segunda-feira, 28 de maio de 2012

CISCOS DIÁRIOS - 28 DE MAIO DE 2012

Não há sorrisos que despontem no poente da vida sem que o sol da noite efabule o silêncio das pupilas. Os remos da coragem são ramos de pranto escondido nos refúgios da mente que saboreia as doçuras dos seus frutos e, delas, recebe as carícias do tempo que engana a Morte com anúncios de Vida. O corpo manifesta o prazer de se sentir, sentindo o que não se sente nos segredos de uma natureza morta. Este seu pincel, que é uma dádiva de cores, besunta-me a pele de cinza com a realidade dos sentimentos que chora a alegria de uma mudez que, em cânticos de pureza, restaura a serenidade das águas que me modelam as mágoas com os assombros de uma aurora redentora. Nascente serei, onde o Poente desfalece.  
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 28 de Maio de 2012, às 17H48, na Biblioteca Nacional.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 28 de Maio de 2012, às 17H49, e, concluído, às 18H17 do dia 28 de Maio de 2012.

AFLUENTES POEMÁTICOS - XVI - DOR DE FERA CRUA

NESTE LONGO CAMINHO
DE ACIDEZ DANINHA
JÁ SE PESCA À LINHA
O RISO DO MINDINHO
QUE SOBRE O ASFALTO
DA PARADA IMORTAL
LEVANTA A MORAL
À NOITE DO BASALTO
E ACENDE AO DIA CRUEL
AS ALGEMAS DO MEL.
DE CELAS NÃO SE FALA
NEM DO SEU CORAÇÃO,
MAS QUANDO SE RESVALA
P´LA COSTELA DE ADÃO
É EVA QUEM SE AQUECE
E NÃO A SUA RAZÃO
QUE AO CALOR ESTREMECE
E AO FRIO EMUDECE.
E SE A DOR SE ENFRENTA
COM A FOZ DA MALÍCIA
EIS QUE A CARNE INVENTA
À SUA VOZ, A CARÍCIA
QUE EM TUDO DESCOBRE
O DOCE VÉU DO COBRE
QUE AO TEMPO ENCOBRE
A FEBRE DE MORRER
NO AMOR DE NASCER
P´RA QUE O TEMPO DILUA
A DOR DA FERA CRUA.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 28 de Maio de 2012, às 14H50, na Biblioteca Nacional.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 28 de Maio de 2012, às 14H51, e, concluído, às 15H29 do dia 28 de Maio de 2012.

METAL HURLANT

Um quarteto, amantes da Banda Desenhada, composto por Jean Giraud, Philippe Druillet, Jean Pierre Dionnet e Bernard Farkas fundou, em 1975, um periódico dedicado à ficção científica, entitulando-a Metal Hurlant. Com uma periocidade trimestral, a revista no seu primeiro número continha 16 páginas a cor e 52 a preto e branco, contando com as participações de Jean Giraud/Moebius (com Arzach), Philippe Druillet (com Gail), Richard Cobern e Jean Claude Gal (com Les Armées du Conquerant e cenários de Jean-Pierre Dionnert).Em 1976, a revista passou de bimestral a mensal. A Metal Hurlant ganhou importância entre os amantes da Banda Desenhada devido aos imensos talentos que foi revelando ao longo da sua vida. Em 1978, a Metal Hurlant tornou-se numa revista de temática abrangente, abandonado a exclusividade da ficção científica. Com a sucessiva partida dos seus quatro fundadores e após uma série de vicissitudes a Metal Hurlant interrompeu a sua publicação, em Agosto de 1987.
Biblioteca de Oeiras, 03/12/2009 - Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 28 de Maio de 2012, às 14H33, na Biblioteca Nacional.

