Pertenço ao cantinho dos vultos que estendem a mão ao Futuro, porque o passado os transformou em filhos do medo da vida. São apenas números no arco do triunfo dos endividamentos, santificados pelo ostracismo a que são vetados todos os que não se abrigam nas cavernas dos que sopram os ventos da sua estabilidade, graças à instabilidade dos que professam as magias falsas da salvação quotidiana. Cansei-me das cantigas dos que louvam as louva-a-deus dos mandatos irreflectidos nos espelhos das vaidades individualistas dos que fingem que são, o que não sendo, passam por ser o livre arbítrio das mentiras que cheiram às lixeiras das verdades em que já ninguém acredita, a não ser eles mesmos, agarrados que estão, aos fluídos endividados das suas dúvidas abstractas, defendidas pelos carrapatos das ignorâncias ideológicas e pelas realidades que são o monte Evereste da falência colectiva. Não importa afirmar que não somos o que éramos noutros tempos, importa sim avaliar o que seremos se continuarmos a ser a fundição dos planos, fundidos nas sepulturas da mendicidade colectiva no reino dos reinadiços abstractos. Pouco me importam as vigílias dos cérebros emperdenidos na vigência de um reino simulado. O que se aclama não são realidades, mas abstracções de cérebros conflituosos e de afrontamentos paralisados pela ignorância de uma fragrância luminosa. Quando todos acordarmos para a claridade da nossa sina, saberemos ouvir no fragor de um desmoronamento, o quadro simbólico de um rectângulo ridículo, esfumando-se na espuma da inexistência. Será a água e não o azeite que virá ao de cima. Eis a verdade de uma outra verdade que a verdade não deixará omitir.Sesimbra, 30/12/2009 - 14H16 - Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 16 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H47.
sábado, 16 de junho de 2012
AFLUENTES POEMÁTICOS - XIX - PALAVRAS
Palavras
debruçam-se gota a gota
no parapeito do olhar;
espelham a vida absurda
de quem nunca soube amar.
Palavras
que mendigam a arte de nascer
na consciência da morte.
Abro o livro da minha coragem
com a esperança de a conceber,
mas a linguagem difícil de entender
deixa-me num estado de desnorte absoluto.
Caminho vacilante à beira de um abismo
onde o silêncio é a noite do dia
onde as palavras são o mutismo
da melancolia.
Procuro nos escombros da memória falida
uma noção de vida
um gesto puro de energia
que destile a poeira do dia a dia
mas nada sinto a não ser o cansaço
de uma longa e triste monotonia.
Palavras
que me consomem a criação
que me rasgam a ilusão
de não ser mais do que um traço
nos desenhos da razão.
Palavras
que habitam o primitivismo
da minha ciência muda
e vestem o analfabetismo
do meu futuro decadente
com as lágrimas de um medo permanente
medo das páginas em branco
das linhas por intuir
as frases malignas da frustração
medo da sonoridade inclemente
que não me deixa abstrair
dos parágrafos da colisão
entre um sorriso de inocências
e o choro das excrescências.
Palavras
que vestem as sombras da realidade
com os olhos certos da verdade.P.S. Estas "Palavras" foram publicadas no jornal da Universidade Sénior de Oeiras.
Oeiras, 08/05/2005 - Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 16 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H56.
debruçam-se gota a gota
no parapeito do olhar;
espelham a vida absurda
de quem nunca soube amar.
Palavras
que mendigam a arte de nascer
na consciência da morte.
Abro o livro da minha coragem
com a esperança de a conceber,
mas a linguagem difícil de entender
deixa-me num estado de desnorte absoluto.
Caminho vacilante à beira de um abismo
onde o silêncio é a noite do dia
onde as palavras são o mutismo
da melancolia.
Procuro nos escombros da memória falida
uma noção de vida
um gesto puro de energia
que destile a poeira do dia a dia
mas nada sinto a não ser o cansaço
de uma longa e triste monotonia.
Palavras
que me consomem a criação
que me rasgam a ilusão
de não ser mais do que um traço
nos desenhos da razão.
Palavras
que habitam o primitivismo
da minha ciência muda
e vestem o analfabetismo
do meu futuro decadente
com as lágrimas de um medo permanente
medo das páginas em branco
das linhas por intuir
as frases malignas da frustração
medo da sonoridade inclemente
que não me deixa abstrair
dos parágrafos da colisão
entre um sorriso de inocências
e o choro das excrescências.
Palavras
que vestem as sombras da realidade
com os olhos certos da verdade.P.S. Estas "Palavras" foram publicadas no jornal da Universidade Sénior de Oeiras.
Oeiras, 08/05/2005 - Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 16 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H56.
MINIATURAS - IV
OUVIR AS LÁGRIMAS DO TEMPO.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 16 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H47.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 16 de Junho de 2012, às 13H48.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 16 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H47.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 16 de Junho de 2012, às 13H48.
UM PEDAÇO DE MIM
Sempre que caminho pelas ruas do tempo, sinto num recanto interior, muito bem escondido, um pequeno jardim com uma única flor plantada pelos filamentos da idade. Umas vezes acendem-se, outras, apagam-se. Nas esquinas do tempo, onde o passado anseia pelo futuro, há um osso de saudades que me recuso a roer. Nunca nos terminais do destino encontrei razões para que a flor se tenha recusado a florescer. É um jardim triste, apesar da muita música com que festejei a alegria de a ter comigo. Embora o tempo seja eterno, eu não o sou. Será que ela o será? A velhice não me apoquenta. A flor provoca-me com tratados de incompreensão.
O corpo vai adormecendo, pouco a pouco, mas ela continua, interna e sorridente, perante o desespero de não encontrar o sémen justo que seja o alimento que a desperte e me emagreça a tristeza que me enfeita os lábios das dores, flocos de neve que se vão derretendo, ao sentirem os fios solares soprarem-lhe as últimas gotas de vida. Talvez, eu seja um floco de neve que, ao derreter-se, liberte, finalmente, a glória perfumada desta flor que me desconhece e que não chora, sendo um sonho que a morte do meu tempo conduzirá, certamente, ao seu florescimento triunfal. Porém, eu não sou quem pareço, e a flor não o sabe. A bebedeira do meu último suspiro será a última melodia que remará com a brisa do tempo.Cascais e Moinho das Antas, 04/05/12/2009 - Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 16 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H38.
O corpo vai adormecendo, pouco a pouco, mas ela continua, interna e sorridente, perante o desespero de não encontrar o sémen justo que seja o alimento que a desperte e me emagreça a tristeza que me enfeita os lábios das dores, flocos de neve que se vão derretendo, ao sentirem os fios solares soprarem-lhe as últimas gotas de vida. Talvez, eu seja um floco de neve que, ao derreter-se, liberte, finalmente, a glória perfumada desta flor que me desconhece e que não chora, sendo um sonho que a morte do meu tempo conduzirá, certamente, ao seu florescimento triunfal. Porém, eu não sou quem pareço, e a flor não o sabe. A bebedeira do meu último suspiro será a última melodia que remará com a brisa do tempo.Cascais e Moinho das Antas, 04/05/12/2009 - Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 16 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H38.
sexta-feira, 15 de junho de 2012
AFLUENTES POEMÁTICOS - XVIII - HUMANOS
NUM GRÃO DE POEIRA CÓSMICA
SALIVO O MEDO DA SEDE
E O ESTIGMA DA FOME
PORQUE HUMANOS SEREMOS
NESSA FRONTEIRA DO CAOS
ONDE TODOS NOS DESPIMOS
DAS FUGAZES RETICÊNCIAS
PARA SE ACENDER AO TEMPO
A ELOQUÊNCIA DA VIDA.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 15 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H45.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 15 de Junho de 2012, às 15H45, e, concluído, às 16H00 do dia 15 de Junho de 2012.
SALIVO O MEDO DA SEDE
E O ESTIGMA DA FOME
PORQUE HUMANOS SEREMOS
NESSA FRONTEIRA DO CAOS
ONDE TODOS NOS DESPIMOS
DAS FUGAZES RETICÊNCIAS
PARA SE ACENDER AO TEMPO
A ELOQUÊNCIA DA VIDA.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 15 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H45.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 15 de Junho de 2012, às 15H45, e, concluído, às 16H00 do dia 15 de Junho de 2012.
AFLUENTES POEMÁTICOS - XVII - DIMENSÃO HUMANA
NA RAZÃO DA DIMENSÃO HUMANA
HÁ O COLOSSO DE RHODES DA APARÊNCIA
QUE POR NÃO SER UMA VIA URBANA
É UM ACTO PROSCRITO DE PURA FALÊNCIA.
ESTE ESTENDAL DA MAIS TEATRAL FICÇÃO
É UM SUSPENSÓRIO QUE O PALCO ENCENA
COM ACTORES QUE NÃO SENTEM O CORAÇÃO
E ESPECTADORES DE UMA LUMINOSA ATENA
QUE NÃO APLAUDEM, NÃO PATEIAM, PORQUE CEGOS
NÃO TACTEIAM A VASTA PLANÍCIE DOS PREGOS
QUE NOS PREGAM AOS FUNDILHOS DA TENTAÇÃO
SEM QUE A DUREZA DE TODA A SUA EMOÇÃO
SEJA IMOLADA NA CORAGEM DE SER FUTURO
PARA QUE O PASSADO NÃO PASSE DE UM DARDO OBSCURO.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 15 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H07.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 15 de Junho de 2012, às 15H08, e, concluído, às 15H31 do dia 15 de Junho de 2012.
HÁ O COLOSSO DE RHODES DA APARÊNCIA
QUE POR NÃO SER UMA VIA URBANA
É UM ACTO PROSCRITO DE PURA FALÊNCIA.
ESTE ESTENDAL DA MAIS TEATRAL FICÇÃO
É UM SUSPENSÓRIO QUE O PALCO ENCENA
COM ACTORES QUE NÃO SENTEM O CORAÇÃO
E ESPECTADORES DE UMA LUMINOSA ATENA
QUE NÃO APLAUDEM, NÃO PATEIAM, PORQUE CEGOS
NÃO TACTEIAM A VASTA PLANÍCIE DOS PREGOS
QUE NOS PREGAM AOS FUNDILHOS DA TENTAÇÃO
SEM QUE A DUREZA DE TODA A SUA EMOÇÃO
SEJA IMOLADA NA CORAGEM DE SER FUTURO
PARA QUE O PASSADO NÃO PASSE DE UM DARDO OBSCURO.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 15 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H07.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 15 de Junho de 2012, às 15H08, e, concluído, às 15H31 do dia 15 de Junho de 2012.
FRICÇÕES - I - GRÉCIA
A Política sem fricções não produz Luz. Sem a fricção da Grécia, a Europa é uma União às escuras.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 15 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H51.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 15 de Junho de 2012, às 14H52, e, concluído, às 14H56 do dia 15 de Junho de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 15 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H51.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 15 de Junho de 2012, às 14H52, e, concluído, às 14H56 do dia 15 de Junho de 2012.
MINIATURAS - III
A SOLIDÃO É A GRAVAÇÃO DA RAZÃO, NO CORAÇÃO.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 15 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H43.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 15 de Junho de 2012, às 14H44.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 15 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H43.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 15 de Junho de 2012, às 14H44.
1991 - "LOVELESS" - MY BLOODY VALENTINE
Uma mão que slida as cordas de uma guitarra, num vermelho esbatido, é o grafismo que esconde a Arte sonora do Shoegazing dos My Bloody Valentine, esses micróbios sonoros do perfeccionisno que arquitectaram o maravilhoso "Loveless" e que, por pouco, iam levando a Creation Records, à falência. Salvou-se a editora e eternizou-se uma das obra primas da música popular. Slidam e shoegazinguem!
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 15 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H12.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 15 de Junho de 2012, às 14H13, e, concluído, às 14H26 do dia 15 de Junho de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 15 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H12.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 15 de Junho de 2012, às 14H13, e, concluído, às 14H26 do dia 15 de Junho de 2012.
MINIATURAS - II
E O LONGE, AQUI E ALI, TÃO PERTO.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 14 de Junho de 2012, no Comboio da Linha do Estoril, às 21H45.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 15 de Junho de 2012, às 14H07.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 14 de Junho de 2012, no Comboio da Linha do Estoril, às 21H45.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 15 de Junho de 2012, às 14H07.
"PONTO ÔMEGA" - DON DELILLO
Entre dois slow motions de "Psico", de Alfred Hitchcock, decorre a leveza do Ponto que avança e a profundidade do Ômega que em tudo se relança.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 15 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H51
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 15 de Junho de 2012, às 13H51.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 15 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H51
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 15 de Junho de 2012, às 13H51.
