim
Things can't remain the same yah no!
Blackman do unto the Klan
AS they would do to you
In this case hate they neighbour
Those cowards only kill who they fear
That's why they hide behind
The hoods and cloaks they wear
I holla and I bawl, Ku Klux Klan
Dem naw let me go no, Ku Klux Klan
Oh no, oh no...
Here to stamp out black man yah
Rape, lynch, kill and maim
Things can't remain the same yah
No, no, no, no.
David Hinds, Basil Gabbidon e Ronnie McQueenOeiras, 01/11/2009 – Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 28 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H44.
O Klu Klux Klan é o nome de uma seita, fundada nos Estados Unidos da América, em 24/12/1865, em Pulaski, sede de distrito, no Tennessee meridional, a 80 milhas de Nasheville, próximo do Estado do Alabama, por Calvin E. Jones, Frank O. McCord, Richard Reed, Jonh B. Kennedy, John C. Lester e James R. Crowe, todos eles desmobilizados do exército dos Confederados.
O nome da seita provém da palavra grega Kuklos – faixa ou círculo – que foi dividida em duas palavras: Ku e Klos que modificado se transformou em Ku Klux. Como todos tinham ascendência escocesa foi proposta e aceite a palavra escocesa Clan que se tornou em Klan.
Visto que o Klan visava, primordialmente, a pureza e a preservação do lar e a protecção das mulheres e das crianças e, em especial, das viúvas e dos órfãos dos soldados Confederados, o branco, símbolo da pureza, foi escolhido para as túnicas e para que fossem notadas e despertassem temor, o vermelho, símbolo do sangue, que os homens do Klan estavam dispostos a derramar em defesa dos fracos, foi escolhida para as guarnições.
No Covil de Pulaski, num lugar chamado “A Enseada”, um anfiteatro natural no fundo da floresta, ficou decidido que o futuro e a finalidade do Klu Klux Klan, fosse a manutenção da supremacia branca.
A estrutura primitiva formal do Klan era formada, em cada Estado por um Reino, governado por um Grande Dragão; cada distrito congressional era um Domínio, governado por um Grande Titã; e cada Condado, uma Província gerida por um Grande Gigante. Toda a área coberta pelo poder do Klan, constituía o Império Invisível.
A finalidade deste texto dedicado ao Klu Klux Klan, teve, apenas, como objectivo revelar a origem, a estrutura e a finalidade da seita nos seus primeiros anos de vida que foi baseado no livro “The Klu Klux Klan” – a Century of Infamy, de 1965 e da autoria dWilliam Peirce Randel.
www.youtube.com/watch?v=yULRZ3zLXc8
Steel Pulse - Ku Klux Klan Lyrics
Walking along just kicking stones
Minding my own business
I come face to face, with my foe
Disguised In violence from head to toe.
I holla and I bawl (Ku Klux Klan)
But dem naw let me go now
To let me go was not dem intention
Dem seh one nigger the less
The better for the show
Stand strong black skin and take your blow
It's the Ku, the Ku Klux Klan
Here to stamp out blackman yah
The Ku, the Ku Klux Klan heh!
To be taught a lesson not to walk alone
I was waiting for the Good Samaritan
But waiting was hopeless
It was all in vain
The Ku Klux Klan back again
I holla and I bawl (Ku Klux Klan)
Dem naw let me go now
Dem seh one nigger the less
The better the show
Stand strong blackskin and take your blow
The Ku, Ku Klux Klan
Rape, lynch, kill and maim
Things can't remain the same yah no!
Blackman do unto the Klan
AS they would do to you
In this case hate they neighbour
Those cowards only kill who they fear
That's why they hide behind
The hoods and cloaks they wear
I holla and I bawl, Ku Klux Klan
Dem naw let me go no, Ku Klux Klan
Oh no, oh no...
Here to stamp out black man yah
Rape, lynch, kill and maim
Things can't remain the same yah
No, no, no, no.
David Hinds, Basil Gabbidon e Ronnie McQueenOeiras, 01/11/2009 – Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 28 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H44.