MEMÓRIAS SONORAS - II - CORTEZ THE KILLER

A memória sonora de hoje relaciona-se com factos acontecidos com o povo Azteca, povo oriundo do Norte do território a que hoje se chama México e que se instalou junto do lago Texcoco, em 1312, fundando a cidade de Tenochtitlan (actual cidade do México), em 1325, dando origem a uma próspera e desenvolvida civilização Azteca.
Em 1519, o conquistador espanhol Hernan Cortés (1485 – 1547) tentou penetrar no território Azteca, mas encontrou a oposição do Imperador Montezuma II (1466 – 1520). Inebriado pelas riquezas do reino dos Azteca, Cortés insistiu com o Imperador, até que este cedeu, contra a vontade do seu povo que se revoltou e enfrentou os espanhóis que invadiram e bombardearam Tenochtitlan, cuja população enfraquecida pela varíola, se submeteu a Cortés que, entre 1523 e 1525, dizimou completamente a civilização Azteca, o que hoje seria considerado um genocídio. O Imperador viria a morrer de fome em 1520, em consequência do conflito.
Em 1975, Neil Young, um dos notáveis sobreviventes dos anos sessenta, editou o álbum “Zuma”. O projecto inicial do álbum tinha como objectivo abordar as civilizações Maia e Azteca. Infelizmente, apenas restaram do projecto, o título do álbum que é a parte final do nome do Imperador Monte(zuma) e esta memória sonora de hoje “Cortez The Killer”.

www.youtube.com/watch?v=pSj5yOK_mt4
Cortez The Killer
by Neil Young
He came dancing across the water
With his galleons and guns
Looking for the new world
In that palace in the sun.

On the shore lay Montezuma
With his coca leaves and pearls
In his halls he often wondered
With the secrets of the worlds.

And his subjects gathered 'round him
Like the leaves around a tree
In their clothes of many colors
For the angry gods to see.

And the women all were beautiful
And the men stood straight and strong
They offered life in sacrifice
So that others could go on.

Hate was just a legend
And war was never known
The people worked together
And they lifted many stones.

They carried them to the flatlands
And they died along the way
But they built up with their bare hands
What we still can't do today.

And I know she's living there
And she loves me to this day
I still can't remember when
Or how I lost my way.

He came dancing across the water
Cortez, Cortez
What a killer.

Neil Young
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 28 de Maio de 2012, às 14H14, na Biblioteca Nacional.

FISGADAS POLÍTICAS - VI - GRÉCIA

Vivemos em tempos áridos nos bonsais da política. Afirma-se que se vive em Democracia, mas quando se fala em Democracias domésticas, assiste-se a toda uma série de intromissões externas de personalidades que são as vespas venenosas das Democracias policiadas. As pressões que são exercidas sobre a Grécia não passam de ameaças ideológicas e de chantagens políticas visando colocar no poder quem dobre a espinha às visões especulativas da Kaiser Fraulein Angela Merkel e aos empréstimos infectados dessa Troika que prestaria um favor à Europa evaporando-se para os vales terciários das ignorâncias que revelam quando propõem directivas que, em vez de fortalecerem economias, as enterram nas profundezas do inferno. A Grécia faria um grande favor à Europa se votasse, sem constrangimentos, no Syriza, para que, este, assuma os destinos gregos, e se recusasse, sem receios de qualquer natureza, abandonar o Euro. A Troika que vá lamber as feridas das suas ideias arcaicas para os porões das economias que lhes engolem os favos das recessões que provocam e que afogue as suas mágoas nos domínios de Hades, onde o seu destino será memorável. Truca, truca na Troika!        
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 28 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H32.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 28 de Maio de 2012, às 13H33, e concluído, às 14H01 do dia 28 de Maio de 2012.

sábado, 26 de maio de 2012

AFLUENTES POEMÁTICOS - XV - AMOR DOS INSTANTES PRECISOS

OUVE OS GAMOS DO VENTO
E NÃO TE ESQUEÇAS,
AMOR DOS INSTANTES PRECISOS,
DE CONVERSAR COM OS MEUS LÁBIOS,
DE BEIJAR O MEU OLHAR
COM AS CARÍCIAS DAS PALAVRAS
QUE ROMPEM NÉVOAS DE TRISTEZA
QUE PURIFICAM AS IDEIAS SUBTIS
DOS DEDOS SENSÍVEIS
À TERNURA DOS DESEJOS,
DOS SORRISOS CAMPESINOS
QUE, EM PÉTALAS DE PERFUME,
SÃO OS DELÍRIOS DA FOME
QUE SÓ A PELE DA NUDEZ ME COBRE,
AMANTE DOS INSTANTES PRECISOS. 
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 26 de Maio de 2012, às 14H44, na Biblioteca Nacional.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 26 de Maio de 2912, às 14H45, e, concluído, às 14H57 do dia 26 de Maio de 2012.

