Para que não haja sonhos em vão
há os lábios que abraçam às vidas
os desejos que sugam as feridas
aos olhos sujos da sua solidão
as verdades e as suas mentiras são
um bailado de larvas bem tecidas
em honra de palavras mal vestidas
que circulam no caos do alcatrão
choques entre a natureza humana
e o frio glaciar da falência urbana
fantasmas que povoam os cemitérios
onde ululam os abutres sérios
que pululam nos ritos mais etéreos
p´ra celebrarem a farsa mundana.Centro Cultural de Belém, 29/11/2009 - Jorge Brasil Mesquita
P.S. Espero que tenham percebido que o título "Abutres Sérios" é uma ironia. Um abutre é sempre um abutre, senão nunca será um abutre a sério...
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 20 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H18.
quarta-feira, 20 de junho de 2012
ZIPS SONOROS - X - GO-BETWEENS
Encerramos este espaço escocês da editora independente Postcard de Alan Horne com a sua quarta contratação, embora esporádica. Tratou-se do grupo australiano Go-Betweens que se formou em Brisbane, Austrália, em 1978, tendo como núcleo central os compositores e instrumentistas, Robert Forster e Grant McLennan, a quem mais tarde se juntaram, Dennis Cantwell e Lindy Morrisson.
Bob Dylan, Velvet Underground, Monkees, Television, Talking Heads e Patti Smith, influenciaram as criações escritas e sonoras dos Go-Betweens.
Quando o grupo assinou pela Postcard, o grupo já havia gravado dois 7” para a editora independente australiana Abel. Após a rápida passagem pela Postcard, o grupo voltou à Austrália onde gravou o seu primeiro LP para a Missing Link que serviu de ponto de partida para serem contratados pela editora londrina Rough Trade.
Eis a discografia independente dos Go-Betweens:
Austrália – Abel
Outubro de 1978 – 7” – Lee Remick/Karen
Outubro de 1979 – 7” – People Say/Don´t Let Him Come Back
Escócia – Postcard
Novembro de 1980 – 7” – I Need Two Heads/Stop Before You Say It
Londres – Rough Trade
Junho de 1982 – LP – Send Me a Lullaby
Julho de 1982 – 7” – Hammer The Hammer/By Chance
Fevereiro de 1983 – 7” – Cattle and Cane/Heaven Says
Setembro de 1983 – LP – Before Hollywood
Outubro de 1983 – 7” – Man O´Sand To Girl O´Sea/This Girl Black Girl
Aconselho vivamente a audição do LP “Send Me a Lullaby” e do 7” “Cattle and Cane”Oeiras, 16/10/2009 – Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 20 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H06.
Bob Dylan, Velvet Underground, Monkees, Television, Talking Heads e Patti Smith, influenciaram as criações escritas e sonoras dos Go-Betweens.
Quando o grupo assinou pela Postcard, o grupo já havia gravado dois 7” para a editora independente australiana Abel. Após a rápida passagem pela Postcard, o grupo voltou à Austrália onde gravou o seu primeiro LP para a Missing Link que serviu de ponto de partida para serem contratados pela editora londrina Rough Trade.
Eis a discografia independente dos Go-Betweens:
Austrália – Abel
Outubro de 1978 – 7” – Lee Remick/Karen
Outubro de 1979 – 7” – People Say/Don´t Let Him Come Back
Escócia – Postcard
Novembro de 1980 – 7” – I Need Two Heads/Stop Before You Say It
Londres – Rough Trade
Junho de 1982 – LP – Send Me a Lullaby
Julho de 1982 – 7” – Hammer The Hammer/By Chance
Fevereiro de 1983 – 7” – Cattle and Cane/Heaven Says
Setembro de 1983 – LP – Before Hollywood
Outubro de 1983 – 7” – Man O´Sand To Girl O´Sea/This Girl Black Girl
Aconselho vivamente a audição do LP “Send Me a Lullaby” e do 7” “Cattle and Cane”Oeiras, 16/10/2009 – Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 20 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H06.
FRICÇÕES - III - EDUCAÇÃO
Em Educação, sou, totalmente, a favor do sistema de avaliação contínua, e, visceralmente, contra o sistema de exames finais. Na Educação, respira-se e transpira-se, "Reviver o Passado em Escuridão". A ausência de fricção é uma falha educativa.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 19 de Junho de 2012, à noite, em casa, às 22H10.
Escrito, directamente, no blogue, no dia 20 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H50, e, concluído, às 13H56 do dia 20 de Junho de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 19 de Junho de 2012, à noite, em casa, às 22H10.
Escrito, directamente, no blogue, no dia 20 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H50, e, concluído, às 13H56 do dia 20 de Junho de 2012.
ASAS EM PLENO VOO
Levantei voo. Não com as asas do que era, mas com as asas do que sou. Sem asas não há voos e sem voos não há sonhos que se realizem. Por cada passo que dei, construí um Futuro que hoje não passa de um passado; por cada passo que darei, desconheço o Futuro que serei, embora saiba que sinta sobre mim, o voo dos abutres que consideram que eu sou uma presa de facilidades. Haverá sonhos que nunca sonharei, porque sei que a realidade que sou, é um sonho de ninguém e ninguém será o pássaro em que me tornarei com as asas que não se verão porque estes voos incomparáveis sem as asas do que era e do que serei, serão apenas voos de uma liberdade que a expressão não conhece. Serei tempo, vento e memória de todos os voos que voarei, para além de tudo o que é imaginável, simplesmente, porque sou um sonho de asas em pleno voo. Sesimbra, 30/12/2009 - 12h22 - Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 20 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H44.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 20 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H44.
MINIATURAS - VII
A COERÊNCIA É UM DOMÍNIO QUE POUCOS DOMINAM.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 20 de Junho de 2012, na Estação do Metro de Entrecampos, às 12H10.
Escrito, directamente, no blogue, no dia 20 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H34.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 20 de Junho de 2012, na Estação do Metro de Entrecampos, às 12H10.
Escrito, directamente, no blogue, no dia 20 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H34.
CRITICARTE - XIII - ALBERT CAMUS
Será que a realidade em que todos vivemos, não passa de um absurdo, absorvendo toda a simplicidade planetária que, em rotações sucessivas de 24 horas, nos esconde ou nos revela a pirataria humana, de sendo o que não se é, desperta a vontade de se ser o absurdo que se respira, não respirando nada, para se ser o nada que se é?
O absurdo de “O Estrangeiro” de Albert Camus é a obra crucial de um escritor que se ultrapassou, ultrapassando a vulgaridade, para se encarnar no pedestal da posteridade.
Albert Camus nasceu em Mondovi, na Argélia, em 7 de Novembro de 1913. Frequentou a Universidade de Argel, sendo obrigado, para custear os seus estudos, a exercer as profissões de vendedor de acessórios de automóveis, de empregado de escritório, de meteorologista e de amanuense da Prefeitura. Camus licenciou-se em Filosofia. Devido a doença, abandonou o professorado e dedicou-se ao jornalismo, primeiro em Argélia, no Alger Republicain, depois no Combat, integrado na Resistência Francesa durante a II Grande Guerra. Após a guerra, para além de se dedicar ao Desporto, foi um dos impulsionadores de um grupo de teatro: L´Equipe.
Em 1952, recebe o Prémio Nobel da Literatura e, em 1960, morre num desastre de automóvel.
Camus é um tradutor de percursos humanos que se projectam entre um sol violento, produtor de luz e, paisagens, onde se movem geografias de sombras.
O livro de Camus a que eu, hoje, dou vida é a “Queda” de 1956, que é, praticamente, um monólogo, onde se cruzam a ironia, o sarcasmo e uma variedade de pecadilhos humanos.
“O que é um juiz penitente? Ah! Deixei-o intrigado com esta história. Não ponha nisso malícia alguma, acredite, e posso explicar com mais clareza.
Há alguns anos, eu era advogado em Paris e, palavra, um advogado bastante conhecido, tinha uma especialidade: as causas nobres. Bastava-me, no entanto, farejar num réu o mais leve cheiro a vítima para que as minhas mangas entrassem acção. E que acção! Uma tempestade! Além disso eu era animado por dois sentimentos sinceros: a satisfação de estar do lado bom da barra e um desprezo instintivo pelos juízes, em geral.”
Actualmente, Camus, talvez, passe por ser um escritor de estante, o que será uma ingratidão da parte de quem é um estrangeiro em si mesmo.Oeiras, 27/10/2009 – Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 20 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H27.
O absurdo de “O Estrangeiro” de Albert Camus é a obra crucial de um escritor que se ultrapassou, ultrapassando a vulgaridade, para se encarnar no pedestal da posteridade.
Albert Camus nasceu em Mondovi, na Argélia, em 7 de Novembro de 1913. Frequentou a Universidade de Argel, sendo obrigado, para custear os seus estudos, a exercer as profissões de vendedor de acessórios de automóveis, de empregado de escritório, de meteorologista e de amanuense da Prefeitura. Camus licenciou-se em Filosofia. Devido a doença, abandonou o professorado e dedicou-se ao jornalismo, primeiro em Argélia, no Alger Republicain, depois no Combat, integrado na Resistência Francesa durante a II Grande Guerra. Após a guerra, para além de se dedicar ao Desporto, foi um dos impulsionadores de um grupo de teatro: L´Equipe.
Em 1952, recebe o Prémio Nobel da Literatura e, em 1960, morre num desastre de automóvel.
Camus é um tradutor de percursos humanos que se projectam entre um sol violento, produtor de luz e, paisagens, onde se movem geografias de sombras.
O livro de Camus a que eu, hoje, dou vida é a “Queda” de 1956, que é, praticamente, um monólogo, onde se cruzam a ironia, o sarcasmo e uma variedade de pecadilhos humanos.
“O que é um juiz penitente? Ah! Deixei-o intrigado com esta história. Não ponha nisso malícia alguma, acredite, e posso explicar com mais clareza.
Há alguns anos, eu era advogado em Paris e, palavra, um advogado bastante conhecido, tinha uma especialidade: as causas nobres. Bastava-me, no entanto, farejar num réu o mais leve cheiro a vítima para que as minhas mangas entrassem acção. E que acção! Uma tempestade! Além disso eu era animado por dois sentimentos sinceros: a satisfação de estar do lado bom da barra e um desprezo instintivo pelos juízes, em geral.”
Actualmente, Camus, talvez, passe por ser um escritor de estante, o que será uma ingratidão da parte de quem é um estrangeiro em si mesmo.Oeiras, 27/10/2009 – Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 20 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H27.
terça-feira, 19 de junho de 2012
MEMÓRIAS SONORAS - XI - "BLUE VELVET"
David Lynch, o realizador que explora, em alguns dos seus filmes como em
“Eraserhead”, de 1978, “Elephant Man”, de 1980, “Dune”, de 1984, as bizarrias dos mistérios que a mente humana encerra, realizou e escreveu o argumento, em 1986, do filme “Blue Velvet”, tendo como actores principais Isabella Rosselini, Kyle Maclachlan, Dennis Hopper e Laura Dern.
A história centra-se numa pequena cidade da “Middle America” e gira à volta de um jovem que se vê envolvido no mistério de um psicopata sádico e traficante de droga que rapta a família de uma cantora de um clube nocturno para satisfazer os seus instintos de brutalidade sexual, aconchegados à atmosfera de algumas canções, como por exemplo “In Dreams” de Roy Orbison, que lhe padronizam o gosto, enquanto se projecta a crueldade e o horror. A canção “Blue Velvet”, interpretada por Bobby Vinton, e que dá o nome ao filme, é um dos desejos que consome Dennis Hopper que, no filme, representa o psicopata. Na sequência deste filme Lynch realizou a excelente série “Twin Peaks” para a televisão. Seria uma excelente oportunidade para a RTP Memória voltar a exibi-la entre nós.
Stanley Robert Vinton (Bobby Vinton) nasceu em Canonsburg, Pennsylvania, EUA, em 16 de Abril de 1935. Iniciou-se, musicalmente, como trompetista, até se tornar vocalista da banda do estabelecimento de
ensino que frequentava. Em 1960, assinou pela editora Epic Records e, em 1962, com a composição “Roses Are Red”, obteve o seu primeiro grande sucesso. Em 1963, grava a canção “Blue Velvet” de Lee Morris e Bernie Wayne e com ela atinge o primeiro lugar das canções mais vendidas nos EUA. Antes desta versão, já Tony Bennett, em 1951 e o grupo de Doo-Wop, Clovers, em 1955, a tinham gravado.
A versão de Vinton é bastante açucarada e representativa de um certo estilo musical praticado pelos chamados Teen Idols, entre 1959 e 1963, nos EUA. Vinton foi um dos últimos deste Teen Idols e, embora a versão dos Clovers seja muito superior, a versão de Vinton, por motivos óbvios, é a memória sonora de hoje.
www.youtube.com/watch?v=qh1dAgoa3Bc
Blue Velvet
~ Bobby Vinton
She wore blue velvet
Bluer than velvet was the night
Softer than satin was the light
From the stars
She wore blue velvet
Bluer than velvet were her eyes
Warmer than May her tender sighs
Love was ours
Ours a love I held tightly
Feeling the rapture grow
Like a flame burning brightly
But when she left, gone was the glow of
Blue velvet
But in my heart there'll always be
Precious and warm, a memory
Through the years
And I still can see blue velvet
Through my tears
Lee Morris e Bernie WayneJorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 19 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 16H08.