CRITICARTE - XVII - "PEDRO PÁRAMO"
Será um escritor um redactor de palavras que nos reinventa em passagens que todos reconhecemos nos filtros do tempo ou será um bálsamo que nos denuncia o cume das profundezas humanas, onde há existências que desconhecem as vidas que vivem?
O escritor mexicano Juan Rulfo (1918 – 1986), escreveu em 1959 a obra “Pedro Páramo”, cujo enredo se desenrola numa pequena aldeia do interior do México, onde os habitantes que a habitam, sobrevivem à morte aparente dos seus destinos, entre as portas que escondem o real ou o fantástico.
“Entreabre os olhos. Vê através dos cabelos uma sombra no tecto com a cabeça em cima do seu rosto. E em frente a figura embaçada, por detrás da chama das suas pestanas. Uma luz difusa, uma luz no lugar do coração, em forma de coração pequeno que palpita como chama pestanejante. – Está a morrer de pena o teu coração – pensa – já sei que vens dizer-me que Florêncio morreu, mas isso já eu sei. Não te aflijas com os outros, não te preocupes comigo. Eu tenho guardada a minha dor num lugar seguro. Não deixes que se apague o coração.”
Carlos Fuentes, outro grande escritor mexicano, afirmou que “a arte de Juan Rulfo exprime-se tão profundamente através da transfiguração mítica das suas personagens que esta acaba por incorporar a temática do campo e da revolução mexicana num contexto universal.”
“Pedro Páramo” não deixa de ser um cenário minimalista da globalização humana.Oeiras – 07/10/2009 – Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 28 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H36.
O escritor mexicano Juan Rulfo (1918 – 1986), escreveu em 1959 a obra “Pedro Páramo”, cujo enredo se desenrola numa pequena aldeia do interior do México, onde os habitantes que a habitam, sobrevivem à morte aparente dos seus destinos, entre as portas que escondem o real ou o fantástico.
“Entreabre os olhos. Vê através dos cabelos uma sombra no tecto com a cabeça em cima do seu rosto. E em frente a figura embaçada, por detrás da chama das suas pestanas. Uma luz difusa, uma luz no lugar do coração, em forma de coração pequeno que palpita como chama pestanejante. – Está a morrer de pena o teu coração – pensa – já sei que vens dizer-me que Florêncio morreu, mas isso já eu sei. Não te aflijas com os outros, não te preocupes comigo. Eu tenho guardada a minha dor num lugar seguro. Não deixes que se apague o coração.”
Carlos Fuentes, outro grande escritor mexicano, afirmou que “a arte de Juan Rulfo exprime-se tão profundamente através da transfiguração mítica das suas personagens que esta acaba por incorporar a temática do campo e da revolução mexicana num contexto universal.”
“Pedro Páramo” não deixa de ser um cenário minimalista da globalização humana.Oeiras – 07/10/2009 – Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 28 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H36.
quarta-feira, 27 de junho de 2012
MEMÓRIAS SONORAS - XV - "GENO"
O cantor de Soul, Geno Washington, nascido em 1943, em Indiana, EUA, integrado na Força Aérea do EUA, foi colocado em East Anglia, Inglaterra, na década de 60, onde como cantor de Soul ganhou o estatuto de culto, ao liderar o grupo de Soul, Ram Jam Band que imprimia nas suas actuações, um ritmo frenético, através de uma selecção de números de Soul, sem interrupções, o que provocava na assistência, delírios de cortar a respiração. Geno regressou, posteriormente, aos EUA, onde só voltou aos palcos nos finais da década de 70.
No entanto, Geno voltou à ribalta, quando o grupo inglês Dexy´s Midnight Runners gravou o tema “Geno”, em sua homenagem.