CISCOS DIÁRIOS - 26 DE MAIO DE 2012

Que sei eu de mim neste cemitério de ideias onde as flores da memória são pedaços de vida violada pelas sombras de um Passado que se esmeram nos confrontos do seu Futuro. Diariamente, sou arrebatado pela incoerência das minhas coerências na sublevação de uma consciência que se afoga em realidades. Em que realidade pairam os sonhos do mesmo sonho que toca a reunir na parada das avenidas e das vielas que cruzam a cidade com os rumores do seu frenesim carnal? Subo, sob uma aurora de várias sonoridades, e, desço, atravessado pelo rio precioso das águas sedentas de uma foz que lhes cante o irracionalismo de uma poesia racional. As luzes da noite banham as águas do meu olhar. Os versos que a decoram são bailados urbanos de fugas tempestuosas, de brisas encantadas que pernoitam no cansaço dos corpos. Corpos que são gritos de agitação fluvial, argumentos de uma película que se vislumbram nos grandes ecrãs da vida. Por ti, passam estas horas de nada e, regado pelos encantos dos teus lábios silenciosos, adormeço, abraçado a um prazer que desconheço, carente de um afago de fogo celestial. Afinal, eu, sou este apetite sensorial que se move por entre os lençóis da noite, descobrindo, aos ponteiros do tempo, a realidade de uma viagem madura.    
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 26 de Maio de 2012, às 14H03, na Biblioteca Nacional.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 26 de Maio de 2012, às 14H04, e, concluído, às 14H33 do dia 26 de Maio de 2012.

HARMONICA BLUES - III

A poeira do tempo é a sobra das memórias. A harmónica é a absolvição da memória e, eu, sou a poeira do seu tempo. O meu olhar vidrado perturbou-se com o aparecimento de uma pequena nuvem cósmica que, esfumada, revelou uma presença feminina e a sua bicicleta colorida. O seu corpo era alto e magro. os seus olhos, a luz do céu. O seu cabelo assemelhava-se ao feno solar, onde se via um rabo de cavalo que transmitia ao seu rosto magro uma jovialidade, fresca e pueril. Vestia umas calças floridas e uma blusa roxa. O seu olhar penetrou, profundamente, no meu e, eu senti, uma espécie de longevidade a aconchegar-se na trivialidade da minha vida. A sua voz melodiosa fez-se ouvir naquele espaço desértico e poeirento:
- Sabes onde fica a Desolation Row, de Dylan?
- Thomas?
- Não, Bob.
- Ah! O da auto-estrada 61?
- Esse mesmo.
Levantei o braço e com o indicador esticado apontei-lhe o caminho do Sul.
- Fica para além do labirintíco Finisterra, entre a Guerra dos Cem Dias e a Guerra das Rosas. Depois assinas o Tratado de Versalhes e obténs o salvo-conduto para a Desolation Row.
-Obrigada.
Dita a informação, colocou, na cabeça, um capacete de cores várias, saltou para cima da bike e perdeu-se na invisibilidade de uma despedida inútil. 
Os diabitos rubros com rabinhos dourados vendo a súbita  tristeza que pairava no meu olhar, pegaram em mim, colocaram-me em cima dos skates e conduziram-me a caminho do Norte. Levei a harmónica aos lábios e entrelacei a atmosfera com as notas do blues On The Road Again. Com diabos à solta a vida é um prego a fundo. Queimam-se memórias, avivam-se os boatos do Futuro.     
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 26 de Maio de 2012, às 12H59, na Biblioteca Nacional.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 26 de Maio de 2012, às 13H00, e, concluído, às 13H35 do dia 26 de Maio de 2012.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