“Eraserhead”, de 1978, “Elephant Man”, de 1980, “Dune”, de 1984, as bizarrias dos mistérios que a mente humana encerra, realizou e escreveu o argumento, em 1986, do filme “Blue Velvet”, tendo como actores principais Isabella Rosselini, Kyle Maclachlan, Dennis Hopper e Laura Dern.
A história centra-se numa pequena cidade da “Middle America” e gira à volta de um jovem que se vê envolvido no mistério de um psicopata sádico e traficante de droga que rapta a família de uma cantora de um clube nocturno para satisfazer os seus instintos de brutalidade sexual, aconchegados à atmosfera de algumas canções, como por exemplo “In Dreams” de Roy Orbison, que lhe padronizam o gosto, enquanto se projecta a crueldade e o horror. A canção “Blue Velvet”, interpretada por Bobby Vinton, e que dá o nome ao filme, é um dos desejos que consome Dennis Hopper que, no filme, representa o psicopata. Na sequência deste filme Lynch realizou a excelente série “Twin Peaks” para a televisão. Seria uma excelente oportunidade para a RTP Memória voltar a exibi-la entre nós.
Stanley Robert Vinton (Bobby Vinton) nasceu em Canonsburg, Pennsylvania, EUA, em 16 de Abril de 1935. Iniciou-se, musicalmente, como trompetista, até se tornar vocalista da banda do estabelecimento de
ensino que frequentava. Em 1960, assinou pela editora Epic Records e, em 1962, com a composição “Roses Are Red”, obteve o seu primeiro grande sucesso. Em 1963, grava a canção “Blue Velvet” de Lee Morris e Bernie Wayne e com ela atinge o primeiro lugar das canções mais vendidas nos EUA. Antes desta versão, já Tony Bennett, em 1951 e o grupo de Doo-Wop, Clovers, em 1955, a tinham gravado.
A versão de Vinton é bastante açucarada e representativa de um certo estilo musical praticado pelos chamados Teen Idols, entre 1959 e 1963, nos EUA. Vinton foi um dos últimos deste Teen Idols e, embora a versão dos Clovers seja muito superior, a versão de Vinton, por motivos óbvios, é a memória sonora de hoje.
www.youtube.com/watch?v=qh1dAgoa3Bc
Blue Velvet
~ Bobby Vinton
She wore blue velvet
Bluer than velvet was the night
Softer than satin was the light
From the stars
She wore blue velvet
Bluer than velvet were her eyes
Warmer than May her tender sighs
Love was ours
Ours a love I held tightly
Feeling the rapture grow
Like a flame burning brightly
But when she left, gone was the glow of
Blue velvet
But in my heart there'll always be
Precious and warm, a memory
Through the years
And I still can see blue velvet
Through my tears
Lee Morris e Bernie WayneJorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 19 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 16H08.
CISCOS DIÁRIOS - 19 DE JUNHO DE 2012
Esqueço-me do cansaço, desmonto a idade, e resisto à mendicidade do tempo com a opulência do humor. Sem me rir, nem sorrir, que estes pedaços de uma ventania mental são arpões de prosa madura que pescam nas águas do inconsciente a sinusite de um canto que realça os contornos macios de uma politiquice desvairada pelos encantos de uma beleza castradora e pelas betonices da carolice pedante. Avalio a sapiência da secura e examino a ignorância da candura com que se vestem os actos ceremoniais da presunção e da castração. Sou imune à divinização. Sou opaco na transparência de quem nada transparece e sou transparente na opacidade de tudo o que envelhece. A resistência é um dardo diário no alvo da decadência, é uma dose reforçada de feijoada proverbial para que os sentimentos de rejeição atinjam os objectivos da objectividade. A ironia pode não ser a linguagem da compreensão, mas é, certamente, a travessia de um deserto onde a mais pequena aragem causa uma tempestade de areia. As dunas reconhecem os seus lacraus e os seus venenos adubam a ventilação das palavras que nascem no oásis das suas idolatrias. Danço sobre os túmulos da vacuidade humana com a mesma galhardia com que se arrufa a vindima dos destinos na petulância dos traços genéricos da genética política. Não me oponho à oposição, mas oponho-me às suas posições, sem nervo, nem estatutos de inteligência que absorvam as tentações da realidade perversa. Serei perverso? Talvez, mas a pervesidade é uma ambiguidade entre as dúvidas que racham e as perguntas que ferem, não por serem pueris, mas porque os seus ritmos adultos alteram as franjas do olhar de rapina. Esqueço-me do tempo, acordei os dedos dos regos diários. Regado por aspersão, afogueado, por absolvição.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 19 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H36.
Escrito, directamente, no blogue, no dia 19 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H38, e, concluído, às 15H43 do dia 19 de Junho de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 19 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H36.
Escrito, directamente, no blogue, no dia 19 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H38, e, concluído, às 15H43 do dia 19 de Junho de 2012.
SONETOS - I - HARPAS AMANTES
QUE SE DANE A BILIS DA FERRUGEM,
O CANSAÇO DA VELHICE PRECOCE,
AS VERTIGENS DA IDADE SEM CONSCIÊNCIA
E AS GORDURAS DAS GARGANTAS MUDAS.
QUE SE INVENTE A CLARA MADRUGADA
AO SILÊNCIO DA NOITE MAIS HOSTIL
PARA QUE A CARNE RASGADA COM FEL
SEJA FEBRIL NO ACTO DA VINGANÇA.
QUE AS HORAS, AVES QUE O VENTO ASSOMBRA,
SEJAM O DEDILHAR DE HARPAS AMANTES
E AS SEMENTES DO AMOR FRATERNO
PARA QUE AS SOMBRAS QUE O NEGRO VESTE
SEJAM AS ELOQUÊNCIAS DE QUEM PINTA
OS QUADROS COLORIDOS DA VERDADE.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 19 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H50.
Escrito, directamente, no blogue, no dia 19 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H51, e, concluído, às 14H22 do dia 19 de Junho de 2012.
O CANSAÇO DA VELHICE PRECOCE,
AS VERTIGENS DA IDADE SEM CONSCIÊNCIA
E AS GORDURAS DAS GARGANTAS MUDAS.
QUE SE INVENTE A CLARA MADRUGADA
AO SILÊNCIO DA NOITE MAIS HOSTIL
PARA QUE A CARNE RASGADA COM FEL
SEJA FEBRIL NO ACTO DA VINGANÇA.
QUE AS HORAS, AVES QUE O VENTO ASSOMBRA,
SEJAM O DEDILHAR DE HARPAS AMANTES
E AS SEMENTES DO AMOR FRATERNO
PARA QUE AS SOMBRAS QUE O NEGRO VESTE
SEJAM AS ELOQUÊNCIAS DE QUEM PINTA
OS QUADROS COLORIDOS DA VERDADE.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 19 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H50.
Escrito, directamente, no blogue, no dia 19 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H51, e, concluído, às 14H22 do dia 19 de Junho de 2012.
segunda-feira, 18 de junho de 2012
UM PAPEL AMARROTADO
Um papel amarrotado escapulia-se pelo passeio da velha cidade, empurrado pela voz do vento. Um jovem, que seguia em sentido contrário, com um skate debaixo do braço, olhou com indiferença para o papel fugitivo, mas, uma súbita curiosidade, impeliu-o a curvar-se e a apanhar o papel amarrotado. Abriu o papel, mirou-o, desinteressado, vasculhando o verso e o seu reverso e limitou-se a constatar que era, apenas, um simples papel em branco. Preparava-se para o deitar fora, quando, um qualquer segredo, escondido, bem lá do fundo do seu cérebro, intimou-o a conservá-lo, transformando-o numa vulgar bola de papel. Enfiou a mão com a bola de papel no bolso e enquanto deslizava, pelo passeio, no seu skate, ia assobiando uma melodia que nunca ouvira em lado nenhum. Quando chegou a casa, guardou o skate, desdobrou, cuidadosamente, o papel e foi pintando cada um dos seus vincos com as cores das latas de spray que, usualmente, utilizava para ilustrar cada uma das suas criações que se podiam ver em alguns muros da velha cidade, embora reconhecesse que nunca compreendera o seu significado. Porém, sabia que todas elas provinham dos segredos que emanavam dos recantos do seu cérebro universal. Quando terminou a obra que produzira naquele papel amarrotado, sorriu, maravilhado com as imagens que havia criado e, reconhecendo nelas, a melodia que desconhecia, amarrotou de novo o papel e abandonou a sua casa com a ligeireza de uma brisa marítima; regressou ao passeio onde tinha encontrado o papel e lançou-o ao vento. Para seu grande espanto, foi observando a transformação que se ia dando no passeio por onde o papel deslizava ao som da melodia que o vento, igualmente aprendera, sem perceber que as cores que se espalhavam por todo o lado, alteravam a fisionomia da velha cidade. Não tardou que todos os seus habitantes, fascinados pela sedução das cores vibrantes que lhes enchiam os corpos com a juventude do jovem, entoassem com um coro de vozes suaves a melodia que todos aprenderam, sem que ninguém se apercebesse que tudo nascera de um simples papel amarrotado que rolava pelo passeio de uma velha cidade, impulsionado pela voz do vento. Biblioteca de Oeiras, 07/01/2010 - Jorge Brasil Mesquita - 11H08
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 18 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 16H04.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 18 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 16H04.
APITOS BOLÍSTICOS - IV - SELECÇÃO NACIONAL
Aqui vai um pedido que esconde um conselho ao Senhor Paulo Bento, Seleccionador Nacional: faça descansar, até ao jogo com a república Checa, os jogadores Cristiano Ronaldo e Raul Meireles. Quem esteve com atenção às cenas telivisivas do jogo com a Holanda perceberá o que do banco, certamente, não se notou: o cansaço visível dos dois jogadores para quem a época já vai longa e exaustiva. "Quem te avisa teu amigo é". Que os deuses vos protejam!
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 18 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 12H35.
Escrito, directamente, no blogue, no dia 18 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H35, e, concluído, às 15H42 do dia 18 de Junho de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 18 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 12H35.
Escrito, directamente, no blogue, no dia 18 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H35, e, concluído, às 15H42 do dia 18 de Junho de 2012.
AFLUENTES POEMÁTICOS- XX - CRIAÇÃO SAGRADA
NA RECRIAÇÃO DO MEDO
HÁ A INDIGNAÇÃO DA VERDADE
QUE SE OPÕE AO SEGREDO
DA FALSIDADE.
É UMA ESCULTURA DO TALENTO
QUE SE VENDE AO RITO
DA FARSA
ERGUENDO À LUZ DO TORMENTO
A RAIZ DO MITO
QUE SE ESGARÇA.
É UM TEMPO QUE SE MODELA
COM CINZEIS DE AMARGURA
E MÁSCARAS DE VIUVEZ
QUE A ESPERANÇA CONGELA
PARA QUE O DORSO DA ALMA FUTURA
NÃO SEJA UM APOLO DE PALIDEZ.
E SE A CINTURA DO VENTO
É MAGRA
A FARTURA DO ALENTO
CONSAGRA
NA ALTIVEZ DA CORAGEM
A SERENA VERTIGEM
DA VIAGEM
À PROFUNDIDADE DA ORIGEM
ONDE TODA A TECELAGEM
É A CRIAÇÃO SAGRADA
DA FECUNDAÇÃO AMADA.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 18 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H55.
Escrito, directamente, no blogue, no dia 18 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H56, e, concluído, às 15H24 do dia 18 de Junho de 2012.
HÁ A INDIGNAÇÃO DA VERDADE
QUE SE OPÕE AO SEGREDO
DA FALSIDADE.
É UMA ESCULTURA DO TALENTO
QUE SE VENDE AO RITO
DA FARSA
ERGUENDO À LUZ DO TORMENTO
A RAIZ DO MITO
QUE SE ESGARÇA.
É UM TEMPO QUE SE MODELA
COM CINZEIS DE AMARGURA
E MÁSCARAS DE VIUVEZ
QUE A ESPERANÇA CONGELA
PARA QUE O DORSO DA ALMA FUTURA
NÃO SEJA UM APOLO DE PALIDEZ.
E SE A CINTURA DO VENTO
É MAGRA
A FARTURA DO ALENTO
CONSAGRA
NA ALTIVEZ DA CORAGEM
A SERENA VERTIGEM
DA VIAGEM
À PROFUNDIDADE DA ORIGEM
ONDE TODA A TECELAGEM
É A CRIAÇÃO SAGRADA
DA FECUNDAÇÃO AMADA.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 18 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H55.
Escrito, directamente, no blogue, no dia 18 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H56, e, concluído, às 15H24 do dia 18 de Junho de 2012.