MINIATURAS - I
OUVIR O SILÊNCIO.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 14 de Junho de 2012, no Comboio da Linha do Estoril, às 21H43.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 15 de Junho de 2012, às 13H32.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 14 de Junho de 2012, no Comboio da Linha do Estoril, às 21H43.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 15 de Junho de 2012, às 13H32.
quinta-feira, 14 de junho de 2012
AFLUENTES POEMÁTICOS - XVI - SOU SEM SER
PASSO POR TI, NÃO REPARO
NÃO TE ENCONTRO NO REFLEXO DO DESEJO.
NÃO, NESTA PAIXÃO DE SER
A VOLÚPIA DA CARNE ABSTRACTA
A METAMORFOSE DO SONHO VIRIL
NO REDUTO IRRACIONAL DA ESPERA.
ESPERAR POR QUEM?
NÃO TE ENCONTRO NA PAISAGEM URBANA
DE VER QUEM NÃO VEJO
POR SER QUEM NÃO SOU
NA ARTE DISTINTA DE NADA SER
ENTRE O QUE FUI
E O QUE TALVEZ FOSSE
SE TE VISSE ENTRE A SELVA QUE MAGOA.
MAGOADO! POBRE CONSCIÊNCIA
QUE RESSOA INCONSCIENTE
ENTRE O VERBO QUE SE RÓI
E O SENTIDO QUE SE VERTE À RAZÃO DE SER
A MULTIPLICIDADE DO MEU ODOR
NA TUA PELE DE INFINITA DESORDEM;
RESPIRAÇÃO DESORDENADA
CAMINHAR INQUIETANTE
NESTE CONSUMO DE TUDO ABRAÇAR
PARA RECRIAR O CRIADO,
A PULSAÇÃO DO TEU ROSTO
NO VISUALISMO DOS AFECTOS
ESTE ARGUMENTO DE TUDO SER
NO NADA QUE SOU
NA SENSIBILIDADE INSENSÍVEL DOS TEUS SENTIDOS.
VOU POR AÍ,
VAGABUNDO DA MENDICIDADE AMANTE,
RELÓGIO DAS NOITES SEM MEMÓRIA.
SOU SEM SER.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 14 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 16H34.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 14 de Junho de 2012, às 16H35, e, concluído, às 17H01 do dia 14 de Junho de 2012.
NÃO TE ENCONTRO NO REFLEXO DO DESEJO.
NÃO, NESTA PAIXÃO DE SER
A VOLÚPIA DA CARNE ABSTRACTA
A METAMORFOSE DO SONHO VIRIL
NO REDUTO IRRACIONAL DA ESPERA.
ESPERAR POR QUEM?
NÃO TE ENCONTRO NA PAISAGEM URBANA
DE VER QUEM NÃO VEJO
POR SER QUEM NÃO SOU
NA ARTE DISTINTA DE NADA SER
ENTRE O QUE FUI
E O QUE TALVEZ FOSSE
SE TE VISSE ENTRE A SELVA QUE MAGOA.
MAGOADO! POBRE CONSCIÊNCIA
QUE RESSOA INCONSCIENTE
ENTRE O VERBO QUE SE RÓI
E O SENTIDO QUE SE VERTE À RAZÃO DE SER
A MULTIPLICIDADE DO MEU ODOR
NA TUA PELE DE INFINITA DESORDEM;
RESPIRAÇÃO DESORDENADA
CAMINHAR INQUIETANTE
NESTE CONSUMO DE TUDO ABRAÇAR
PARA RECRIAR O CRIADO,
A PULSAÇÃO DO TEU ROSTO
NO VISUALISMO DOS AFECTOS
ESTE ARGUMENTO DE TUDO SER
NO NADA QUE SOU
NA SENSIBILIDADE INSENSÍVEL DOS TEUS SENTIDOS.
VOU POR AÍ,
VAGABUNDO DA MENDICIDADE AMANTE,
RELÓGIO DAS NOITES SEM MEMÓRIA.
SOU SEM SER.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 14 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 16H34.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 14 de Junho de 2012, às 16H35, e, concluído, às 17H01 do dia 14 de Junho de 2012.
1971 - "BLUE" - JONI MITCHELL
Um dos clássicos albuns da música popular. A capa, de um azulado obscurecido, revela um rosto intimista, um rosto que expressa o sombreado de uma sonoridade rica em simplicidade e em tonalidades de sentimentos interiores. A voz que povoa todo o album regista, entre ondulações e flutuações, as palavras que espelham viagens, privacidades, intimidades amorosas e fugas às realidades perceptivas de amores doridos. "if I could reach a river so long/I would teach my feet to fly-y-y-y-y". Ouvir em silêncio para, assim, podermos absorver, extasiados, os licores sonoros de uma pureza criadora. Joni Mitchell, uma interprete, uma poetiza e uma pintora entregue à Arte da beleza sonora.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 14 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H24.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 14 de Junho de 2012, às 15H25, e, concluído, às 15H56 do dia 14 de Junho de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 14 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H24.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 14 de Junho de 2012, às 15H25, e, concluído, às 15H56 do dia 14 de Junho de 2012.
EU E O PÉGASO
Ontem, eu e o Pégaso concluímos que éramos amigos de longa data. Pégaso jurou que era o Futuro e eu não neguei que era o Passado. Concluímos que apesar das diferenças geracionais, jamais se gerariam conflitos entre nós, desde que pactuássemos com a realidade que não éramos e concordássemos com as mentiras que seriam as verdades, em que ninguém acreditásse. Pégaso afirmou que na constelação onde habitava , tudo o que era brilhante, estava na realidade apagado, e que eu era visto como uma Nau à deriva no stress do universo. Juntos planeámos compor outra noção do tempo e esculpir nos degraus da eternidade, uma sequência equestre de banalidades que apagariam das memórias universais, os mitos das excelências e as elites das fertilidades artísticas. O Pégaso alado, aliado e conversador, adorava paracronismos, alimentava-se de metáforas e confessou odiar as parábolas, vá lá saber-se porquê. Quanto a mim, só discutia quando não havia razões para tal. Era um perito na matéria e o Pégaso regalava-se com todos os dialectos, que eu não traduzia, mas que o alado, aliado na sabedoria, entendia tudo às mil maravilhas, vá lá saber-se como.
O respeito mútuo estava consagrado, sem tratados, pelo que nunca me atrevi a pedir-lhe boleia para onde quer que fosse. Aprendemos a explorar-nos, explorando todas as explorações que cada um de nós fazia por mútuo consentimento. Confesso que esta amizade era profundamente enternecedora.
Não havia constelações de sonhos sonhados que nós não adivinhássemos a realidade dos seus frutos. Apesar de sermos apelos à viabilidade dos seus concertos, não resistíamos a confiscar uns quantos, só pelo prazer de planarmos nas frases sublimes que ouvíamos aos cantos estrelares, revelando-nos os escafandros da vida. Tanto subíamos por aqui, como descíamos por ali, cruzando fronteiras, humanas ou urbanas, com a mesma vulgaridade com que nos escondíamos nas velas do tempo.
Nunca aprendi a voar porque confiava nas suas asas e, quando emigrávamos para o sudoeste das razões, chegávamos às justificações pelo nordeste das infidelidades, o que eram as consequências naturais de nos usarmos, consultando valências e inventando falências que desgostavam as inocências, desmentidas pelos fragores das invernias, urdidas pelas velhices poluídas pelas poeiras cósmicas da eternidade infalível.
Quando passávamos por onde não passávamos, sabíamos que só varrendo as esculturas do pensamento, abríamos às correntes do acorrentados, as bigamias consulares das vocábulos ambidextros.
Rumámos às fadigas das sombras, cansados de nós próprios, mas vencendo as resistências dos valores do tempo perdido, que se transformaram no coro das vozes que se esqueceram da nossa travessia pela vida e ocultámos-nos no casulo das fugas permanentes, onde nada do que era, vivo seria, excepto o Pégaso, porque pertence às ondas fluentes do tempo. Lisboa, 11/12/2009 - 16H00
Saldanha, Lisboa, 20/12/2009 - 13H09
Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 14 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H16.
O respeito mútuo estava consagrado, sem tratados, pelo que nunca me atrevi a pedir-lhe boleia para onde quer que fosse. Aprendemos a explorar-nos, explorando todas as explorações que cada um de nós fazia por mútuo consentimento. Confesso que esta amizade era profundamente enternecedora.
Não havia constelações de sonhos sonhados que nós não adivinhássemos a realidade dos seus frutos. Apesar de sermos apelos à viabilidade dos seus concertos, não resistíamos a confiscar uns quantos, só pelo prazer de planarmos nas frases sublimes que ouvíamos aos cantos estrelares, revelando-nos os escafandros da vida. Tanto subíamos por aqui, como descíamos por ali, cruzando fronteiras, humanas ou urbanas, com a mesma vulgaridade com que nos escondíamos nas velas do tempo.
Nunca aprendi a voar porque confiava nas suas asas e, quando emigrávamos para o sudoeste das razões, chegávamos às justificações pelo nordeste das infidelidades, o que eram as consequências naturais de nos usarmos, consultando valências e inventando falências que desgostavam as inocências, desmentidas pelos fragores das invernias, urdidas pelas velhices poluídas pelas poeiras cósmicas da eternidade infalível.
Quando passávamos por onde não passávamos, sabíamos que só varrendo as esculturas do pensamento, abríamos às correntes do acorrentados, as bigamias consulares das vocábulos ambidextros.
Rumámos às fadigas das sombras, cansados de nós próprios, mas vencendo as resistências dos valores do tempo perdido, que se transformaram no coro das vozes que se esqueceram da nossa travessia pela vida e ocultámos-nos no casulo das fugas permanentes, onde nada do que era, vivo seria, excepto o Pégaso, porque pertence às ondas fluentes do tempo. Lisboa, 11/12/2009 - 16H00
Saldanha, Lisboa, 20/12/2009 - 13H09
Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 14 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H16.
BLUES - II - DE COMBOIO
DE COMBOIO AO LONGO DO TEJO
VEJO NO REFLEXO DO OLHAR
DE COMBOIO AO LONGO DO TEJO
VEJO NO REFLEXO DO OLHAR
A BOCA QUE INVEJO
ENTRE LINHAS DE AMAR.
DE COMBOIO AO LONGO DESTA VIAGEM
VEJO NO VÉU DA LÁGRIMA ENXUTA
DE COMBOIO AO LONGO DESTA VIAGEM
VEJO NO VÉU DA LÁGRIMA ENXUTA
AS CURVAS DA MENSAGEM
EM QUE O AMOR LABUTA
E SE O FINAL ASSINALA
O RÉU DO GRITO ANIMAL
E SE O FINAL ASSINALA
O RÉU DO GRITO ANIMAL
É O AMOR QUE REGALA
O SEU CORAÇÃO FATAL.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 12 de Junho de 2012, em casa, às 22H25.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 14 de Junho de 2012, às 14H34, e, concluído, às 14H53 do dia 14 de Junho de 2012.
VEJO NO REFLEXO DO OLHAR
DE COMBOIO AO LONGO DO TEJO
VEJO NO REFLEXO DO OLHAR
A BOCA QUE INVEJO
ENTRE LINHAS DE AMAR.
DE COMBOIO AO LONGO DESTA VIAGEM
VEJO NO VÉU DA LÁGRIMA ENXUTA
DE COMBOIO AO LONGO DESTA VIAGEM
VEJO NO VÉU DA LÁGRIMA ENXUTA
AS CURVAS DA MENSAGEM
EM QUE O AMOR LABUTA
E SE O FINAL ASSINALA
O RÉU DO GRITO ANIMAL
E SE O FINAL ASSINALA
O RÉU DO GRITO ANIMAL
É O AMOR QUE REGALA
O SEU CORAÇÃO FATAL.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 12 de Junho de 2012, em casa, às 22H25.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 14 de Junho de 2012, às 14H34, e, concluído, às 14H53 do dia 14 de Junho de 2012.
ZIPS SONOROS - VIII - AZTEC CAMERA
Este meu espaço dedicado a bandas ligadas ao movimento DIY e às editoras independentes que se iniciou em finais da década de 70 e, ainda, a outros sons, prossegue ainda na Escócia, em East Kilbride, para ser mais exacto, onde se formou, em 1980, o grupo Aztec Camera pelas mãos do jovem compositor de 15 anos, Roddy Frame e, ainda, por Campbell Owens e Dave Mulholland. A banda, como não poderia deixar de ser, foi contratada por Alan Horne para a sua editora Postcard que, como já referenciei, tinha como objectivo ser “The Sound Of The Young Scotland”. Na sonoridade dos Aztec Camera sobressaíam sons latino jazzísticos, em cujas características acústicas iniciais se notavam voos de fantasias Folk que, mais tarde, se rechearam instrumentalmente, quando, em 1982, assinaram pela editora independente londrina Rough Trade.
Como é habitual referencio a discografia independente do grupo.