AFLUENTES POEMÁTICOS - XIV - PASSOS CIRCUNFLEXOS

ESTES PASSOS CIRCUNFLEXOS
DEDILHAM COMPASSOS SEM NEXO,
PALMILHAM PODEROSOS AMPLEXOS
EM ESPELHOS SEM REFLEXO,
INUNDAM ÍTACAS DE FOGO
E ÉBRIOS DE TRAGÉDIA
INVENTAM PRÓLOGOS DE JOGO
QUE PASTOREIAM A IDADE MÉDIA
E REMATAM CONSELHOS DE TÉDIO
COM FULGURÂNCIAS IMPRUDENTES
E ACTOS DE PEÇAS SEM REMÉDIO
ENTRE CULTURAS IMPOTENTES
E AMOSTRAS DE ASSÉDIO
QUE RASTEJAM COMO VIS SERPENTES
NOS BRAÇOS REPELENTES DO TÉDIO.
NESTES BISTURIS DE VELHACO
RONDAM AS BACANTES DE BACO
QUE, EM HORDAS FÁLICAS,
BRANDEM AS ORGIAS METÁLICAS
DOS PASSOS CIRCUNFLEXOS
NAS ESCRITURAS DOS SEUS ANEXOS.
AH!AH!AH!AH!
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 25 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H59.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 25 de Maio de 2012, às 15H59, e concluído, às 16H22 do dia 25 de Maio de 2012.

CRITICARTE - IV - CONSTRUTIVISMO RUSSO

Quando gastei um post  com o excelente gráfico inglês Neville Brody, este especificou que uma das suas grandes influências tinha sido o Construtivismo Russo."Dicionariamente", o Construtivismo foi um movimento do primeiro quartel do século XX, com origem na Rússia, que preconizava a construção geométrica das formas, recorrendo a elementos não figurativos e valorizando os aspectos técnicos da obra.O Conctrutivismo Russo acompanhou, paralelamente, as experiências artísticas da Bauhaus, na Alemanha e da escola de De Stijl, na Holanda,- outra das influências de Neville Brody - que foram caracterizadas pelo interesse na abstracção pictórica e pela sua adesão (pelo menos parcial) ao pensamento socialista.O crítico Kikolaj Punin foi quem primeiro utilizou a palavra Construtivismo, referindo-se aos contra-relevos do escultor e arquitecto russo Vladimir Tatlin (1885 - 1953), realizados entre 1913 e 1914. O movimento só se torna realmente efectivo com o Manifesto Realista dos irmãos ex-russos, o escultor Naum Gabo (Naoun Pevsner)(1890 - 1977), naturalizado Estado-Unidense e o escultor Anton Pevsner (1886 - 1962), naturalizado francês, e pelas teses produtivistas do artista russo multifacetado Alexandr Rodchenko (1891 - 1956).Com a revolução russa surge a simbiose entre a arte e a política, em que são discutidas ou rejeitadas as tendências artísticas da época, tais como, o Cubismo, o Dadaísmo e o Futurismo. Assiste-se ao repúdio da arte burguesa ao consumismo cultural estandardizado. O pintor russo Kasimir Malevich (1878 - 1935) formula o Suprematismo, em 1913, que consiste na "supremacia da ideia e da sensação pura", exemplificado pela série dos seus quadrados "Quadrado Branco sobre Fundo Branco", de 1917.A Frente de Esquerda das Artes (LEF)do cineasta russo Serguei Eisentein (1898 - 1948), do escritor russo Vladimir Maiakovski (1894 - 1948)e do escritor e jornalista Isaac Babel (1894 - 1940)apresentavam como teoria artística "a arte colectiva do presente é a vida construtiva", concebendo a técnica como a abolição das tradições burguesas.O termo "obra" é substituído por "coisa" (objecto), onde se incluem a luz, o espaço, o plano, a cor e o volume.Outro dos artistas fundamentais do Construtivismo Russo foi o arquitecto, gráfico e pintor Lazar El Lissitzky (1890 - 1941)que define a função do artista como sendo a do "construtor de um novo universo de objectos". Aderindo ao Suprematismo, Lazer serve-se do termo Proun para definir projectos concretos, sínteses de forma e matéria que vai desenvolver em obras do grafismo publicitário, da edição, da arquitectura e do design, como, por exemplo, se pode observar nas suas obras no campo tipográfico "De Dois Quadrados, Em Voz Alta, As Quatro Operações", que foram utilizadas no processo educativo de gerações inteiras de artistas gráficos.No Construtivismo Russo, o sonho da arte ao serviço da sociedade exprime-se, igualmente, através da execução de obras de arquitectura pública, de que foram exemplos a maqueta preparatória do Monumento à III Internacional de 1919, os projectos para o Palácio do Trabalho e para os escritórios do jornal Pravda, em Leninegrado, o Pavilhão para a Exposição de Artes Decorativas de Paris, em 1925. Destaca-se, também, na década de 20 o génio urbanístico de Ivan Leonidov (1902 - 1959).Porém, com a ascensão ao poder de Josef Estaline (1879 - 1953), a partir dos anos 30, o pensamento livre deixa de existir e o Construtivismo, juntamente com toda a actividade artística de vanguarda, cessa o seu processo de desenvolvimento criativo.
Lisboa, 11/12/2009 - 15H34Biblioteca de Oeiras, 12/12/2009 - 12H41Centro Cultural de Belém, 13/12/2009 - 16h07Biblioteca de Oeiras, 14/12/2009 - 11H00Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 25de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H52.