ZIPS SONOROS - IX - JOSEPH K
Depois de ter escrito sobre os escoceses Orange Juice e os Aztec Camera, continuarei na Escócia, mas desta vez, na cidade de Edimburg, onde, em 1979, Paul Haig, Malcolm Ross, David Weddell e Ronnie Torrance formaram os Joseph K, nome extraído do romance “O Processo” do escritor do absurdo, o Checo Franz Kafka (1883 – 1924). No mesmo ano auto-finaciaram o seu primeiro 7” “Romance” que apareceu na editora Absolute, fundada por Stephen Daly dos Orange Juice . Alan Horne entusiasmado pelo som do grupo, levou-os a assinarem contrato com a sua editora Postacard, a mesma editora dos Orange Juice. Sonoramente, os Joseph K sofreram influências dos grupos Estado-Unidenses Television, Talking Heads e Pere Ubu. Paul Haig afirmou: “ler deu-me imensas ideias para escrever letras”; as leituras que influenciaram o grupo, basearam-se nos livros escritos pelo escritor argelino/francês Albert Camus (1913 – 1960), pelo poeta e romancista alemão Hermann Hesse (1877 – 1962), pelo escritor russo Fedor Dostoevsky (1821 – 1881) e, claro, por Kafka. Um dos temas que o grupo escreveu “It´s Kinda Funny” foi dedicado a Ian Curtis (1956 – 1980) do grupo Joy Division.
Discografia dos Joseph K:
Dezembro de 1979 – 7” – Romance/Chance Meeting – Absolute
Agosto de 1980 – 7” – Radio Drill Time/Crazy To Exist (ao vivo) – Postcard
Dezembro de 1980 – 7” – It´s Kinda Funny/Final Request
Fevereiro de 1981 – 7” – Sorry For Laughing/Revelation
Maio de 1981 – 7” – Chance Meeting/Pictures (of Cindy)
Junho de 1981 – LP – The Only Fun In Town
Fevereiro de 1982 – 7” – Missionary/One Angle/Second Angle – Operation Twilight.Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 18 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H41.
Discografia dos Joseph K:
Dezembro de 1979 – 7” – Romance/Chance Meeting – Absolute
Agosto de 1980 – 7” – Radio Drill Time/Crazy To Exist (ao vivo) – Postcard
Dezembro de 1980 – 7” – It´s Kinda Funny/Final Request
Fevereiro de 1981 – 7” – Sorry For Laughing/Revelation
Maio de 1981 – 7” – Chance Meeting/Pictures (of Cindy)
Junho de 1981 – LP – The Only Fun In Town
Fevereiro de 1982 – 7” – Missionary/One Angle/Second Angle – Operation Twilight.Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 18 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H41.
FRICÇÕES - II - PARTIDO SOCIALISTA
Friccionando o Partido Socialista conclui-se que não faisca. No divã das ideias, uma estabilidade responsável não corresponde, necessariamente, a uma ideia de esquerda, confortável e viável. Falta-lhe a Luz da fricção.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 18 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H24.
Escrito, directamente, no blogue, no dia 18 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H25, e, concluído, às 14H31 do dia 18 de Junho de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 18 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H24.
Escrito, directamente, no blogue, no dia 18 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H25, e, concluído, às 14H31 do dia 18 de Junho de 2012.
UM SONHO QUE ANDA POR AÍ
Eu não sou real. Sou um sonho que anda por aí. Desconheço quem me sonha. Um sonho? Não, uma imensidade de sonhos. Cada um deles pretende preencher o vazio que navega no naufrágio de cada coração que perdeu a navegabilidade da vida que vive. São sonhos sem nomes, sem idades, passados ou futuros. Todos podem ser pescadores e pescarem nos afluentes dos seus rios as combinações das realidades que melhor preeencherem os vazios que anseiam por ser alagados com a fertilidade de serem o que não são. Não pensem em cores, nem em dias ou em noites. Flutuem no universo infinito dos meus sonhos e serão a riqueza humana da beleza com que nos abastece a natureza. Nos meus sonhos não há lugares para a tristeza, nem para a morte dos desejos que sufocam as incapacidades de se libertarem os prazeres que são as receitas prescritas destes sonhos que viajam, sem composturas e sem elegâncias de verbalismos, gastos pelas inconfidencialidades das confidências sem sonhos. Se me virem passar por aí, sorrindo e brincando como uma criança, não se surpreendam, é, apenas, um pássaro que voa, sonhando os sonhos que aprendeu comigo, nos mistérios e nos segredos da embriaguês solar que a todos nos consolará. São sonhos que eu sonho por não ser real. Sou, simplesmente, um sonho que anda por aí.Centro Cultural de Belém e Moinho das Antas em 01 e 02/12/2009
Jorge Brasil Mesquita. Jorge Manuel Brasil Mesquita. Recriado, em 18 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H06.
MINIATURAS - VI
O FUTURO É A DÁDIVA DO PASSADO.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 18 de Junho de 2012, na Estação do metro do Cais do Sodré, às 12H12.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 18 de Junho de 2012, às 13H57.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 18 de Junho de 2012, na Estação do metro do Cais do Sodré, às 12H12.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 18 de Junho de 2012, às 13H57.
MEMÓRIAS SONORAS - X - "SEE JUNGLE! SEE JUNGLE! GO JOIN YOUR GANG"
O pintor francês Edouard Manet (1832 – 1883), descendente de uma família da alta burguesia francesa, recebeu lições de pintura de Thomas Couture, um dos mais prestigiados pintores da época e dedicou-se a pintar obras-primas de pintores de várias épocas que foi descobrindo através das diversas visitas que foi fazendo aos melhores Museus da Europa. Entre 1853 e 1865, pinta quadros com temática espanhola, como resultado do fascínio que a pintura do Século de Ouro espanhol exerceu sobre Manet. Com o decorrer do tempo Manet começa a pintar ao ar livre que é uma das características do Impressionismo que, segundo George Rivière, um dos melhores críticos da época, afirmou, em 1877, se caracterizava por “tratar um tema pelas suas tonalidades e não pelo próprio tema.” Com as obras “Olympia” de 1865 e “Le Déjeuner sur L´Herbe” de 1863, Manet provoca escândalo e violentas reacções da crítica e do público.
Em 1981, é editado em Inglaterra o álbum “See Jungle! See Jungle! Go Join Your Gang, Yeath City All Over! Go Ape Crazy” do grupo Bow Wow Wow , cuja capa é uma reprodução, pelos elementos do grupo, do quadro de Manet, “Le Déjeuner Sur L´Herbe”. A capa causou escândalo, em Inglaterra, devido à nudez da vocalista do grupo que ainda era menor.
Os Bow Wow Wow formaram-se, em 1980, pela mão de Malcolm McLaren, o mesmo que foi responsável pela criação dos Sex Pistols, em 1975 e com eles o Punk. David Barbe, Matthew Ashman, Leigh Gorman e Anabella Lu Win de 14 anos e originária de Rangoon, Bruma. Sonoramente o grupo reproduzia as influências que absorveram dos sons tribais do Burundi, levando ao ponto de todos os elementos do grupo vestirem-se segundo os figurinos tribais e de Anabella ter rapado o cabelo para usar um penteado Moicano.
A memória sonora de hoje é um dos temas do álbum acima citado “Chihuahua”.
www.youtube.com/watch?v=N54K6JOIzo0
Bow Wow Wow - Chihuahua lyrics
I'm [???], and I can't sing, I can't do anything
I can't even find my way around town
And I'm 15 and a fool, can't you see
So don't fall in love with me
I'm a rock and roll puppet in a band called Bow Wow Wow
Better of to be a rabbit, at least they have more fun with a gun
I just go on and on, and on and on and on
I wasn't supposed to sing that one
Pop, pop, pop, pop gun
And the Greeks had a word for it, it went like this
Chihuahua, Chihuahua, Chihuahua, bow wow, wow, bow wow, Chihuahua
Everybody try it now, cos there's not always more
[???] A nodding tell [???] a chance, no one can stop it
So don't think of this fool [???] this little girl Sue [???]
I'm a horrid little indolence, can't you see
So don't fall in love with me
I'm a running testious, keep on pestering you
I'm frost and sun energy, don't drink to this fool
Call a doctor, don't be cruel
Don't you know nothing can stop me [???] crewing [???] over you?
And the Greeks had a word for it
Chihuahua, Chihuahua, Chihuahua, bow wow, wow, bow wow, Chihuahua
Everybody try it now, cos there's not always more, Chihuahua
Chihuahua, Chihuahua, Chihuahua, bow wow, wow, bow wow, Chihuahua
Everybody try it now, cos there's not always more
Chihuahua, Chihuahua, Chihuahua, bow wow, wow, bow wow, Chihuahua
Everybody try it now, cos there's not always more
Chihuahua, Chihuahua, Chihuahua, bow wow, wow, bow wow, Chihuahua
Everybody try it now, cos there's not always more
Songwriters: Ashman, Matthew; Gorman, Leigh; Barbarossa, Dave; Mclaren, Malcolm.Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 18 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H47.
Em 1981, é editado em Inglaterra o álbum “See Jungle! See Jungle! Go Join Your Gang, Yeath City All Over! Go Ape Crazy” do grupo Bow Wow Wow , cuja capa é uma reprodução, pelos elementos do grupo, do quadro de Manet, “Le Déjeuner Sur L´Herbe”. A capa causou escândalo, em Inglaterra, devido à nudez da vocalista do grupo que ainda era menor.
Os Bow Wow Wow formaram-se, em 1980, pela mão de Malcolm McLaren, o mesmo que foi responsável pela criação dos Sex Pistols, em 1975 e com eles o Punk. David Barbe, Matthew Ashman, Leigh Gorman e Anabella Lu Win de 14 anos e originária de Rangoon, Bruma. Sonoramente o grupo reproduzia as influências que absorveram dos sons tribais do Burundi, levando ao ponto de todos os elementos do grupo vestirem-se segundo os figurinos tribais e de Anabella ter rapado o cabelo para usar um penteado Moicano.
A memória sonora de hoje é um dos temas do álbum acima citado “Chihuahua”.
www.youtube.com/watch?v=N54K6JOIzo0
Bow Wow Wow - Chihuahua lyrics
I'm [???], and I can't sing, I can't do anything
I can't even find my way around town
And I'm 15 and a fool, can't you see
So don't fall in love with me
I'm a rock and roll puppet in a band called Bow Wow Wow
Better of to be a rabbit, at least they have more fun with a gun
I just go on and on, and on and on and on
I wasn't supposed to sing that one
Pop, pop, pop, pop gun
And the Greeks had a word for it, it went like this
Chihuahua, Chihuahua, Chihuahua, bow wow, wow, bow wow, Chihuahua
Everybody try it now, cos there's not always more
[???] A nodding tell [???] a chance, no one can stop it
So don't think of this fool [???] this little girl Sue [???]
I'm a horrid little indolence, can't you see
So don't fall in love with me
I'm a running testious, keep on pestering you
I'm frost and sun energy, don't drink to this fool
Call a doctor, don't be cruel
Don't you know nothing can stop me [???] crewing [???] over you?
And the Greeks had a word for it
Chihuahua, Chihuahua, Chihuahua, bow wow, wow, bow wow, Chihuahua
Everybody try it now, cos there's not always more, Chihuahua
Chihuahua, Chihuahua, Chihuahua, bow wow, wow, bow wow, Chihuahua
Everybody try it now, cos there's not always more
Chihuahua, Chihuahua, Chihuahua, bow wow, wow, bow wow, Chihuahua
Everybody try it now, cos there's not always more
Chihuahua, Chihuahua, Chihuahua, bow wow, wow, bow wow, Chihuahua
Everybody try it now, cos there's not always more
Songwriters: Ashman, Matthew; Gorman, Leigh; Barbarossa, Dave; Mclaren, Malcolm.Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 18 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H47.
MINIATURAS - V
O MEDO É UM VÍRUS LETAL.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 17 de Junho de 2012, no Centro Culural de Belém, às 13H05.
Escrito, directamente, no blogue, no dia 18 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H38.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 17 de Junho de 2012, no Centro Culural de Belém, às 13H05.
Escrito, directamente, no blogue, no dia 18 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H38.
CRITICARTE - XII - DINO BUZATTI
Em literatura há escritores que escrevem livros e há livros que escrevem os seus escritores.
O escritor italiano Dino Buzzati (1906 – 1972), nascido em Pellegrino, iniciou o seu trabalho de escrita como jornalista no Corriere della Sera.
Durante a Segunda Grande Guerra é enviado para a Etiópia como correspondente do jornal, o que lhe vai favorecer a concepção e a escrita da sua primeira obra literária, “O Deserto dos Tártaros” que é publicado em 1940.
O epicentro do romance bélico desenrola-se numa fortaleza que se ergue no meio do deserto que faz fronteira com o reino dos Tártaros. A narrativa do romance desenrola-se sob os efeitos psicológicos que se vão criando e adensando como consequência do sequestro da imobilidade do tempo que se arrasta até a um confronto final.
“Pareceu-lhe que a fuga do tempo se tinha detido, como se um encanto se tivesse quebrado. O vórtice dos últimos tempos tornara-se cada vez mais intenso, e agora, subitamente, nada; o mundo estagnara numa inércia horizontal e os relógios avançavam inutilmente. A estrada de Drogo chegara ao fim; ei-lo agora na margem solitária de um mar cinzento e uniforme, e à sua volta nem uma casa nem uma árvore nem um homem, tudo assim desde tempos imemoriais”.
