A clareza das dúvidas é um quadro de incertezas, exposto na galeria dos pensamentos. Observo o quadro atento às minúcias do detalhe e às grandezas das paisagens que me interrogam com as cores das suas naturezas mortas e com o impressionismo da sua cultura pop. Os pensamentos são olhares concretos sobre as realidades urbanas que desfilam por entre os corredores ásperos da claustrofobia humana. As realidades urbanas cavalgam os impulsos dos paineis abstractos, apresentando, à mobilidade do secretismo, a abertura angular das objectivas que realçam o inesperado, despindo, os preconceitos básicos dos sentidos humanos, às reticências do pensamento racional, substituindo-as pelas ideias ocas da irracionalidade. Implanto dúvidas nas searas das certezas e os grãos das espigas que ondulam ao vento são conclusões básicas que povoam as sinergias cerebrais do rudimentarismo quotidiano. Uma interrogação pode ser uma exclamação e a exclamação pode ser a interrogação da dúvida que se esclarece. Os polos atraiem-se, os extremos tocam-se e, as peles, húmidas, pelo prazer ou, secas, pela repulsa, são veículos de informação itálica que se movem nas auto-estradas da inutilidade afectiva. A magreza dos pensamentos é a obesidade das dúvidas que resplandece nos tecidos opacos da sentimentalidade obscura. E obscuro sou quanto a dúvidas e a pensamentos que as relegam para o quadro de uma interpretação finita. Não há cores que suplantem as cinzas das células pastoras e dos rebanhos verbais que lhes contornam os pormenores das suas minúcias. São dúvidas, sem dúvidas.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 12 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H21.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 12 de Junho de 2012, às 14H22, e, concluído, às 15H09 do dia 12 de Junho de 2012.
terça-feira, 12 de junho de 2012
ESPIRROS - VI - GUERRA
A GUERRA É O PRINCÍPIO PRIMITIVO DO ERRO HUMANO.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 12 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H07.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 12 de Junho de 2012, às 14H08, e, concluído, às 14H10 do dia 12 de Junho de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 12 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H07.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 12 de Junho de 2012, às 14H08, e, concluído, às 14H10 do dia 12 de Junho de 2012.
BLUES - I - CORPO DE CEREJA
ENCONTREI-A, SÓ, NO PÓ DA FRONTEIRA
À ESPERA QUE O FUTURO SE VENHA,
ENCONTREI-A, SÓ, NO PÓ DA FRONTEIRA
À ESPERA QUE O FUTURO SE VENHA
MAS AO ACORDAR A NOITE INTEIRA
O VENTO SOPROU-LHE QUE ESTAVA PRENHA.
O LUAR LAMBEU-LHE O CORPO DE CEREJA
E ACENDEU-LHE A FOME DAS ÁGUAS
O LUAR LAMBEU-LHE O CORPO DE CEREJA
E ACENDEU-LHE A FOME DAS ÁGUAS,
MAS AO ACORDAR A FOZ QUE DESEJA
TEVE QUE BEBER A SEDE DAS MÁGOAS.
DISSE ADEUS À VOZ DO PENSAMENTO
MURMURANDO BALOIÇOS DE MEMÓRIAS
DISSE ADEUS À VOZ DO PENSAMENTO
MURMURANDO BALOIÇOS DE MEMÓRIAS
E AO CAIR A NOITE FUSTIGOU O VENTO
COM O CATAVENTO DAS SUAS ESTÓRIAS
DESPEDI-ME DA SOMBRA QUE NASCEU
NESSA FRONTEIRA DE TRAVOS NOCIVOS
DESPEDI-ME DA SOMBRA QUE NASCEU
NESSA FRONTEIRA DE TRAVOS NOCIVOS
E PARTI P´RA ONDE O VENTO CRESCEU
SEM AS ALGEMAS DOS CORPOS CATIVOS.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, ontem, em casa, 11 de Junho de 2012, às 22h30.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 12 de Junho de 2012, às 12H58, e concluído, às 13H53 do dia 12 de junho de 2012.
À ESPERA QUE O FUTURO SE VENHA,
ENCONTREI-A, SÓ, NO PÓ DA FRONTEIRA
À ESPERA QUE O FUTURO SE VENHA
MAS AO ACORDAR A NOITE INTEIRA
O VENTO SOPROU-LHE QUE ESTAVA PRENHA.
O LUAR LAMBEU-LHE O CORPO DE CEREJA
E ACENDEU-LHE A FOME DAS ÁGUAS
O LUAR LAMBEU-LHE O CORPO DE CEREJA
E ACENDEU-LHE A FOME DAS ÁGUAS,
MAS AO ACORDAR A FOZ QUE DESEJA
TEVE QUE BEBER A SEDE DAS MÁGOAS.
DISSE ADEUS À VOZ DO PENSAMENTO
MURMURANDO BALOIÇOS DE MEMÓRIAS
DISSE ADEUS À VOZ DO PENSAMENTO
MURMURANDO BALOIÇOS DE MEMÓRIAS
E AO CAIR A NOITE FUSTIGOU O VENTO
COM O CATAVENTO DAS SUAS ESTÓRIAS
DESPEDI-ME DA SOMBRA QUE NASCEU
NESSA FRONTEIRA DE TRAVOS NOCIVOS
DESPEDI-ME DA SOMBRA QUE NASCEU
NESSA FRONTEIRA DE TRAVOS NOCIVOS
E PARTI P´RA ONDE O VENTO CRESCEU
SEM AS ALGEMAS DOS CORPOS CATIVOS.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, ontem, em casa, 11 de Junho de 2012, às 22h30.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 12 de Junho de 2012, às 12H58, e concluído, às 13H53 do dia 12 de junho de 2012.
segunda-feira, 11 de junho de 2012
AFLUENTES POEMÁTICOS - XIV - O SORRISO DAS TERNURAS
NO RECANTO DAS ROTURAS
HÁ O TRANSTORNO
DO ABANDONO,
HÁ AS RAZÕES MAIS OBSCURAS
QUE ILUSÕES APAGAM
AOS DEDOS QUE AFAGAM.
NO ENCANTO DAS MOLDURAS
QUE ESCONDEM MEMÓRIAS
E VÃS GLÓRIAS
HÁ UM ESPANTO QUE MURMURAS
AOS CONTOS QUE PASSAM
ENTRE CORES QUE SE ENLAÇAM
NA BREVIDADE
DO PASSADO ARDENTE
NA OCIOSIDADE
DO FUTURO NASCENTE.
NO DOCE CANTO DAS CURAS
HÁ PALAVRAS QUE MOIRAM
E LAVRAS QUE DOIRAM
O SORRISO DAS TERNURAS.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 11 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H26.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 11 de Junho de 2012, às 15H27, e, concluído, às 15H56 do dia 11 de Junho de 2012.
HÁ O TRANSTORNO
DO ABANDONO,
HÁ AS RAZÕES MAIS OBSCURAS
QUE ILUSÕES APAGAM
AOS DEDOS QUE AFAGAM.
NO ENCANTO DAS MOLDURAS
QUE ESCONDEM MEMÓRIAS
E VÃS GLÓRIAS
HÁ UM ESPANTO QUE MURMURAS
AOS CONTOS QUE PASSAM
ENTRE CORES QUE SE ENLAÇAM
NA BREVIDADE
DO PASSADO ARDENTE
NA OCIOSIDADE
DO FUTURO NASCENTE.
NO DOCE CANTO DAS CURAS
HÁ PALAVRAS QUE MOIRAM
E LAVRAS QUE DOIRAM
O SORRISO DAS TERNURAS.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 11 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H26.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 11 de Junho de 2012, às 15H27, e, concluído, às 15H56 do dia 11 de Junho de 2012.
SUORES FICCIONISTAS - III - UM ADEUS REDENTOR
Acordou cedo. Levantou-se com a lâmina do mau-humor a rasgar-lhe o ventre da disposição. Entrou na casa-de-banho e desafiou o espelho a reflectir as sombras que se acumulavam nos vincos do seu rosto. Ligou o chuveiro. Como se fosse uma vingança exercida sobre si próprio lavou o corpo com o esplendor feroz da água fria. Limpou o corpo como quem engraxa sapatos, em uma viela qualquer da cidade, ainda meia adormecida. Com a toalha ao ombro, foi assobiando "Night and Day", de Cole Porter, enquanto se preparava para fazer a barba. Passou a espuma pelo rosto, olhou, de novo, para o espelho, e, subitamente, desistiu de se barbear. Brincou com a espuma que lhe moldava o rosto. Viu-se com pera, com bigode e, esclarecido pelos reflexos da imaginação, lavou o rosto. Gostou de se ver com a barba levemente crescida. Depois, com os flirts dos desejos a aflorarem-lhe a consciência, mergulhou numa espécie de torpor melancólico. Vestiu umas calças de ganga coçada, uma camisa preta, umas meias brancas e calçou uns moucassins que, há muito, permaneciam abandonados entre o seu calçado. Pegou no telemóvel, ligou para o emprego e, sem hesitações, despediu-se. Retirou do seu guarda-fato uma pequena mala. Encheu-a com alguma roupa e com um par de sapatos velhos. De um canto do seu quarto, apanhou a sua mochila preferida e, nela, colocou dois livros que escolheu, ao acaso, na sua estante onde permaneciam esquecidos um número incontável de livros que os seus olhos se haviam esquecido de folhear. Passou os seus dedos pelos seus cabelos pretos e ondulados, escondeu os seus olhos esverdeados por detrás de uns óculos escuros e abandonou a casa onde vivia há vinte anos. Chamou um taxi pelo telemóvel e, já no seu interior, pediu ao motorista que o levasse para o aeroporto. Em um dos seus balcões comprou um bilhete para a Tailândia. Era o primeiro voo que saía do país. Sentou-se a um canto, esperando. Fugir de si próprio era o sentimento que, subitamente, se tinha alastrado pelo seu cérebro, cansado de se vestir com a monotonia da vida que era vivida sob o alcatrão de um vírus que lhe cegava a visão de um futuro com o qual deixara de pactuar. Meio adormecido, lambeu as feridas do passado, sentindo, nos seus lábios, o formigueiro de um rosnar que lhe armava o sangue com o fulgor de uma carícia fecundadora. Um adeus redentor.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 11 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H11.
Escrito, directamente, no blogue, na Bilbioteca Nacional, no dia 11 de Junho de 2012, às 14H12, e, concluído, às 15H10 do dia 11 de Junho de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 11 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H11.
Escrito, directamente, no blogue, na Bilbioteca Nacional, no dia 11 de Junho de 2012, às 14H12, e, concluído, às 15H10 do dia 11 de Junho de 2012.
ZIPS SONOROS - VII - ORANGE JUICE
A partir do Do It Yourself (DIY) e o movimento que originou o nascimento de um sem número de editoras independentes, nos finais da década de 70, princípios da década de 80, achei que seria interessante escrever sobre alguns grupos e algumas editoras independentes, sem quaisquer preocupações cronológicas. Assim, este primeiro espaço será dedicado ao grupo Orange Juice e à sua editora Postcard.
A história do grupo teve o seu berço na cidade escocesa de Glasgow, que se baptizou com o nome de Nu-Sonics em 1977, tendo como membros Edwin Collins, Stephen Daly, James Kirk e Alan Duncan que viria a ser substituído por David McClymont quando o grupo se transformou em Orange Juice, em 1979. Os sons dos Doors e dos Velvet Underground influenciaram o design sonoro do grupo que gravaram o seu primeiro 7”, em 1980, para a editora Postcard que, entretanto, fora fundada por Alan Horne, em 1979, na cidade de Glasgow, ano em que os Orange Juice assinaram pela aquela editora.
Discografia dos Orange Juice para a Postcard:
Fevereiro de 1980 – 7” – “Falling and Laughing/Moscow”
Agosto de 1980 - 7” - “Blue Boy/Lovesick”
Dezembro de 1980 – 7” – “Simply Thrilled Honey/Breakfast Time”
Março de 1981 – 7” – “Poor Old Soul/Pt 2”
Julho de 1982 – CD – “Ostrich Churchyard” – Ao vivo em Glasgow
Julho de 1983 – CD – “The Heather´s On Fire” – Contém todos os 7” gravados para Postcard.
Alan Horne afirmava que os sons dos grupos que gravavam para a sua editora, representavam “The Sound of The Young Scotland”, como contraponto ao “The Sound of Young América” da editora Estado Unidense, Tamla Motown.Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 11 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H52.