APITOS BOLÍSTICOS - II - SELECÇÃO NACIONAL

É já, ali, ao virar da esquina, que sobre o relvado fresco e, com a bola, saltitando, poeticamente, entre as botas dos jogadores, se dará início aos compassos de mais uma composição suada por parte da selecção portuguesa, no Campeonato da Europa de 2012. O Grupo em que participamos não é pêra doce. Teremos que enfrentar a fortaleza alemã, o dinamismo fogoso dinamarquês e a fibra criativa holandesa. Que estratégia, que táctica arquitectar para todos ultrapassar como se tudo se tratasse de uma filigrana das descobertas. Colocando-nos na pele do Senhor Paulo Bento e, ao observarmos, a massa muscular e criativa dos nossos jogadores, eis o que um adepto de bancada teceria para que as hostes portuguesas delirassem com o sabor das vitórias. Avaliar, estudar os ritmos, estruturar a geometria necessária ao fio de jogo que permita à selecção prostrar a seus pés as arrogâncias dos nossos adversários. Como não podia deixar de ser optaria por um 1x4x4x2 maleável que tanto se poderia transformar em um 1x4x3x1x2 como em um 1x4x1x3x2. Que jogadores utilizar para satisfazer tais requesitos? Simples, no raciocínio, complicado, na prática. Rui Patrício na baliza; Miguel Lopes, Pepe, Bruno Alves e Fábio Coenrão, o quarteto defensivo. Riscado o fácil, passemos ao difícil: Custódio, Raul Meireles, Hugo Viana e João Moutinho seriam os actores do meio campo que tanto seria um quadrado - Custódio e Meireles os dois mais recuados e Hugo Viana e João Moutinho, os mais avançados - como um losango - Custódio, o mais atrasado, Meireles e Viana, nas laterais e Moutinho, no topo. Ronaldo e Nani, os avançados. Sem ponta de lança? É uma realidade. Ambos seriam avançados volantes em toda a largura do terreno. Em todo este sistema, que pretende formar um grupo compacto, não me esqueci que qualquer dos médios é bom a rematar, quer de meia distância, quer dentro da área. No caso de se optar por Ronaldo e um ponta-de-lança a escolha depende do opositor. Hugo Almeida, para os jogos com a Alemanha e com a Dinamarca e, Helder Postiga, contra a Holanda. Tudo acaba por se tornar fácil quando se examina à lupa a matéria humana de que se dispõe, mas torna-se complicado quando, nós os adeptos de bancada, não estamos em contacto diário com os jogadores, nem estamos por dentro da filosofia, estratégica e táctica, do Senhor Paulo Bento que, muito melhor do que nós, tem capacidade para avaliar situações que a todos nós nos escapam por não convivermos, diariamente, com as vicissitudes do treino. A minha intenção é gabar as virtudes que encontro na selecção nacional e, sem pinta de vaidade, contribuir para um pensamento futebolístico que, avaliado, ou não, não passa disso mesmo: uma visão global para uma minúcia elementar. Para já, os desejos de um boa preparação, os desejos de um bom princípio futebolístico.     
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 25 de Maio de 2012, às 13H21, na Biblioteca Nacional.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 25 de Maio de 2012, às 13H23, e, concluído, às 14H28 do dia 25 de Maio de 2012.