Os Dexy´s Midnight Runners formaram-se, em Birmingham, Inglaterra no ano de 1978, tendo como núcleo inicial Kevin Rowland e Al Archer e o nome de Killjoys. Juntamente com a mudança do nome do grupo, juntaram-se-lhes Pete Williams, J.B.Blyte, Steve Spooner, Pete Saunders, Big Jim Patterson e Bobby Júnior. O nome escolhido pelo grupo foi retirado da Amphetamine Dexetine, um estimulante muito apreciado pelos cantores Soul do nordeste britânico. O grupo ganhou a fama pela sua aversão às drogas e ao álcool, enquanto Kevin Rowland baseava a sua imagem na elegância dos estivadores italianos do filme “Mean Streets” de 1973, realizado por Martin Scorcese e interpretado por Robert de Niro. Sonoramente, os Dexy´s praticavam a Soul Music e foram, de certa forma, os seus revitalizadores, na Inglaterra.
Em 1980, “Geno” dos Dexy´s Midnight Runners lançou-os para a ribalta do sucesso, reavivou o interesse em Geno Washington e é, igualmente, a memória sonora de hoje.
www.youtube.com/watch?v=FJc_q8eH2ng
Dexy's Midnight Runners - Geno Lyrics
Geno! Geno! Geno! Geno! Geno! ...
Back in '68 in a sweaty club
Oh, Geno
Before Jimmy's Machine and The Rocksteady Rub
Oh-oh-oh Geno-o
On a night when flowers didn't suit my shoes
After a week of flunkin' and bunkin' school
The lowest head in the crowd that night
Just practicin' steps and keepin' outta the fights
Academic inspiration, you gave me none
But you were Michael the lover
The fighter that won
But now just look at me
I'm looking down at you
No, I?m not bein? flash
It?s what I?m built to do
That man took the stage, his towel was swingin' high
Oh Geno
This man was my bombers, my Dexy's, my high
Oh-oh-oh Geno-o
The crowd they all hailed you, and chanted your name
But they never knew like we knew
Me and you were the same
And now you're all over, your song is so tame, brrrrr
You fed me, you bred me, I'll remember your name
Academic inspiration, you gave me none
You were Michael the lover
The fighter that won
But now just look at me
I'm looking down at you
No, I?m not bein? flash
It?s what I?m built to do
Oh Geno, Woh-oh-oh Geno-o
Oh Geno, Woh-oh-oh Geno-o
Kevin Rowland/Al ArcherOeiras, 18/10/2009 – Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 27 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H35.
No entanto, Geno voltou à ribalta, quando o grupo inglês Dexy´s Midnight Runners gravou o tema “Geno”, em sua homenagem.
Os Dexy´s Midnight Runners formaram-se, em Birmingham, Inglaterra no ano de 1978, tendo como núcleo inicial Kevin Rowland e Al Archer e o nome de Killjoys. Juntamente com a mudança do nome do grupo, juntaram-se-lhes Pete Williams, J.B.Blyte, Steve Spooner, Pete Saunders, Big Jim Patterson e Bobby Júnior. O nome escolhido pelo grupo foi retirado da Amphetamine Dexetine, um estimulante muito apreciado pelos cantores Soul do nordeste britânico. O grupo ganhou a fama pela sua aversão às drogas e ao álcool, enquanto Kevin Rowland baseava a sua imagem na elegância dos estivadores italianos do filme “Mean Streets” de 1973, realizado por Martin Scorcese e interpretado por Robert de Niro. Sonoramente, os Dexy´s praticavam a Soul Music e foram, de certa forma, os seus revitalizadores, na Inglaterra.
Em 1980, “Geno” dos Dexy´s Midnight Runners lançou-os para a ribalta do sucesso, reavivou o interesse em Geno Washington e é, igualmente, a memória sonora de hoje.
www.youtube.com/watch?v=FJc_q8eH2ng
Dexy's Midnight Runners - Geno Lyrics
Geno! Geno! Geno! Geno! Geno! ...