O romance valeu ao escritor reconhecimento internacional e uma adaptação teatral do escritor francês Albert Camus (1913 – 1960).
É um romance para se ir mastigando com a mesma lentidão com que a fome do tempo o engole.
O romance foi publicado pela Cavalo de Ferro.Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 18 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H20.
O escritor italiano Dino Buzzati (1906 – 1972), nascido em Pellegrino, iniciou o seu trabalho de escrita como jornalista no Corriere della Sera.
Durante a Segunda Grande Guerra é enviado para a Etiópia como correspondente do jornal, o que lhe vai favorecer a concepção e a escrita da sua primeira obra literária, “O Deserto dos Tártaros” que é publicado em 1940.
O epicentro do romance bélico desenrola-se numa fortaleza que se ergue no meio do deserto que faz fronteira com o reino dos Tártaros. A narrativa do romance desenrola-se sob os efeitos psicológicos que se vão criando e adensando como consequência do sequestro da imobilidade do tempo que se arrasta até a um confronto final.
“Pareceu-lhe que a fuga do tempo se tinha detido, como se um encanto se tivesse quebrado. O vórtice dos últimos tempos tornara-se cada vez mais intenso, e agora, subitamente, nada; o mundo estagnara numa inércia horizontal e os relógios avançavam inutilmente. A estrada de Drogo chegara ao fim; ei-lo agora na margem solitária de um mar cinzento e uniforme, e à sua volta nem uma casa nem uma árvore nem um homem, tudo assim desde tempos imemoriais”.
O romance valeu ao escritor reconhecimento internacional e uma adaptação teatral do escritor francês Albert Camus (1913 – 1960).
É um romance para se ir mastigando com a mesma lentidão com que a fome do tempo o engole.
O romance foi publicado pela Cavalo de Ferro.Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 18 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H20.
sábado, 16 de junho de 2012
OS FILHOS DO MEDO DA VIDA
Pertenço ao cantinho dos vultos que estendem a mão ao Futuro, porque o passado os transformou em filhos do medo da vida. São apenas números no arco do triunfo dos endividamentos, santificados pelo ostracismo a que são vetados todos os que não se abrigam nas cavernas dos que sopram os ventos da sua estabilidade, graças à instabilidade dos que professam as magias falsas da salvação quotidiana. Cansei-me das cantigas dos que louvam as louva-a-deus dos mandatos irreflectidos nos espelhos das vaidades individualistas dos que fingem que são, o que não sendo, passam por ser o livre arbítrio das mentiras que cheiram às lixeiras das verdades em que já ninguém acredita, a não ser eles mesmos, agarrados que estão, aos fluídos endividados das suas dúvidas abstractas, defendidas pelos carrapatos das ignorâncias ideológicas e pelas realidades que são o monte Evereste da falência colectiva. Não importa afirmar que não somos o que éramos noutros tempos, importa sim avaliar o que seremos se continuarmos a ser a fundição dos planos, fundidos nas sepulturas da mendicidade colectiva no reino dos reinadiços abstractos. Pouco me importam as vigílias dos cérebros emperdenidos na vigência de um reino simulado. O que se aclama não são realidades, mas abstracções de cérebros conflituosos e de afrontamentos paralisados pela ignorância de uma fragrância luminosa. Quando todos acordarmos para a claridade da nossa sina, saberemos ouvir no fragor de um desmoronamento, o quadro simbólico de um rectângulo ridículo, esfumando-se na espuma da inexistência. Será a água e não o azeite que virá ao de cima. Eis a verdade de uma outra verdade que a verdade não deixará omitir.Sesimbra, 30/12/2009 - 14H16 - Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 16 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H47.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 16 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H47.
AFLUENTES POEMÁTICOS - XIX - PALAVRAS
Palavras
debruçam-se gota a gota
no parapeito do olhar;
espelham a vida absurda
de quem nunca soube amar.
Palavras
que mendigam a arte de nascer
na consciência da morte.
Abro o livro da minha coragem
com a esperança de a conceber,
mas a linguagem difícil de entender
deixa-me num estado de desnorte absoluto.
Caminho vacilante à beira de um abismo
onde o silêncio é a noite do dia
onde as palavras são o mutismo
da melancolia.
Procuro nos escombros da memória falida
uma noção de vida
um gesto puro de energia
que destile a poeira do dia a dia
mas nada sinto a não ser o cansaço
de uma longa e triste monotonia.
Palavras
que me consomem a criação
que me rasgam a ilusão
de não ser mais do que um traço
nos desenhos da razão.
Palavras
que habitam o primitivismo
da minha ciência muda
e vestem o analfabetismo
do meu futuro decadente
com as lágrimas de um medo permanente
medo das páginas em branco
das linhas por intuir
as frases malignas da frustração
medo da sonoridade inclemente
que não me deixa abstrair
dos parágrafos da colisão
entre um sorriso de inocências
e o choro das excrescências.
Palavras
que vestem as sombras da realidade
com os olhos certos da verdade.P.S. Estas "Palavras" foram publicadas no jornal da Universidade Sénior de Oeiras.
Oeiras, 08/05/2005 - Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 16 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H56.
debruçam-se gota a gota
no parapeito do olhar;
espelham a vida absurda
de quem nunca soube amar.
Palavras
que mendigam a arte de nascer
na consciência da morte.
Abro o livro da minha coragem
com a esperança de a conceber,
mas a linguagem difícil de entender
deixa-me num estado de desnorte absoluto.
Caminho vacilante à beira de um abismo
onde o silêncio é a noite do dia
onde as palavras são o mutismo
da melancolia.
Procuro nos escombros da memória falida
uma noção de vida
um gesto puro de energia
que destile a poeira do dia a dia
mas nada sinto a não ser o cansaço
de uma longa e triste monotonia.
Palavras
que me consomem a criação
que me rasgam a ilusão
de não ser mais do que um traço
nos desenhos da razão.
Palavras
que habitam o primitivismo
da minha ciência muda
e vestem o analfabetismo
do meu futuro decadente
com as lágrimas de um medo permanente
medo das páginas em branco
das linhas por intuir
as frases malignas da frustração
medo da sonoridade inclemente
que não me deixa abstrair
dos parágrafos da colisão
entre um sorriso de inocências
e o choro das excrescências.
Palavras
que vestem as sombras da realidade
com os olhos certos da verdade.P.S. Estas "Palavras" foram publicadas no jornal da Universidade Sénior de Oeiras.
Oeiras, 08/05/2005 - Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 16 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H56.
MINIATURAS - IV
OUVIR AS LÁGRIMAS DO TEMPO.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 16 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H47.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 16 de Junho de 2012, às 13H48.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 16 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H47.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 16 de Junho de 2012, às 13H48.
UM PEDAÇO DE MIM
Sempre que caminho pelas ruas do tempo, sinto num recanto interior, muito bem escondido, um pequeno jardim com uma única flor plantada pelos filamentos da idade. Umas vezes acendem-se, outras, apagam-se. Nas esquinas do tempo, onde o passado anseia pelo futuro, há um osso de saudades que me recuso a roer. Nunca nos terminais do destino encontrei razões para que a flor se tenha recusado a florescer. É um jardim triste, apesar da muita música com que festejei a alegria de a ter comigo. Embora o tempo seja eterno, eu não o sou. Será que ela o será? A velhice não me apoquenta. A flor provoca-me com tratados de incompreensão.
O corpo vai adormecendo, pouco a pouco, mas ela continua, interna e sorridente, perante o desespero de não encontrar o sémen justo que seja o alimento que a desperte e me emagreça a tristeza que me enfeita os lábios das dores, flocos de neve que se vão derretendo, ao sentirem os fios solares soprarem-lhe as últimas gotas de vida. Talvez, eu seja um floco de neve que, ao derreter-se, liberte, finalmente, a glória perfumada desta flor que me desconhece e que não chora, sendo um sonho que a morte do meu tempo conduzirá, certamente, ao seu florescimento triunfal. Porém, eu não sou quem pareço, e a flor não o sabe. A bebedeira do meu último suspiro será a última melodia que remará com a brisa do tempo.Cascais e Moinho das Antas, 04/05/12/2009 - Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 16 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H38.
O corpo vai adormecendo, pouco a pouco, mas ela continua, interna e sorridente, perante o desespero de não encontrar o sémen justo que seja o alimento que a desperte e me emagreça a tristeza que me enfeita os lábios das dores, flocos de neve que se vão derretendo, ao sentirem os fios solares soprarem-lhe as últimas gotas de vida. Talvez, eu seja um floco de neve que, ao derreter-se, liberte, finalmente, a glória perfumada desta flor que me desconhece e que não chora, sendo um sonho que a morte do meu tempo conduzirá, certamente, ao seu florescimento triunfal. Porém, eu não sou quem pareço, e a flor não o sabe. A bebedeira do meu último suspiro será a última melodia que remará com a brisa do tempo.Cascais e Moinho das Antas, 04/05/12/2009 - Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 16 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H38.
sexta-feira, 15 de junho de 2012
AFLUENTES POEMÁTICOS - XVIII - HUMANOS
NUM GRÃO DE POEIRA CÓSMICA
SALIVO O MEDO DA SEDE
E O ESTIGMA DA FOME
PORQUE HUMANOS SEREMOS
NESSA FRONTEIRA DO CAOS
ONDE TODOS NOS DESPIMOS
DAS FUGAZES RETICÊNCIAS
PARA SE ACENDER AO TEMPO
A ELOQUÊNCIA DA VIDA.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 15 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H45.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 15 de Junho de 2012, às 15H45, e, concluído, às 16H00 do dia 15 de Junho de 2012.
SALIVO O MEDO DA SEDE
E O ESTIGMA DA FOME
PORQUE HUMANOS SEREMOS
NESSA FRONTEIRA DO CAOS
ONDE TODOS NOS DESPIMOS
DAS FUGAZES RETICÊNCIAS
PARA SE ACENDER AO TEMPO
A ELOQUÊNCIA DA VIDA.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 15 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H45.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 15 de Junho de 2012, às 15H45, e, concluído, às 16H00 do dia 15 de Junho de 2012.
AFLUENTES POEMÁTICOS - XVII - DIMENSÃO HUMANA
NA RAZÃO DA DIMENSÃO HUMANA
HÁ O COLOSSO DE RHODES DA APARÊNCIA
QUE POR NÃO SER UMA VIA URBANA
É UM ACTO PROSCRITO DE PURA FALÊNCIA.
ESTE ESTENDAL DA MAIS TEATRAL FICÇÃO
É UM SUSPENSÓRIO QUE O PALCO ENCENA
COM ACTORES QUE NÃO SENTEM O CORAÇÃO
E ESPECTADORES DE UMA LUMINOSA ATENA
QUE NÃO APLAUDEM, NÃO PATEIAM, PORQUE CEGOS
NÃO TACTEIAM A VASTA PLANÍCIE DOS PREGOS
QUE NOS PREGAM AOS FUNDILHOS DA TENTAÇÃO
SEM QUE A DUREZA DE TODA A SUA EMOÇÃO
SEJA IMOLADA NA CORAGEM DE SER FUTURO
PARA QUE O PASSADO NÃO PASSE DE UM DARDO OBSCURO.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 15 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H07.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 15 de Junho de 2012, às 15H08, e, concluído, às 15H31 do dia 15 de Junho de 2012.
HÁ O COLOSSO DE RHODES DA APARÊNCIA
QUE POR NÃO SER UMA VIA URBANA
É UM ACTO PROSCRITO DE PURA FALÊNCIA.
ESTE ESTENDAL DA MAIS TEATRAL FICÇÃO
É UM SUSPENSÓRIO QUE O PALCO ENCENA
COM ACTORES QUE NÃO SENTEM O CORAÇÃO
E ESPECTADORES DE UMA LUMINOSA ATENA
QUE NÃO APLAUDEM, NÃO PATEIAM, PORQUE CEGOS
NÃO TACTEIAM A VASTA PLANÍCIE DOS PREGOS
QUE NOS PREGAM AOS FUNDILHOS DA TENTAÇÃO
SEM QUE A DUREZA DE TODA A SUA EMOÇÃO
SEJA IMOLADA NA CORAGEM DE SER FUTURO
PARA QUE O PASSADO NÃO PASSE DE UM DARDO OBSCURO.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 15 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H07.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 15 de Junho de 2012, às 15H08, e, concluído, às 15H31 do dia 15 de Junho de 2012.
FRICÇÕES - I - GRÉCIA
A Política sem fricções não produz Luz. Sem a fricção da Grécia, a Europa é uma União às escuras.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 15 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H51.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 15 de Junho de 2012, às 14H52, e, concluído, às 14H56 do dia 15 de Junho de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 15 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H51.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 15 de Junho de 2012, às 14H52, e, concluído, às 14H56 do dia 15 de Junho de 2012.
MINIATURAS - III
A SOLIDÃO É A GRAVAÇÃO DA RAZÃO, NO CORAÇÃO.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 15 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H43.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 15 de Junho de 2012, às 14H44.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 15 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H43.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 15 de Junho de 2012, às 14H44.