A história do grupo teve o seu berço na cidade escocesa de Glasgow, que se baptizou com o nome de Nu-Sonics em 1977, tendo como membros Edwin Collins, Stephen Daly, James Kirk e Alan Duncan que viria a ser substituído por David McClymont quando o grupo se transformou em Orange Juice, em 1979. Os sons dos Doors e dos Velvet Underground influenciaram o design sonoro do grupo que gravaram o seu primeiro 7”, em 1980, para a editora Postcard que, entretanto, fora fundada por Alan Horne, em 1979, na cidade de Glasgow, ano em que os Orange Juice assinaram pela aquela editora.
Discografia dos Orange Juice para a Postcard:
Fevereiro de 1980 – 7” – “Falling and Laughing/Moscow”
Agosto de 1980 - 7” - “Blue Boy/Lovesick”
Dezembro de 1980 – 7” – “Simply Thrilled Honey/Breakfast Time”
Março de 1981 – 7” – “Poor Old Soul/Pt 2”
Julho de 1982 – CD – “Ostrich Churchyard” – Ao vivo em Glasgow
Julho de 1983 – CD – “The Heather´s On Fire” – Contém todos os 7” gravados para Postcard.
Alan Horne afirmava que os sons dos grupos que gravavam para a sua editora, representavam “The Sound of The Young Scotland”, como contraponto ao “The Sound of Young América” da editora Estado Unidense, Tamla Motown.Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 11 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H52.
CRITICARTE - X - TOM SHARPE
Há escritores altamente conceituados e há outros que nem por isso. O escritor escolhido é um dos que nem por isso, mas, como já afirmei anteriormente, as escolhas são, acima de tudo, pessoais. Tom Sharpe é um escritor que adoro ler, porque é corrosivo, implacável no cinismo, no sarcasmo e subversivo na forma como arrasa e anarquiza os costumes e outros afins.
Tom Sharpe nasceu, em 1928, em Inglaterra, estudou em Cambridge, cumpriu o serviço militar nos Fuzileiros Navais, partiu para a África do Sul, em 1951, onde trabalhou no Departamento de Assuntos Não Europeus e leccionou no Natal. Manteve um estúdio de fotografia em Pietermantzburgo, entre 1957 e 1961, ano em que foi expulso da África do Sul por motivos políticos. De regresso a Inglaterra leccionou História no colégio de Artes e Tecnologia de Cambridge.
Aconselho os leitores que se queiram iniciar com a escrita de Sharpe, que leiam, primeiro, o livro “Wilt” que os porá ao corrente do estilo de enredos que são habituais em Sharpe.
O livro escolhido intitula-se “Vícios Ancestrais”, cujo tema gira à volta de um tal Lorde Petrefact, último abencerragem de uma dinastia de capitalistas corruptos que decide encomendar a um conceituado académico de esquerda, o Professor Yapp, a história da sua família.
“Walden Yapp viajou até Fawcett em carro alugado. Quando ia a qualquer sítio geralmente ia de comboio, mas a Fawcett House não ficava perto de nenhuma estação de comboio e a consulta de Doris, o computador, tinha apenas confirmado que não havia autocarro, nem nenhuma outra forma de transporte público que ele pudesse usar para chegar até lá. E Yapp recusava-se a possuir carro próprio em parte, porque acreditava que o Estado é que devia possuir tudo, em parte por causa das ideias conservadoras que Lorde Petrefact tão bem tinha diagnosticado, mas acima de tudo, porque Doris tinha chamado a atenção para o facto das 12 a 75 libras necessárias para manter o carro podiam comprar comida e medicamentos suficientes para manter vivas 24 crianças do Bangladesh. Por outro lado ela rebatia este argumento demonstrando que se comprasse um carro estava a dar emprego a cinco trabalhadores britânicos da indústria automóvel, a dois alemães, a um meio japonês, conforme a marca que escolhesse. Depois de uma luta com a sua consciência sobre se devia permitir que cinco trabalhadores britânicos fossem desempregados, Yapp decidira-se por não ter carro nenhum e doar o dinheiro poupado à Oxfam com a triste conclusão de que era mais possível manter dois administradores sentados à secretária do que alimentar os que morrem à fome noutro sítio qualquer.”
Eu sei que os gostos se discutem e este meu é, provavelmente, altamente discutível, mas o humor não é um reconhecimento uniforme entre os que o apreciam, por isso o leitor que se atrever a lê-lo, decidirá, por si, se valerá a pena ou não, a leitura.Oeiras, 07/11/2009 – Jorge Brasil Mesquita
Moinho das Antas, 10/01/2010 - Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 11 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H40.
Tom Sharpe nasceu, em 1928, em Inglaterra, estudou em Cambridge, cumpriu o serviço militar nos Fuzileiros Navais, partiu para a África do Sul, em 1951, onde trabalhou no Departamento de Assuntos Não Europeus e leccionou no Natal. Manteve um estúdio de fotografia em Pietermantzburgo, entre 1957 e 1961, ano em que foi expulso da África do Sul por motivos políticos. De regresso a Inglaterra leccionou História no colégio de Artes e Tecnologia de Cambridge.
Aconselho os leitores que se queiram iniciar com a escrita de Sharpe, que leiam, primeiro, o livro “Wilt” que os porá ao corrente do estilo de enredos que são habituais em Sharpe.
O livro escolhido intitula-se “Vícios Ancestrais”, cujo tema gira à volta de um tal Lorde Petrefact, último abencerragem de uma dinastia de capitalistas corruptos que decide encomendar a um conceituado académico de esquerda, o Professor Yapp, a história da sua família.
“Walden Yapp viajou até Fawcett em carro alugado. Quando ia a qualquer sítio geralmente ia de comboio, mas a Fawcett House não ficava perto de nenhuma estação de comboio e a consulta de Doris, o computador, tinha apenas confirmado que não havia autocarro, nem nenhuma outra forma de transporte público que ele pudesse usar para chegar até lá. E Yapp recusava-se a possuir carro próprio em parte, porque acreditava que o Estado é que devia possuir tudo, em parte por causa das ideias conservadoras que Lorde Petrefact tão bem tinha diagnosticado, mas acima de tudo, porque Doris tinha chamado a atenção para o facto das 12 a 75 libras necessárias para manter o carro podiam comprar comida e medicamentos suficientes para manter vivas 24 crianças do Bangladesh. Por outro lado ela rebatia este argumento demonstrando que se comprasse um carro estava a dar emprego a cinco trabalhadores britânicos da indústria automóvel, a dois alemães, a um meio japonês, conforme a marca que escolhesse. Depois de uma luta com a sua consciência sobre se devia permitir que cinco trabalhadores britânicos fossem desempregados, Yapp decidira-se por não ter carro nenhum e doar o dinheiro poupado à Oxfam com a triste conclusão de que era mais possível manter dois administradores sentados à secretária do que alimentar os que morrem à fome noutro sítio qualquer.”
Eu sei que os gostos se discutem e este meu é, provavelmente, altamente discutível, mas o humor não é um reconhecimento uniforme entre os que o apreciam, por isso o leitor que se atrever a lê-lo, decidirá, por si, se valerá a pena ou não, a leitura.Oeiras, 07/11/2009 – Jorge Brasil Mesquita
Moinho das Antas, 10/01/2010 - Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 11 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H40.
MEMÓRIAS SONORAS - VIII - "INDIAN RESERVATION"
Esta VIII Memória Sonora leva-me ao Sudueste dos Estados Unidos da América e à tribo dos Índios Cherokees que habitavam uma zona, localizada entre Os Apalaches e o rio Tennessse, tendo como dialecto o Iroquês. Os Cherokees sofreram, como muitas outras tribos, os efeitos da expedição espanhola de 1513 e das invasões colonizadoras francesas, inglesas e norte-americanas, que, além da guerra, provocaram a doença, o êxodo e a sua decadência.
O dialecto dos Cherokees foi o primeiro a possuir a sua própria escrita, um silabário criado por Sequoyah (1770 – 1843), formado por 86 sílabas, a criar uma Bíblia, um jornal bilingue “The Cherokee Phoenix” e uma Constituição escrita, como forma de escapar à opressão branca das décadas de 1830 e 1840.
Os Cherokees, juntamente com as tribos dos Choctaws, dos Chickasaws, dos Seminolas e dos Creeks, que eram consideradas as “cinco tribos civilizadas” por serem as que melhor se tinham adaptado ao homem branco, foram incluídas no Indian Removal Act de 1830, projectado pelo Presidente dos Estados Unidos da América, Andrew Jackson (1767 – 1845), que consistiu em proibir a permanência daquelas cinco tribos, a leste do rio Mississípi, obrigando-as a marchas forçadas que provocaram milhares de vítimas, marcha que ficou conhecida como a Rota das Lágrimas ou o Lamento dos Cherokees que é o tema da memória sonora “Indian Reservation”, interpretado pelo grupo Raiders, em 1970.
Os Raiders são os descendentes directos do grupo Paul Revere and The Raiders que, inicialmente, se chamaram Downbeats, cuja constituição se restringia a Paul Revere e a Mark Lindsay, formação criada em 1959, Caldwell, Idaho, EUA. Posteriormente, com a inclusão de Drake Levin, Mike Holliday, Michael Smith e, mais tarde, Phil Volk, o grupo passou a denominar-se Paul Revere and The Nightriders, antes de se fixarem no nome definitivo, Paul Revere and The Raiders que obtiveram alguns sucessos na década de 60, como, por exemplo, “Stepping Out” e “Just Like Me”, em 1965; “Kicks” e “Hungry”, em 1966; “Good Thing” e “Him or Me – What´s Gonna Be”, em 1967 e, finalmente, após os abandonos de Paul Revere e Mark Lindsay e reduzidos ao nome de Raiders, obtiveram o seu maior sucesso, com “Indian Reservation”, dedicada aos Cherokees e que é a memória sonora de hoje.
Fonte: “Os Índios da América do Norte” de Larry J. Zimmerman, com tradução de Sofia Gomes e editado pela Tema e Debates.
www.youtube.com/watch?v=DsMQbedCZj0
The Raiders
Indian Reservation lyrics
Songwriters: Loudermilk, John
They took the whole Cherokee nation
Put us on this reservation
Took away our ways of life
The tomahawk and the bow and knife
Took away our native tongue
And taught their English to our young
And all the beads we made by hand
Are nowadays made in Japan
Cherokee people, Cherokee tribe
So proud to live, so proud to die
They took the whole Indian nation
Locked us on this reservation
Though I wear a shirt and tie
I'm still part redman deep inside
Cherokee people, Cherokee tribe
So proud to live, so proud to die
But maybe someday when they learn
Cherokee nation will return, will return, will return, will return, will returnOeiras, 25/10/2009 – Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 11 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H25.
O dialecto dos Cherokees foi o primeiro a possuir a sua própria escrita, um silabário criado por Sequoyah (1770 – 1843), formado por 86 sílabas, a criar uma Bíblia, um jornal bilingue “The Cherokee Phoenix” e uma Constituição escrita, como forma de escapar à opressão branca das décadas de 1830 e 1840.
Os Cherokees, juntamente com as tribos dos Choctaws, dos Chickasaws, dos Seminolas e dos Creeks, que eram consideradas as “cinco tribos civilizadas” por serem as que melhor se tinham adaptado ao homem branco, foram incluídas no Indian Removal Act de 1830, projectado pelo Presidente dos Estados Unidos da América, Andrew Jackson (1767 – 1845), que consistiu em proibir a permanência daquelas cinco tribos, a leste do rio Mississípi, obrigando-as a marchas forçadas que provocaram milhares de vítimas, marcha que ficou conhecida como a Rota das Lágrimas ou o Lamento dos Cherokees que é o tema da memória sonora “Indian Reservation”, interpretado pelo grupo Raiders, em 1970.
Os Raiders são os descendentes directos do grupo Paul Revere and The Raiders que, inicialmente, se chamaram Downbeats, cuja constituição se restringia a Paul Revere e a Mark Lindsay, formação criada em 1959, Caldwell, Idaho, EUA. Posteriormente, com a inclusão de Drake Levin, Mike Holliday, Michael Smith e, mais tarde, Phil Volk, o grupo passou a denominar-se Paul Revere and The Nightriders, antes de se fixarem no nome definitivo, Paul Revere and The Raiders que obtiveram alguns sucessos na década de 60, como, por exemplo, “Stepping Out” e “Just Like Me”, em 1965; “Kicks” e “Hungry”, em 1966; “Good Thing” e “Him or Me – What´s Gonna Be”, em 1967 e, finalmente, após os abandonos de Paul Revere e Mark Lindsay e reduzidos ao nome de Raiders, obtiveram o seu maior sucesso, com “Indian Reservation”, dedicada aos Cherokees e que é a memória sonora de hoje.