Postcard:
Março de 1981 – 7” – Just Like Gold/We Could Send Letters
Julho de 1981 – 7” – Matress of Wire/Look Outside The Tunnel
Rough Trade:
Agosto de 1982 – 7” – Pillar To Post/Queen´s Tatoo
Janeiro de 1983 – 7” – Oblivious/Orchard Girl
Abril de 1983 – LP – High Land, Hard Rain
Maio de 1983 – 7” – Walk On Winter/Set The Killing Free.
Antes de encerrar mais esta viagem sonora, não me coíbo de chamar a atenção para as composições “We Could Send Letters”, primeiro na versão acústica e depois na versão do excelente LP e da riqueza sonora de “Oblivious”.Oeiras, 10/10/2009 – Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 14 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H17.
Como é habitual referencio a discografia independente do grupo.
Postcard:
Março de 1981 – 7” – Just Like Gold/We Could Send Letters
Julho de 1981 – 7” – Matress of Wire/Look Outside The Tunnel
Rough Trade:
Agosto de 1982 – 7” – Pillar To Post/Queen´s Tatoo
Janeiro de 1983 – 7” – Oblivious/Orchard Girl
Abril de 1983 – LP – High Land, Hard Rain
Maio de 1983 – 7” – Walk On Winter/Set The Killing Free.
Antes de encerrar mais esta viagem sonora, não me coíbo de chamar a atenção para as composições “We Could Send Letters”, primeiro na versão acústica e depois na versão do excelente LP e da riqueza sonora de “Oblivious”.Oeiras, 10/10/2009 – Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 14 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H17.
LABIRINTOS - II - V
Há verdades que deixam de ser válidas quando são violadas pelos verdugos que vagueiam viçosos, vestidos de vítimas nas vitrines dos vasos venenosos que vilipendiam as voracidades de outra verdade. Que verdade?
Nunca desisto de ser quem sou, mesmo quando não se é, o que se é na sinusite das ruas sinuosas do destino.
Há vampiros que vazam as volúpias dos vultos que vivem com as vendas dos vivos, volteando nas voltas dos vincos virtuais da verdade. Que verdade?
Rastejo como um réptil sem o ser, porque ninguém reconhece a sua inexistência no mundo dos animais faladores, embora, por vezes, reconheça o veneno que lanço com a precisão da imortalidade, não mortalizada.
Há vozes que vinculam as vagas das verrugas às vergastas que vaticinam aos vígaros da verdade. Que verdade?
Eis uma razão para não ser o que se é: ser-se o que se é. È um sinal de fugas. E por que razão fugir é uma fuga e não sinais do seu sinal? Sou um sinal de acentos finais.
Há violinos, violoncelos e violões que vogam nos veleiros da velhice, vergando às suas viagens as vassouras dos vergões que vibram as vogais que velam pelas vírgulas de umas vagas verdades que vocalizam a verdade. Que verdade?
Já não subo ao cume de mim mesmo, desde que os pensamentos me abandonaram. Não lhes ligo importância, porque sei que todo eu sou um pensamento. Quem não se espelha no espelho das minhas barbas, reflecte-se na silhueta do seu pensamento. São esculturas de natureza indefinida.
Há vasilhames de verga nos vermes das verduras que visam as vizeiras das vocações que vislumbram as vitórias vibrantes dos vagões que vasculham os vícios da verdade. Que verdade?
Sou a sombra das sombras que passa despercebida por entre os vários silêncios que se formam à volta da fogueira que acendo sem os fósforos da vida. Ser visto no oceanário da vida, não é a página solta de uma vida que o vento assobia nos rápidos dos olhos nocturnos.
Há vigores que são valores no vetusto virtuosismo da vacuidade vitalícia. São vitaminas valiosas para quem se vilhipenda à vista da sua vigarice com vulgares vitimizações para vangoliar-se de um voto sem verdade. Que verdade?
Esta verdade, apesar não ser a minha verdade, é uma verdade a que não posso escapar, porque quem vive, vivendo uma não vivência de verdade que é verdadeira, só pode invocar como verdade, a aparência de ser o que se é no centro das mentiras que passam por ser uma verdade que não é verdadeira, porque não se reveste com as barbas da verdade que se vêem à vista desarmada da verdade de quem quer que seja.Sintra, 05/01/2010, 15H05 - Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 14 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H05.
Nunca desisto de ser quem sou, mesmo quando não se é, o que se é na sinusite das ruas sinuosas do destino.
Há vampiros que vazam as volúpias dos vultos que vivem com as vendas dos vivos, volteando nas voltas dos vincos virtuais da verdade. Que verdade?
Rastejo como um réptil sem o ser, porque ninguém reconhece a sua inexistência no mundo dos animais faladores, embora, por vezes, reconheça o veneno que lanço com a precisão da imortalidade, não mortalizada.
Há vozes que vinculam as vagas das verrugas às vergastas que vaticinam aos vígaros da verdade. Que verdade?
Eis uma razão para não ser o que se é: ser-se o que se é. È um sinal de fugas. E por que razão fugir é uma fuga e não sinais do seu sinal? Sou um sinal de acentos finais.
Há violinos, violoncelos e violões que vogam nos veleiros da velhice, vergando às suas viagens as vassouras dos vergões que vibram as vogais que velam pelas vírgulas de umas vagas verdades que vocalizam a verdade. Que verdade?
Já não subo ao cume de mim mesmo, desde que os pensamentos me abandonaram. Não lhes ligo importância, porque sei que todo eu sou um pensamento. Quem não se espelha no espelho das minhas barbas, reflecte-se na silhueta do seu pensamento. São esculturas de natureza indefinida.
Há vasilhames de verga nos vermes das verduras que visam as vizeiras das vocações que vislumbram as vitórias vibrantes dos vagões que vasculham os vícios da verdade. Que verdade?
Sou a sombra das sombras que passa despercebida por entre os vários silêncios que se formam à volta da fogueira que acendo sem os fósforos da vida. Ser visto no oceanário da vida, não é a página solta de uma vida que o vento assobia nos rápidos dos olhos nocturnos.
Há vigores que são valores no vetusto virtuosismo da vacuidade vitalícia. São vitaminas valiosas para quem se vilhipenda à vista da sua vigarice com vulgares vitimizações para vangoliar-se de um voto sem verdade. Que verdade?
Esta verdade, apesar não ser a minha verdade, é uma verdade a que não posso escapar, porque quem vive, vivendo uma não vivência de verdade que é verdadeira, só pode invocar como verdade, a aparência de ser o que se é no centro das mentiras que passam por ser uma verdade que não é verdadeira, porque não se reveste com as barbas da verdade que se vêem à vista desarmada da verdade de quem quer que seja.Sintra, 05/01/2010, 15H05 - Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 14 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H05.
CRITICARTE - XI - "GERAÇÃO PERDIDA"
Porquê Aldous Huxley? Por ter escrito “O Admirável Mundo Novo” e correr por aí que se prepara uma adaptação ao cinema? Por ter escrito o ensaio “Doors of Perception”, de cujo título o grupo de Jim Morrison extraiu o seu nome Doors? Não! Por ser um romancista pensador, cuja visão sagaz e implacável do mundo do tempo em que vivia, se encontram nos seus romances pela via da ironia, da truculência e da imperturbável lucidez com que analisava os mais prementes problemas dos seus dias.
Aldous Huxley ( 1894 – 1963 ) nasceu em Goldalming, Inglaterra. Estudou na Escola de Eton, onde lhe surgiram problemas de visão, formou-se na Universidade de Oxford, onde se tornou amigo do filósofo Bertrand Russel e do escritor D. H. Lawrence. Em 1937, mudou-se para Los Angeles, EUA e em 1938 tornou-se num dos mais importantes roteiristas de Hollywood.
Entre os muitos romances que escreveu, encontra-se o livro “Geração Perdida”, escrito em 1923. O romance aborda o extremo negativismo que se vivia em Inglaterra na pós Primeira Grande Guerra e onde circulam personagens que se interessam por tudo como uma forma de não se envolverem em nada. Huxley usa a linguagem do desprezo e da raiva por todos quantos se mostravam vazios de ideais, mas que se aplicavam numa frenética fúria de viver. Sem se deixar absorver pelas farsas da sociedade que o rodeava, preconizou com coragem a extirpação dos não valores.
“Lancing expunha às visitas todos os segredos. À sua palavra abria-se um vasto mundo incrível e fantástico. Havia trópicos, havia mares frios cheios de seres vivos, florestas povoadas de árvores medonhas e de silêncio e treva. Havia fermentos e venenos infinitésimos que flutuavam no ar. Havia Leviatãs amamentando os filhotes, havia moscas e vermes, havia homens que viviam em cidades, pensavam, conheciam o bem e o mal. Estavam todos vivos. Homens e mulheres deixavam de ser eles próprios ou lutavam por continuar a sê-lo. Morriam ou lutavam para viver”.
“Geração Perdida”, um livro que, talvez, não esteja muito longe da nossa actualidade.Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 14 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H53.
Aldous Huxley ( 1894 – 1963 ) nasceu em Goldalming, Inglaterra. Estudou na Escola de Eton, onde lhe surgiram problemas de visão, formou-se na Universidade de Oxford, onde se tornou amigo do filósofo Bertrand Russel e do escritor D. H. Lawrence. Em 1937, mudou-se para Los Angeles, EUA e em 1938 tornou-se num dos mais importantes roteiristas de Hollywood.
Entre os muitos romances que escreveu, encontra-se o livro “Geração Perdida”, escrito em 1923. O romance aborda o extremo negativismo que se vivia em Inglaterra na pós Primeira Grande Guerra e onde circulam personagens que se interessam por tudo como uma forma de não se envolverem em nada. Huxley usa a linguagem do desprezo e da raiva por todos quantos se mostravam vazios de ideais, mas que se aplicavam numa frenética fúria de viver. Sem se deixar absorver pelas farsas da sociedade que o rodeava, preconizou com coragem a extirpação dos não valores.
“Lancing expunha às visitas todos os segredos. À sua palavra abria-se um vasto mundo incrível e fantástico. Havia trópicos, havia mares frios cheios de seres vivos, florestas povoadas de árvores medonhas e de silêncio e treva. Havia fermentos e venenos infinitésimos que flutuavam no ar. Havia Leviatãs amamentando os filhotes, havia moscas e vermes, havia homens que viviam em cidades, pensavam, conheciam o bem e o mal. Estavam todos vivos. Homens e mulheres deixavam de ser eles próprios ou lutavam por continuar a sê-lo. Morriam ou lutavam para viver”.
“Geração Perdida”, um livro que, talvez, não esteja muito longe da nossa actualidade.Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 14 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H53.
AFLUENTES POEMÁTICOS - XV - NA TATUAGEM DA VIDA
NA TATUAGEM DA VIDA
O ESPAÇO DA IDADE
É O SOFÁ DA FERIDA
ONDE SE SENTA A VERDADE,
ONDE DORME A MENTIRA
DA CORAGEM QUE DELIRA
COM A DOR QUE SE ASPIRA
ENTRE OS LENÇÓIS DA BONDADE.
NAS GARGALHADAS DA FOME
OUVE-SE O ECO DA DEMÊNCIA
ESSE ESTADO QUE CONSOME
A VIRTUDE DA INOCÊNCIA
ILUMINANDO O FOGO
QUE ENVAIDECE O JOGO
E ENRIQUECE O ROGO
COM A VOZ DA INSOLÊNCIA.
NO CONFORTO DA ARIDEZ
O LOUCO CORCEL DA PAZ
É UM CINZEL DE ACIDEZ
NA ESCULTURA QUE JAZ
ENTRE O ASSALTO DO GRITO
QUE SE ANUNCIA AFLITO
E A ESPONJA DO GRANITO
QUE, EM LUZ, A VIDA REFAZ.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 14 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 12H46.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 14 de Junho de 2012, às 12H47, e, concluído, às 13H38 do dia 14 de Junho de 2012.
O ESPAÇO DA IDADE
É O SOFÁ DA FERIDA
ONDE SE SENTA A VERDADE,
ONDE DORME A MENTIRA
DA CORAGEM QUE DELIRA
COM A DOR QUE SE ASPIRA
ENTRE OS LENÇÓIS DA BONDADE.
NAS GARGALHADAS DA FOME
OUVE-SE O ECO DA DEMÊNCIA
ESSE ESTADO QUE CONSOME
A VIRTUDE DA INOCÊNCIA
ILUMINANDO O FOGO
QUE ENVAIDECE O JOGO
E ENRIQUECE O ROGO
COM A VOZ DA INSOLÊNCIA.
NO CONFORTO DA ARIDEZ
O LOUCO CORCEL DA PAZ
É UM CINZEL DE ACIDEZ
NA ESCULTURA QUE JAZ
ENTRE O ASSALTO DO GRITO
QUE SE ANUNCIA AFLITO
E A ESPONJA DO GRANITO
QUE, EM LUZ, A VIDA REFAZ.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 14 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 12H46.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 14 de Junho de 2012, às 12H47, e, concluído, às 13H38 do dia 14 de Junho de 2012.