Back in '68 in a sweaty club
Oh, Geno
Before Jimmy's Machine and The Rocksteady Rub
Oh-oh-oh Geno-o
On a night when flowers didn't suit my shoes
After a week of flunkin' and bunkin' school
The lowest head in the crowd that night
Just practicin' steps and keepin' outta the fights
Academic inspiration, you gave me none
But you were Michael the lover
The fighter that won
But now just look at me
I'm looking down at you
No, I?m not bein? flash
It?s what I?m built to do
That man took the stage, his towel was swingin' high
Oh Geno
This man was my bombers, my Dexy's, my high
Oh-oh-oh Geno-o
The crowd they all hailed you, and chanted your name
But they never knew like we knew
Me and you were the same
And now you're all over, your song is so tame, brrrrr
You fed me, you bred me, I'll remember your name
Academic inspiration, you gave me none
You were Michael the lover
The fighter that won
But now just look at me
I'm looking down at you
No, I?m not bein? flash
It?s what I?m built to do
Oh Geno, Woh-oh-oh Geno-o
Oh Geno, Woh-oh-oh Geno-o
Kevin Rowland/Al ArcherOeiras, 18/10/2009 – Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 27 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H35.
segunda-feira, 25 de junho de 2012
MINIATURAS - X
A HISTÓRIA NÃO SE REPETE, SÓ OS SEUS IDIOMAS, LINFÁTICOS E ENFÁTICOS.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 25 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H53.
Escrito, directamente, no blogue, no dia 25 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H54.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 25 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H53.
Escrito, directamente, no blogue, no dia 25 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H54.
AFLUENTES POEMÁTICOS - XXIII - OLHOS DE CAMPINA
OS TEUS OLHOS DE CAMPINA
SÃO A ÁGUA DOCE DO LUAR
QUE A BELEZA DA RAPINA
ROUBA AOS BRAÇOS DO MAR
PARA QUE A FONTE DO VENTO
ASSOMBRE AS ASAS DO ALENTO
COM OS MOINHOS DO AMOR
MOENDO AO TRIGO DA DOR
AS BAGAS LOUCAS DA COR
E OS AROMAS DO VENENO
QUE, PLENAS DE DOCE CHEIRO,
PINTAM AO RUBOR AMENO
A AMARGURA DO VELEIRO
QUE SEM PORTO DE ABRIGO
É A BOCA DO CASTIGO
QUE SE BEIJA À DISTÂNCIA
ESCRAVA DA FRAGRÂNCIA
E FAMINTA DA RECUSA
QUE O SEU CORPO DE MEDUSA
ALIMENTA COM A FOME
QUE O PRAZER NÃO CONSOME
POR REVELAR AO TORMENTO
OS SILÊNCIOS DA IDADE
E A MORTE DA VERDADE
QUE ATRAVESSA TODO O SER
SEM A ARTE DE A MORDER
COM O GRITO DA FERIDA
QUE A TODOS PRENDE À VIDA.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 25 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H46.
Escrito, directamente, no blogue, no dia 25 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H47, e, concluído, às 15H42 do dia 25 de Junho de 2012.
SÃO A ÁGUA DOCE DO LUAR
QUE A BELEZA DA RAPINA
ROUBA AOS BRAÇOS DO MAR
PARA QUE A FONTE DO VENTO
ASSOMBRE AS ASAS DO ALENTO
COM OS MOINHOS DO AMOR
MOENDO AO TRIGO DA DOR
AS BAGAS LOUCAS DA COR
E OS AROMAS DO VENENO
QUE, PLENAS DE DOCE CHEIRO,
PINTAM AO RUBOR AMENO
A AMARGURA DO VELEIRO
QUE SEM PORTO DE ABRIGO
É A BOCA DO CASTIGO
QUE SE BEIJA À DISTÂNCIA
ESCRAVA DA FRAGRÂNCIA
E FAMINTA DA RECUSA
QUE O SEU CORPO DE MEDUSA
ALIMENTA COM A FOME
QUE O PRAZER NÃO CONSOME
POR REVELAR AO TORMENTO
OS SILÊNCIOS DA IDADE
E A MORTE DA VERDADE
QUE ATRAVESSA TODO O SER
SEM A ARTE DE A MORDER
COM O GRITO DA FERIDA
QUE A TODOS PRENDE À VIDA.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 25 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H46.