Fonte: “Os Índios da América do Norte” de Larry J. Zimmerman, com tradução de Sofia Gomes e editado pela Tema e Debates.
www.youtube.com/watch?v=DsMQbedCZj0
The Raiders
Indian Reservation lyrics
Songwriters: Loudermilk, John
They took the whole Cherokee nation
Put us on this reservation
Took away our ways of life
The tomahawk and the bow and knife
Took away our native tongue
And taught their English to our young
And all the beads we made by hand
Are nowadays made in Japan
Cherokee people, Cherokee tribe
So proud to live, so proud to die
They took the whole Indian nation
Locked us on this reservation
Though I wear a shirt and tie
I'm still part redman deep inside
Cherokee people, Cherokee tribe
So proud to live, so proud to die
But maybe someday when they learn
Cherokee nation will return, will return, will return, will return, will returnOeiras, 25/10/2009 – Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 11 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H25.
sábado, 9 de junho de 2012
DIA DEZ DE JUNHO DE 2012 - CELEBRAÇÕES
O dia dez de Junho é, antes de qualquer outra celebração de vícios, o dia de Camões. Quem terá sido Camões? Um pobre vate que, num dia atravessado pelos rudimentos da razão, se atreveu a construir uma Epopeia. Um poeta a quem meia dúzia de pindéricos ousa besuntar com elogios fúnebres, como se tratasse de um renegado da lírica lusitana. Ora se Camões é um ilustre pregador da Cultura Nacional e o dia dez é, ou deveria sê-lo, para o relembrar, o dia deveria chamar-se o Dia da Cultura Portuguesa, em que se deveria festejar, através de várias manifestações de ídole cultural, o que de melhor se faz na criação cultural portuguesa. Porém sou vilmente enganado pelos poderes públicos que transformaram o dia, num dia de agraciados. Agraciados pela graça divina de tudo serem, menos o de representarem a Cultura Portuguesa. Para o disfarçarem resolveram apelidá-la de o Dia das Comunidades Portuguesas ou qualquer outro nome pomposo, o que vai dar tudo ao mesmo, que é uma faceta jocosa de enganar os tolos e de sabotarem a figura do ilustre vate. Agraciado por um pirilampo sagrado, sugiro, que devem, para descanso das almas penadas que presidem ao dia, agraciar com uma Comenda de uma Ordem qualquer, o poeta Camões, que do seu túmulo ignorado lhes dedicaria um soneto brejeiro, como forma de agradecimento. Pobre Camões!
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 09 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H06
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 09 de Junho de 2012, às 15H06, e, concluído, às 15H44 do dia 09 de Junho de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 09 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H06
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 09 de Junho de 2012, às 15H06, e, concluído, às 15H44 do dia 09 de Junho de 2012.
ESPIRROS - V - ÓDIO
O ÓDIO É O AMOR CONVERTIDO PELA REVOLTA DO CIÚME.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 09 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H13.
Escrito, directamente, no blogue, no dia 09 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H14, e, concluído, às 14H16 do dia 09 de Junho de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 09 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H13.
Escrito, directamente, no blogue, no dia 09 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H14, e, concluído, às 14H16 do dia 09 de Junho de 2012.
LABIRINTOS - I - G
Há galões de galanteios governados pelos galantes das gáveas que as galés guardam aos graves da sua gravidade. Que gravidade?
Pareço o que não sou e sou o que não pareço.
Há gerações gulosas que giram em gotas de gozo, gotejando os gavetões dos gomos sem as gamelas da gravidade. Que gravidade?
Sou escorreito e pegajoso, colado às pegas que se pegam e aos corrimãos que me escorregam.
Há gritos nas gretas das grutas que grelham as grilhetas, gamando aos goivos que gizam às gratidões das gravatas o que germina nas goelas dos gambozinos da gravidade. Que gravidade?
Sou invisível na invisibilidade de ser visível, quando não há visibilidade. Sou o que vejo e vejo o que não sou.
Há gritos que são galos dos garrotes, gatinhando como os gatos gelatina nos gumes das guilhotinas, gravadas com as grelhas da gravidade. Que gravidade?
Sou a espera que desespera a fera que sou, quando não sou o que se espera, entre o desespero da fera que não se é e a fera que se desespera para o ser.
A grua do grotesco é a gralha que galvaniza o grosso grifo com a gordura do giz que glorifica os gingões que grasnam contra as ganâncias dos golpes da gravidade. Que gravidade?
Sou um escape que escapa às escapadelas da realidade virtual e sou virtual na virtualidade de não o ser.
Há gamos que golpeiam as grainhas dos galopes sem as guelras dos gauleses, que não sendo da Gália, são o gáudio dos garimpeiros que, em grupo de guaches, gramam a gravidade. Que gravidade?
Sou a finalidade de um fim sem ser o final de uma finalidade, porque o fim não é uma finalidade em si. É só um fim que não tem fim.
Os gemidos das giboias são a glucose das guloseimas que o gamão goleia, quando as gotículas das suas gripes giram nos Galápagos da sua gravidade. Que gravidade?
Sou uma candeeiro sem luz, na avenida das luzes. Se me acendo deixo de ver e vejo o que não devia ver. As luzes das avenidas são candeeiros que se apagam, se o meu se acende. As luzes são filhas de verdades diferentes. Luzem por luzir e não se apagam para luzir sobre o que é luz, sem o ser.
Centro Cultural de Belém, 27/12/2009 - Jorge Brasil Mesquita - 15H45. Jorge Manuel Brasil Mesquita. Recriado, em 09 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H23.
sexta-feira, 8 de junho de 2012
CORRUPIOS - I
Não há pinturas que revelem o olhar da fome porque o pastel da fortuna é um parágrafo de Vikings nos mares da violência. A violência é a consciência da inconsciência que se rebela contra os quistos das sociedades que se pariram nos degraus da ascensão à insanidade. A vida é uma excentricidade das docas do tempo onde os veleiros das tempestades humanas registam, nos fusos horários das grelhas ridículas, os ímanes irresponsáveis das atracções mútuas. Os olhos são ímanes, as bocas, que desferem os golpes da hipocrisia, são paliativos mutantes na escala da degradação carnavalesca. Carnaval da carne, carnaval das ficções que seleccionam, nos actos dos seus capítulos, o ostracismo dos devotos orgânicos. O ostracismo é a fidelidade canina dos vícios amputados pela esquizofrenia das diásporas futuras. As diásporas são ruínas de tempo, no tempo das vicissitudes inamovíveis. Olha-se, descrê-se, e parte-se para onde qualquer vingança é o fruto de uma dinastia sabática. Os ritmos que se criam à moléstia das fibroses flibusteiras, avançam pelos guindastes que, nos cais das angústias, acicatam as luxúrias da penúria. A penúria é a sombra do medo, é o asfalto do alcatrão torturado pela azáfama dos cachimbos fumados sem a paz da conformidade voluntária. Escreve-se paz com os idiomas do ódio estampados nos estampidos das rotas corrompidas pela teatralidade da fonética rocambolesca. O surto da representação é o furto da solidão. A idade da caligrafia que a alimenta é um fenómeno cuja a existência se vinca para lá de todas as modéstias. E não há modéstia sem as vaidades comuns das idolatrias engraxadas pelas pomadas dos dinamismos eróticos. A prosa vai longa e a estima dos seus corredores são a incógnita dos seus apertos finais. Que os atacadores se desapertem e que o calçado se descalce. A vida continua porque eu sou filho da Lua e do Sol que se espanta com os raios da sua eloquência. A luz, em ambos, são tempêros da Vida ilustre. Que a sua resistência, resista.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 08 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H42.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 08 de Junho de 2012, às 15H43, e, concluído, às 16H27 do dia 08 de Junho de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 08 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H42.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 08 de Junho de 2012, às 15H43, e, concluído, às 16H27 do dia 08 de Junho de 2012.
CANÇÃO - XI - ESTA CANÇÃO QUE ESCREVO
ESTA CANÇÃO QUE ESCREVO
È A KATEMBE QUE BEBO
P´RA ESQUECER O RELEVO
QUE OFEREÇO AO QUE CONCEBO
NO NEVOEIRO DA ILUSÃO
NO RIBEIRO DA POÇÃO
COM QUE UNTO A PELE NUA
E ME APAGA ESSE OLHAR
QUE EM ABRAÇOS DE LUAR
ME BEBE AO CORPO QUE SUA
LAMENTOS DE ODOR
ALENTOS DE AMOR.
ESTES VERSOS QUE VERCEJO
SOBRE AS TECLAS DE UM PIANO
SÃO PALAVRAS QUE DESEJO
SÃO AS LAVRAS DO URBANO
QUE TE BORDA A AURORA
COM A CORDA QUE TE CHORA
E ME AMARRA AO TORMENTO
DE NÃO BEBER O SORRISO
DE NÃO SORVER O PARAÍSO
QUE SE AGARRA AO UNGUENTO
QUE LIBERA A COR
DA QUIMERA EM FLOR.
TODO A TI ME ENTREGO
NESTA CÂMARA SEDENTA
TODO AQUI ME EMPREGO
ACTOR, TÂMARA CIUMENTA
DA BOCA QUE ME REPROVA
E OCA NÃO ME RENOVA
O SENTIDO DE SENTIR
O QUE O CORPO DORMENTE
ESQUECIDO SÓ DESMENTE
SE O OLHAR TEU SORRIR
À PELE QUE TOCA
COM O MEL DA ROCA.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criada, em 08 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H14.
Escrita, directamente, no blogue, no dia 08 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H16, e, concluída, às 14H50 do dia 08 de Junho de 2012.
È A KATEMBE QUE BEBO
P´RA ESQUECER O RELEVO
QUE OFEREÇO AO QUE CONCEBO
NO NEVOEIRO DA ILUSÃO
NO RIBEIRO DA POÇÃO
COM QUE UNTO A PELE NUA
E ME APAGA ESSE OLHAR
QUE EM ABRAÇOS DE LUAR
ME BEBE AO CORPO QUE SUA
LAMENTOS DE ODOR
ALENTOS DE AMOR.
ESTES VERSOS QUE VERCEJO
SOBRE AS TECLAS DE UM PIANO
SÃO PALAVRAS QUE DESEJO
SÃO AS LAVRAS DO URBANO
QUE TE BORDA A AURORA
COM A CORDA QUE TE CHORA
E ME AMARRA AO TORMENTO
DE NÃO BEBER O SORRISO
DE NÃO SORVER O PARAÍSO
QUE SE AGARRA AO UNGUENTO
QUE LIBERA A COR
DA QUIMERA EM FLOR.
TODO A TI ME ENTREGO
NESTA CÂMARA SEDENTA
TODO AQUI ME EMPREGO
ACTOR, TÂMARA CIUMENTA
DA BOCA QUE ME REPROVA
E OCA NÃO ME RENOVA
O SENTIDO DE SENTIR
O QUE O CORPO DORMENTE
ESQUECIDO SÓ DESMENTE
SE O OLHAR TEU SORRIR
À PELE QUE TOCA
COM O MEL DA ROCA.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criada, em 08 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H14.
Escrita, directamente, no blogue, no dia 08 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H16, e, concluída, às 14H50 do dia 08 de Junho de 2012.
quarta-feira, 6 de junho de 2012
AFLUENTES POEMÁTICOS - XIII - SEGREDO
SEGREDO A SEGREDO
ATRAVESSO O MEDO
CONSTRUO A MURALHA
AO TEMPO QUE FALHA
NA CLARA MANHÃ
DA PALAVRA VÃ.
DESGOSTO A DESGOSTO
DESPREZO O GOSTO
DA VIDA QUE GRITA
À ALMA AFLITA
QUE O BERÇO DA DOR
É A VOZ SEM COR
NO PRANTO DA CAMA
QUE SECA SEM CHAMA
AS HARPAS DA VIDA
QUE A MORTE VENDIDA
ACORDA VENCIDA
SEM VOZ E SEM RAIZ
QUE A FAÇA FELIZ.
NO PORTO DA FOZ
O CAIS DO NAVIO
QUE SOPRA FEROZ
A FOME DO RIO
É ONDE EU PASSO
COM ESTE ABRAÇO
QUE VESTE LASSO
A VIDA QUE LAÇO.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 06 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 17H03
Escrito, directamente, no blogue, no dia 06 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 17H04, e, concluído, às 17H37 do dia 06 de junho de 2012.