MEMÓRIAS SONORAS - IX - "VINCENT"
Sempre que um certo estado de alma e a pintura resvala mentalmente por mim, vem-me à memória, não sei bem porquê, “Os Quatro Girassóis” que o pintor Vincent Van Gogh pintou em 1887.
O pintor Van Gogh nasceu em Groot Zundert, na Holanda no ano de 1853 e suicidou-se em Auvers-sur-Oise, em França no ano de 1890. Antes de se dedicar à pintura passou pelo desejo falhado de ser um pastor religioso e evangelista. Como pintor pode dizer-se que se encontram em alguns dos seus quadros influências pós-impressionistas e ligações à Escola Simbolista de Pont-Aven, fundada por Paul Gaugin e Emile Bernard. Pode-se dizer que a verdadeira influência da produção artística de Van Gogh se encontra nas flutuações do seu estado psíquico, que em 1890, o levariam ao suicídio.
O que me atrai em Van Gogh são as cores que me absorvem psicologicamente, como o sol ilumina o dia.
Don Mclean é um cantautor que alcançou grande popularidade graças a uma composição de nome “American Pie” que segundo reza a lenda musical é dedicada a Buddy Holly (1936-1959) onde consta o verso “The Day The Music Died” que se diz coincidir com a morte de Buddy. A composição vinha incluída no álbum com o mesmo título, editado em 1971. o álbum incluía, igualmente, a canção “Vincent” que é um excelente tributo ao pintor Vincent Van Gogh.
www.youtube.com/watch?v=dipFMJckZOM
Don McLean - Vincent lyrics
Starry
starry night
paint your palette blue and grey
look out on a summer's day
with eyes that know the
darkness in my soul.
Shadows on the hills
sketch the trees and the daffodils
catch the breeze and the winter chills
in colors on the snowy linen land.
And now I understand what you tried to say to me
how you suffered for your sanity
how you tried to set them free.
They would not listen
they did not know how
perhaps they'll listen now.
Starry
starry night
flaming flo'rs that brightly blaze
swirling clouds in violet haze reflect in
Vincent's eyes of China blue.
Colors changing hue
morning fields of amber grain
weathered faces lined in pain
are soothed beneath the artist's
loving hand.
And now I understand what you tried to say to me
how you suffered for your sanity
how you tried to set them free.
perhaps they'll listen now.
For they could not love you
but still your love was true
and when no hope was left in sight on that starry
starry night.
You took your life
as lovers often do;
But I could have told you
Vincent
this world was never
meant for one
as beautiful as you.
Starry
starry night
portraits hung in empty halls
frameless heads on nameless walls
with eyes
that watch the world and can't forget.
Like the stranger that you've met
the ragged men in ragged clothes
the silver thorn of bloddy rose
lie crushed and broken
on the virgin snow.
And now I think I know what you tried to say to me
how you suffered for your sanity
how you tried to set them free.
They would not listen
they're not
list'ning still
perhaps they never will.
Don Mclean
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 14 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 12H05.
O pintor Van Gogh nasceu em Groot Zundert, na Holanda no ano de 1853 e suicidou-se em Auvers-sur-Oise, em França no ano de 1890. Antes de se dedicar à pintura passou pelo desejo falhado de ser um pastor religioso e evangelista. Como pintor pode dizer-se que se encontram em alguns dos seus quadros influências pós-impressionistas e ligações à Escola Simbolista de Pont-Aven, fundada por Paul Gaugin e Emile Bernard. Pode-se dizer que a verdadeira influência da produção artística de Van Gogh se encontra nas flutuações do seu estado psíquico, que em 1890, o levariam ao suicídio.
O que me atrai em Van Gogh são as cores que me absorvem psicologicamente, como o sol ilumina o dia.
Don Mclean é um cantautor que alcançou grande popularidade graças a uma composição de nome “American Pie” que segundo reza a lenda musical é dedicada a Buddy Holly (1936-1959) onde consta o verso “The Day The Music Died” que se diz coincidir com a morte de Buddy. A composição vinha incluída no álbum com o mesmo título, editado em 1971. o álbum incluía, igualmente, a canção “Vincent” que é um excelente tributo ao pintor Vincent Van Gogh.
www.youtube.com/watch?v=dipFMJckZOM
Don McLean - Vincent lyrics
Starry
starry night
paint your palette blue and grey
look out on a summer's day
with eyes that know the
darkness in my soul.
Shadows on the hills
sketch the trees and the daffodils
catch the breeze and the winter chills
in colors on the snowy linen land.
And now I understand what you tried to say to me
how you suffered for your sanity
how you tried to set them free.
They would not listen
they did not know how
perhaps they'll listen now.
Starry
starry night
flaming flo'rs that brightly blaze
swirling clouds in violet haze reflect in
Vincent's eyes of China blue.
Colors changing hue
morning fields of amber grain
weathered faces lined in pain
are soothed beneath the artist's
loving hand.
And now I understand what you tried to say to me
how you suffered for your sanity
how you tried to set them free.
perhaps they'll listen now.
For they could not love you
but still your love was true
and when no hope was left in sight on that starry
starry night.
You took your life
as lovers often do;
But I could have told you
Vincent
this world was never
meant for one
as beautiful as you.
Starry
starry night
portraits hung in empty halls
frameless heads on nameless walls
with eyes
that watch the world and can't forget.
Like the stranger that you've met
the ragged men in ragged clothes
the silver thorn of bloddy rose
lie crushed and broken
on the virgin snow.
And now I think I know what you tried to say to me
how you suffered for your sanity
how you tried to set them free.
They would not listen
they're not
list'ning still
perhaps they never will.
Don Mclean
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 14 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 12H05.
terça-feira, 12 de junho de 2012
CORRUPIOS - II
A clareza das dúvidas é um quadro de incertezas, exposto na galeria dos pensamentos. Observo o quadro atento às minúcias do detalhe e às grandezas das paisagens que me interrogam com as cores das suas naturezas mortas e com o impressionismo da sua cultura pop. Os pensamentos são olhares concretos sobre as realidades urbanas que desfilam por entre os corredores ásperos da claustrofobia humana. As realidades urbanas cavalgam os impulsos dos paineis abstractos, apresentando, à mobilidade do secretismo, a abertura angular das objectivas que realçam o inesperado, despindo, os preconceitos básicos dos sentidos humanos, às reticências do pensamento racional, substituindo-as pelas ideias ocas da irracionalidade. Implanto dúvidas nas searas das certezas e os grãos das espigas que ondulam ao vento são conclusões básicas que povoam as sinergias cerebrais do rudimentarismo quotidiano. Uma interrogação pode ser uma exclamação e a exclamação pode ser a interrogação da dúvida que se esclarece. Os polos atraiem-se, os extremos tocam-se e, as peles, húmidas, pelo prazer ou, secas, pela repulsa, são veículos de informação itálica que se movem nas auto-estradas da inutilidade afectiva. A magreza dos pensamentos é a obesidade das dúvidas que resplandece nos tecidos opacos da sentimentalidade obscura. E obscuro sou quanto a dúvidas e a pensamentos que as relegam para o quadro de uma interpretação finita. Não há cores que suplantem as cinzas das células pastoras e dos rebanhos verbais que lhes contornam os pormenores das suas minúcias. São dúvidas, sem dúvidas.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 12 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H21.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 12 de Junho de 2012, às 14H22, e, concluído, às 15H09 do dia 12 de Junho de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 12 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H21.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 12 de Junho de 2012, às 14H22, e, concluído, às 15H09 do dia 12 de Junho de 2012.
ESPIRROS - VI - GUERRA
A GUERRA É O PRINCÍPIO PRIMITIVO DO ERRO HUMANO.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 12 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H07.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 12 de Junho de 2012, às 14H08, e, concluído, às 14H10 do dia 12 de Junho de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 12 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H07.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 12 de Junho de 2012, às 14H08, e, concluído, às 14H10 do dia 12 de Junho de 2012.
BLUES - I - CORPO DE CEREJA
ENCONTREI-A, SÓ, NO PÓ DA FRONTEIRA
À ESPERA QUE O FUTURO SE VENHA,
ENCONTREI-A, SÓ, NO PÓ DA FRONTEIRA
À ESPERA QUE O FUTURO SE VENHA
MAS AO ACORDAR A NOITE INTEIRA
O VENTO SOPROU-LHE QUE ESTAVA PRENHA.
O LUAR LAMBEU-LHE O CORPO DE CEREJA
E ACENDEU-LHE A FOME DAS ÁGUAS
O LUAR LAMBEU-LHE O CORPO DE CEREJA
E ACENDEU-LHE A FOME DAS ÁGUAS,
MAS AO ACORDAR A FOZ QUE DESEJA
TEVE QUE BEBER A SEDE DAS MÁGOAS.
DISSE ADEUS À VOZ DO PENSAMENTO
MURMURANDO BALOIÇOS DE MEMÓRIAS
DISSE ADEUS À VOZ DO PENSAMENTO
MURMURANDO BALOIÇOS DE MEMÓRIAS
E AO CAIR A NOITE FUSTIGOU O VENTO
COM O CATAVENTO DAS SUAS ESTÓRIAS
DESPEDI-ME DA SOMBRA QUE NASCEU
NESSA FRONTEIRA DE TRAVOS NOCIVOS
DESPEDI-ME DA SOMBRA QUE NASCEU
NESSA FRONTEIRA DE TRAVOS NOCIVOS
E PARTI P´RA ONDE O VENTO CRESCEU
SEM AS ALGEMAS DOS CORPOS CATIVOS.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, ontem, em casa, 11 de Junho de 2012, às 22h30.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 12 de Junho de 2012, às 12H58, e concluído, às 13H53 do dia 12 de junho de 2012.
À ESPERA QUE O FUTURO SE VENHA,
ENCONTREI-A, SÓ, NO PÓ DA FRONTEIRA
À ESPERA QUE O FUTURO SE VENHA
MAS AO ACORDAR A NOITE INTEIRA
O VENTO SOPROU-LHE QUE ESTAVA PRENHA.
O LUAR LAMBEU-LHE O CORPO DE CEREJA
E ACENDEU-LHE A FOME DAS ÁGUAS
O LUAR LAMBEU-LHE O CORPO DE CEREJA
E ACENDEU-LHE A FOME DAS ÁGUAS,
MAS AO ACORDAR A FOZ QUE DESEJA
TEVE QUE BEBER A SEDE DAS MÁGOAS.
DISSE ADEUS À VOZ DO PENSAMENTO
MURMURANDO BALOIÇOS DE MEMÓRIAS
DISSE ADEUS À VOZ DO PENSAMENTO
MURMURANDO BALOIÇOS DE MEMÓRIAS
E AO CAIR A NOITE FUSTIGOU O VENTO
COM O CATAVENTO DAS SUAS ESTÓRIAS
DESPEDI-ME DA SOMBRA QUE NASCEU
NESSA FRONTEIRA DE TRAVOS NOCIVOS
DESPEDI-ME DA SOMBRA QUE NASCEU
NESSA FRONTEIRA DE TRAVOS NOCIVOS
E PARTI P´RA ONDE O VENTO CRESCEU
SEM AS ALGEMAS DOS CORPOS CATIVOS.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, ontem, em casa, 11 de Junho de 2012, às 22h30.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 12 de Junho de 2012, às 12H58, e concluído, às 13H53 do dia 12 de junho de 2012.
segunda-feira, 11 de junho de 2012
AFLUENTES POEMÁTICOS - XIV - O SORRISO DAS TERNURAS
NO RECANTO DAS ROTURAS
HÁ O TRANSTORNO
DO ABANDONO,
HÁ AS RAZÕES MAIS OBSCURAS
QUE ILUSÕES APAGAM
AOS DEDOS QUE AFAGAM.
NO ENCANTO DAS MOLDURAS
QUE ESCONDEM MEMÓRIAS
E VÃS GLÓRIAS
HÁ UM ESPANTO QUE MURMURAS
AOS CONTOS QUE PASSAM
ENTRE CORES QUE SE ENLAÇAM
NA BREVIDADE
DO PASSADO ARDENTE
NA OCIOSIDADE
DO FUTURO NASCENTE.
NO DOCE CANTO DAS CURAS
HÁ PALAVRAS QUE MOIRAM
E LAVRAS QUE DOIRAM
O SORRISO DAS TERNURAS.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 11 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H26.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 11 de Junho de 2012, às 15H27, e, concluído, às 15H56 do dia 11 de Junho de 2012.
HÁ O TRANSTORNO
DO ABANDONO,
HÁ AS RAZÕES MAIS OBSCURAS
QUE ILUSÕES APAGAM
AOS DEDOS QUE AFAGAM.