NEVILLE BRODY

Durante as décadas de 80 e 90, Neville Brody foi considerado como um dos mais importantes e inovadores gráficos da UK.
Neville Brody nasceu em 1957, na Escócia e cresceu nos subúrbio nortenhos da cidade inglesa de Londres. Em 1975, entrou para a Hornsey College of Art, cuja reputação para o experimentalismo e para o debate floresceu após a ocupação estudantil de 1968. Em Hornsey, foi confrontado pelos conflitos que se geravam entre as artes de excelência e a aplicação das mesmas comercialmente. em 1976, frequentou um curso de desenho gráfico no London College of Printing. Contudo, Brody sentiu-se limitado e optou por se lançar na arena do desenho gráfico de uma pictórica e emocional.
Ao recordar as suas ambições iniciais, afirmou que "sentiu que no interior da comunicação de massas, o aspecto humano foi completamente posto de parte. Quis compreender as imagens diárias que o rodeavam naquela altura e o processo de manipulação,particularmente, no interior da arte publicitária. Ao entender os mecanismos a um nível básico, esperava produzir o efeito contrário ao interiorizá-las na mente humana."
Os seus primeiros trabalhos foram desenvolvidos nas editoras independentes Stiff e Fetish, influenciados pelo Construtivismo Russo e pela escola holandesa de De Stijl. Em 1981, foi convidado por Nick Logan da revista Face, considerada a "revista mais bem vestida do mundo"que sob a direcção de Brody se transformou na Bíblia do Estilo de toda uma geração, que em 1983foi votada a revista do ano e cognominada "o barómetro do estilo pop". Brody utilizava o desenho gráfico como o seu principal instrumento de trabalho em detrimento das fotografias e da cópia estrutural.
As técnicas de Brody rejeitavam a linearidade e o seu estilo foi sendo amplificado e desenvolvido na World Wide World. Por outras palavras,Brody desenhou a Net na página impressa, muito antes que alguém soubesse que tal existisse. Em 1984, Brody renovou graficamente a Face e no ano seguinte a Photographer´s Gallery apresentou uma retrospectiva da revista Face, enquanto Brody foi, ele mesmo, alvo de uma exposição no Victoria and Albert Museum. Em 1986, Brody desenhou a revista New Socialist que se afirmou como uma espécie de forum para a política cultural de esquerda.
Em 1990, Brody co-fundou a Fontworks, uma companhia de desenho tipográfico preparada para a era digital.
Em 1998, Brody trabalhou para a Nike, a Swatch e para o New York Museum of Modern Art.
Brody foi um inovador dos tempos modernos, mas considera-se, igualmente, enraizado nas tradições da arte pura aplicada e um violador de regras, sabendo quais as regras que foi rasgando.

Monumental Saldanha, Lisboa, 06/12/2009 - Jorge Brasil Mesquita
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 25 de Maio de 2012, às 12H54, na Biblioteca Nacional.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