ATRAVESSO O MEDO
CONSTRUO A MURALHA
AO TEMPO QUE FALHA
NA CLARA MANHÃ
DA PALAVRA VÃ.
DESGOSTO A DESGOSTO
DESPREZO O GOSTO
DA VIDA QUE GRITA
À ALMA AFLITA
QUE O BERÇO DA DOR
É A VOZ SEM COR
NO PRANTO DA CAMA
QUE SECA SEM CHAMA
AS HARPAS DA VIDA
QUE A MORTE VENDIDA
ACORDA VENCIDA
SEM VOZ E SEM RAIZ
QUE A FAÇA FELIZ.
NO PORTO DA FOZ
O CAIS DO NAVIO
QUE SOPRA FEROZ
A FOME DO RIO
É ONDE EU PASSO
COM ESTE ABRAÇO
QUE VESTE LASSO
A VIDA QUE LAÇO.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 06 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 17H03
Escrito, directamente, no blogue, no dia 06 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 17H04, e, concluído, às 17H37 do dia 06 de junho de 2012.
AFLUENTES POEMÁTICOS - XII - AMPULHETA
OS PONTEIROS DO TEMPO
SÃO DEDOS DE AREIA
EM AMPULHETAS DE SONHO.
A AREIA FINA QUE ESCORRE
PELOS LÁBIOS DA VIDA,
TEMPERA A NOITE DOS DIAS,
ASSOBIA VENTOS DE MORTE
E ACORDA, À ROUPA DO OLHAR,
OS TRÉMULOS CANDEEIROS
DAS VOZES QUE SE AFOGAM
NA CLARIDADE DOS DEDOS,
ESSA LUZ MINÚSCULA
QUE SE ASSOMBRA
COM O VÍCIO DE SE ESTAR VIVO
EM OUTRAS SAFRAS,
QUE NÃO A VOZ INFINITA,
VESPA DE ESTRANHOS FOGOS
QUE PICA A CARNE DOCE
PARA QUE O AMARGO
SEJA OS DEDOS DA AMPULHETA
QUE, EM FEBRES DE OCASO,
DELEITEM AS AGONIAS DO TEMPO.
OS PONTEIROS,
CADÊNCIAS DE VIDA,
APONTAM A GINÁSTICA DO INFINITO,
PARA ESCAPAREM À AREIA DOS DEDOS.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 05 de Junho de 2012, à noite, em casa, e, na Biblioteca Nacional, às 15H12.
Escrito, directamente, no blogue, no dia 06 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H13, e, concluído, às 15H34 do dia 06 de Junho de 2012.
SÃO DEDOS DE AREIA
EM AMPULHETAS DE SONHO.
A AREIA FINA QUE ESCORRE
PELOS LÁBIOS DA VIDA,
TEMPERA A NOITE DOS DIAS,
ASSOBIA VENTOS DE MORTE
E ACORDA, À ROUPA DO OLHAR,
OS TRÉMULOS CANDEEIROS
DAS VOZES QUE SE AFOGAM
NA CLARIDADE DOS DEDOS,
ESSA LUZ MINÚSCULA
QUE SE ASSOMBRA
COM O VÍCIO DE SE ESTAR VIVO
EM OUTRAS SAFRAS,
QUE NÃO A VOZ INFINITA,
VESPA DE ESTRANHOS FOGOS
QUE PICA A CARNE DOCE
PARA QUE O AMARGO
SEJA OS DEDOS DA AMPULHETA
QUE, EM FEBRES DE OCASO,
DELEITEM AS AGONIAS DO TEMPO.
OS PONTEIROS,
CADÊNCIAS DE VIDA,
APONTAM A GINÁSTICA DO INFINITO,
PARA ESCAPAREM À AREIA DOS DEDOS.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 05 de Junho de 2012, à noite, em casa, e, na Biblioteca Nacional, às 15H12.
Escrito, directamente, no blogue, no dia 06 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H13, e, concluído, às 15H34 do dia 06 de Junho de 2012.
CRITICARTE - IX - "NADA"
Pode-se amar um livro que se esgota com palavras em sentenças de sentidos que angustiam e deprimem o leitor? Há vidas de uma vida que são ciclos de respirações que pontuam, envelhecimentos ou amadurecimentos, ao longo dos túneis que nos descobrem a descoberta de quem se foi, é ou será. Estas foram as sensações que perpassaram por mim, ao ler o livro “Nada” da escritora espanhola Cármen Laforet.
Cármen Laforet nasceu na cidade catalã de Barcelona, em 1921. Dos dois aos 18 anos viveu em Las Palmas, Canárias. No final da Guerra Civil Espanhola, em 1939, regressou a Barcelona com o intuito de estudar Filosofia e Letras. Em 1944, Cármen que já vivia em Madrid inicia o romance que viria a ser publicado em 1945, vencendo com ele, o prémio Nadal.
O romance gira à volta da jovem Andrea que se aloja em casa de familiares, em Barcelona, com o objectivo de prosseguir os seus estudos, família pobre e meia enlouquecida com os anos cruéis da ocupação franquista. Segundo o escritor Mário Vargas LLosa, “Carmen Laforet relata com uma prosa entre exaltada e glacial, onde o que se cala é mais importante do que aquilo que se diz.”
“Estas visões assustadoras perseguiram-me naquele fim de Verão com uma monótona crueldade. Nos fins de tarde sufocantes, nas noites longuíssimas, carregadas de lânguido pesar, o meu coração aterrado recebia as imagens que a minha razão não era suficiente para desterrar.
Para afugentar os fantasmas, eu saía muito para a rua. Corria pela cidade debilitando-me inutilmente. Ia com o meu vestido preto, encolhido pela tinta e que cada vez me ficava mais largo. Corria instintivamente com o pudor do meu atavio demasiado miserável, fugindo dos bairros luxuosos e bem cuidados da cidade. Conheci os subúrbios com a sua coisa de mal-acabada e poeirenta. As ruas velhas atraíam-me mais.”
Cármen Laforet viria a falecer em 28 de Fevereiro de 2004, com 82 anos e na cidade de Madrid.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 06 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H19.
Cármen Laforet nasceu na cidade catalã de Barcelona, em 1921. Dos dois aos 18 anos viveu em Las Palmas, Canárias. No final da Guerra Civil Espanhola, em 1939, regressou a Barcelona com o intuito de estudar Filosofia e Letras. Em 1944, Cármen que já vivia em Madrid inicia o romance que viria a ser publicado em 1945, vencendo com ele, o prémio Nadal.
O romance gira à volta da jovem Andrea que se aloja em casa de familiares, em Barcelona, com o objectivo de prosseguir os seus estudos, família pobre e meia enlouquecida com os anos cruéis da ocupação franquista. Segundo o escritor Mário Vargas LLosa, “Carmen Laforet relata com uma prosa entre exaltada e glacial, onde o que se cala é mais importante do que aquilo que se diz.”
“Estas visões assustadoras perseguiram-me naquele fim de Verão com uma monótona crueldade. Nos fins de tarde sufocantes, nas noites longuíssimas, carregadas de lânguido pesar, o meu coração aterrado recebia as imagens que a minha razão não era suficiente para desterrar.
Para afugentar os fantasmas, eu saía muito para a rua. Corria pela cidade debilitando-me inutilmente. Ia com o meu vestido preto, encolhido pela tinta e que cada vez me ficava mais largo. Corria instintivamente com o pudor do meu atavio demasiado miserável, fugindo dos bairros luxuosos e bem cuidados da cidade. Conheci os subúrbios com a sua coisa de mal-acabada e poeirenta. As ruas velhas atraíam-me mais.”
Cármen Laforet viria a falecer em 28 de Fevereiro de 2004, com 82 anos e na cidade de Madrid.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 06 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H19.
MEMÓRIAS SONORAS - VII - "DON´T LOOK BACK IN ANGER"
Em 1956, o jornal inglês Daily Mail classificou o novelista Kingsley Amis (1922 – 1995), o dramaturgo e actor John Osborne ( 1929 – 1994), o escritor Colin Wilson e o dramaturgo Michael Hastings como os representantes da geração literária do pós-guerra e um outro jornal inglês, o Daily Express que, notando a hostilidade do quarteto para com a Cultura académica, caracterizou-os como os “Angry Young Man”.
Em 1954, Kingsley Amis publicou a novela “Lucky Jim”, cujo tema humorístico, centra-se em Jim Dixon, leitor de uma Universidade de província e a sua luta pela sobrevivência na vida académica.
Em Maio de 1956, o Royal Court Theatre levou à cena a peça “Look Back In Anger” de John Osborne, actor e desempregado, que um agente do teatro publicitou como tendo sido escrita por um Very Angry Young Man. A peça centra-se na figura do trompetista Jimmy Porter que é inimigo da burguesia e de uma sua representante, a sua mulher, Alison.
“The Outsider”, de Colin Wilson, denota a influência da alienação e da aspiração espiritual que condiziam com o sentimento da época. O livro transformou Colin, de um momento para o outro, no filósofo de café e equiparam-no aos existencialistas franceses.
Dixon e Porter são exemplares de um novo protagonista: o homem da classe média baixa que enceta todos os esforços, falhados, para se integrarem na burguesia.
O termo AYM acabou por se aplicar às pessoas politizadas que se manifestavam, frontalmente, contra o sistema social britânico.
A diferença que marca Dixon e Porter é a ausência de uma linha política que se manifesta numa declaração de Porter: “não restaram causas heróicas por que se lute”. A declaração, embora escrita antes da crise do Canal de Suez e da invasão soviética da Hungria, causou impacto quando foi radiodifundida entre os jovens.
Nas décadas posteriores, os AYM têm como modelos os escritores Irvine Welsh, Alan Waner e John King e entre interpretes da música popular como John Lennon, Johnny Rotten e os irmãos Gallaghers dos Oásis que compuseram um tema, curiosamente intitulado, “Don´t Look Back In Anger”, inspirada num fragmento de uma conversa de John Lennon.
Os Oásis formaram-se em 1992, em Manchester, Inglaterra, por Liam Gallagher, Paul Arthurs, Paul McGuigan e Tony McCarrol e que, inicialmente, se chamavam Rain. Posteriormente, Noel Gallagher juntou-se ao grupo e em 1993 assinaram contrato com a editora independente Creation Records de Alan MacGee, iniciando a sua ascensão musical, principalmente, com os álbuns “Definitely Maybe” em Agosto de 1994 e “(What´s The Story) Morning Glory?” em Outubro de 1995, onde se inclui a memória sonora de hoje “Don´t Look Back In Anger” que é um exemplo de composição que reflecte o amadurecimento da harmonização áspera do grupo.
www.dailymotion.com/video/xp7f_oasis-dont-look-back-in-anger_music
Don't Look Back In Anger Lyrics
Artist(Band):Oasis
Slip inside the eye of your mind
Don't you know you might find
A better place to play
You said that you'd never been allagher
But all the things that you've seen
Will slowly fade away
So I start a revolution from my bed
'Cause you said the Brains I had went to my head
Step outside the summertime's in bloom
Stand up beside the fireplace
Take that look from off your face
You ain't ever gonna burn my heart out
So Sally can wait, she knows it's too late as we're walking on by
Her soul slides away, but don't look back in anger
I heard you say
Take me to the place where you go
Where nobody knows, if it's night or day.
Please don't put your life in the hands
Of a Rock 'n Roll band
Who'll throw it all away
I'm gonna start the revolution from my bed
'Cos you said the Brains I had went to my head
Step outside cos summertime's in bloom
Stand up beside the fireplace
Take that look from off your face
Cos you ain't ever gonna burn my heart out
So Sally can wait, she knows it's too late as she's walking on by.
My soul slides away, but don't look back in anger
I heard you say
So Sally can wait, she knows it's too late as we're walking on by
Her soul slides away, but don't look back in anger
I heard you say
And So Sally can wait, she knows it's too late and she's walking on by
My soul slides away, but don't look back in anger, don't look back in anger
I heard you say
At least not today.
Noel Gallagher
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 06 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H05.
Em 1954, Kingsley Amis publicou a novela “Lucky Jim”, cujo tema humorístico, centra-se em Jim Dixon, leitor de uma Universidade de província e a sua luta pela sobrevivência na vida académica.