NO ENCANTO DAS MOLDURAS
QUE ESCONDEM MEMÓRIAS
E VÃS GLÓRIAS
HÁ UM ESPANTO QUE MURMURAS
AOS CONTOS QUE PASSAM
ENTRE CORES QUE SE ENLAÇAM
NA BREVIDADE
DO PASSADO ARDENTE
NA OCIOSIDADE
DO FUTURO NASCENTE.
NO DOCE CANTO DAS CURAS
HÁ PALAVRAS QUE MOIRAM
E LAVRAS QUE DOIRAM
O SORRISO DAS TERNURAS.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 11 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H26.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 11 de Junho de 2012, às 15H27, e, concluído, às 15H56 do dia 11 de Junho de 2012.
SUORES FICCIONISTAS - III - UM ADEUS REDENTOR
Acordou cedo. Levantou-se com a lâmina do mau-humor a rasgar-lhe o ventre da disposição. Entrou na casa-de-banho e desafiou o espelho a reflectir as sombras que se acumulavam nos vincos do seu rosto. Ligou o chuveiro. Como se fosse uma vingança exercida sobre si próprio lavou o corpo com o esplendor feroz da água fria. Limpou o corpo como quem engraxa sapatos, em uma viela qualquer da cidade, ainda meia adormecida. Com a toalha ao ombro, foi assobiando "Night and Day", de Cole Porter, enquanto se preparava para fazer a barba. Passou a espuma pelo rosto, olhou, de novo, para o espelho, e, subitamente, desistiu de se barbear. Brincou com a espuma que lhe moldava o rosto. Viu-se com pera, com bigode e, esclarecido pelos reflexos da imaginação, lavou o rosto. Gostou de se ver com a barba levemente crescida. Depois, com os flirts dos desejos a aflorarem-lhe a consciência, mergulhou numa espécie de torpor melancólico. Vestiu umas calças de ganga coçada, uma camisa preta, umas meias brancas e calçou uns moucassins que, há muito, permaneciam abandonados entre o seu calçado. Pegou no telemóvel, ligou para o emprego e, sem hesitações, despediu-se. Retirou do seu guarda-fato uma pequena mala. Encheu-a com alguma roupa e com um par de sapatos velhos. De um canto do seu quarto, apanhou a sua mochila preferida e, nela, colocou dois livros que escolheu, ao acaso, na sua estante onde permaneciam esquecidos um número incontável de livros que os seus olhos se haviam esquecido de folhear. Passou os seus dedos pelos seus cabelos pretos e ondulados, escondeu os seus olhos esverdeados por detrás de uns óculos escuros e abandonou a casa onde vivia há vinte anos. Chamou um taxi pelo telemóvel e, já no seu interior, pediu ao motorista que o levasse para o aeroporto. Em um dos seus balcões comprou um bilhete para a Tailândia. Era o primeiro voo que saía do país. Sentou-se a um canto, esperando. Fugir de si próprio era o sentimento que, subitamente, se tinha alastrado pelo seu cérebro, cansado de se vestir com a monotonia da vida que era vivida sob o alcatrão de um vírus que lhe cegava a visão de um futuro com o qual deixara de pactuar. Meio adormecido, lambeu as feridas do passado, sentindo, nos seus lábios, o formigueiro de um rosnar que lhe armava o sangue com o fulgor de uma carícia fecundadora. Um adeus redentor.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 11 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H11.
Escrito, directamente, no blogue, na Bilbioteca Nacional, no dia 11 de Junho de 2012, às 14H12, e, concluído, às 15H10 do dia 11 de Junho de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 11 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H11.
Escrito, directamente, no blogue, na Bilbioteca Nacional, no dia 11 de Junho de 2012, às 14H12, e, concluído, às 15H10 do dia 11 de Junho de 2012.
ZIPS SONOROS - VII - ORANGE JUICE
A partir do Do It Yourself (DIY) e o movimento que originou o nascimento de um sem número de editoras independentes, nos finais da década de 70, princípios da década de 80, achei que seria interessante escrever sobre alguns grupos e algumas editoras independentes, sem quaisquer preocupações cronológicas. Assim, este primeiro espaço será dedicado ao grupo Orange Juice e à sua editora Postcard.
A história do grupo teve o seu berço na cidade escocesa de Glasgow, que se baptizou com o nome de Nu-Sonics em 1977, tendo como membros Edwin Collins, Stephen Daly, James Kirk e Alan Duncan que viria a ser substituído por David McClymont quando o grupo se transformou em Orange Juice, em 1979. Os sons dos Doors e dos Velvet Underground influenciaram o design sonoro do grupo que gravaram o seu primeiro 7”, em 1980, para a editora Postcard que, entretanto, fora fundada por Alan Horne, em 1979, na cidade de Glasgow, ano em que os Orange Juice assinaram pela aquela editora.
Discografia dos Orange Juice para a Postcard:
Fevereiro de 1980 – 7” – “Falling and Laughing/Moscow”
Agosto de 1980 - 7” - “Blue Boy/Lovesick”
Dezembro de 1980 – 7” – “Simply Thrilled Honey/Breakfast Time”
Março de 1981 – 7” – “Poor Old Soul/Pt 2”
Julho de 1982 – CD – “Ostrich Churchyard” – Ao vivo em Glasgow
Julho de 1983 – CD – “The Heather´s On Fire” – Contém todos os 7” gravados para Postcard.
Alan Horne afirmava que os sons dos grupos que gravavam para a sua editora, representavam “The Sound of The Young Scotland”, como contraponto ao “The Sound of Young América” da editora Estado Unidense, Tamla Motown.Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 11 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H52.
A história do grupo teve o seu berço na cidade escocesa de Glasgow, que se baptizou com o nome de Nu-Sonics em 1977, tendo como membros Edwin Collins, Stephen Daly, James Kirk e Alan Duncan que viria a ser substituído por David McClymont quando o grupo se transformou em Orange Juice, em 1979. Os sons dos Doors e dos Velvet Underground influenciaram o design sonoro do grupo que gravaram o seu primeiro 7”, em 1980, para a editora Postcard que, entretanto, fora fundada por Alan Horne, em 1979, na cidade de Glasgow, ano em que os Orange Juice assinaram pela aquela editora.
Discografia dos Orange Juice para a Postcard:
Fevereiro de 1980 – 7” – “Falling and Laughing/Moscow”
Agosto de 1980 - 7” - “Blue Boy/Lovesick”
Dezembro de 1980 – 7” – “Simply Thrilled Honey/Breakfast Time”
Março de 1981 – 7” – “Poor Old Soul/Pt 2”
Julho de 1982 – CD – “Ostrich Churchyard” – Ao vivo em Glasgow
Julho de 1983 – CD – “The Heather´s On Fire” – Contém todos os 7” gravados para Postcard.
Alan Horne afirmava que os sons dos grupos que gravavam para a sua editora, representavam “The Sound of The Young Scotland”, como contraponto ao “The Sound of Young América” da editora Estado Unidense, Tamla Motown.Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 11 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H52.
CRITICARTE - X - TOM SHARPE
Há escritores altamente conceituados e há outros que nem por isso. O escritor escolhido é um dos que nem por isso, mas, como já afirmei anteriormente, as escolhas são, acima de tudo, pessoais. Tom Sharpe é um escritor que adoro ler, porque é corrosivo, implacável no cinismo, no sarcasmo e subversivo na forma como arrasa e anarquiza os costumes e outros afins.
Tom Sharpe nasceu, em 1928, em Inglaterra, estudou em Cambridge, cumpriu o serviço militar nos Fuzileiros Navais, partiu para a África do Sul, em 1951, onde trabalhou no Departamento de Assuntos Não Europeus e leccionou no Natal. Manteve um estúdio de fotografia em Pietermantzburgo, entre 1957 e 1961, ano em que foi expulso da África do Sul por motivos políticos. De regresso a Inglaterra leccionou História no colégio de Artes e Tecnologia de Cambridge.
Aconselho os leitores que se queiram iniciar com a escrita de Sharpe, que leiam, primeiro, o livro “Wilt” que os porá ao corrente do estilo de enredos que são habituais em Sharpe.
O livro escolhido intitula-se “Vícios Ancestrais”, cujo tema gira à volta de um tal Lorde Petrefact, último abencerragem de uma dinastia de capitalistas corruptos que decide encomendar a um conceituado académico de esquerda, o Professor Yapp, a história da sua família.
“Walden Yapp viajou até Fawcett em carro alugado. Quando ia a qualquer sítio geralmente ia de comboio, mas a Fawcett House não ficava perto de nenhuma estação de comboio e a consulta de Doris, o computador, tinha apenas confirmado que não havia autocarro, nem nenhuma outra forma de transporte público que ele pudesse usar para chegar até lá. E Yapp recusava-se a possuir carro próprio em parte, porque acreditava que o Estado é que devia possuir tudo, em parte por causa das ideias conservadoras que Lorde Petrefact tão bem tinha diagnosticado, mas acima de tudo, porque Doris tinha chamado a atenção para o facto das 12 a 75 libras necessárias para manter o carro podiam comprar comida e medicamentos suficientes para manter vivas 24 crianças do Bangladesh. Por outro lado ela rebatia este argumento demonstrando que se comprasse um carro estava a dar emprego a cinco trabalhadores britânicos da indústria automóvel, a dois alemães, a um meio japonês, conforme a marca que escolhesse. Depois de uma luta com a sua consciência sobre se devia permitir que cinco trabalhadores britânicos fossem desempregados, Yapp decidira-se por não ter carro nenhum e doar o dinheiro poupado à Oxfam com a triste conclusão de que era mais possível manter dois administradores sentados à secretária do que alimentar os que morrem à fome noutro sítio qualquer.”
Eu sei que os gostos se discutem e este meu é, provavelmente, altamente discutível, mas o humor não é um reconhecimento uniforme entre os que o apreciam, por isso o leitor que se atrever a lê-lo, decidirá, por si, se valerá a pena ou não, a leitura.Oeiras, 07/11/2009 – Jorge Brasil Mesquita
Moinho das Antas, 10/01/2010 - Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 11 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H40.
Tom Sharpe nasceu, em 1928, em Inglaterra, estudou em Cambridge, cumpriu o serviço militar nos Fuzileiros Navais, partiu para a África do Sul, em 1951, onde trabalhou no Departamento de Assuntos Não Europeus e leccionou no Natal. Manteve um estúdio de fotografia em Pietermantzburgo, entre 1957 e 1961, ano em que foi expulso da África do Sul por motivos políticos. De regresso a Inglaterra leccionou História no colégio de Artes e Tecnologia de Cambridge.
Aconselho os leitores que se queiram iniciar com a escrita de Sharpe, que leiam, primeiro, o livro “Wilt” que os porá ao corrente do estilo de enredos que são habituais em Sharpe.
O livro escolhido intitula-se “Vícios Ancestrais”, cujo tema gira à volta de um tal Lorde Petrefact, último abencerragem de uma dinastia de capitalistas corruptos que decide encomendar a um conceituado académico de esquerda, o Professor Yapp, a história da sua família.
“Walden Yapp viajou até Fawcett em carro alugado. Quando ia a qualquer sítio geralmente ia de comboio, mas a Fawcett House não ficava perto de nenhuma estação de comboio e a consulta de Doris, o computador, tinha apenas confirmado que não havia autocarro, nem nenhuma outra forma de transporte público que ele pudesse usar para chegar até lá. E Yapp recusava-se a possuir carro próprio em parte, porque acreditava que o Estado é que devia possuir tudo, em parte por causa das ideias conservadoras que Lorde Petrefact tão bem tinha diagnosticado, mas acima de tudo, porque Doris tinha chamado a atenção para o facto das 12 a 75 libras necessárias para manter o carro podiam comprar comida e medicamentos suficientes para manter vivas 24 crianças do Bangladesh. Por outro lado ela rebatia este argumento demonstrando que se comprasse um carro estava a dar emprego a cinco trabalhadores britânicos da indústria automóvel, a dois alemães, a um meio japonês, conforme a marca que escolhesse. Depois de uma luta com a sua consciência sobre se devia permitir que cinco trabalhadores britânicos fossem desempregados, Yapp decidira-se por não ter carro nenhum e doar o dinheiro poupado à Oxfam com a triste conclusão de que era mais possível manter dois administradores sentados à secretária do que alimentar os que morrem à fome noutro sítio qualquer.”
Eu sei que os gostos se discutem e este meu é, provavelmente, altamente discutível, mas o humor não é um reconhecimento uniforme entre os que o apreciam, por isso o leitor que se atrever a lê-lo, decidirá, por si, se valerá a pena ou não, a leitura.Oeiras, 07/11/2009 – Jorge Brasil Mesquita
Moinho das Antas, 10/01/2010 - Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 11 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H40.
MEMÓRIAS SONORAS - VIII - "INDIAN RESERVATION"
Esta VIII Memória Sonora leva-me ao Sudueste dos Estados Unidos da América e à tribo dos Índios Cherokees que habitavam uma zona, localizada entre Os Apalaches e o rio Tennessse, tendo como dialecto o Iroquês. Os Cherokees sofreram, como muitas outras tribos, os efeitos da expedição espanhola de 1513 e das invasões colonizadoras francesas, inglesas e norte-americanas, que, além da guerra, provocaram a doença, o êxodo e a sua decadência.