1991 - "LOVELESS" - MY BLOODY VALENTINE
Uma mão que slida as cordas de uma guitarra, num vermelho esbatido, é o grafismo que esconde a Arte sonora do Shoegazing dos My Bloody Valentine, esses micróbios sonoros do perfeccionisno que arquitectaram o maravilhoso "Loveless" e que, por pouco, iam levando a Creation Records, à falência. Salvou-se a editora e eternizou-se uma das obra primas da música popular. Slidam e shoegazinguem!
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 15 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H12.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 15 de Junho de 2012, às 14H13, e, concluído, às 14H26 do dia 15 de Junho de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 15 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H12.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 15 de Junho de 2012, às 14H13, e, concluído, às 14H26 do dia 15 de Junho de 2012.
MINIATURAS - II
E O LONGE, AQUI E ALI, TÃO PERTO.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 14 de Junho de 2012, no Comboio da Linha do Estoril, às 21H45.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 15 de Junho de 2012, às 14H07.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 14 de Junho de 2012, no Comboio da Linha do Estoril, às 21H45.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 15 de Junho de 2012, às 14H07.
"PONTO ÔMEGA" - DON DELILLO
Entre dois slow motions de "Psico", de Alfred Hitchcock, decorre a leveza do Ponto que avança e a profundidade do Ômega que em tudo se relança.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 15 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H51
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 15 de Junho de 2012, às 13H51.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 15 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H51
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 15 de Junho de 2012, às 13H51.
MINIATURAS - I
OUVIR O SILÊNCIO.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 14 de Junho de 2012, no Comboio da Linha do Estoril, às 21H43.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 15 de Junho de 2012, às 13H32.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 14 de Junho de 2012, no Comboio da Linha do Estoril, às 21H43.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 15 de Junho de 2012, às 13H32.
quinta-feira, 14 de junho de 2012
AFLUENTES POEMÁTICOS - XVI - SOU SEM SER
PASSO POR TI, NÃO REPARO
NÃO TE ENCONTRO NO REFLEXO DO DESEJO.
NÃO, NESTA PAIXÃO DE SER
A VOLÚPIA DA CARNE ABSTRACTA
A METAMORFOSE DO SONHO VIRIL
NO REDUTO IRRACIONAL DA ESPERA.
ESPERAR POR QUEM?
NÃO TE ENCONTRO NA PAISAGEM URBANA
DE VER QUEM NÃO VEJO
POR SER QUEM NÃO SOU
NA ARTE DISTINTA DE NADA SER
ENTRE O QUE FUI
E O QUE TALVEZ FOSSE
SE TE VISSE ENTRE A SELVA QUE MAGOA.
MAGOADO! POBRE CONSCIÊNCIA
QUE RESSOA INCONSCIENTE
ENTRE O VERBO QUE SE RÓI
E O SENTIDO QUE SE VERTE À RAZÃO DE SER
A MULTIPLICIDADE DO MEU ODOR
NA TUA PELE DE INFINITA DESORDEM;
RESPIRAÇÃO DESORDENADA
CAMINHAR INQUIETANTE
NESTE CONSUMO DE TUDO ABRAÇAR
PARA RECRIAR O CRIADO,
A PULSAÇÃO DO TEU ROSTO
NO VISUALISMO DOS AFECTOS
ESTE ARGUMENTO DE TUDO SER
NO NADA QUE SOU
NA SENSIBILIDADE INSENSÍVEL DOS TEUS SENTIDOS.
VOU POR AÍ,
VAGABUNDO DA MENDICIDADE AMANTE,
RELÓGIO DAS NOITES SEM MEMÓRIA.
SOU SEM SER.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 14 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 16H34.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 14 de Junho de 2012, às 16H35, e, concluído, às 17H01 do dia 14 de Junho de 2012.
NÃO TE ENCONTRO NO REFLEXO DO DESEJO.
NÃO, NESTA PAIXÃO DE SER
A VOLÚPIA DA CARNE ABSTRACTA
A METAMORFOSE DO SONHO VIRIL
NO REDUTO IRRACIONAL DA ESPERA.
ESPERAR POR QUEM?
NÃO TE ENCONTRO NA PAISAGEM URBANA
DE VER QUEM NÃO VEJO
POR SER QUEM NÃO SOU
NA ARTE DISTINTA DE NADA SER
ENTRE O QUE FUI
E O QUE TALVEZ FOSSE
SE TE VISSE ENTRE A SELVA QUE MAGOA.
MAGOADO! POBRE CONSCIÊNCIA
QUE RESSOA INCONSCIENTE
ENTRE O VERBO QUE SE RÓI
E O SENTIDO QUE SE VERTE À RAZÃO DE SER
A MULTIPLICIDADE DO MEU ODOR
NA TUA PELE DE INFINITA DESORDEM;
RESPIRAÇÃO DESORDENADA
CAMINHAR INQUIETANTE
NESTE CONSUMO DE TUDO ABRAÇAR
PARA RECRIAR O CRIADO,
A PULSAÇÃO DO TEU ROSTO
NO VISUALISMO DOS AFECTOS
ESTE ARGUMENTO DE TUDO SER
NO NADA QUE SOU
NA SENSIBILIDADE INSENSÍVEL DOS TEUS SENTIDOS.
VOU POR AÍ,
VAGABUNDO DA MENDICIDADE AMANTE,
RELÓGIO DAS NOITES SEM MEMÓRIA.
SOU SEM SER.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 14 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 16H34.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 14 de Junho de 2012, às 16H35, e, concluído, às 17H01 do dia 14 de Junho de 2012.
1971 - "BLUE" - JONI MITCHELL
Um dos clássicos albuns da música popular. A capa, de um azulado obscurecido, revela um rosto intimista, um rosto que expressa o sombreado de uma sonoridade rica em simplicidade e em tonalidades de sentimentos interiores. A voz que povoa todo o album regista, entre ondulações e flutuações, as palavras que espelham viagens, privacidades, intimidades amorosas e fugas às realidades perceptivas de amores doridos. "if I could reach a river so long/I would teach my feet to fly-y-y-y-y". Ouvir em silêncio para, assim, podermos absorver, extasiados, os licores sonoros de uma pureza criadora. Joni Mitchell, uma interprete, uma poetiza e uma pintora entregue à Arte da beleza sonora.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 14 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H24.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 14 de Junho de 2012, às 15H25, e, concluído, às 15H56 do dia 14 de Junho de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 14 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H24.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 14 de Junho de 2012, às 15H25, e, concluído, às 15H56 do dia 14 de Junho de 2012.
EU E O PÉGASO
Ontem, eu e o Pégaso concluímos que éramos amigos de longa data. Pégaso jurou que era o Futuro e eu não neguei que era o Passado. Concluímos que apesar das diferenças geracionais, jamais se gerariam conflitos entre nós, desde que pactuássemos com a realidade que não éramos e concordássemos com as mentiras que seriam as verdades, em que ninguém acreditásse. Pégaso afirmou que na constelação onde habitava , tudo o que era brilhante, estava na realidade apagado, e que eu era visto como uma Nau à deriva no stress do universo. Juntos planeámos compor outra noção do tempo e esculpir nos degraus da eternidade, uma sequência equestre de banalidades que apagariam das memórias universais, os mitos das excelências e as elites das fertilidades artísticas. O Pégaso alado, aliado e conversador, adorava paracronismos, alimentava-se de metáforas e confessou odiar as parábolas, vá lá saber-se porquê. Quanto a mim, só discutia quando não havia razões para tal. Era um perito na matéria e o Pégaso regalava-se com todos os dialectos, que eu não traduzia, mas que o alado, aliado na sabedoria, entendia tudo às mil maravilhas, vá lá saber-se como.
O respeito mútuo estava consagrado, sem tratados, pelo que nunca me atrevi a pedir-lhe boleia para onde quer que fosse. Aprendemos a explorar-nos, explorando todas as explorações que cada um de nós fazia por mútuo consentimento. Confesso que esta amizade era profundamente enternecedora.
Não havia constelações de sonhos sonhados que nós não adivinhássemos a realidade dos seus frutos. Apesar de sermos apelos à viabilidade dos seus concertos, não resistíamos a confiscar uns quantos, só pelo prazer de planarmos nas frases sublimes que ouvíamos aos cantos estrelares, revelando-nos os escafandros da vida. Tanto subíamos por aqui, como descíamos por ali, cruzando fronteiras, humanas ou urbanas, com a mesma vulgaridade com que nos escondíamos nas velas do tempo.
Nunca aprendi a voar porque confiava nas suas asas e, quando emigrávamos para o sudoeste das razões, chegávamos às justificações pelo nordeste das infidelidades, o que eram as consequências naturais de nos usarmos, consultando valências e inventando falências que desgostavam as inocências, desmentidas pelos fragores das invernias, urdidas pelas velhices poluídas pelas poeiras cósmicas da eternidade infalível.
Quando passávamos por onde não passávamos, sabíamos que só varrendo as esculturas do pensamento, abríamos às correntes do acorrentados, as bigamias consulares das vocábulos ambidextros.
Rumámos às fadigas das sombras, cansados de nós próprios, mas vencendo as resistências dos valores do tempo perdido, que se transformaram no coro das vozes que se esqueceram da nossa travessia pela vida e ocultámos-nos no casulo das fugas permanentes, onde nada do que era, vivo seria, excepto o Pégaso, porque pertence às ondas fluentes do tempo. Lisboa, 11/12/2009 - 16H00
Saldanha, Lisboa, 20/12/2009 - 13H09
Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 14 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H16.
O respeito mútuo estava consagrado, sem tratados, pelo que nunca me atrevi a pedir-lhe boleia para onde quer que fosse. Aprendemos a explorar-nos, explorando todas as explorações que cada um de nós fazia por mútuo consentimento. Confesso que esta amizade era profundamente enternecedora.
Não havia constelações de sonhos sonhados que nós não adivinhássemos a realidade dos seus frutos. Apesar de sermos apelos à viabilidade dos seus concertos, não resistíamos a confiscar uns quantos, só pelo prazer de planarmos nas frases sublimes que ouvíamos aos cantos estrelares, revelando-nos os escafandros da vida. Tanto subíamos por aqui, como descíamos por ali, cruzando fronteiras, humanas ou urbanas, com a mesma vulgaridade com que nos escondíamos nas velas do tempo.
Nunca aprendi a voar porque confiava nas suas asas e, quando emigrávamos para o sudoeste das razões, chegávamos às justificações pelo nordeste das infidelidades, o que eram as consequências naturais de nos usarmos, consultando valências e inventando falências que desgostavam as inocências, desmentidas pelos fragores das invernias, urdidas pelas velhices poluídas pelas poeiras cósmicas da eternidade infalível.
Quando passávamos por onde não passávamos, sabíamos que só varrendo as esculturas do pensamento, abríamos às correntes do acorrentados, as bigamias consulares das vocábulos ambidextros.
Rumámos às fadigas das sombras, cansados de nós próprios, mas vencendo as resistências dos valores do tempo perdido, que se transformaram no coro das vozes que se esqueceram da nossa travessia pela vida e ocultámos-nos no casulo das fugas permanentes, onde nada do que era, vivo seria, excepto o Pégaso, porque pertence às ondas fluentes do tempo. Lisboa, 11/12/2009 - 16H00
Saldanha, Lisboa, 20/12/2009 - 13H09
Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 14 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H16.
BLUES - II - DE COMBOIO
DE COMBOIO AO LONGO DO TEJO
VEJO NO REFLEXO DO OLHAR
DE COMBOIO AO LONGO DO TEJO
VEJO NO REFLEXO DO OLHAR
A BOCA QUE INVEJO
ENTRE LINHAS DE AMAR.
DE COMBOIO AO LONGO DESTA VIAGEM
VEJO NO VÉU DA LÁGRIMA ENXUTA
DE COMBOIO AO LONGO DESTA VIAGEM
VEJO NO VÉU DA LÁGRIMA ENXUTA
AS CURVAS DA MENSAGEM
EM QUE O AMOR LABUTA
E SE O FINAL ASSINALA
O RÉU DO GRITO ANIMAL
E SE O FINAL ASSINALA
O RÉU DO GRITO ANIMAL
É O AMOR QUE REGALA
O SEU CORAÇÃO FATAL.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 12 de Junho de 2012, em casa, às 22H25.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 14 de Junho de 2012, às 14H34, e, concluído, às 14H53 do dia 14 de Junho de 2012.
VEJO NO REFLEXO DO OLHAR
DE COMBOIO AO LONGO DO TEJO
VEJO NO REFLEXO DO OLHAR
A BOCA QUE INVEJO
ENTRE LINHAS DE AMAR.
DE COMBOIO AO LONGO DESTA VIAGEM
VEJO NO VÉU DA LÁGRIMA ENXUTA
DE COMBOIO AO LONGO DESTA VIAGEM
VEJO NO VÉU DA LÁGRIMA ENXUTA
AS CURVAS DA MENSAGEM
EM QUE O AMOR LABUTA
E SE O FINAL ASSINALA
O RÉU DO GRITO ANIMAL
E SE O FINAL ASSINALA
O RÉU DO GRITO ANIMAL
É O AMOR QUE REGALA
O SEU CORAÇÃO FATAL.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 12 de Junho de 2012, em casa, às 22H25.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 14 de Junho de 2012, às 14H34, e, concluído, às 14H53 do dia 14 de Junho de 2012.