Em Maio de 1956, o Royal Court Theatre levou à cena a peça “Look Back In Anger” de John Osborne, actor e desempregado, que um agente do teatro publicitou como tendo sido escrita por um Very Angry Young Man. A peça centra-se na figura do trompetista Jimmy Porter que é inimigo da burguesia e de uma sua representante, a sua mulher, Alison.
“The Outsider”, de Colin Wilson, denota a influência da alienação e da aspiração espiritual que condiziam com o sentimento da época. O livro transformou Colin, de um momento para o outro, no filósofo de café e equiparam-no aos existencialistas franceses.
Dixon e Porter são exemplares de um novo protagonista: o homem da classe média baixa que enceta todos os esforços, falhados, para se integrarem na burguesia.
O termo AYM acabou por se aplicar às pessoas politizadas que se manifestavam, frontalmente, contra o sistema social britânico.
A diferença que marca Dixon e Porter é a ausência de uma linha política que se manifesta numa declaração de Porter: “não restaram causas heróicas por que se lute”. A declaração, embora escrita antes da crise do Canal de Suez e da invasão soviética da Hungria, causou impacto quando foi radiodifundida entre os jovens.
Nas décadas posteriores, os AYM têm como modelos os escritores Irvine Welsh, Alan Waner e John King e entre interpretes da música popular como John Lennon, Johnny Rotten e os irmãos Gallaghers dos Oásis que compuseram um tema, curiosamente intitulado, “Don´t Look Back In Anger”, inspirada num fragmento de uma conversa de John Lennon.
Os Oásis formaram-se em 1992, em Manchester, Inglaterra, por Liam Gallagher, Paul Arthurs, Paul McGuigan e Tony McCarrol e que, inicialmente, se chamavam Rain. Posteriormente, Noel Gallagher juntou-se ao grupo e em 1993 assinaram contrato com a editora independente Creation Records de Alan MacGee, iniciando a sua ascensão musical, principalmente, com os álbuns “Definitely Maybe” em Agosto de 1994 e “(What´s The Story) Morning Glory?” em Outubro de 1995, onde se inclui a memória sonora de hoje “Don´t Look Back In Anger” que é um exemplo de composição que reflecte o amadurecimento da harmonização áspera do grupo.
www.dailymotion.com/video/xp7f_oasis-dont-look-back-in-anger_music
Don't Look Back In Anger Lyrics
Artist(Band):Oasis
Slip inside the eye of your mind
Don't you know you might find
A better place to play
You said that you'd never been allagher
But all the things that you've seen
Will slowly fade away
So I start a revolution from my bed
'Cause you said the Brains I had went to my head
Step outside the summertime's in bloom
Stand up beside the fireplace
Take that look from off your face
You ain't ever gonna burn my heart out
So Sally can wait, she knows it's too late as we're walking on by
Her soul slides away, but don't look back in anger
I heard you say
Take me to the place where you go
Where nobody knows, if it's night or day.
Please don't put your life in the hands
Of a Rock 'n Roll band
Who'll throw it all away
I'm gonna start the revolution from my bed
'Cos you said the Brains I had went to my head
Step outside cos summertime's in bloom
Stand up beside the fireplace
Take that look from off your face
Cos you ain't ever gonna burn my heart out
So Sally can wait, she knows it's too late as she's walking on by.
My soul slides away, but don't look back in anger
I heard you say
So Sally can wait, she knows it's too late as we're walking on by
Her soul slides away, but don't look back in anger
I heard you say
And So Sally can wait, she knows it's too late and she's walking on by
My soul slides away, but don't look back in anger, don't look back in anger
I heard you say
At least not today.
Noel Gallagher
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 06 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H05.
terça-feira, 5 de junho de 2012
AFLUENTES POEMÁTICOS - XXII - VETO
ESTA FOME QUE DERRAMA
O DRAMA
QUE O OLHAR DECLAMA
É O VETO DA FERIDA
QUE A VIDA
EMANCIPA ESQUECIDA
DE QUEM EU SOU
SENDO O QUE SEREI
SE A MORTE QUE PASSOU
FOR QUEM EU SEI
EM TUDO O QUE AMEI.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 05 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 17H44.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 05 de Junho de 2012, às 17H45, e, concluído, às 18H05 do dia 05 de Junho de 2012.
O DRAMA
QUE O OLHAR DECLAMA
É O VETO DA FERIDA
QUE A VIDA
EMANCIPA ESQUECIDA
DE QUEM EU SOU
SENDO O QUE SEREI
SE A MORTE QUE PASSOU
FOR QUEM EU SEI
EM TUDO O QUE AMEI.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 05 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 17H44.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 05 de Junho de 2012, às 17H45, e, concluído, às 18H05 do dia 05 de Junho de 2012.
CISCOS DIÁRIOS - 05 DE JUNHO DE 2012
A vida é a sonolência do silêncio. Adoramos a impaciência da futilidade e a resistência da passividade. Desenhamos os argumentos das sequências que filmamos à apoteose da nossa vitimização. Somos coerentes na incoerência e divinizamos a inclemência do nosso subconsciente. Somos viajantes de uma vida irracional e somos empregados do raciocínio que se ausenta para parte incerta, mal a deformação do ruído que nos surpreende o declínio, se estende pela volatilidade da nossa natureza, fria e indómita, quando o cálculo da aspereza se embrulha nos novelos de uma respiração asmática. Não receamos o receio, mas congelamos as fugas da realidade, em frigoríficos de tragédias, insuflados pelos costumes da moralidade aparente. A vida é o consumo astral da impaciência e da impotência no jogo diário dos sumos colectivos. Bebem-se, sem medo, desconhece-se qual o seu prazo de validade. Ombreamos com o prazer da ostentação presumida e revelamos, encantados, a sépia confrangedora da nossa inércia. A mansidão não é um adjectivo, é um substantivo implacável. Dele, bebemos a sonolência do silêncio.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 05 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 16H35.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 05 de Junho de 2012, às 16H36, e, concluído, às 17H05 do dia 05 de Junho de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 05 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 16H35.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 05 de Junho de 2012, às 16H36, e, concluído, às 17H05 do dia 05 de Junho de 2012.
AFLUENTES POEMÁTICOS - XXI - RAIVA ASTUTA
SENTADO NA RAIVA DA DOR
SOU UM ANÚNCIO SEM RELEVO
NA ARTE DESTRONADA DO TEMPO,
UMA GAZELA DE OLHAR ASSUSTADO
NOS ARQUIVOS DA MEMÓRIA
ONDE NADA VIVE.
NEM LÁGRIMAS DE SAL,
NEM CORAGENS DE DESERTO.
SOU UM SACRIFÍCIO ANIMAL
NA ARDÓSIA SEDENTA DO ANONIMATO,
UMA SEBENTA EM QUE SE ESCREVE
O RISO DA PALAVRA SONÂMBULA,
O ESPELHO DOS REFLEXOS MUDOS
E AS VERTIGENS DAS OUSADIAS FALIDAS.
SOU UM MINEIRO SEM MINAS,
MAS CADA MINA ESCREVE
OS SOBRESSALTOS DAS NOITES ADULTAS
AS FRAGILIDADES DOS DIAS INFANTIS
PARA QUE A SOBREVIVÊNCIA
DE UMA RAIVA ASTUTA
SEJA A ARGÚCIA
DA RAZÃO QUE SE DESVENDA
À FLORESTA DA CARNE SECA.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 05 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H39.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 05 de Junho de 2012, às 15H40, e, concluído, às 16H06 do dia 05 de Junho de 2012.
SOU UM ANÚNCIO SEM RELEVO
NA ARTE DESTRONADA DO TEMPO,
UMA GAZELA DE OLHAR ASSUSTADO
NOS ARQUIVOS DA MEMÓRIA
ONDE NADA VIVE.
NEM LÁGRIMAS DE SAL,
NEM CORAGENS DE DESERTO.
SOU UM SACRIFÍCIO ANIMAL
NA ARDÓSIA SEDENTA DO ANONIMATO,
UMA SEBENTA EM QUE SE ESCREVE
O RISO DA PALAVRA SONÂMBULA,
O ESPELHO DOS REFLEXOS MUDOS
E AS VERTIGENS DAS OUSADIAS FALIDAS.
SOU UM MINEIRO SEM MINAS,
MAS CADA MINA ESCREVE
OS SOBRESSALTOS DAS NOITES ADULTAS
AS FRAGILIDADES DOS DIAS INFANTIS
PARA QUE A SOBREVIVÊNCIA
DE UMA RAIVA ASTUTA
SEJA A ARGÚCIA
DA RAZÃO QUE SE DESVENDA
À FLORESTA DA CARNE SECA.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 05 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H39.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 05 de Junho de 2012, às 15H40, e, concluído, às 16H06 do dia 05 de Junho de 2012.
HARMONICA BLUES - V
Acabado o blues, a poeira dos meus olhos desvaneceu-se. Os diabinhos rubros com rabinhos doirados - o Grul e o Grol - suspenderam a marcha dos skates. Diante de nós, o alcatrão estava entravado pelos buracos das saudades. Saudades da memória que, ora se expandia, ora se encolhia, perante as visões futuristas do seu passado assombrado. Mergulhei nas rotas de um deles e respirei a longa "Estrada" da sobrevivência, onde pai e filho inventam a solidariedade do amor. Em um outro buraco, divisei os vultos de Verlaine e de Rimbaud arrancando, aos flagelos da poesia, a incompreensão de um amor arrebatador. As saudades crisparam-se e, eu, incentivei o Grul e o Grol a movimentarem os skates com o ritmo da delicadeza poética. Depois de atravessar uma corrente de ar do Poente, parámos diante do belo Dorian Gray.
- Olá Dorian. Em que esperança vives?
- Não vivo de esperanças, mas da pintura, em que o Oscar Wilde, me eterniza, para glória dele, e para o espectáculo efémero das minhas cinzas.
Dito isto, Dorian, sentindo poisar na sua moldura um corvo negro, perguntou-lhe se sentia saudades do Poe, ao que ele lhe respondeu, "Nunca Mais".
O Grul e o Grol que não gostavam de corvos, sentaram-me nos skates e escaparam-se pela auto-estrada 999, sempre a caminho do Norte, que ficava a uma distância incalculável. Levei a harmónica aos beiços e despachei para o vento da eternidade, o blues, "Shake Your Maneymaker".
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 05 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H42.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 05 de Junho de 2012, às 14H43, e, concluído, às 15H17 do dia 05 de Junho de 2012.
- Olá Dorian. Em que esperança vives?
- Não vivo de esperanças, mas da pintura, em que o Oscar Wilde, me eterniza, para glória dele, e para o espectáculo efémero das minhas cinzas.
Dito isto, Dorian, sentindo poisar na sua moldura um corvo negro, perguntou-lhe se sentia saudades do Poe, ao que ele lhe respondeu, "Nunca Mais".
O Grul e o Grol que não gostavam de corvos, sentaram-me nos skates e escaparam-se pela auto-estrada 999, sempre a caminho do Norte, que ficava a uma distância incalculável. Levei a harmónica aos beiços e despachei para o vento da eternidade, o blues, "Shake Your Maneymaker".
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 05 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H42.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 05 de Junho de 2012, às 14H43, e, concluído, às 15H17 do dia 05 de Junho de 2012.
FISGADAS POLÍTICAS - IX - O SENHOR ANTÓNIO BORGES
Os meus olhos viram e nem queriam acreditar. O Senhor António Borges está, contratualmente, ligado ao Governo pela bonita soma de 225 mil euros, isentos de impostos, para, ao que se supõe, aconselhar o Governo. Primeira pergunta: não é a troika quem aconselha o Governo a implementar as medidas necessárias para que o país saia da Crise? Segunda pergunta: quanto ganha a Troika por fazer o mesmo que faz o Senhor António Borges? Em última análise, sendo o Senhor António Borges um funcionário do Estado não estará obrigado às regras de austeridade impostas pela Troika, como seja, descontar o que descontam outros funcionários do mesmo gabarito? Será que o seu salário não excede o vencimento do Senhor Presidente da República? Será isso aceitável? Será que recebe subsídios de férias e de Natal? Será que lhe vão aplicar as mesmas medidas que aos restante funcionários do Estado? Ou será que estamos perante uma Parceria Público Privada (PPP). Nesse caso, qual a desculpa para não fazer descontos? Se é a Troika quem dita as regras para o Governo governar, qual a emergência de haver outro ditador. O seu conselho mais vistoso resume-se a um corte de salários generalizado. Porque não começa pelo dele? Para mim e para todos os que já perceberam tamanho dislate, a palavra «outsourcing» é um subterfúgio estranjeirado para justificar o injustificável. O Senhor António Borges é um exemplo bárbaro de se demonstrar a forma como neste país se utilizam dualidades de critério quanto à forma de se Governar o ingovernável. Com o mal de muitos se paga o bem de poucos.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 05 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H32.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 05 de Junho de 2012, às 13H33, e, concluído, às 14h06 do dia 05 de Junho de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 05 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H32.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 05 de Junho de 2012, às 13H33, e, concluído, às 14h06 do dia 05 de Junho de 2012.