KORA

 Kora é nome de um instrumento ancestral e tradicional da África Ocidental. Segundo reza a lenda a Kora é associada aos Jinns (génios), cujos espíritos se embebedam perigosamente com os sons da Kora. A lenda conta que o primeiro instrumentista da Kora foi um Jinn, que a tocava, escondido num buraco invisível do solo. Um caçador que se embrenhou na floresta, ficou fascinado com aquele som que não conseguiu localizar. Porém, ao decifrar uma adivinha escrita no solo, o caçador aproveitando uma forte ventania, lançou uma rede na direcção do som que ouvia; o Jenni fugiu e o caçador, ao puxar a rede, descobriu que ela continha uma Kora.
As origens da Kora, segundo tradições orais, situam-se no reino de Sunjata Keita que fundou o Império do Mali, em 1235, embora contrariadas por outras vozes que as datam no começo do ano 1800. Todos os Jelis (nome Maliano atribuído aos tocadores da Kora) alinham pelo mesmo diapasão quanto à localização do seu uso inicial: o reino de Kaabu (actual Guiné-Bissau). Na Gambia, Jalis é o nome atribuído aos tocadores da Kora e, segundo a tradição, o primeiro Jali a tocar a Kora, foi Jali Madi Wuleng.
A Kora é um instrumento fabricado manualmente, sendo composta pela metade simétrica de uma cabaça (miirango), cuja origem se situa em várias regiões da savana africana ocidental e em cujo corpo se abrem dois orifícios por onde passará um braço ou pescoço feito de pau-rosa, incorporado com 21 cordas (Konso) que provinham da pele do antílope, sendo, posteriormente, substituídas pelo nylon das canas de pesca, como consequência do quase desaparecimento do antílope, por volta do ano 1950.
As primeiras gravações conhecidas com a Kora datam de 1930, mas, apenas, em 1980, o instrumento conheceu uma grande expansão fora de África, graças aos músicos da Guiné, Mory Kanté e Jali Moussa Diawara, da Gambia, Foday Musa Suso, Dembo Konté e Kausu Kouyate e do Mali, Toumani Diabaté.
Como se depreenderá, este texto, apenas pretendeu resumir, em poucas palavras, toda uma longa história tradicional da Kora. As fontes de que eu fiz uso, pertencem à revista “Songlines” de 2001 e ao primeiro volume do livro “World Music”.
Como final feliz, recomendo, vivamente, dois CDs com dois dos maiores expoentes da Kora: “New Ancient Strings” de 1999, com o duo Toumani Diabate e Ballaké Sissoko e “Deli”, de Ballaké Sissoko, de 2000.

Oeiras, 17/10/2009 – Jorge Brasil Mesquita
mOINHO DAS aNTAS, 10/01/2010 - JORGE BRASIL MESQUITA - 14h17

Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 24 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 18H22. 

quarta-feira, 23 de maio de 2012

AFLUENTES POEMÁTICOS - XIII - BARRO LUARENTO

REMO NA RAIVA DO OLHAR
COM PALAVRAS DE PENÚRIA
E ESCUTO NO PULSAR
DE UMA IMENSA FÚRIA
AS GARGANTAS DA CORAGEM
QUE, EM CANTOS DE SEGREDO,
SACODEM ESSA VORAGEM
QUE, EM NOME DO DEGREDO,
ALCATROA A SOLIDÃO
COM PAISAGENS DE PORÃO.
MAS EM TUDO O QUE TREME
HÁ ESSAS VIDAS SEM LEME,
HÁ ESSES CORPOS DE VENTO
E O RASGAR DO PENSAMENTO
QUE LHES LAVA O ALENTO 
CO´A VOZ DO BARRO LUARENTO.
E EIS QUE ESCAVAM, AMANTES,
OS FUTUROS DILETANTES.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 23 de Maio de 2012, às 17H50.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 23 de Maio de 2012, às 17H51, e, concluído, às 18h20 do dia 23 de Maio de 2012.

CISCOS DIÁRIOS - 23 DE MAIO DE 2012

Dia após dia, cresço por fora e diminuo por dentro. O cerco das palavras, que era intenso e denso nas galochas dos meus espaços interiores, vai-se relaxando e, eu, sem querer, vou-me perdendo nos labirintos do seu bosque que, embora frondoso, se vai cerrando, encerrando-me na catástrofe dos seus limites. A memória dos seus trilhos infatigáveis vão sendo riscados, pouco a pouco, pela cegueira incrédula deste envelhecer que modela o equilíbrio da espontaneidade com as mãos calosas do inverno que não perdoa os afectos do seu tempo. Amigo destes colapsos diários, abraço tudo o que posso com esse desejo, quasi fanático, de nada perder à visibilidade do meu quotidiano. O espantalho dos seus campos mitigados assustam-se com a impertinência da minha frontalidade ante o desespero da sua inutilidade. Esta é a luta diária do meu cérebro que, nas espigas da criação, floresce, por inteiro, nas rotas do seu futuro precário. Sou a tempestade da bonança na caverna da esperança, esse saber de não ser, sendo, tudo o que se pesa na balança da boa temperança. 
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 23 de Maio de 2012, às 13H35, na Biblioteca Nacional.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 23 de Maio, às 13H36, e, concluído, às 14H24 do dia 23 de Maio de 2012.