Escrito, directamente, no blogue, no dia 25 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H47, e, concluído, às 15H42 do dia 25 de Junho de 2012.
MOLICEIRO DE FANTASIAS
Olá amor da minha distância.
Às vezes, sou um moliceiro vogando nas fantasias românticas de memórias aveirenses que se esvaem no bulício das Feiras de Março, lá pelas horas do almoço, entre a última aula da manhã e a primeira aula da tarde, do Liceu de Aveiro. Outras vezes, relembro com um certo rebuliço de saudades, as viagens do Lérias, o cavalo a vapor do Ramal do Vouga, que me largava na Estação de Aveiro, cheinha de barricas de ovos e que assistia à revoada dos pardalitos estudantis que seguiam, a pé, pela Avenida até ao Liceu. Verdadeiras aventuras de delírios adolescentes. Já fui de Aveiro; hoje, não sei bem donde sou. Sou um pardalito sem pouso certo, mas sabem-me bem estes voos inesperados, onde vejo o que não via e onde quero o que não queria. Eis que assim pude observar, neste Centro Cultural, um quadro que muito apreciei: "Daqui Lavei As Minhas Mãos", de um pintor que não conhecia, Nuno Viegas, e de quem me tornei admirador. Como podes imaginar, estou aí e estou aqui. Como moliceiro rego-me de palavras doces, como Lérias, fujo ao tempo e encontro a riqueza das palavras breves que definem os actos que se arrumam nas prateleiras dos sentimentos que devoram distâncias e semeiam as ilusões da vida que é o fogo do momento.
Os sentidos não reconhecem distâncias, mas as distâncias reconhecem nos sentidos, os moliceiros da vida, os Lérias dos carvões em brasa. Somos passageiros sem passagens marcadas nesta viagem de pouca terra, pouca terra. Pouca terra, distância à vista, entre a liberdade de ser moliço e de ser brasa, em brasa. As palavras são o cavalo a vapor do nosso moliceiro.Centro Cultural de Belém, 08/12/2009 - 15H58 - Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil MesquitaÀs vezes, sou um moliceiro vogando nas fantasias românticas de memórias aveirenses que se esvaem no bulício das Feiras de Março, lá pelas horas do almoço, entre a última aula da manhã e a primeira aula da tarde, do Liceu de Aveiro. Outras vezes, relembro com um certo rebuliço de saudades, as viagens do Lérias, o cavalo a vapor do Ramal do Vouga, que me largava na Estação de Aveiro, cheinha de barricas de ovos e que assistia à revoada dos pardalitos estudantis que seguiam, a pé, pela Avenida até ao Liceu. Verdadeiras aventuras de delírios adolescentes. Já fui de Aveiro; hoje, não sei bem donde sou. Sou um pardalito sem pouso certo, mas sabem-me bem estes voos inesperados, onde vejo o que não via e onde quero o que não queria. Eis que assim pude observar, neste Centro Cultural, um quadro que muito apreciei: "Daqui Lavei As Minhas Mãos", de um pintor que não conhecia, Nuno Viegas, e de quem me tornei admirador. Como podes imaginar, estou aí e estou aqui. Como moliceiro rego-me de palavras doces, como Lérias, fujo ao tempo e encontro a riqueza das palavras breves que definem os actos que se arrumam nas prateleiras dos sentimentos que devoram distâncias e semeiam as ilusões da vida que é o fogo do momento.
Os sentidos não reconhecem distâncias, mas as distâncias reconhecem nos sentidos, os moliceiros da vida, os Lérias dos carvões em brasa. Somos passageiros sem passagens marcadas nesta viagem de pouca terra, pouca terra. Pouca terra, distância à vista, entre a liberdade de ser moliço e de ser brasa, em brasa. As palavras são o cavalo a vapor do nosso moliceiro.Centro Cultural de Belém, 08/12/2009 - 15H58 - Jorge Brasil Mesquita
Recriado, em 25 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H38.