ZIPS SONOROS - VIII - AZTEC CAMERA
Este meu espaço dedicado a bandas ligadas ao movimento DIY e às editoras independentes que se iniciou em finais da década de 70 e, ainda, a outros sons, prossegue ainda na Escócia, em East Kilbride, para ser mais exacto, onde se formou, em 1980, o grupo Aztec Camera pelas mãos do jovem compositor de 15 anos, Roddy Frame e, ainda, por Campbell Owens e Dave Mulholland. A banda, como não poderia deixar de ser, foi contratada por Alan Horne para a sua editora Postcard que, como já referenciei, tinha como objectivo ser “The Sound Of The Young Scotland”. Na sonoridade dos Aztec Camera sobressaíam sons latino jazzísticos, em cujas características acústicas iniciais se notavam voos de fantasias Folk que, mais tarde, se rechearam instrumentalmente, quando, em 1982, assinaram pela editora independente londrina Rough Trade.
Como é habitual referencio a discografia independente do grupo.
Postcard:
Março de 1981 – 7” – Just Like Gold/We Could Send Letters
Julho de 1981 – 7” – Matress of Wire/Look Outside The Tunnel
Rough Trade:
Agosto de 1982 – 7” – Pillar To Post/Queen´s Tatoo
Janeiro de 1983 – 7” – Oblivious/Orchard Girl
Abril de 1983 – LP – High Land, Hard Rain
Maio de 1983 – 7” – Walk On Winter/Set The Killing Free.
Antes de encerrar mais esta viagem sonora, não me coíbo de chamar a atenção para as composições “We Could Send Letters”, primeiro na versão acústica e depois na versão do excelente LP e da riqueza sonora de “Oblivious”.Oeiras, 10/10/2009 – Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 14 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H17.
Como é habitual referencio a discografia independente do grupo.
Postcard:
Março de 1981 – 7” – Just Like Gold/We Could Send Letters
Julho de 1981 – 7” – Matress of Wire/Look Outside The Tunnel
Rough Trade:
Agosto de 1982 – 7” – Pillar To Post/Queen´s Tatoo
Janeiro de 1983 – 7” – Oblivious/Orchard Girl
Abril de 1983 – LP – High Land, Hard Rain
Maio de 1983 – 7” – Walk On Winter/Set The Killing Free.
Antes de encerrar mais esta viagem sonora, não me coíbo de chamar a atenção para as composições “We Could Send Letters”, primeiro na versão acústica e depois na versão do excelente LP e da riqueza sonora de “Oblivious”.Oeiras, 10/10/2009 – Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 14 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H17.
LABIRINTOS - II - V
Há verdades que deixam de ser válidas quando são violadas pelos verdugos que vagueiam viçosos, vestidos de vítimas nas vitrines dos vasos venenosos que vilipendiam as voracidades de outra verdade. Que verdade?
Nunca desisto de ser quem sou, mesmo quando não se é, o que se é na sinusite das ruas sinuosas do destino.
Há vampiros que vazam as volúpias dos vultos que vivem com as vendas dos vivos, volteando nas voltas dos vincos virtuais da verdade. Que verdade?
Rastejo como um réptil sem o ser, porque ninguém reconhece a sua inexistência no mundo dos animais faladores, embora, por vezes, reconheça o veneno que lanço com a precisão da imortalidade, não mortalizada.
Há vozes que vinculam as vagas das verrugas às vergastas que vaticinam aos vígaros da verdade. Que verdade?
Eis uma razão para não ser o que se é: ser-se o que se é. È um sinal de fugas. E por que razão fugir é uma fuga e não sinais do seu sinal? Sou um sinal de acentos finais.
Há violinos, violoncelos e violões que vogam nos veleiros da velhice, vergando às suas viagens as vassouras dos vergões que vibram as vogais que velam pelas vírgulas de umas vagas verdades que vocalizam a verdade. Que verdade?
Já não subo ao cume de mim mesmo, desde que os pensamentos me abandonaram. Não lhes ligo importância, porque sei que todo eu sou um pensamento. Quem não se espelha no espelho das minhas barbas, reflecte-se na silhueta do seu pensamento. São esculturas de natureza indefinida.
Há vasilhames de verga nos vermes das verduras que visam as vizeiras das vocações que vislumbram as vitórias vibrantes dos vagões que vasculham os vícios da verdade. Que verdade?
Sou a sombra das sombras que passa despercebida por entre os vários silêncios que se formam à volta da fogueira que acendo sem os fósforos da vida. Ser visto no oceanário da vida, não é a página solta de uma vida que o vento assobia nos rápidos dos olhos nocturnos.
Há vigores que são valores no vetusto virtuosismo da vacuidade vitalícia. São vitaminas valiosas para quem se vilhipenda à vista da sua vigarice com vulgares vitimizações para vangoliar-se de um voto sem verdade. Que verdade?
Esta verdade, apesar não ser a minha verdade, é uma verdade a que não posso escapar, porque quem vive, vivendo uma não vivência de verdade que é verdadeira, só pode invocar como verdade, a aparência de ser o que se é no centro das mentiras que passam por ser uma verdade que não é verdadeira, porque não se reveste com as barbas da verdade que se vêem à vista desarmada da verdade de quem quer que seja.Sintra, 05/01/2010, 15H05 - Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 14 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H05.
Nunca desisto de ser quem sou, mesmo quando não se é, o que se é na sinusite das ruas sinuosas do destino.
Há vampiros que vazam as volúpias dos vultos que vivem com as vendas dos vivos, volteando nas voltas dos vincos virtuais da verdade. Que verdade?
Rastejo como um réptil sem o ser, porque ninguém reconhece a sua inexistência no mundo dos animais faladores, embora, por vezes, reconheça o veneno que lanço com a precisão da imortalidade, não mortalizada.
Há vozes que vinculam as vagas das verrugas às vergastas que vaticinam aos vígaros da verdade. Que verdade?
Eis uma razão para não ser o que se é: ser-se o que se é. È um sinal de fugas. E por que razão fugir é uma fuga e não sinais do seu sinal? Sou um sinal de acentos finais.
Há violinos, violoncelos e violões que vogam nos veleiros da velhice, vergando às suas viagens as vassouras dos vergões que vibram as vogais que velam pelas vírgulas de umas vagas verdades que vocalizam a verdade. Que verdade?
Já não subo ao cume de mim mesmo, desde que os pensamentos me abandonaram. Não lhes ligo importância, porque sei que todo eu sou um pensamento. Quem não se espelha no espelho das minhas barbas, reflecte-se na silhueta do seu pensamento. São esculturas de natureza indefinida.
Há vasilhames de verga nos vermes das verduras que visam as vizeiras das vocações que vislumbram as vitórias vibrantes dos vagões que vasculham os vícios da verdade. Que verdade?
Sou a sombra das sombras que passa despercebida por entre os vários silêncios que se formam à volta da fogueira que acendo sem os fósforos da vida. Ser visto no oceanário da vida, não é a página solta de uma vida que o vento assobia nos rápidos dos olhos nocturnos.
Há vigores que são valores no vetusto virtuosismo da vacuidade vitalícia. São vitaminas valiosas para quem se vilhipenda à vista da sua vigarice com vulgares vitimizações para vangoliar-se de um voto sem verdade. Que verdade?
Esta verdade, apesar não ser a minha verdade, é uma verdade a que não posso escapar, porque quem vive, vivendo uma não vivência de verdade que é verdadeira, só pode invocar como verdade, a aparência de ser o que se é no centro das mentiras que passam por ser uma verdade que não é verdadeira, porque não se reveste com as barbas da verdade que se vêem à vista desarmada da verdade de quem quer que seja.Sintra, 05/01/2010, 15H05 - Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 14 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H05.
CRITICARTE - XI - "GERAÇÃO PERDIDA"
Porquê Aldous Huxley? Por ter escrito “O Admirável Mundo Novo” e correr por aí que se prepara uma adaptação ao cinema? Por ter escrito o ensaio “Doors of Perception”, de cujo título o grupo de Jim Morrison extraiu o seu nome Doors? Não! Por ser um romancista pensador, cuja visão sagaz e implacável do mundo do tempo em que vivia, se encontram nos seus romances pela via da ironia, da truculência e da imperturbável lucidez com que analisava os mais prementes problemas dos seus dias.
Aldous Huxley ( 1894 – 1963 ) nasceu em Goldalming, Inglaterra. Estudou na Escola de Eton, onde lhe surgiram problemas de visão, formou-se na Universidade de Oxford, onde se tornou amigo do filósofo Bertrand Russel e do escritor D. H. Lawrence. Em 1937, mudou-se para Los Angeles, EUA e em 1938 tornou-se num dos mais importantes roteiristas de Hollywood.
Entre os muitos romances que escreveu, encontra-se o livro “Geração Perdida”, escrito em 1923. O romance aborda o extremo negativismo que se vivia em Inglaterra na pós Primeira Grande Guerra e onde circulam personagens que se interessam por tudo como uma forma de não se envolverem em nada. Huxley usa a linguagem do desprezo e da raiva por todos quantos se mostravam vazios de ideais, mas que se aplicavam numa frenética fúria de viver. Sem se deixar absorver pelas farsas da sociedade que o rodeava, preconizou com coragem a extirpação dos não valores.
“Lancing expunha às visitas todos os segredos. À sua palavra abria-se um vasto mundo incrível e fantástico. Havia trópicos, havia mares frios cheios de seres vivos, florestas povoadas de árvores medonhas e de silêncio e treva. Havia fermentos e venenos infinitésimos que flutuavam no ar. Havia Leviatãs amamentando os filhotes, havia moscas e vermes, havia homens que viviam em cidades, pensavam, conheciam o bem e o mal. Estavam todos vivos. Homens e mulheres deixavam de ser eles próprios ou lutavam por continuar a sê-lo. Morriam ou lutavam para viver”.
“Geração Perdida”, um livro que, talvez, não esteja muito longe da nossa actualidade.Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 14 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H53.
Aldous Huxley ( 1894 – 1963 ) nasceu em Goldalming, Inglaterra. Estudou na Escola de Eton, onde lhe surgiram problemas de visão, formou-se na Universidade de Oxford, onde se tornou amigo do filósofo Bertrand Russel e do escritor D. H. Lawrence. Em 1937, mudou-se para Los Angeles, EUA e em 1938 tornou-se num dos mais importantes roteiristas de Hollywood.
Entre os muitos romances que escreveu, encontra-se o livro “Geração Perdida”, escrito em 1923. O romance aborda o extremo negativismo que se vivia em Inglaterra na pós Primeira Grande Guerra e onde circulam personagens que se interessam por tudo como uma forma de não se envolverem em nada. Huxley usa a linguagem do desprezo e da raiva por todos quantos se mostravam vazios de ideais, mas que se aplicavam numa frenética fúria de viver. Sem se deixar absorver pelas farsas da sociedade que o rodeava, preconizou com coragem a extirpação dos não valores.
“Lancing expunha às visitas todos os segredos. À sua palavra abria-se um vasto mundo incrível e fantástico. Havia trópicos, havia mares frios cheios de seres vivos, florestas povoadas de árvores medonhas e de silêncio e treva. Havia fermentos e venenos infinitésimos que flutuavam no ar. Havia Leviatãs amamentando os filhotes, havia moscas e vermes, havia homens que viviam em cidades, pensavam, conheciam o bem e o mal. Estavam todos vivos. Homens e mulheres deixavam de ser eles próprios ou lutavam por continuar a sê-lo. Morriam ou lutavam para viver”.
“Geração Perdida”, um livro que, talvez, não esteja muito longe da nossa actualidade.Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 14 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H53.
AFLUENTES POEMÁTICOS - XV - NA TATUAGEM DA VIDA
NA TATUAGEM DA VIDA
O ESPAÇO DA IDADE
É O SOFÁ DA FERIDA
ONDE SE SENTA A VERDADE,
ONDE DORME A MENTIRA
DA CORAGEM QUE DELIRA
COM A DOR QUE SE ASPIRA
ENTRE OS LENÇÓIS DA BONDADE.
NAS GARGALHADAS DA FOME
OUVE-SE O ECO DA DEMÊNCIA
ESSE ESTADO QUE CONSOME
A VIRTUDE DA INOCÊNCIA
ILUMINANDO O FOGO
QUE ENVAIDECE O JOGO
E ENRIQUECE O ROGO
COM A VOZ DA INSOLÊNCIA.
NO CONFORTO DA ARIDEZ
O LOUCO CORCEL DA PAZ
É UM CINZEL DE ACIDEZ
NA ESCULTURA QUE JAZ
ENTRE O ASSALTO DO GRITO
QUE SE ANUNCIA AFLITO
E A ESPONJA DO GRANITO
QUE, EM LUZ, A VIDA REFAZ.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 14 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 12H46.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 14 de Junho de 2012, às 12H47, e, concluído, às 13H38 do dia 14 de Junho de 2012.
O ESPAÇO DA IDADE
É O SOFÁ DA FERIDA
ONDE SE SENTA A VERDADE,
ONDE DORME A MENTIRA
DA CORAGEM QUE DELIRA
COM A DOR QUE SE ASPIRA
ENTRE OS LENÇÓIS DA BONDADE.