CRITICARTE - VIII - AL-TAYYEB SALIH
Agrada-me gastar algum tempo e espaço com um escritor africano e com um dos seus excelentes livros.Al-Tayyeb Salih nasceu no Sudão, em 1929. Frequentou o liceu em Cartum e trabalhou na estação inglesa da BBC, em Inglaterra, após a sua graduação. Dirigiu a Rádio Nacional Sudanesa e exerceu os cargos de Director Geral de Informação, no Quatar, Golfo Pérsico, e representou a UNESCO, igualmente, no Golfo Pérsico.O romance "Época da Migração para o Norte", editado em 2001, foi considerado o romance árabe, mais importante do século XX e inclui-se no conjunto de obras mais representativas da Humanidade/UNESCO.O tema central do livro gira em volta de Mustafa, um sudanês que estudou em Oxford, Inglaterra e sobre a atracção que o seu exotismo africano exercia sobre as mulheres com quem se relacionava e que, misteriosamente, morriam. Mustafa, que, à medida que vai aprofundando o seu relacionamento com o narrador, vai-lhe confidenciando o percurso misterioso da sua vida."Olhei para os fragmentos de papel e li:"ensinamos as pessoas para que a sua mente se expanda e as suas capacidades, até então reprimidas,sejam libertadas. No entanto, não nos é possível prever os resultados - a liberdade.Libertamos as mentalidades das superstições, fornecemos ao povo as chaves do Futuro, para que este seja como lhe aprouver"..."Quem semeia o bem, recebe uma pequena ave que voa alegremente.E quem semeia o mal, planta uma árvore que tem por espinhos a miséria e por frutos o arrependimento."Não conhecia Salih, mas ao lê-lo, descobri um autor que narra sem mistérios, o mistério de uma vida feita de mistérios.
Cascais, 15/12/2009 - 15H53 - Jorge Brasil Mesquita . Jorge Manuel Brasil Mesquita. Recriado, em 05 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H23.
MEMÓRIAS SONORAS - VI - "SO LONG FRANK LLOYD WRIGHT"
Quando, em 1970, foi lançado o álbum “Bridge Over Troubled Water”, do duo Simon and Garfunkel, o álbum foi, simultaneamente, o mais popular e o último que os dois registaram com originais. Como habitualmente, fiz o que sempre fizera com cada álbum do duo que era colocado à venda: encontrar as pequenas preciosidades a que, usualmente, ninguém ligava. Entre elas destaco: “Bleecker Street” e “Sounds of Silence” (a versão acústica) do album “Wednesday Morning, 3AM” de 1964; “Leaves That Are Green” e “Kathy´s Song” que pertencem ao album “Sounds of Silence” de 1966; “Dangling Conversation” e “A Poem On The Underground Wall”, incluídas no “Parsley, Sage, Rosemary and Thyme” de 1966; “Old Friends” e “Punky´s Dilemma” do album “Bookends” de 1968 e, finalmente, o tema que é a memória de hoje, que vem incluída no álbum “Bridge Over Troubled Water”, entitulado “So Long, Frank LLoyd Wright”.
Entre os finais do século 19 e o século 20, a arquitectura sofreu um forte impulso criador, graças à força inovadora de arquitectos, dos quais se devem destacar o francês de origem suíça Le Corbusier (1887 – 1965), o finlandês Alvar Aalto (1898 – 1976), o alemão Walter Gropius (1883 – 1969), fundador da Escola Bauhaus de que já falei na Nona Memória Sonora, o brasileiro Óscar Niemeyer, o português Cassiano Branco (1898 – 1970) e do arquitecto Estado Unidense Frank LLoyd Wright (1869 – 1959) e que é o tema desta memória sonora. José Manuel Fernandes no seu livro “Arquitectos do Sec. XX” afirma que Wright foi um “teorizador das suas próprias opções e criações, como uma reflexão filosófica aplicada ao espaço – tanto arquitectónico como urbanístico territorial”. Entre as suas criações destaco a Casa da Cascata, a Robbie House, em Chicago e o famoso Museu Guggenheim, em Nova Iorque. Como reflexo destes criadores arquitectónicos, as cidades de hoje não dispensam a interligação arquitectura, urbanismo e paisagismo. Desenvolvimento criativo que tem proporcionado o aparecimento de novos arquitectos, reconhecidos mundialmente, como é o caso do português Álvaro Siza Vieira, o arquitecto da frescura dos brancos luminosos. Mas regressemos a Frank LLoyd Wright e à preciosa e deliciosa composição de Paul Simon.
www.youtube.com/watch?v=4yA0i_qMD3U
So Long, Frank Lloyd Wright
So long, Frank Lloyd Wright.
I can't believe your song is gone so soon.
I barely learned the tune
So soon
So soon.
I'll remember Frank Lloyd Wright.
All of the nights we'd harmonize till dawn.
I never laughed so long
So long
So long.
CHORUS
Architects may come and
Architects may go and
Never change your point of view.
When I run dry
I stop awhile and think of you
So long, Frank Lloyd Wright
All of the nights we'd harmonize till dawn.
I never laughed so long
So long
So long.
Paul Simon
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 05 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H02.
Entre os finais do século 19 e o século 20, a arquitectura sofreu um forte impulso criador, graças à força inovadora de arquitectos, dos quais se devem destacar o francês de origem suíça Le Corbusier (1887 – 1965), o finlandês Alvar Aalto (1898 – 1976), o alemão Walter Gropius (1883 – 1969), fundador da Escola Bauhaus de que já falei na Nona Memória Sonora, o brasileiro Óscar Niemeyer, o português Cassiano Branco (1898 – 1970) e do arquitecto Estado Unidense Frank LLoyd Wright (1869 – 1959) e que é o tema desta memória sonora. José Manuel Fernandes no seu livro “Arquitectos do Sec. XX” afirma que Wright foi um “teorizador das suas próprias opções e criações, como uma reflexão filosófica aplicada ao espaço – tanto arquitectónico como urbanístico territorial”. Entre as suas criações destaco a Casa da Cascata, a Robbie House, em Chicago e o famoso Museu Guggenheim, em Nova Iorque. Como reflexo destes criadores arquitectónicos, as cidades de hoje não dispensam a interligação arquitectura, urbanismo e paisagismo. Desenvolvimento criativo que tem proporcionado o aparecimento de novos arquitectos, reconhecidos mundialmente, como é o caso do português Álvaro Siza Vieira, o arquitecto da frescura dos brancos luminosos. Mas regressemos a Frank LLoyd Wright e à preciosa e deliciosa composição de Paul Simon.
www.youtube.com/watch?v=4yA0i_qMD3U
So Long, Frank Lloyd Wright
So long, Frank Lloyd Wright.
I can't believe your song is gone so soon.
I barely learned the tune
So soon
So soon.
I'll remember Frank Lloyd Wright.
All of the nights we'd harmonize till dawn.
I never laughed so long
So long
So long.
CHORUS
Architects may come and
Architects may go and
Never change your point of view.
When I run dry
I stop awhile and think of you
So long, Frank Lloyd Wright
All of the nights we'd harmonize till dawn.
I never laughed so long
So long
So long.
Paul Simon
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 05 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H02.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
ESPIRROS - IV - DIÁLOGO
O SILÊNCIO É A ARTE DE DIALOGAR COM A BANDA SONORA DA CONSCIÊNCIA.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 04 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 18H22.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 04 de Junho de 2012, às 18H23, e, concluído, às 18H25 do dia 04 de Junho de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 04 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 18H22.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 04 de Junho de 2012, às 18H23, e, concluído, às 18H25 do dia 04 de Junho de 2012.
CANÇÃO -X - POBRE TONTO
APRENDEU UMA DATA DE CRETINICES
QUE O PASTOR DA MEMÓRIA MANDOU À FAVA
MAL O VENTO LHE SECOU AS PULHICES
QUE UM TAL SENHOR FERNÃO PERES DE TRAVA
TANTO GRAMAVA
CRESCEU NO MEIO DE CRISES GRAVES E AGUDAS
AGARRADO, À BAEZ, À KING, E, À MITCHELL
COMO SE O AMOR FOSSE UMA NORA DE MUDAS
E UM PAPAGAIO CHINÊS DE PAPEL
FEITO COM FEL.
GROSSO CONTO
POBRE TONTO
A QUEM A VIDA EXASPERA
COM A TROÇA DE UM PONTO
E UMA PULGA QUE SE COÇA
NUM AMOR QUE ADOÇA
A GRANDE FOSSA DA QUIMERA
VIVEU ENTRE METÁFORAS IRÓNICAS
E SUBÚRBIOS DE APOSTAS SECRETAS
QUE LHE ABRIRAM AS PORTAS SINFÓNICAS
EM DEMANDA DE GORDA DIETAS
FEITAS DE SETAS
MORREU NUM CENÁRIO DE TRISTAS GAMANÇOS
SONHANDO COM FLIBUSTEIROS DANTESCOS
PROVANDO AS MIXÓRDIAS DOS TANSOS
E OUVINDO NO CORO DOS ARABESCOS
FESTAS E FRESCOS
GROSSO CONTO
POBRE TONTO...
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em casa, na noite do dia 02 de Junho de 2012, e, continuado, na noite de 03 de Junho de 2012.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 04 de Junho de 2012, às 14H10, e, concluído, às 15h16 do dia 04 de Junho de 2012.
QUE O PASTOR DA MEMÓRIA MANDOU À FAVA
MAL O VENTO LHE SECOU AS PULHICES
QUE UM TAL SENHOR FERNÃO PERES DE TRAVA
TANTO GRAMAVA
CRESCEU NO MEIO DE CRISES GRAVES E AGUDAS
AGARRADO, À BAEZ, À KING, E, À MITCHELL
COMO SE O AMOR FOSSE UMA NORA DE MUDAS
E UM PAPAGAIO CHINÊS DE PAPEL
FEITO COM FEL.
GROSSO CONTO
POBRE TONTO
A QUEM A VIDA EXASPERA
COM A TROÇA DE UM PONTO
E UMA PULGA QUE SE COÇA
NUM AMOR QUE ADOÇA
A GRANDE FOSSA DA QUIMERA
VIVEU ENTRE METÁFORAS IRÓNICAS
E SUBÚRBIOS DE APOSTAS SECRETAS
QUE LHE ABRIRAM AS PORTAS SINFÓNICAS
EM DEMANDA DE GORDA DIETAS
FEITAS DE SETAS
MORREU NUM CENÁRIO DE TRISTAS GAMANÇOS
SONHANDO COM FLIBUSTEIROS DANTESCOS
PROVANDO AS MIXÓRDIAS DOS TANSOS
E OUVINDO NO CORO DOS ARABESCOS
FESTAS E FRESCOS
GROSSO CONTO
POBRE TONTO...
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em casa, na noite do dia 02 de Junho de 2012, e, continuado, na noite de 03 de Junho de 2012.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 04 de Junho de 2012, às 14H10, e, concluído, às 15h16 do dia 04 de Junho de 2012.