O dialecto dos Cherokees foi o primeiro a possuir a sua própria escrita, um silabário criado por Sequoyah (1770 – 1843), formado por 86 sílabas, a criar uma Bíblia, um jornal bilingue “The Cherokee Phoenix” e uma Constituição escrita, como forma de escapar à opressão branca das décadas de 1830 e 1840.
Os Cherokees, juntamente com as tribos dos Choctaws, dos Chickasaws, dos Seminolas e dos Creeks, que eram consideradas as “cinco tribos civilizadas” por serem as que melhor se tinham adaptado ao homem branco, foram incluídas no Indian Removal Act de 1830, projectado pelo Presidente dos Estados Unidos da América, Andrew Jackson (1767 – 1845), que consistiu em proibir a permanência daquelas cinco tribos, a leste do rio Mississípi, obrigando-as a marchas forçadas que provocaram milhares de vítimas, marcha que ficou conhecida como a Rota das Lágrimas ou o Lamento dos Cherokees que é o tema da memória sonora “Indian Reservation”, interpretado pelo grupo Raiders, em 1970.
Os Raiders são os descendentes directos do grupo Paul Revere and The Raiders que, inicialmente, se chamaram Downbeats, cuja constituição se restringia a Paul Revere e a Mark Lindsay, formação criada em 1959, Caldwell, Idaho, EUA. Posteriormente, com a inclusão de Drake Levin, Mike Holliday, Michael Smith e, mais tarde, Phil Volk, o grupo passou a denominar-se Paul Revere and The Nightriders, antes de se fixarem no nome definitivo, Paul Revere and The Raiders que obtiveram alguns sucessos na década de 60, como, por exemplo, “Stepping Out” e “Just Like Me”, em 1965; “Kicks” e “Hungry”, em 1966; “Good Thing” e “Him or Me – What´s Gonna Be”, em 1967 e, finalmente, após os abandonos de Paul Revere e Mark Lindsay e reduzidos ao nome de Raiders, obtiveram o seu maior sucesso, com “Indian Reservation”, dedicada aos Cherokees e que é a memória sonora de hoje.
Fonte: “Os Índios da América do Norte” de Larry J. Zimmerman, com tradução de Sofia Gomes e editado pela Tema e Debates.
www.youtube.com/watch?v=DsMQbedCZj0
The Raiders
Indian Reservation lyrics
Songwriters: Loudermilk, John
They took the whole Cherokee nation
Put us on this reservation
Took away our ways of life
The tomahawk and the bow and knife
Took away our native tongue
And taught their English to our young
And all the beads we made by hand
Are nowadays made in Japan
Cherokee people, Cherokee tribe
So proud to live, so proud to die
They took the whole Indian nation
Locked us on this reservation
Though I wear a shirt and tie
I'm still part redman deep inside
Cherokee people, Cherokee tribe
So proud to live, so proud to die
But maybe someday when they learn
Cherokee nation will return, will return, will return, will return, will returnOeiras, 25/10/2009 – Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 11 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H25.
O dialecto dos Cherokees foi o primeiro a possuir a sua própria escrita, um silabário criado por Sequoyah (1770 – 1843), formado por 86 sílabas, a criar uma Bíblia, um jornal bilingue “The Cherokee Phoenix” e uma Constituição escrita, como forma de escapar à opressão branca das décadas de 1830 e 1840.
Os Cherokees, juntamente com as tribos dos Choctaws, dos Chickasaws, dos Seminolas e dos Creeks, que eram consideradas as “cinco tribos civilizadas” por serem as que melhor se tinham adaptado ao homem branco, foram incluídas no Indian Removal Act de 1830, projectado pelo Presidente dos Estados Unidos da América, Andrew Jackson (1767 – 1845), que consistiu em proibir a permanência daquelas cinco tribos, a leste do rio Mississípi, obrigando-as a marchas forçadas que provocaram milhares de vítimas, marcha que ficou conhecida como a Rota das Lágrimas ou o Lamento dos Cherokees que é o tema da memória sonora “Indian Reservation”, interpretado pelo grupo Raiders, em 1970.
Os Raiders são os descendentes directos do grupo Paul Revere and The Raiders que, inicialmente, se chamaram Downbeats, cuja constituição se restringia a Paul Revere e a Mark Lindsay, formação criada em 1959, Caldwell, Idaho, EUA. Posteriormente, com a inclusão de Drake Levin, Mike Holliday, Michael Smith e, mais tarde, Phil Volk, o grupo passou a denominar-se Paul Revere and The Nightriders, antes de se fixarem no nome definitivo, Paul Revere and The Raiders que obtiveram alguns sucessos na década de 60, como, por exemplo, “Stepping Out” e “Just Like Me”, em 1965; “Kicks” e “Hungry”, em 1966; “Good Thing” e “Him or Me – What´s Gonna Be”, em 1967 e, finalmente, após os abandonos de Paul Revere e Mark Lindsay e reduzidos ao nome de Raiders, obtiveram o seu maior sucesso, com “Indian Reservation”, dedicada aos Cherokees e que é a memória sonora de hoje.
Fonte: “Os Índios da América do Norte” de Larry J. Zimmerman, com tradução de Sofia Gomes e editado pela Tema e Debates.
www.youtube.com/watch?v=DsMQbedCZj0
The Raiders
Indian Reservation lyrics
Songwriters: Loudermilk, John
They took the whole Cherokee nation
Put us on this reservation
Took away our ways of life
The tomahawk and the bow and knife
Took away our native tongue
And taught their English to our young
And all the beads we made by hand
Are nowadays made in Japan
Cherokee people, Cherokee tribe
So proud to live, so proud to die
They took the whole Indian nation
Locked us on this reservation
Though I wear a shirt and tie
I'm still part redman deep inside
Cherokee people, Cherokee tribe
So proud to live, so proud to die
But maybe someday when they learn
Cherokee nation will return, will return, will return, will return, will returnOeiras, 25/10/2009 – Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 11 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H25.
sábado, 9 de junho de 2012
DIA DEZ DE JUNHO DE 2012 - CELEBRAÇÕES
O dia dez de Junho é, antes de qualquer outra celebração de vícios, o dia de Camões. Quem terá sido Camões? Um pobre vate que, num dia atravessado pelos rudimentos da razão, se atreveu a construir uma Epopeia. Um poeta a quem meia dúzia de pindéricos ousa besuntar com elogios fúnebres, como se tratasse de um renegado da lírica lusitana. Ora se Camões é um ilustre pregador da Cultura Nacional e o dia dez é, ou deveria sê-lo, para o relembrar, o dia deveria chamar-se o Dia da Cultura Portuguesa, em que se deveria festejar, através de várias manifestações de ídole cultural, o que de melhor se faz na criação cultural portuguesa. Porém sou vilmente enganado pelos poderes públicos que transformaram o dia, num dia de agraciados. Agraciados pela graça divina de tudo serem, menos o de representarem a Cultura Portuguesa. Para o disfarçarem resolveram apelidá-la de o Dia das Comunidades Portuguesas ou qualquer outro nome pomposo, o que vai dar tudo ao mesmo, que é uma faceta jocosa de enganar os tolos e de sabotarem a figura do ilustre vate. Agraciado por um pirilampo sagrado, sugiro, que devem, para descanso das almas penadas que presidem ao dia, agraciar com uma Comenda de uma Ordem qualquer, o poeta Camões, que do seu túmulo ignorado lhes dedicaria um soneto brejeiro, como forma de agradecimento. Pobre Camões!
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 09 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H06
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 09 de Junho de 2012, às 15H06, e, concluído, às 15H44 do dia 09 de Junho de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 09 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H06
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 09 de Junho de 2012, às 15H06, e, concluído, às 15H44 do dia 09 de Junho de 2012.
ESPIRROS - V - ÓDIO
O ÓDIO É O AMOR CONVERTIDO PELA REVOLTA DO CIÚME.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 09 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H13.
Escrito, directamente, no blogue, no dia 09 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H14, e, concluído, às 14H16 do dia 09 de Junho de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 09 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H13.
Escrito, directamente, no blogue, no dia 09 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H14, e, concluído, às 14H16 do dia 09 de Junho de 2012.
LABIRINTOS - I - G
Há galões de galanteios governados pelos galantes das gáveas que as galés guardam aos graves da sua gravidade. Que gravidade?
Pareço o que não sou e sou o que não pareço.
Há gerações gulosas que giram em gotas de gozo, gotejando os gavetões dos gomos sem as gamelas da gravidade. Que gravidade?
Sou escorreito e pegajoso, colado às pegas que se pegam e aos corrimãos que me escorregam.
Há gritos nas gretas das grutas que grelham as grilhetas, gamando aos goivos que gizam às gratidões das gravatas o que germina nas goelas dos gambozinos da gravidade. Que gravidade?
Sou invisível na invisibilidade de ser visível, quando não há visibilidade. Sou o que vejo e vejo o que não sou.
Há gritos que são galos dos garrotes, gatinhando como os gatos gelatina nos gumes das guilhotinas, gravadas com as grelhas da gravidade. Que gravidade?
Sou a espera que desespera a fera que sou, quando não sou o que se espera, entre o desespero da fera que não se é e a fera que se desespera para o ser.
A grua do grotesco é a gralha que galvaniza o grosso grifo com a gordura do giz que glorifica os gingões que grasnam contra as ganâncias dos golpes da gravidade. Que gravidade?
Sou um escape que escapa às escapadelas da realidade virtual e sou virtual na virtualidade de não o ser.
Há gamos que golpeiam as grainhas dos galopes sem as guelras dos gauleses, que não sendo da Gália, são o gáudio dos garimpeiros que, em grupo de guaches, gramam a gravidade. Que gravidade?
Sou a finalidade de um fim sem ser o final de uma finalidade, porque o fim não é uma finalidade em si. É só um fim que não tem fim.
Os gemidos das giboias são a glucose das guloseimas que o gamão goleia, quando as gotículas das suas gripes giram nos Galápagos da sua gravidade. Que gravidade?
Sou uma candeeiro sem luz, na avenida das luzes. Se me acendo deixo de ver e vejo o que não devia ver. As luzes das avenidas são candeeiros que se apagam, se o meu se acende. As luzes são filhas de verdades diferentes. Luzem por luzir e não se apagam para luzir sobre o que é luz, sem o ser.
Centro Cultural de Belém, 27/12/2009 - Jorge Brasil Mesquita - 15H45. Jorge Manuel Brasil Mesquita. Recriado, em 09 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H23.
sexta-feira, 8 de junho de 2012
CORRUPIOS - I
Não há pinturas que revelem o olhar da fome porque o pastel da fortuna é um parágrafo de Vikings nos mares da violência. A violência é a consciência da inconsciência que se rebela contra os quistos das sociedades que se pariram nos degraus da ascensão à insanidade. A vida é uma excentricidade das docas do tempo onde os veleiros das tempestades humanas registam, nos fusos horários das grelhas ridículas, os ímanes irresponsáveis das atracções mútuas. Os olhos são ímanes, as bocas, que desferem os golpes da hipocrisia, são paliativos mutantes na escala da degradação carnavalesca. Carnaval da carne, carnaval das ficções que seleccionam, nos actos dos seus capítulos, o ostracismo dos devotos orgânicos. O ostracismo é a fidelidade canina dos vícios amputados pela esquizofrenia das diásporas futuras. As diásporas são ruínas de tempo, no tempo das vicissitudes inamovíveis. Olha-se, descrê-se, e parte-se para onde qualquer vingança é o fruto de uma dinastia sabática. Os ritmos que se criam à moléstia das fibroses flibusteiras, avançam pelos guindastes que, nos cais das angústias, acicatam as luxúrias da penúria. A penúria é a sombra do medo, é o asfalto do alcatrão torturado pela azáfama dos cachimbos fumados sem a paz da conformidade voluntária. Escreve-se paz com os idiomas do ódio estampados nos estampidos das rotas corrompidas pela teatralidade da fonética rocambolesca. O surto da representação é o furto da solidão. A idade da caligrafia que a alimenta é um fenómeno cuja a existência se vinca para lá de todas as modéstias. E não há modéstia sem as vaidades comuns das idolatrias engraxadas pelas pomadas dos dinamismos eróticos. A prosa vai longa e a estima dos seus corredores são a incógnita dos seus apertos finais. Que os atacadores se desapertem e que o calçado se descalce. A vida continua porque eu sou filho da Lua e do Sol que se espanta com os raios da sua eloquência. A luz, em ambos, são tempêros da Vida ilustre. Que a sua resistência, resista.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 08 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H42.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 08 de Junho de 2012, às 15H43, e, concluído, às 16H27 do dia 08 de Junho de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 08 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H42.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 08 de Junho de 2012, às 15H43, e, concluído, às 16H27 do dia 08 de Junho de 2012.