NAS GARGALHADAS DA FOME
OUVE-SE O ECO DA DEMÊNCIA
ESSE ESTADO QUE CONSOME
A VIRTUDE DA INOCÊNCIA
ILUMINANDO O FOGO
QUE ENVAIDECE O JOGO
E ENRIQUECE O ROGO
COM A VOZ DA INSOLÊNCIA.
NO CONFORTO DA ARIDEZ
O LOUCO CORCEL DA PAZ
É UM CINZEL DE ACIDEZ
NA ESCULTURA QUE JAZ
ENTRE O ASSALTO DO GRITO
QUE SE ANUNCIA AFLITO
E A ESPONJA DO GRANITO
QUE, EM LUZ, A VIDA REFAZ.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 14 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 12H46.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 14 de Junho de 2012, às 12H47, e, concluído, às 13H38 do dia 14 de Junho de 2012.
MEMÓRIAS SONORAS - IX - "VINCENT"
Sempre que um certo estado de alma e a pintura resvala mentalmente por mim, vem-me à memória, não sei bem porquê, “Os Quatro Girassóis” que o pintor Vincent Van Gogh pintou em 1887.
O pintor Van Gogh nasceu em Groot Zundert, na Holanda no ano de 1853 e suicidou-se em Auvers-sur-Oise, em França no ano de 1890. Antes de se dedicar à pintura passou pelo desejo falhado de ser um pastor religioso e evangelista. Como pintor pode dizer-se que se encontram em alguns dos seus quadros influências pós-impressionistas e ligações à Escola Simbolista de Pont-Aven, fundada por Paul Gaugin e Emile Bernard. Pode-se dizer que a verdadeira influência da produção artística de Van Gogh se encontra nas flutuações do seu estado psíquico, que em 1890, o levariam ao suicídio.
O que me atrai em Van Gogh são as cores que me absorvem psicologicamente, como o sol ilumina o dia.
Don Mclean é um cantautor que alcançou grande popularidade graças a uma composição de nome “American Pie” que segundo reza a lenda musical é dedicada a Buddy Holly (1936-1959) onde consta o verso “The Day The Music Died” que se diz coincidir com a morte de Buddy. A composição vinha incluída no álbum com o mesmo título, editado em 1971. o álbum incluía, igualmente, a canção “Vincent” que é um excelente tributo ao pintor Vincent Van Gogh.
www.youtube.com/watch?v=dipFMJckZOM
Don McLean - Vincent lyrics
Starry
starry night
paint your palette blue and grey
look out on a summer's day
with eyes that know the
darkness in my soul.
Shadows on the hills
sketch the trees and the daffodils
catch the breeze and the winter chills
in colors on the snowy linen land.
And now I understand what you tried to say to me
how you suffered for your sanity
how you tried to set them free.
They would not listen
they did not know how
perhaps they'll listen now.
Starry
starry night
flaming flo'rs that brightly blaze
swirling clouds in violet haze reflect in
Vincent's eyes of China blue.
Colors changing hue
morning fields of amber grain
weathered faces lined in pain
are soothed beneath the artist's
loving hand.
And now I understand what you tried to say to me
how you suffered for your sanity
how you tried to set them free.
perhaps they'll listen now.
For they could not love you
but still your love was true
and when no hope was left in sight on that starry
starry night.
You took your life
as lovers often do;
But I could have told you
Vincent
this world was never
meant for one
as beautiful as you.
Starry
starry night
portraits hung in empty halls
frameless heads on nameless walls
with eyes
that watch the world and can't forget.
Like the stranger that you've met
the ragged men in ragged clothes
the silver thorn of bloddy rose
lie crushed and broken
on the virgin snow.
And now I think I know what you tried to say to me
how you suffered for your sanity
how you tried to set them free.
They would not listen
they're not
list'ning still
perhaps they never will.
Don Mclean
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 14 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 12H05.
O pintor Van Gogh nasceu em Groot Zundert, na Holanda no ano de 1853 e suicidou-se em Auvers-sur-Oise, em França no ano de 1890. Antes de se dedicar à pintura passou pelo desejo falhado de ser um pastor religioso e evangelista. Como pintor pode dizer-se que se encontram em alguns dos seus quadros influências pós-impressionistas e ligações à Escola Simbolista de Pont-Aven, fundada por Paul Gaugin e Emile Bernard. Pode-se dizer que a verdadeira influência da produção artística de Van Gogh se encontra nas flutuações do seu estado psíquico, que em 1890, o levariam ao suicídio.
O que me atrai em Van Gogh são as cores que me absorvem psicologicamente, como o sol ilumina o dia.
Don Mclean é um cantautor que alcançou grande popularidade graças a uma composição de nome “American Pie” que segundo reza a lenda musical é dedicada a Buddy Holly (1936-1959) onde consta o verso “The Day The Music Died” que se diz coincidir com a morte de Buddy. A composição vinha incluída no álbum com o mesmo título, editado em 1971. o álbum incluía, igualmente, a canção “Vincent” que é um excelente tributo ao pintor Vincent Van Gogh.
www.youtube.com/watch?v=dipFMJckZOM
Don McLean - Vincent lyrics
Starry
starry night
paint your palette blue and grey
look out on a summer's day
with eyes that know the
darkness in my soul.
Shadows on the hills
sketch the trees and the daffodils
catch the breeze and the winter chills
in colors on the snowy linen land.
And now I understand what you tried to say to me
how you suffered for your sanity
how you tried to set them free.
They would not listen
they did not know how
perhaps they'll listen now.
Starry
starry night
flaming flo'rs that brightly blaze
swirling clouds in violet haze reflect in
Vincent's eyes of China blue.
Colors changing hue
morning fields of amber grain
weathered faces lined in pain
are soothed beneath the artist's
loving hand.
And now I understand what you tried to say to me
how you suffered for your sanity
how you tried to set them free.
perhaps they'll listen now.
For they could not love you
but still your love was true
and when no hope was left in sight on that starry
starry night.
You took your life
as lovers often do;
But I could have told you
Vincent
this world was never
meant for one
as beautiful as you.
Starry
starry night
portraits hung in empty halls
frameless heads on nameless walls
with eyes
that watch the world and can't forget.
Like the stranger that you've met
the ragged men in ragged clothes
the silver thorn of bloddy rose
lie crushed and broken
on the virgin snow.
And now I think I know what you tried to say to me
how you suffered for your sanity
how you tried to set them free.
They would not listen
they're not
list'ning still
perhaps they never will.
Don Mclean
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 14 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 12H05.
terça-feira, 12 de junho de 2012
CORRUPIOS - II
A clareza das dúvidas é um quadro de incertezas, exposto na galeria dos pensamentos. Observo o quadro atento às minúcias do detalhe e às grandezas das paisagens que me interrogam com as cores das suas naturezas mortas e com o impressionismo da sua cultura pop. Os pensamentos são olhares concretos sobre as realidades urbanas que desfilam por entre os corredores ásperos da claustrofobia humana. As realidades urbanas cavalgam os impulsos dos paineis abstractos, apresentando, à mobilidade do secretismo, a abertura angular das objectivas que realçam o inesperado, despindo, os preconceitos básicos dos sentidos humanos, às reticências do pensamento racional, substituindo-as pelas ideias ocas da irracionalidade. Implanto dúvidas nas searas das certezas e os grãos das espigas que ondulam ao vento são conclusões básicas que povoam as sinergias cerebrais do rudimentarismo quotidiano. Uma interrogação pode ser uma exclamação e a exclamação pode ser a interrogação da dúvida que se esclarece. Os polos atraiem-se, os extremos tocam-se e, as peles, húmidas, pelo prazer ou, secas, pela repulsa, são veículos de informação itálica que se movem nas auto-estradas da inutilidade afectiva. A magreza dos pensamentos é a obesidade das dúvidas que resplandece nos tecidos opacos da sentimentalidade obscura. E obscuro sou quanto a dúvidas e a pensamentos que as relegam para o quadro de uma interpretação finita. Não há cores que suplantem as cinzas das células pastoras e dos rebanhos verbais que lhes contornam os pormenores das suas minúcias. São dúvidas, sem dúvidas.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 12 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H21.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 12 de Junho de 2012, às 14H22, e, concluído, às 15H09 do dia 12 de Junho de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 12 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H21.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 12 de Junho de 2012, às 14H22, e, concluído, às 15H09 do dia 12 de Junho de 2012.
ESPIRROS - VI - GUERRA
A GUERRA É O PRINCÍPIO PRIMITIVO DO ERRO HUMANO.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 12 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H07.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 12 de Junho de 2012, às 14H08, e, concluído, às 14H10 do dia 12 de Junho de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 12 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H07.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 12 de Junho de 2012, às 14H08, e, concluído, às 14H10 do dia 12 de Junho de 2012.
BLUES - I - CORPO DE CEREJA
ENCONTREI-A, SÓ, NO PÓ DA FRONTEIRA
À ESPERA QUE O FUTURO SE VENHA,
ENCONTREI-A, SÓ, NO PÓ DA FRONTEIRA
À ESPERA QUE O FUTURO SE VENHA
MAS AO ACORDAR A NOITE INTEIRA
O VENTO SOPROU-LHE QUE ESTAVA PRENHA.
O LUAR LAMBEU-LHE O CORPO DE CEREJA
E ACENDEU-LHE A FOME DAS ÁGUAS
O LUAR LAMBEU-LHE O CORPO DE CEREJA
E ACENDEU-LHE A FOME DAS ÁGUAS,
MAS AO ACORDAR A FOZ QUE DESEJA
TEVE QUE BEBER A SEDE DAS MÁGOAS.
DISSE ADEUS À VOZ DO PENSAMENTO
MURMURANDO BALOIÇOS DE MEMÓRIAS
DISSE ADEUS À VOZ DO PENSAMENTO
MURMURANDO BALOIÇOS DE MEMÓRIAS
E AO CAIR A NOITE FUSTIGOU O VENTO
COM O CATAVENTO DAS SUAS ESTÓRIAS
DESPEDI-ME DA SOMBRA QUE NASCEU
NESSA FRONTEIRA DE TRAVOS NOCIVOS
DESPEDI-ME DA SOMBRA QUE NASCEU
NESSA FRONTEIRA DE TRAVOS NOCIVOS
E PARTI P´RA ONDE O VENTO CRESCEU
SEM AS ALGEMAS DOS CORPOS CATIVOS.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, ontem, em casa, 11 de Junho de 2012, às 22h30.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 12 de Junho de 2012, às 12H58, e concluído, às 13H53 do dia 12 de junho de 2012.
À ESPERA QUE O FUTURO SE VENHA,
ENCONTREI-A, SÓ, NO PÓ DA FRONTEIRA
À ESPERA QUE O FUTURO SE VENHA
MAS AO ACORDAR A NOITE INTEIRA
O VENTO SOPROU-LHE QUE ESTAVA PRENHA.
O LUAR LAMBEU-LHE O CORPO DE CEREJA
E ACENDEU-LHE A FOME DAS ÁGUAS
O LUAR LAMBEU-LHE O CORPO DE CEREJA
E ACENDEU-LHE A FOME DAS ÁGUAS,
MAS AO ACORDAR A FOZ QUE DESEJA
TEVE QUE BEBER A SEDE DAS MÁGOAS.
DISSE ADEUS À VOZ DO PENSAMENTO
MURMURANDO BALOIÇOS DE MEMÓRIAS
DISSE ADEUS À VOZ DO PENSAMENTO
MURMURANDO BALOIÇOS DE MEMÓRIAS
E AO CAIR A NOITE FUSTIGOU O VENTO
COM O CATAVENTO DAS SUAS ESTÓRIAS
DESPEDI-ME DA SOMBRA QUE NASCEU
NESSA FRONTEIRA DE TRAVOS NOCIVOS
DESPEDI-ME DA SOMBRA QUE NASCEU
NESSA FRONTEIRA DE TRAVOS NOCIVOS
E PARTI P´RA ONDE O VENTO CRESCEU
SEM AS ALGEMAS DOS CORPOS CATIVOS.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, ontem, em casa, 11 de Junho de 2012, às 22h30.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 12 de Junho de 2012, às 12H58, e concluído, às 13H53 do dia 12 de junho de 2012.
segunda-feira, 11 de junho de 2012
AFLUENTES POEMÁTICOS - XIV - O SORRISO DAS TERNURAS
NO RECANTO DAS ROTURAS
HÁ O TRANSTORNO
DO ABANDONO,
HÁ AS RAZÕES MAIS OBSCURAS
QUE ILUSÕES APAGAM
AOS DEDOS QUE AFAGAM.
NO ENCANTO DAS MOLDURAS
QUE ESCONDEM MEMÓRIAS
E VÃS GLÓRIAS
HÁ UM ESPANTO QUE MURMURAS
AOS CONTOS QUE PASSAM
ENTRE CORES QUE SE ENLAÇAM
NA BREVIDADE
DO PASSADO ARDENTE
NA OCIOSIDADE
DO FUTURO NASCENTE.