APITOS BOLÍSTICOS - III - SELECÇÃO NACIONAL
A teimosia paga-se cara. Assim aconteceu a Scolari, no Euro de 2004. Felizmente, ele compreendeu o desastre que ia provocar. Não se deve confundir "entrincheirar" com um meio campo compacto. Não se deve desprezar os mecanismos de jogo que Custódio e Hugo Viana trazem do seu clube, o Sporting Clube de Braga. Um meio campo compacto pode defender com pressing alto, executar transições rápidas e ser, ao mesmo tempo, um tampão de apoio defensivo. Permite, ainda, que Ronaldo e Nani, ou Hugo Almeida, ou Helder Postiga possam deambular pelas alas e pelo centro do terreno, ou seja, terão maior liberdade de movimentos o que torna a sua marcação mais difícil. Permite, ainda, em jogadas combinadas, remates de meia distância e de penetração, mais eficaz, na grande área dos adversários. Este sistema táctico não é "complicadíssimo", bem pelo contrário, é fácil de ser adaptado porque Portugal tem jogadores para tal. Jogar contra a Alemanha, como se jogou contra a Turquia, é suicídio certo. Que a luz do raciocínio ilumine as decisões do Sr. Paulo Bento é tudo o que lhe desejo. Seguir conselhos alheios, se eles forem concretizáveis, não é contrariar independência de raciocínios, é, antes de mais, revelar inteligência nas apostas estratégicas que se optam. A solidariedade é uma arma, mas, nunca, uma arma de dois gumes. A visão de uma certa lógica futebolística só fica bem, em quem a pratica e quem não faz dela uma arma de desprezo. Que os deuses os protejam, é tudo quanto desejo à Selecção Nacional.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 04 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H24.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 04 de Junho de 2012, às 13H25, e, concluído, às 13H49 do dia 04 de Junho de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 04 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H24.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 04 de Junho de 2012, às 13H25, e, concluído, às 13H49 do dia 04 de Junho de 2012.
sábado, 2 de junho de 2012
CISCOS DIÁRIOS - 02 DE JUNHO DE 2012
No quadro da teatralidade humana, será possível que, nos movimentos das ondulações diárias, todos usemos as máscaras com que representamos os papeis que nos cabem na funcionalidade da consciência universal? Por muito que as dúvidas me assaltem, acredito que a grande maioria as use para falsificar os dados sensíveis das suas fragilidades diárias e dos seus mecanismos de natureza hostil que, a todo o custo, pretendem disfarçar para melhor alcançarem os objectivos a que se propõem. As máscaras são a representação do profano, na religiosidade imaculada da sensaboria. São a consciência ou a insconsciência que comandam à distância, ou, em valores de proximidade, o uso indiscriminado das máscaras que disfarçam o uso dos sentimentos sem sentido, o poder de se esconder a realidade com as tragédias, as comédias, as farsas que modelam os rostos com a apropriação das suas manifestações de prazer ou dor. O fingimento é uma característica humana, uma simbiose entre o que se deseja e o que se possui, uma alternativa de equilibrios e desequilibrios que arredondam o colorido das máscaras e o sufrágio da sua utilidade nas brochuras do dia a dia. Quem domina a fórmula das máscaras que alimentam a cadência humana de se ser o que não se pode ser? O palco da fantasia colectiva é a ocupação dos tempos absurdos, para os quais cada máscara é uma tradição secular, nas florestas mutiladas pelo tempo, onde cada sonho definha entre os braços enlutados da viagem diária ao mundo de se ser. Para que se usa uma máscara, senão para se ser máscara, para se ser o que não se pode ser, na teatralidade humana do inconsciente.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 02 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H13.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 02 de Junho de 2012, às 14H13, e, concluído, às 15H00 do dia 02 de Junho de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 02 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H13.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 02 de Junho de 2012, às 14H13, e, concluído, às 15H00 do dia 02 de Junho de 2012.
AFLUENTES POEMÁTICOS - XX - INOCÊNCIA
ESCREVO EM BRANCO
NO NEGRO DA ARDÓSIA,
MAS PARA SER FRANCO
DESCREVO O SÓSIA
DE UM VALOR
QUE, SEM ARGILA,
É UM AMOR
QUE MODELA A AXILA
DE UM SUOR SEM DOR.
NA DESPIDA FRANQUEZA
DA PROFUNDA MOLÉSTIA
HÁ A INCERTEZA
DE TODA UMA MODÉSTIA
QUE REDUZ
A VIDA DO GIZ,
QUE A DESCREVE
COMO UMA SÍLABA INFELIZ
E UM VERBO QUE SE ATREVE,
SEM LUZ,
A VERTER UM FADO ERÓTICO
QUE, SEM SER DESPÓTICO,
É UM VINCO SINCERO
NO RIGOR DO PRAZER
QUE, EM TUDO LUTA,
PARA QUE SE APAGUE
AO QUE SE ESCUTA
UM CORPO QUE SE AFAGUE
NO QUADRO NOCTURNO
DA BRANCURA
PARA QUE O GRITO DIURNO
DA FARTURA
SEJA A ESSÊNCIA
DA MÁSCULA INOCÊNCIA.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 02 de Junho de 2012, às 13H14, na Biblioteca Nacional.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 02 de Junho de 2012, às 13H15, e, concluído, às 13H45 do dia 02 de Junho de 2012.
NO NEGRO DA ARDÓSIA,
MAS PARA SER FRANCO
DESCREVO O SÓSIA
DE UM VALOR
QUE, SEM ARGILA,
É UM AMOR
QUE MODELA A AXILA
DE UM SUOR SEM DOR.
NA DESPIDA FRANQUEZA
DA PROFUNDA MOLÉSTIA
HÁ A INCERTEZA
DE TODA UMA MODÉSTIA
QUE REDUZ
A VIDA DO GIZ,
QUE A DESCREVE
COMO UMA SÍLABA INFELIZ
E UM VERBO QUE SE ATREVE,
SEM LUZ,
A VERTER UM FADO ERÓTICO
QUE, SEM SER DESPÓTICO,
É UM VINCO SINCERO
NO RIGOR DO PRAZER
QUE, EM TUDO LUTA,
PARA QUE SE APAGUE
AO QUE SE ESCUTA
UM CORPO QUE SE AFAGUE
NO QUADRO NOCTURNO
DA BRANCURA
PARA QUE O GRITO DIURNO
DA FARTURA
SEJA A ESSÊNCIA
DA MÁSCULA INOCÊNCIA.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 02 de Junho de 2012, às 13H14, na Biblioteca Nacional.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 02 de Junho de 2012, às 13H15, e, concluído, às 13H45 do dia 02 de Junho de 2012.
sexta-feira, 1 de junho de 2012
MEMÓRIAS SONORAS - V - "THE NIGHT THEY DROVE OLD DIXIE DOWN"
Com a integração do Novo México na União (EUA), em 1848 e com a introdução da escravatura no novo Estado que a não possuía, iniciou-se entre os Estados do Sul, um movimento destinado a criar um Grande Estado do Sul, onde imperava a escravatura negra. Com a eleição do abolicionista Abraham Lincoln (1809 – 1865) para Presidente dos EUA, em 1860, o Estado da Carolina do Sul lançou um decreto divisionista, ao mesmo tempo que se preparava para a guerra contra a União. Os Estados do Mississipi, da Florida, do Alabama, da Geórgia, do Louisiana e do Texas, juntaram-se à Carolina do Sul e reunidos na Convenção de Montgomery adoptaram uma Constituição em que se institucionalizava a escravatura negra e procederam à eleição de Jefferson Davis (1808 – 1889) para Presidente dos Estados Confederados do Sul. Esta sucessão de factos veio dar origem à Guerra da Secessão, entre nortistas ou federais e sulistas ou confederados, de 1861 a 1865. O Exército dos Confederados chefiado pelo General Robert Edward Lee (1807 – 1870), considerado um grande estratega, foi conseguindo impor-se ao Exército dos nortistas ou federais, até ao momento em que este passou a ser comandado por Ulysses Grant (1829 – 1885) – mais tarde eleito Presidente dos EUA entre 1868 e 1876 – e por William Sherman (1820 – 1891), conseguindo que os confederados, representados pelo General Lee, se rendessem em 9 de Abril de 1865, em Appomatox Court House, na cidade de Appomatox, Estado da Virgínia.
Em Janeiro de 1970, é editado o álbum “The Band”, um dos melhores álbuns de sempre da Música Popular, pelo grupo The Band que começou por acompanhar Bob Dylan, até encetar o seu próprio percurso musical. The Band era formado por Garth Hudson, Richard Manuel, Levon Helm, Rick Danko e Robbie Robertson que compôs para o álbum o tema “The Night They Drove Old Dixie Down”, cujo personagem principal, Virgil Caine, é um confederado que expõe imagens que se interligam com a guerra. Dixie é o nome atribuído aos Estados Confederados e a composição é a memória sonora de hoje.
www.youtube.com/watch?v=sMHyovwX7JM
The Night They Drove Old Dixie Down lyrics
Songwriters: Robertson, Robbie;
Virgil Caine is the name and I served on the Danville train
'Til Stoneman's cavalry came and tore up the tracks again
In the winter of '65, we were hungry, just barely alive
By May the tenth, Richmond had fell
It's a time I remember, oh so well
The night they drove old Dixie down
And the bells were ringing
The night they drove old Dixie down
And the people were singing
They went, "La, la, la"
Back with my wife in Tennessee, when one day she called to me
"Virgil, quick, come see, there go the Robert E.Lee"
Now I don't mind choppin' wood, and I don't care if the money's no good
Ya take what ya need and ya leave the rest
But they should never have taken the very best
The night they drove old Dixie down
And the bells were ringing
The night they drove old Dixie down
And all the people were singing
They went, "La, la, la"
Like my father before me, I will work the land
And like my brother above me, who took a rebel stand
He was just eighteen, proud and brave, but a Yankee laid him in his grave
I swear by the mud below my feet
You can't raise a Caine back up when he's in defeat
The night they drove old Dixie down
And the bells were ringing
The night they drove old Dixie down
And all the people were singing
They went, "Na, na, na"
The night they drove old Dixie down
And all the bells were ringing
The night they drove old Dixie down
And the people were singing
They went, "Na, na, na"
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 01 de Junho de 2012, na Bilioteca Nacional, às 13H21.
Em Janeiro de 1970, é editado o álbum “The Band”, um dos melhores álbuns de sempre da Música Popular, pelo grupo The Band que começou por acompanhar Bob Dylan, até encetar o seu próprio percurso musical. The Band era formado por Garth Hudson, Richard Manuel, Levon Helm, Rick Danko e Robbie Robertson que compôs para o álbum o tema “The Night They Drove Old Dixie Down”, cujo personagem principal, Virgil Caine, é um confederado que expõe imagens que se interligam com a guerra. Dixie é o nome atribuído aos Estados Confederados e a composição é a memória sonora de hoje.
www.youtube.com/watch?v=sMHyovwX7JM
The Night They Drove Old Dixie Down lyrics
Songwriters: Robertson, Robbie;
Virgil Caine is the name and I served on the Danville train
'Til Stoneman's cavalry came and tore up the tracks again
In the winter of '65, we were hungry, just barely alive
By May the tenth, Richmond had fell
It's a time I remember, oh so well
The night they drove old Dixie down
And the bells were ringing
The night they drove old Dixie down
And the people were singing
They went, "La, la, la"
Back with my wife in Tennessee, when one day she called to me
"Virgil, quick, come see, there go the Robert E.Lee"
Now I don't mind choppin' wood, and I don't care if the money's no good
Ya take what ya need and ya leave the rest
But they should never have taken the very best
The night they drove old Dixie down
And the bells were ringing
The night they drove old Dixie down
And all the people were singing
They went, "La, la, la"
Like my father before me, I will work the land
And like my brother above me, who took a rebel stand
He was just eighteen, proud and brave, but a Yankee laid him in his grave
I swear by the mud below my feet
You can't raise a Caine back up when he's in defeat
The night they drove old Dixie down
And the bells were ringing
The night they drove old Dixie down
And all the people were singing
They went, "Na, na, na"
The night they drove old Dixie down
And all the bells were ringing
The night they drove old Dixie down
And the people were singing
They went, "Na, na, na"
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 01 de Junho de 2012, na Bilioteca Nacional, às 13H21.