CANÇÃO - XI - ESTA CANÇÃO QUE ESCREVO
ESTA CANÇÃO QUE ESCREVO
È A KATEMBE QUE BEBO
P´RA ESQUECER O RELEVO
QUE OFEREÇO AO QUE CONCEBO
NO NEVOEIRO DA ILUSÃO
NO RIBEIRO DA POÇÃO
COM QUE UNTO A PELE NUA
E ME APAGA ESSE OLHAR
QUE EM ABRAÇOS DE LUAR
ME BEBE AO CORPO QUE SUA
LAMENTOS DE ODOR
ALENTOS DE AMOR.
ESTES VERSOS QUE VERCEJO
SOBRE AS TECLAS DE UM PIANO
SÃO PALAVRAS QUE DESEJO
SÃO AS LAVRAS DO URBANO
QUE TE BORDA A AURORA
COM A CORDA QUE TE CHORA
E ME AMARRA AO TORMENTO
DE NÃO BEBER O SORRISO
DE NÃO SORVER O PARAÍSO
QUE SE AGARRA AO UNGUENTO
QUE LIBERA A COR
DA QUIMERA EM FLOR.
TODO A TI ME ENTREGO
NESTA CÂMARA SEDENTA
TODO AQUI ME EMPREGO
ACTOR, TÂMARA CIUMENTA
DA BOCA QUE ME REPROVA
E OCA NÃO ME RENOVA
O SENTIDO DE SENTIR
O QUE O CORPO DORMENTE
ESQUECIDO SÓ DESMENTE
SE O OLHAR TEU SORRIR
À PELE QUE TOCA
COM O MEL DA ROCA.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criada, em 08 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H14.
Escrita, directamente, no blogue, no dia 08 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H16, e, concluída, às 14H50 do dia 08 de Junho de 2012.
È A KATEMBE QUE BEBO
P´RA ESQUECER O RELEVO
QUE OFEREÇO AO QUE CONCEBO
NO NEVOEIRO DA ILUSÃO
NO RIBEIRO DA POÇÃO
COM QUE UNTO A PELE NUA
E ME APAGA ESSE OLHAR
QUE EM ABRAÇOS DE LUAR
ME BEBE AO CORPO QUE SUA
LAMENTOS DE ODOR
ALENTOS DE AMOR.
ESTES VERSOS QUE VERCEJO
SOBRE AS TECLAS DE UM PIANO
SÃO PALAVRAS QUE DESEJO
SÃO AS LAVRAS DO URBANO
QUE TE BORDA A AURORA
COM A CORDA QUE TE CHORA
E ME AMARRA AO TORMENTO
DE NÃO BEBER O SORRISO
DE NÃO SORVER O PARAÍSO
QUE SE AGARRA AO UNGUENTO
QUE LIBERA A COR
DA QUIMERA EM FLOR.
TODO A TI ME ENTREGO
NESTA CÂMARA SEDENTA
TODO AQUI ME EMPREGO
ACTOR, TÂMARA CIUMENTA
DA BOCA QUE ME REPROVA
E OCA NÃO ME RENOVA
O SENTIDO DE SENTIR
O QUE O CORPO DORMENTE
ESQUECIDO SÓ DESMENTE
SE O OLHAR TEU SORRIR
À PELE QUE TOCA
COM O MEL DA ROCA.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criada, em 08 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H14.
Escrita, directamente, no blogue, no dia 08 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H16, e, concluída, às 14H50 do dia 08 de Junho de 2012.
quarta-feira, 6 de junho de 2012
AFLUENTES POEMÁTICOS - XIII - SEGREDO
SEGREDO A SEGREDO
ATRAVESSO O MEDO
CONSTRUO A MURALHA
AO TEMPO QUE FALHA
NA CLARA MANHÃ
DA PALAVRA VÃ.
DESGOSTO A DESGOSTO
DESPREZO O GOSTO
DA VIDA QUE GRITA
À ALMA AFLITA
QUE O BERÇO DA DOR
É A VOZ SEM COR
NO PRANTO DA CAMA
QUE SECA SEM CHAMA
AS HARPAS DA VIDA
QUE A MORTE VENDIDA
ACORDA VENCIDA
SEM VOZ E SEM RAIZ
QUE A FAÇA FELIZ.
NO PORTO DA FOZ
O CAIS DO NAVIO
QUE SOPRA FEROZ
A FOME DO RIO
É ONDE EU PASSO
COM ESTE ABRAÇO
QUE VESTE LASSO
A VIDA QUE LAÇO.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 06 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 17H03
Escrito, directamente, no blogue, no dia 06 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 17H04, e, concluído, às 17H37 do dia 06 de junho de 2012.
ATRAVESSO O MEDO
CONSTRUO A MURALHA
AO TEMPO QUE FALHA
NA CLARA MANHÃ
DA PALAVRA VÃ.
DESGOSTO A DESGOSTO
DESPREZO O GOSTO
DA VIDA QUE GRITA
À ALMA AFLITA
QUE O BERÇO DA DOR
É A VOZ SEM COR
NO PRANTO DA CAMA
QUE SECA SEM CHAMA
AS HARPAS DA VIDA
QUE A MORTE VENDIDA
ACORDA VENCIDA
SEM VOZ E SEM RAIZ
QUE A FAÇA FELIZ.
NO PORTO DA FOZ
O CAIS DO NAVIO
QUE SOPRA FEROZ
A FOME DO RIO
É ONDE EU PASSO
COM ESTE ABRAÇO
QUE VESTE LASSO
A VIDA QUE LAÇO.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 06 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 17H03
Escrito, directamente, no blogue, no dia 06 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 17H04, e, concluído, às 17H37 do dia 06 de junho de 2012.
AFLUENTES POEMÁTICOS - XII - AMPULHETA
OS PONTEIROS DO TEMPO
SÃO DEDOS DE AREIA
EM AMPULHETAS DE SONHO.
A AREIA FINA QUE ESCORRE
PELOS LÁBIOS DA VIDA,
TEMPERA A NOITE DOS DIAS,
ASSOBIA VENTOS DE MORTE
E ACORDA, À ROUPA DO OLHAR,
OS TRÉMULOS CANDEEIROS
DAS VOZES QUE SE AFOGAM
NA CLARIDADE DOS DEDOS,
ESSA LUZ MINÚSCULA
QUE SE ASSOMBRA
COM O VÍCIO DE SE ESTAR VIVO
EM OUTRAS SAFRAS,
QUE NÃO A VOZ INFINITA,
VESPA DE ESTRANHOS FOGOS
QUE PICA A CARNE DOCE
PARA QUE O AMARGO
SEJA OS DEDOS DA AMPULHETA
QUE, EM FEBRES DE OCASO,
DELEITEM AS AGONIAS DO TEMPO.
OS PONTEIROS,
CADÊNCIAS DE VIDA,
APONTAM A GINÁSTICA DO INFINITO,
PARA ESCAPAREM À AREIA DOS DEDOS.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 05 de Junho de 2012, à noite, em casa, e, na Biblioteca Nacional, às 15H12.
Escrito, directamente, no blogue, no dia 06 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H13, e, concluído, às 15H34 do dia 06 de Junho de 2012.
SÃO DEDOS DE AREIA
EM AMPULHETAS DE SONHO.
A AREIA FINA QUE ESCORRE
PELOS LÁBIOS DA VIDA,
TEMPERA A NOITE DOS DIAS,
ASSOBIA VENTOS DE MORTE
E ACORDA, À ROUPA DO OLHAR,
OS TRÉMULOS CANDEEIROS
DAS VOZES QUE SE AFOGAM
NA CLARIDADE DOS DEDOS,
ESSA LUZ MINÚSCULA
QUE SE ASSOMBRA
COM O VÍCIO DE SE ESTAR VIVO
EM OUTRAS SAFRAS,
QUE NÃO A VOZ INFINITA,
VESPA DE ESTRANHOS FOGOS
QUE PICA A CARNE DOCE
PARA QUE O AMARGO
SEJA OS DEDOS DA AMPULHETA
QUE, EM FEBRES DE OCASO,
DELEITEM AS AGONIAS DO TEMPO.
OS PONTEIROS,
CADÊNCIAS DE VIDA,
APONTAM A GINÁSTICA DO INFINITO,
PARA ESCAPAREM À AREIA DOS DEDOS.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 05 de Junho de 2012, à noite, em casa, e, na Biblioteca Nacional, às 15H12.
Escrito, directamente, no blogue, no dia 06 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H13, e, concluído, às 15H34 do dia 06 de Junho de 2012.
CRITICARTE - IX - "NADA"
Pode-se amar um livro que se esgota com palavras em sentenças de sentidos que angustiam e deprimem o leitor? Há vidas de uma vida que são ciclos de respirações que pontuam, envelhecimentos ou amadurecimentos, ao longo dos túneis que nos descobrem a descoberta de quem se foi, é ou será. Estas foram as sensações que perpassaram por mim, ao ler o livro “Nada” da escritora espanhola Cármen Laforet.
Cármen Laforet nasceu na cidade catalã de Barcelona, em 1921. Dos dois aos 18 anos viveu em Las Palmas, Canárias. No final da Guerra Civil Espanhola, em 1939, regressou a Barcelona com o intuito de estudar Filosofia e Letras. Em 1944, Cármen que já vivia em Madrid inicia o romance que viria a ser publicado em 1945, vencendo com ele, o prémio Nadal.
O romance gira à volta da jovem Andrea que se aloja em casa de familiares, em Barcelona, com o objectivo de prosseguir os seus estudos, família pobre e meia enlouquecida com os anos cruéis da ocupação franquista. Segundo o escritor Mário Vargas LLosa, “Carmen Laforet relata com uma prosa entre exaltada e glacial, onde o que se cala é mais importante do que aquilo que se diz.”
“Estas visões assustadoras perseguiram-me naquele fim de Verão com uma monótona crueldade. Nos fins de tarde sufocantes, nas noites longuíssimas, carregadas de lânguido pesar, o meu coração aterrado recebia as imagens que a minha razão não era suficiente para desterrar.
Para afugentar os fantasmas, eu saía muito para a rua. Corria pela cidade debilitando-me inutilmente. Ia com o meu vestido preto, encolhido pela tinta e que cada vez me ficava mais largo. Corria instintivamente com o pudor do meu atavio demasiado miserável, fugindo dos bairros luxuosos e bem cuidados da cidade. Conheci os subúrbios com a sua coisa de mal-acabada e poeirenta. As ruas velhas atraíam-me mais.”
Cármen Laforet viria a falecer em 28 de Fevereiro de 2004, com 82 anos e na cidade de Madrid.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 06 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H19.
Cármen Laforet nasceu na cidade catalã de Barcelona, em 1921. Dos dois aos 18 anos viveu em Las Palmas, Canárias. No final da Guerra Civil Espanhola, em 1939, regressou a Barcelona com o intuito de estudar Filosofia e Letras. Em 1944, Cármen que já vivia em Madrid inicia o romance que viria a ser publicado em 1945, vencendo com ele, o prémio Nadal.
O romance gira à volta da jovem Andrea que se aloja em casa de familiares, em Barcelona, com o objectivo de prosseguir os seus estudos, família pobre e meia enlouquecida com os anos cruéis da ocupação franquista. Segundo o escritor Mário Vargas LLosa, “Carmen Laforet relata com uma prosa entre exaltada e glacial, onde o que se cala é mais importante do que aquilo que se diz.”
“Estas visões assustadoras perseguiram-me naquele fim de Verão com uma monótona crueldade. Nos fins de tarde sufocantes, nas noites longuíssimas, carregadas de lânguido pesar, o meu coração aterrado recebia as imagens que a minha razão não era suficiente para desterrar.
Para afugentar os fantasmas, eu saía muito para a rua. Corria pela cidade debilitando-me inutilmente. Ia com o meu vestido preto, encolhido pela tinta e que cada vez me ficava mais largo. Corria instintivamente com o pudor do meu atavio demasiado miserável, fugindo dos bairros luxuosos e bem cuidados da cidade. Conheci os subúrbios com a sua coisa de mal-acabada e poeirenta. As ruas velhas atraíam-me mais.”
Cármen Laforet viria a falecer em 28 de Fevereiro de 2004, com 82 anos e na cidade de Madrid.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 06 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H19.
MEMÓRIAS SONORAS - VII - "DON´T LOOK BACK IN ANGER"
Em 1956, o jornal inglês Daily Mail classificou o novelista Kingsley Amis (1922 – 1995), o dramaturgo e actor John Osborne ( 1929 – 1994), o escritor Colin Wilson e o dramaturgo Michael Hastings como os representantes da geração literária do pós-guerra e um outro jornal inglês, o Daily Express que, notando a hostilidade do quarteto para com a Cultura académica, caracterizou-os como os “Angry Young Man”.