NO DOCE CANTO DAS CURAS
HÁ PALAVRAS QUE MOIRAM
E LAVRAS QUE DOIRAM
O SORRISO DAS TERNURAS.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 11 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H26.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 11 de Junho de 2012, às 15H27, e, concluído, às 15H56 do dia 11 de Junho de 2012.
HÁ O TRANSTORNO
DO ABANDONO,
HÁ AS RAZÕES MAIS OBSCURAS
QUE ILUSÕES APAGAM
AOS DEDOS QUE AFAGAM.
NO ENCANTO DAS MOLDURAS
QUE ESCONDEM MEMÓRIAS
E VÃS GLÓRIAS
HÁ UM ESPANTO QUE MURMURAS
AOS CONTOS QUE PASSAM
ENTRE CORES QUE SE ENLAÇAM
NA BREVIDADE
DO PASSADO ARDENTE
NA OCIOSIDADE
DO FUTURO NASCENTE.
NO DOCE CANTO DAS CURAS
HÁ PALAVRAS QUE MOIRAM
E LAVRAS QUE DOIRAM
O SORRISO DAS TERNURAS.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 11 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H26.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 11 de Junho de 2012, às 15H27, e, concluído, às 15H56 do dia 11 de Junho de 2012.
SUORES FICCIONISTAS - III - UM ADEUS REDENTOR
Acordou cedo. Levantou-se com a lâmina do mau-humor a rasgar-lhe o ventre da disposição. Entrou na casa-de-banho e desafiou o espelho a reflectir as sombras que se acumulavam nos vincos do seu rosto. Ligou o chuveiro. Como se fosse uma vingança exercida sobre si próprio lavou o corpo com o esplendor feroz da água fria. Limpou o corpo como quem engraxa sapatos, em uma viela qualquer da cidade, ainda meia adormecida. Com a toalha ao ombro, foi assobiando "Night and Day", de Cole Porter, enquanto se preparava para fazer a barba. Passou a espuma pelo rosto, olhou, de novo, para o espelho, e, subitamente, desistiu de se barbear. Brincou com a espuma que lhe moldava o rosto. Viu-se com pera, com bigode e, esclarecido pelos reflexos da imaginação, lavou o rosto. Gostou de se ver com a barba levemente crescida. Depois, com os flirts dos desejos a aflorarem-lhe a consciência, mergulhou numa espécie de torpor melancólico. Vestiu umas calças de ganga coçada, uma camisa preta, umas meias brancas e calçou uns moucassins que, há muito, permaneciam abandonados entre o seu calçado. Pegou no telemóvel, ligou para o emprego e, sem hesitações, despediu-se. Retirou do seu guarda-fato uma pequena mala. Encheu-a com alguma roupa e com um par de sapatos velhos. De um canto do seu quarto, apanhou a sua mochila preferida e, nela, colocou dois livros que escolheu, ao acaso, na sua estante onde permaneciam esquecidos um número incontável de livros que os seus olhos se haviam esquecido de folhear. Passou os seus dedos pelos seus cabelos pretos e ondulados, escondeu os seus olhos esverdeados por detrás de uns óculos escuros e abandonou a casa onde vivia há vinte anos. Chamou um taxi pelo telemóvel e, já no seu interior, pediu ao motorista que o levasse para o aeroporto. Em um dos seus balcões comprou um bilhete para a Tailândia. Era o primeiro voo que saía do país. Sentou-se a um canto, esperando. Fugir de si próprio era o sentimento que, subitamente, se tinha alastrado pelo seu cérebro, cansado de se vestir com a monotonia da vida que era vivida sob o alcatrão de um vírus que lhe cegava a visão de um futuro com o qual deixara de pactuar. Meio adormecido, lambeu as feridas do passado, sentindo, nos seus lábios, o formigueiro de um rosnar que lhe armava o sangue com o fulgor de uma carícia fecundadora. Um adeus redentor.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 11 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H11.
Escrito, directamente, no blogue, na Bilbioteca Nacional, no dia 11 de Junho de 2012, às 14H12, e, concluído, às 15H10 do dia 11 de Junho de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 11 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H11.
Escrito, directamente, no blogue, na Bilbioteca Nacional, no dia 11 de Junho de 2012, às 14H12, e, concluído, às 15H10 do dia 11 de Junho de 2012.
ZIPS SONOROS - VII - ORANGE JUICE
A partir do Do It Yourself (DIY) e o movimento que originou o nascimento de um sem número de editoras independentes, nos finais da década de 70, princípios da década de 80, achei que seria interessante escrever sobre alguns grupos e algumas editoras independentes, sem quaisquer preocupações cronológicas. Assim, este primeiro espaço será dedicado ao grupo Orange Juice e à sua editora Postcard.
A história do grupo teve o seu berço na cidade escocesa de Glasgow, que se baptizou com o nome de Nu-Sonics em 1977, tendo como membros Edwin Collins, Stephen Daly, James Kirk e Alan Duncan que viria a ser substituído por David McClymont quando o grupo se transformou em Orange Juice, em 1979. Os sons dos Doors e dos Velvet Underground influenciaram o design sonoro do grupo que gravaram o seu primeiro 7”, em 1980, para a editora Postcard que, entretanto, fora fundada por Alan Horne, em 1979, na cidade de Glasgow, ano em que os Orange Juice assinaram pela aquela editora.
Discografia dos Orange Juice para a Postcard:
Fevereiro de 1980 – 7” – “Falling and Laughing/Moscow”
Agosto de 1980 - 7” - “Blue Boy/Lovesick”
Dezembro de 1980 – 7” – “Simply Thrilled Honey/Breakfast Time”
Março de 1981 – 7” – “Poor Old Soul/Pt 2”
Julho de 1982 – CD – “Ostrich Churchyard” – Ao vivo em Glasgow
Julho de 1983 – CD – “The Heather´s On Fire” – Contém todos os 7” gravados para Postcard.
Alan Horne afirmava que os sons dos grupos que gravavam para a sua editora, representavam “The Sound of The Young Scotland”, como contraponto ao “The Sound of Young América” da editora Estado Unidense, Tamla Motown.Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 11 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H52.
A história do grupo teve o seu berço na cidade escocesa de Glasgow, que se baptizou com o nome de Nu-Sonics em 1977, tendo como membros Edwin Collins, Stephen Daly, James Kirk e Alan Duncan que viria a ser substituído por David McClymont quando o grupo se transformou em Orange Juice, em 1979. Os sons dos Doors e dos Velvet Underground influenciaram o design sonoro do grupo que gravaram o seu primeiro 7”, em 1980, para a editora Postcard que, entretanto, fora fundada por Alan Horne, em 1979, na cidade de Glasgow, ano em que os Orange Juice assinaram pela aquela editora.
Discografia dos Orange Juice para a Postcard:
Fevereiro de 1980 – 7” – “Falling and Laughing/Moscow”
Agosto de 1980 - 7” - “Blue Boy/Lovesick”
Dezembro de 1980 – 7” – “Simply Thrilled Honey/Breakfast Time”
Março de 1981 – 7” – “Poor Old Soul/Pt 2”
Julho de 1982 – CD – “Ostrich Churchyard” – Ao vivo em Glasgow
Julho de 1983 – CD – “The Heather´s On Fire” – Contém todos os 7” gravados para Postcard.
Alan Horne afirmava que os sons dos grupos que gravavam para a sua editora, representavam “The Sound of The Young Scotland”, como contraponto ao “The Sound of Young América” da editora Estado Unidense, Tamla Motown.Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 11 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H52.
CRITICARTE - X - TOM SHARPE
Há escritores altamente conceituados e há outros que nem por isso. O escritor escolhido é um dos que nem por isso, mas, como já afirmei anteriormente, as escolhas são, acima de tudo, pessoais. Tom Sharpe é um escritor que adoro ler, porque é corrosivo, implacável no cinismo, no sarcasmo e subversivo na forma como arrasa e anarquiza os costumes e outros afins.
Tom Sharpe nasceu, em 1928, em Inglaterra, estudou em Cambridge, cumpriu o serviço militar nos Fuzileiros Navais, partiu para a África do Sul, em 1951, onde trabalhou no Departamento de Assuntos Não Europeus e leccionou no Natal. Manteve um estúdio de fotografia em Pietermantzburgo, entre 1957 e 1961, ano em que foi expulso da África do Sul por motivos políticos. De regresso a Inglaterra leccionou História no colégio de Artes e Tecnologia de Cambridge.
Aconselho os leitores que se queiram iniciar com a escrita de Sharpe, que leiam, primeiro, o livro “Wilt” que os porá ao corrente do estilo de enredos que são habituais em Sharpe.
O livro escolhido intitula-se “Vícios Ancestrais”, cujo tema gira à volta de um tal Lorde Petrefact, último abencerragem de uma dinastia de capitalistas corruptos que decide encomendar a um conceituado académico de esquerda, o Professor Yapp, a história da sua família.
“Walden Yapp viajou até Fawcett em carro alugado. Quando ia a qualquer sítio geralmente ia de comboio, mas a Fawcett House não ficava perto de nenhuma estação de comboio e a consulta de Doris, o computador, tinha apenas confirmado que não havia autocarro, nem nenhuma outra forma de transporte público que ele pudesse usar para chegar até lá. E Yapp recusava-se a possuir carro próprio em parte, porque acreditava que o Estado é que devia possuir tudo, em parte por causa das ideias conservadoras que Lorde Petrefact tão bem tinha diagnosticado, mas acima de tudo, porque Doris tinha chamado a atenção para o facto das 12 a 75 libras necessárias para manter o carro podiam comprar comida e medicamentos suficientes para manter vivas 24 crianças do Bangladesh. Por outro lado ela rebatia este argumento demonstrando que se comprasse um carro estava a dar emprego a cinco trabalhadores britânicos da indústria automóvel, a dois alemães, a um meio japonês, conforme a marca que escolhesse. Depois de uma luta com a sua consciência sobre se devia permitir que cinco trabalhadores britânicos fossem desempregados, Yapp decidira-se por não ter carro nenhum e doar o dinheiro poupado à Oxfam com a triste conclusão de que era mais possível manter dois administradores sentados à secretária do que alimentar os que morrem à fome noutro sítio qualquer.”
Eu sei que os gostos se discutem e este meu é, provavelmente, altamente discutível, mas o humor não é um reconhecimento uniforme entre os que o apreciam, por isso o leitor que se atrever a lê-lo, decidirá, por si, se valerá a pena ou não, a leitura.Oeiras, 07/11/2009 – Jorge Brasil Mesquita
Moinho das Antas, 10/01/2010 - Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 11 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H40.
Tom Sharpe nasceu, em 1928, em Inglaterra, estudou em Cambridge, cumpriu o serviço militar nos Fuzileiros Navais, partiu para a África do Sul, em 1951, onde trabalhou no Departamento de Assuntos Não Europeus e leccionou no Natal. Manteve um estúdio de fotografia em Pietermantzburgo, entre 1957 e 1961, ano em que foi expulso da África do Sul por motivos políticos. De regresso a Inglaterra leccionou História no colégio de Artes e Tecnologia de Cambridge.
Aconselho os leitores que se queiram iniciar com a escrita de Sharpe, que leiam, primeiro, o livro “Wilt” que os porá ao corrente do estilo de enredos que são habituais em Sharpe.
O livro escolhido intitula-se “Vícios Ancestrais”, cujo tema gira à volta de um tal Lorde Petrefact, último abencerragem de uma dinastia de capitalistas corruptos que decide encomendar a um conceituado académico de esquerda, o Professor Yapp, a história da sua família.
“Walden Yapp viajou até Fawcett em carro alugado. Quando ia a qualquer sítio geralmente ia de comboio, mas a Fawcett House não ficava perto de nenhuma estação de comboio e a consulta de Doris, o computador, tinha apenas confirmado que não havia autocarro, nem nenhuma outra forma de transporte público que ele pudesse usar para chegar até lá. E Yapp recusava-se a possuir carro próprio em parte, porque acreditava que o Estado é que devia possuir tudo, em parte por causa das ideias conservadoras que Lorde Petrefact tão bem tinha diagnosticado, mas acima de tudo, porque Doris tinha chamado a atenção para o facto das 12 a 75 libras necessárias para manter o carro podiam comprar comida e medicamentos suficientes para manter vivas 24 crianças do Bangladesh. Por outro lado ela rebatia este argumento demonstrando que se comprasse um carro estava a dar emprego a cinco trabalhadores britânicos da indústria automóvel, a dois alemães, a um meio japonês, conforme a marca que escolhesse. Depois de uma luta com a sua consciência sobre se devia permitir que cinco trabalhadores britânicos fossem desempregados, Yapp decidira-se por não ter carro nenhum e doar o dinheiro poupado à Oxfam com a triste conclusão de que era mais possível manter dois administradores sentados à secretária do que alimentar os que morrem à fome noutro sítio qualquer.”
Eu sei que os gostos se discutem e este meu é, provavelmente, altamente discutível, mas o humor não é um reconhecimento uniforme entre os que o apreciam, por isso o leitor que se atrever a lê-lo, decidirá, por si, se valerá a pena ou não, a leitura.Oeiras, 07/11/2009 – Jorge Brasil Mesquita
Moinho das Antas, 10/01/2010 - Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 11 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H40.
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