CRITICARTE - XVI - SOMERSET MAUGHAM
O que acontece a um homem ao descobrir, que, ainda, não descobriu qual é o seu verdadeiro caminho no Mundo que nunca o descobriu? De quanto tempo precisará ele para fugir de si próprio, até compreender que o ponto de encontro é o mesmo que o lugar do desencontro? Eis o valor do tempo no percurso de uma viagem sem preço.
Este preâmbulo relaciona-se com o escritor e o livro que serão a razão deste amontoado de palavras.
O escritor inglês William Somerset Maugham nasceu em Paris, em 1874 e faleceu em Saint-Jean-Cap-Ferrat, em 1965. O escritor fez os seus estudos na King´s School, em Canterbury, Inglaterra, na universidade alemã ocidental de Heidelberg e exerceu medicina no hospital de St. Thomas, tornando-se pela vida fora num viajante inveterado.
A sua primeira obra, “Liza, a Pecadora” foi escrita em 1897 e um dos seus mais famosos livros “A Servidão Humana”, em 1915. Somerset Maugham possuía um “talento de narrador e paisagista, o sentido penetrante da caracterização psicológica e a arte incomparável da dramatização.” Todos estes ingredientes de escrita se encontram no livro “O Fio da Navalha” de 1944. Para esboçar o conteúdo do livro, que melhor pena, senão a do próprio escritor, que escreve na sua introdução: “nunca senti maior apreensão ao começar um romance. E se digo romance é por não saber que outro nome lhe dê. Não tem grande enredo, não acaba com morte ou casamento. Este livro consiste das recordações que tenho de um homem com quem, em épocas muito espaçadas, tive íntimo contacto; mas pouco sei do que lhe aconteceu nos intervalos. Creio que recorrendo à imaginação, poderia preencher plausivelmente as lacunas e tornar mais coerente a minha narrativa, mas a tal não me sinto atraído. Quero unicamente relatar factos de que tenho conhecimento.”
Pelo “O Fio da Navalha” passam muitas das palavras que nos perguntam, respondem ou nos deixam vazios, durante os jogos da vida que vivemos.Oeiras, 21/10/2009 – Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 25 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H27.
Este preâmbulo relaciona-se com o escritor e o livro que serão a razão deste amontoado de palavras.
O escritor inglês William Somerset Maugham nasceu em Paris, em 1874 e faleceu em Saint-Jean-Cap-Ferrat, em 1965. O escritor fez os seus estudos na King´s School, em Canterbury, Inglaterra, na universidade alemã ocidental de Heidelberg e exerceu medicina no hospital de St. Thomas, tornando-se pela vida fora num viajante inveterado.
A sua primeira obra, “Liza, a Pecadora” foi escrita em 1897 e um dos seus mais famosos livros “A Servidão Humana”, em 1915. Somerset Maugham possuía um “talento de narrador e paisagista, o sentido penetrante da caracterização psicológica e a arte incomparável da dramatização.” Todos estes ingredientes de escrita se encontram no livro “O Fio da Navalha” de 1944. Para esboçar o conteúdo do livro, que melhor pena, senão a do próprio escritor, que escreve na sua introdução: “nunca senti maior apreensão ao começar um romance. E se digo romance é por não saber que outro nome lhe dê. Não tem grande enredo, não acaba com morte ou casamento. Este livro consiste das recordações que tenho de um homem com quem, em épocas muito espaçadas, tive íntimo contacto; mas pouco sei do que lhe aconteceu nos intervalos. Creio que recorrendo à imaginação, poderia preencher plausivelmente as lacunas e tornar mais coerente a minha narrativa, mas a tal não me sinto atraído. Quero unicamente relatar factos de que tenho conhecimento.”
Pelo “O Fio da Navalha” passam muitas das palavras que nos perguntam, respondem ou nos deixam vazios, durante os jogos da vida que vivemos.Oeiras, 21/10/2009 – Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 25 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H27.
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