Em 1954, Kingsley Amis publicou a novela “Lucky Jim”, cujo tema humorístico, centra-se em Jim Dixon, leitor de uma Universidade de província e a sua luta pela sobrevivência na vida académica.
Em Maio de 1956, o Royal Court Theatre levou à cena a peça “Look Back In Anger” de John Osborne, actor e desempregado, que um agente do teatro publicitou como tendo sido escrita por um Very Angry Young Man. A peça centra-se na figura do trompetista Jimmy Porter que é inimigo da burguesia e de uma sua representante, a sua mulher, Alison.
“The Outsider”, de Colin Wilson, denota a influência da alienação e da aspiração espiritual que condiziam com o sentimento da época. O livro transformou Colin, de um momento para o outro, no filósofo de café e equiparam-no aos existencialistas franceses.
Dixon e Porter são exemplares de um novo protagonista: o homem da classe média baixa que enceta todos os esforços, falhados, para se integrarem na burguesia.
O termo AYM acabou por se aplicar às pessoas politizadas que se manifestavam, frontalmente, contra o sistema social britânico.
A diferença que marca Dixon e Porter é a ausência de uma linha política que se manifesta numa declaração de Porter: “não restaram causas heróicas por que se lute”. A declaração, embora escrita antes da crise do Canal de Suez e da invasão soviética da Hungria, causou impacto quando foi radiodifundida entre os jovens.
Nas décadas posteriores, os AYM têm como modelos os escritores Irvine Welsh, Alan Waner e John King e entre interpretes da música popular como John Lennon, Johnny Rotten e os irmãos Gallaghers dos Oásis que compuseram um tema, curiosamente intitulado, “Don´t Look Back In Anger”, inspirada num fragmento de uma conversa de John Lennon.
Os Oásis formaram-se em 1992, em Manchester, Inglaterra, por Liam Gallagher, Paul Arthurs, Paul McGuigan e Tony McCarrol e que, inicialmente, se chamavam Rain. Posteriormente, Noel Gallagher juntou-se ao grupo e em 1993 assinaram contrato com a editora independente Creation Records de Alan MacGee, iniciando a sua ascensão musical, principalmente, com os álbuns “Definitely Maybe” em Agosto de 1994 e “(What´s The Story) Morning Glory?” em Outubro de 1995, onde se inclui a memória sonora de hoje “Don´t Look Back In Anger” que é um exemplo de composição que reflecte o amadurecimento da harmonização áspera do grupo.
www.dailymotion.com/video/xp7f_oasis-dont-look-back-in-anger_music
Don't Look Back In Anger Lyrics
Artist(Band):Oasis
Slip inside the eye of your mind
Don't you know you might find
A better place to play
You said that you'd never been allagher
But all the things that you've seen
Will slowly fade away
So I start a revolution from my bed
'Cause you said the Brains I had went to my head
Step outside the summertime's in bloom
Stand up beside the fireplace
Take that look from off your face
You ain't ever gonna burn my heart out
So Sally can wait, she knows it's too late as we're walking on by
Her soul slides away, but don't look back in anger
I heard you say
Take me to the place where you go
Where nobody knows, if it's night or day.
Please don't put your life in the hands
Of a Rock 'n Roll band
Who'll throw it all away
I'm gonna start the revolution from my bed
'Cos you said the Brains I had went to my head
Step outside cos summertime's in bloom
Stand up beside the fireplace
Take that look from off your face
Cos you ain't ever gonna burn my heart out
So Sally can wait, she knows it's too late as she's walking on by.
My soul slides away, but don't look back in anger
I heard you say
So Sally can wait, she knows it's too late as we're walking on by
Her soul slides away, but don't look back in anger
I heard you say
And So Sally can wait, she knows it's too late and she's walking on by
My soul slides away, but don't look back in anger, don't look back in anger
I heard you say
At least not today.
Noel Gallagher
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 06 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H05.
Em 1954, Kingsley Amis publicou a novela “Lucky Jim”, cujo tema humorístico, centra-se em Jim Dixon, leitor de uma Universidade de província e a sua luta pela sobrevivência na vida académica.
Em Maio de 1956, o Royal Court Theatre levou à cena a peça “Look Back In Anger” de John Osborne, actor e desempregado, que um agente do teatro publicitou como tendo sido escrita por um Very Angry Young Man. A peça centra-se na figura do trompetista Jimmy Porter que é inimigo da burguesia e de uma sua representante, a sua mulher, Alison.
“The Outsider”, de Colin Wilson, denota a influência da alienação e da aspiração espiritual que condiziam com o sentimento da época. O livro transformou Colin, de um momento para o outro, no filósofo de café e equiparam-no aos existencialistas franceses.
Dixon e Porter são exemplares de um novo protagonista: o homem da classe média baixa que enceta todos os esforços, falhados, para se integrarem na burguesia.
O termo AYM acabou por se aplicar às pessoas politizadas que se manifestavam, frontalmente, contra o sistema social britânico.
A diferença que marca Dixon e Porter é a ausência de uma linha política que se manifesta numa declaração de Porter: “não restaram causas heróicas por que se lute”. A declaração, embora escrita antes da crise do Canal de Suez e da invasão soviética da Hungria, causou impacto quando foi radiodifundida entre os jovens.
Nas décadas posteriores, os AYM têm como modelos os escritores Irvine Welsh, Alan Waner e John King e entre interpretes da música popular como John Lennon, Johnny Rotten e os irmãos Gallaghers dos Oásis que compuseram um tema, curiosamente intitulado, “Don´t Look Back In Anger”, inspirada num fragmento de uma conversa de John Lennon.
Os Oásis formaram-se em 1992, em Manchester, Inglaterra, por Liam Gallagher, Paul Arthurs, Paul McGuigan e Tony McCarrol e que, inicialmente, se chamavam Rain. Posteriormente, Noel Gallagher juntou-se ao grupo e em 1993 assinaram contrato com a editora independente Creation Records de Alan MacGee, iniciando a sua ascensão musical, principalmente, com os álbuns “Definitely Maybe” em Agosto de 1994 e “(What´s The Story) Morning Glory?” em Outubro de 1995, onde se inclui a memória sonora de hoje “Don´t Look Back In Anger” que é um exemplo de composição que reflecte o amadurecimento da harmonização áspera do grupo.
www.dailymotion.com/video/xp7f_oasis-dont-look-back-in-anger_music
Don't Look Back In Anger Lyrics
Artist(Band):Oasis
Slip inside the eye of your mind
Don't you know you might find
A better place to play
You said that you'd never been allagher
But all the things that you've seen
Will slowly fade away
So I start a revolution from my bed
'Cause you said the Brains I had went to my head
Step outside the summertime's in bloom
Stand up beside the fireplace
Take that look from off your face
You ain't ever gonna burn my heart out
So Sally can wait, she knows it's too late as we're walking on by
Her soul slides away, but don't look back in anger
I heard you say
Take me to the place where you go
Where nobody knows, if it's night or day.
Please don't put your life in the hands
Of a Rock 'n Roll band
Who'll throw it all away
I'm gonna start the revolution from my bed
'Cos you said the Brains I had went to my head
Step outside cos summertime's in bloom
Stand up beside the fireplace
Take that look from off your face
Cos you ain't ever gonna burn my heart out
So Sally can wait, she knows it's too late as she's walking on by.
My soul slides away, but don't look back in anger
I heard you say
So Sally can wait, she knows it's too late as we're walking on by
Her soul slides away, but don't look back in anger
I heard you say
And So Sally can wait, she knows it's too late and she's walking on by
My soul slides away, but don't look back in anger, don't look back in anger
I heard you say
At least not today.
Noel Gallagher
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 06 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H05.
terça-feira, 5 de junho de 2012
AFLUENTES POEMÁTICOS - XXII - VETO
ESTA FOME QUE DERRAMA
O DRAMA
QUE O OLHAR DECLAMA
É O VETO DA FERIDA
QUE A VIDA
EMANCIPA ESQUECIDA
DE QUEM EU SOU
SENDO O QUE SEREI
SE A MORTE QUE PASSOU
FOR QUEM EU SEI
EM TUDO O QUE AMEI.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 05 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 17H44.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 05 de Junho de 2012, às 17H45, e, concluído, às 18H05 do dia 05 de Junho de 2012.
O DRAMA
QUE O OLHAR DECLAMA
É O VETO DA FERIDA
QUE A VIDA
EMANCIPA ESQUECIDA
DE QUEM EU SOU
SENDO O QUE SEREI
SE A MORTE QUE PASSOU
FOR QUEM EU SEI
EM TUDO O QUE AMEI.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 05 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 17H44.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 05 de Junho de 2012, às 17H45, e, concluído, às 18H05 do dia 05 de Junho de 2012.
CISCOS DIÁRIOS - 05 DE JUNHO DE 2012
A vida é a sonolência do silêncio. Adoramos a impaciência da futilidade e a resistência da passividade. Desenhamos os argumentos das sequências que filmamos à apoteose da nossa vitimização. Somos coerentes na incoerência e divinizamos a inclemência do nosso subconsciente. Somos viajantes de uma vida irracional e somos empregados do raciocínio que se ausenta para parte incerta, mal a deformação do ruído que nos surpreende o declínio, se estende pela volatilidade da nossa natureza, fria e indómita, quando o cálculo da aspereza se embrulha nos novelos de uma respiração asmática. Não receamos o receio, mas congelamos as fugas da realidade, em frigoríficos de tragédias, insuflados pelos costumes da moralidade aparente. A vida é o consumo astral da impaciência e da impotência no jogo diário dos sumos colectivos. Bebem-se, sem medo, desconhece-se qual o seu prazo de validade. Ombreamos com o prazer da ostentação presumida e revelamos, encantados, a sépia confrangedora da nossa inércia. A mansidão não é um adjectivo, é um substantivo implacável. Dele, bebemos a sonolência do silêncio.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 05 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 16H35.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 05 de Junho de 2012, às 16H36, e, concluído, às 17H05 do dia 05 de Junho de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 05 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 16H35.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 05 de Junho de 2012, às 16H36, e, concluído, às 17H05 do dia 05 de Junho de 2012.
AFLUENTES POEMÁTICOS - XXI - RAIVA ASTUTA
SENTADO NA RAIVA DA DOR
SOU UM ANÚNCIO SEM RELEVO
NA ARTE DESTRONADA DO TEMPO,
UMA GAZELA DE OLHAR ASSUSTADO
NOS ARQUIVOS DA MEMÓRIA
ONDE NADA VIVE.
NEM LÁGRIMAS DE SAL,
NEM CORAGENS DE DESERTO.
SOU UM SACRIFÍCIO ANIMAL
NA ARDÓSIA SEDENTA DO ANONIMATO,
UMA SEBENTA EM QUE SE ESCREVE
O RISO DA PALAVRA SONÂMBULA,
O ESPELHO DOS REFLEXOS MUDOS
E AS VERTIGENS DAS OUSADIAS FALIDAS.
SOU UM MINEIRO SEM MINAS,
MAS CADA MINA ESCREVE
OS SOBRESSALTOS DAS NOITES ADULTAS
AS FRAGILIDADES DOS DIAS INFANTIS
PARA QUE A SOBREVIVÊNCIA
DE UMA RAIVA ASTUTA
SEJA A ARGÚCIA
DA RAZÃO QUE SE DESVENDA
À FLORESTA DA CARNE SECA.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 05 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H39.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 05 de Junho de 2012, às 15H40, e, concluído, às 16H06 do dia 05 de Junho de 2012.
SOU UM ANÚNCIO SEM RELEVO
NA ARTE DESTRONADA DO TEMPO,
UMA GAZELA DE OLHAR ASSUSTADO
NOS ARQUIVOS DA MEMÓRIA
ONDE NADA VIVE.
NEM LÁGRIMAS DE SAL,
NEM CORAGENS DE DESERTO.
SOU UM SACRIFÍCIO ANIMAL
NA ARDÓSIA SEDENTA DO ANONIMATO,
UMA SEBENTA EM QUE SE ESCREVE
O RISO DA PALAVRA SONÂMBULA,
O ESPELHO DOS REFLEXOS MUDOS
E AS VERTIGENS DAS OUSADIAS FALIDAS.
SOU UM MINEIRO SEM MINAS,
MAS CADA MINA ESCREVE
OS SOBRESSALTOS DAS NOITES ADULTAS
AS FRAGILIDADES DOS DIAS INFANTIS
PARA QUE A SOBREVIVÊNCIA
DE UMA RAIVA ASTUTA
SEJA A ARGÚCIA
DA RAZÃO QUE SE DESVENDA
À FLORESTA DA CARNE SECA.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 05 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H39.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 05 de Junho de 2012, às 15H40, e, concluído, às 16H06 do dia 05 de Junho de 2012.
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