FISGADAS POLÍTICAS - VIII - TRATADO ORÇAMENTAL EUROPEU
Graças a um referendo, a Irlanda, domesticada está, acompanhando Portugal domesticado que, sem referendo, se mostrou uma marioneta, bem controlada; como se fosse um texugo, no bico de uma ave de rapina. O Tratado Orçamental Europeu ainda se irá transformar no Tratado do Descalabro Europeu.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 01 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H00.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 01 de Junho de 2012, às 13H01, e, concluído, às 13H07 do dia 01 de Junho de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 01 de Junho de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H00.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 01 de Junho de 2012, às 13H01, e, concluído, às 13H07 do dia 01 de Junho de 2012.
quinta-feira, 31 de maio de 2012
CISCOS DIÁRIOS - 31 DE MAIO DE 2012
Não há chuva que resista às tonterias das palavras rotas. Abro o guarda-chuva e descubro que o Sol é a resistência da noite. Fecho o guarda-chuva e abandono os meus cabelos às gotas da chuva que, embora sejam de água tépida, são pérolas que eu roubo aos descaramentos das nuvens que me perfumam com a linguagem do descrédito. Nesta vida de presunções coloridas, o importante não é a rosa, mas sim as pétalas que a adornam com a placidez do tempo esculpido pelas diatribes das bocas circunspectas. Molhado pela sopa do dia, aprendo, na rigidez muscular dos eventos, a prescrever, a mim próprio, os delírios de nada saber sobre os rigores das tempestades que danam e as bonanças que espumam as raivas adormecidas dos guizos que tilintam nos idílios campestres da levitação prematura. De que falo? De que escrevo? Eis um hábito que nem o monge veste. O tecido é tenebroso e quem o habita abomina os caprichos da natureza humana. São padrões de falácias que se ouvem pelos cantos da boca e que nidificam nas falésias do abstracto, quando, não mesmo, do absurdo. E por falar, em absurdo, eis-me perante a radiosa perspectiva de estes ciscos apresentarem no palco da altivez, as cenas absurdas de nada serem. Ipso facto.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 31 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 17H58.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 31 de Maio de 2012, às 17H59, e, concluído, às 18H26 do dia 31 de Maio de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 31 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 17H58.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 31 de Maio de 2012, às 17H59, e, concluído, às 18H26 do dia 31 de Maio de 2012.
AFLUENTES POEMÁTICOS - XIX - ATIRADIÇA
DESCONHEÇO AS SANDÁLIAS DA POSSE
E O AMOR SEM SEDUÇÃO
QUE NAS RODAS DA SOLIDÃO
É UMA GARGANTA QUE TOSSE
NÃO POR SER IRRITADIÇO,
MAS PORQUE A ASMA DO OLHAR
É UMA AMANTE QUE DÁ SUMIÇO
AO PRAZER DE DESNUDAR.
RECONHEÇO NO DOM DA POSE
AS PARCELAS DA INVENÇÃO
QUE ADORNAM O QUE SE COSE
NO FEITIÇO DO CORAÇÃO,
EMBORA O ÍMAN DA FRESTA
NOS BANQUETES DO TACTO
SEJA O ALGOZ QUE RESTA
À NATUREZA DO FACTO.
E POR MUITO QUE A MARÉ TORÇA
O TÉDIO DO VIL ROMANCE
HÁ SEMPRE A CLARA FORÇA
QUE IMPEDE QUE ELE AVANCE
OU PORQUE O SEU CAROÇO
É UM BALOIÇO SEM PAUSA,
OU PORQUE O SEU PESCOÇO
NÃO TEM REGRAS, NEM CAUSA.
E EIS QUE O TEMPO AVANÇA
E A NOITE SE ESGANIÇA
NESTE POEMA SEM BONANÇA,
MAS DE TEZ ATIRADIÇA.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 31 de Maio de 2012, às 17H11, na Biblioteca Nacional.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 31 de Maio de 2012, às 17H12, e, concluído, às 17H46 do dia 31 de Maio de 2012.
E O AMOR SEM SEDUÇÃO
QUE NAS RODAS DA SOLIDÃO
É UMA GARGANTA QUE TOSSE
NÃO POR SER IRRITADIÇO,
MAS PORQUE A ASMA DO OLHAR
É UMA AMANTE QUE DÁ SUMIÇO
AO PRAZER DE DESNUDAR.
RECONHEÇO NO DOM DA POSE
AS PARCELAS DA INVENÇÃO
QUE ADORNAM O QUE SE COSE
NO FEITIÇO DO CORAÇÃO,
EMBORA O ÍMAN DA FRESTA
NOS BANQUETES DO TACTO
SEJA O ALGOZ QUE RESTA
À NATUREZA DO FACTO.
E POR MUITO QUE A MARÉ TORÇA
O TÉDIO DO VIL ROMANCE
HÁ SEMPRE A CLARA FORÇA
QUE IMPEDE QUE ELE AVANCE
OU PORQUE O SEU CAROÇO
É UM BALOIÇO SEM PAUSA,
OU PORQUE O SEU PESCOÇO
NÃO TEM REGRAS, NEM CAUSA.
E EIS QUE O TEMPO AVANÇA
E A NOITE SE ESGANIÇA
NESTE POEMA SEM BONANÇA,
MAS DE TEZ ATIRADIÇA.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 31 de Maio de 2012, às 17H11, na Biblioteca Nacional.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 31 de Maio de 2012, às 17H12, e, concluído, às 17H46 do dia 31 de Maio de 2012.
SUORES FICCIONISTAS - II - A BORBOLETA
Saí do Metro, na Estação do Rato. Segui, lentamente, pela Rua da Escola Politécnica. Por razão desconhecida, a não ser a da velhice precoce, senti-me cansado. Ao chegar ao Jardim do Prícipe Real, sentei-me em um dos seus bancos, bem próximo do velho e moribundo cipestre. Os olhos fugiam-me dos pensamentos e alugavam a sua vista aos prazeres remotos de uma distância invisível. Tudo observava, nada absorvia. Um encanto inesperado sacudiu-me a moleza. Uma borboleta de cores infinitas vercejava, à minha volta, poemas de beleza singular. Subitamente, ausentei-me para o interior do bailado que a borboleta tecia em vistosos círculos. A borboleta acariciou-me o olhar e pediu-me com uma voz encantantória que a levasse comigo. Que escolhesse onde, disse-lhe eu, embaraçado por desconhecer o que pretendia aquela beleza da natureza. Que abrisse a minha mão e a deixasse pousar nela. Estendi a mão aberta, ela pousou, suavemente, e pediu-me que a escondesse no bolso interior do meu blusão. Vais sofucar, disse-lhe eu, receoso. Disse-me que não me preocupasse porque as suas cores eram bolsas de ar. Como, entretanto, entardecera, levantei-me e, com passos rápidos, nem eu sabia porquê, desci a Rua do Alecrim, cheguei ao Cais do Sodré e apanhei o primeiro comboio que me levou para casa. Durante todo percurso, uma miríade de melopeias esconderam-se nos meus ouvidos, avivaram memórias de um futuro sem passado. Mal cheguei a casa, a borboleta abandonou o meu bolso, pediu-me que a afagasse e a colocasse na minha mesinha de cabeceira. Que fosse dormir, disse-me ela. Deitei-me e não tardei a adormecer. Sonhos de lugares e de pessoas de uma beleza estonteante passearam-se, sorridentes, pelos corredores de uma morte inofensiva, até que senti a borboleta abandonar o meu corpo, em um voo elegante e singular, que me acordou do sono profundo em que mergulhara. Para meu grande espanto, todo o quarto estava sob a intensidade de uma luz espantosa. No meio do quarto encontrava-se uma bela mulher que trajava um vestido comprido, luzindo como oiro, os cabelos longos, brilhando como raios de sol e uns olhos claros e límpidos como água. Belas lágrimas escorriam-lhe pelo rosto.
- Não te preocupes, são lágrimas de felicidade. Eu venho de um tempo em que não há tempo. Eu e outros, como eu, somos o orvalho do Universo. Quando a madrugada te acordar, em borboleta me encontrarás. Abre a janela que eu partirei a caminho de um outro qualquer destino. Quando chegar o tempo de partires em teu regaço me aninharei e mil e uma canções te cantarei. Agora é chegado o tempo de voltares a dormir. Mal a madrugada chegou, levantei-me e abri a janela. A borboleta levantou voo, bailou à volta de mim e esfumou-se na névoa da manhâ. Nunca mais voltei a ser o mesmo. Os meus olhos são borboletas de sonhos sedutores.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 31 de Maio de 2012, no Comboio da Linha do Estoril, às 11H40.
Escrito, directamente, no blogue, na Bilbioteca Nacional, no dia 31 de Maio de 2012, às 15H23, e, concluído, às 16H34 do dia 31 de Maio de 2012.
- Não te preocupes, são lágrimas de felicidade. Eu venho de um tempo em que não há tempo. Eu e outros, como eu, somos o orvalho do Universo. Quando a madrugada te acordar, em borboleta me encontrarás. Abre a janela que eu partirei a caminho de um outro qualquer destino. Quando chegar o tempo de partires em teu regaço me aninharei e mil e uma canções te cantarei. Agora é chegado o tempo de voltares a dormir. Mal a madrugada chegou, levantei-me e abri a janela. A borboleta levantou voo, bailou à volta de mim e esfumou-se na névoa da manhâ. Nunca mais voltei a ser o mesmo. Os meus olhos são borboletas de sonhos sedutores.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 31 de Maio de 2012, no Comboio da Linha do Estoril, às 11H40.
Escrito, directamente, no blogue, na Bilbioteca Nacional, no dia 31 de Maio de 2012, às 15H23, e, concluído, às 16H34 do dia 31 de Maio de 2012.
FISGADAS POLÍTICAS - VII - DEMISSÃO
A Política não é uma subjectividade eleita pela bondade dos eleitores, nem o Político é uma identidade anónima no seio da área governamental. Um cargo político, seja ele qual for, é um enunciado de responsabilidades, ao qual não se pode fugir, nem que seja para mendigar que a justiça política se abstenha de intervir logo que haja uma evidência de terem ocorrido erros factuais para os quais não há justificação possível. Não se pode afirmar, em política, que se assinam decretos-lei desconhecendo o seu conteúdo. Não se pode decretar inocência, quando factos, comprovados ou não, atingem, directamente, o responsável máximo da área governamental a que eles dizem respeito. Neste caso, há uma medida que se impõe de imediato: a demissão. Contrariamente ao que o visado pensará, não se trata de uma prova de culpabilidade, mas de assumir a posição correcta de se afastar de uma infecção que se instalou, propagou e o resposabiliza, ainda que, indirectamente, pelos factos ocorridos sob a jurisdicção da sua área governativa. O ar está poluído, há que o tornar respirável. A demissão, em política, é um acto responsável perante factos de natureza irresponsável.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 31 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H18.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 31 de Maio de 2012, às 14H19, e, concluído, às 14H59 do dia 31 de Maio de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 31 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H18.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 31 de Maio de 2012, às 14H19, e, concluído, às 14H59 do dia 31 de Maio de 2012.
ZIPS SONOROS - VI - 23 SKIDOO
Uma das bandas que mais me entusiasmou, nos inícios da década de 80, foram os 23 Skidoo que retiraram o seu nome do livro "Book of Lies" de Aleister Crowley.A banda formou-se, em 1979, na cidade inglesa de Londres, por J.C.M.(Johnny) Turbull, A.U.(Alex Turnbull) e Fritz Haaman. Depois de um primeiro 7" "Ethics", muito incipiente, aderiram, sonoramente, aos chamados sons industriais, embora prefira conotá-los com os sons das selvas urbanas, onde se encontram mixagens de sons africanos, indonésios e industriais. O grupo que foi, muitas vezes, comparasdo aos Cabaret Voltaire e aos Throbbing Gristle, sofreram, igualmente, influências dos This Heat e dos A Certain Ratio. Ao assinarem pela editora independente Fetish, beneficiaram do prazer de verem as suas capas discográficas serem tratadas graficamente por Neville Brody.Para se perceber melhor a sonoridade dos 23 Skidoo, aterro numa das suas actuações na WOMAD, em Julho de 1982, a propósito da qual Alex Turbull afirmou "em vez de optarmos pela World Music, usámos ruídos urbanos, latas de gás e explosões. Foi uma barreira de ruídos. Um terço da assistência fugiu imediatamente, mas o que resolveram permanecer, expressaram-se com um "Wow, foi completamente surpreendente."Da discografia dos 23 Skidoo aconselho, vivamente, o 12" "Last Words" e o mini LP "Seven Songs".DISCOGRAFIA:Pineaple:Julho de 1981 - 7" - Ethics/Another Baby´s FaceFetish:Setembro de 1981 - 7" - Last Words/VersionOutubro de 1981 - 12" - The Gospel Comes To New Guinea/Last WordsFevereiro de 1982 - mini LP - Seven SongsMaio de 1982 - 12" - Tearing Up The Plans/Just Like Everybody GregoukaOperation Twilight:Fevereiro de 1982 - LP - The Culling Is ComingEmbora tenham gravado mais alguns 7" e um LP "Urban Gamelan", os 23 Skidoo, em minha opinião, já haviam perdido a sonoridade capilar que mais me deliciava.Fontes: "Rip It Up and Start Again" de Simon Reynolds e "The Great Alternative Indie Discography" de Martin C. Strong.Cascais, 04/12/2009 - Jorge Brasil Mesquita. Jorge Manuel Brasil Mesquita Recriado, em 31 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H51.
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