MEMÓRIAS SONORAS - I - ROSA DE HIROSHIMA

Quando a história assalta e revista a memória, encontra algumas pérolas musicais que recordam acontecimentos fundamentais que pertencem ao percurso da Humanidade. “Rosa de Hiroshima” é uma pérola sonora inesquecível, com um poeminho lindíssimo do poeta Vinicius de Moraes e música de Gerson Conrad. O tema vinha incluído no primeiro álbum do grupo brasileiro Secos e Molhados, formados por Ney Matogrosso na voz, João Ricardo nos violões, harmónica e voz, Gerson Conrad em violões e voz e Marcelo Frias na bateria e em percussão. “Rosa de Hiroshima” relembra o lançamento e as consequências da bomba atómica americana sobre a cidade de Hiroshima em 06/08/1945.
Aqui ficam o poema e o local do vídeo no You Tube.

www.youtube.com/watch?v=mrJgYwIlG0Y.

Rosa de Hiroshima
Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.
Vinicius de Moraes/ Gerson Conrad

Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 23 de Maio de 2012, às 13H08, na Biblioteca Nacional.

terça-feira, 22 de maio de 2012

AFLUENTES POEMÁTICOS - XII - FORMIGAS DE CARNE

NO REFUGO DOS PENSAMENTOS
HÁ FORMIGAS DE CARNE,
OSSOS DE FUGAS DIÁRIAS,
NOS ACEPIPES DAS  NOITES CRUAS.
SÃO CLAUSTROS DE SINÓNIMOS
QUE VESTEM QUADROS DE CORES
AOS CEMITÉRIOS DA CONSCIÊNCIA,
GARGANTAS QUE MODELAM DORES
AOS SUBTERRÂNEOS DA CORAGEM
E SORRISOS QUE SE INVENTAM
À FULIGEM DOS OLHOS SEM ARTE
PARA ROMPEREM O CERCO DO MEDO
E PLANTAREM NAS AVES DO TEMPO
A LIBERDADE DA AURORA.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 22 de Maio de 2012, às 18H06, na Biblioteca Nacional.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 22 de Maio de 2012, às 18H07, e, concluído, às 18H17 do dia 22 de Maio de 2012

CISCOS DIÁRIOS - 22 DE MAIO DE 2012

Na paixão do dia sinto a revolta trocista do olhar. Atravesso as avenidas da cidade como se fosse uma ilha imaginária. A solidão é este revistimento bucólico no coração da cidade alheia ao som dos meus passos paginados pela musicalidade de uma Lua cheia que só eu avisto entre os ramos despidos de luz. Admiro as árvores que pastoreiam os passeios e ouço o canto dos seus pássaros. Os meus ouvidos sorriem, os meus lábios emitem sons de uma linguagem que desconheço o sentido. A cidade e o seu formigueiro humano revolvem-se em ondulações de vida parada. Adormeço, acordado, num raio perdido de Sol que, em um abraço de amizades férteis, me envia para o segredo do Universo. Despeço-me da cidade e, ela, despede-se de mim acordando a noite dos adornos pastorícios. Partir é sinónimo de chegar. Em cada esquina do meu segredo encontro o desejo desse amor que me acaricia com brisas de ternura e me lambe as feridas profundas das memórias que me ocultam do mundo que me rodeia. Pássaro negro que se confunde com a noite, voo para onde a sede me engole o corpo de água. Fonte eu sou, em rio me tornarei, buscando a foz do meu silêncio. A noite sabe ao que venho. Com o olhar trocista e sem paixão.   
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 22 de Maio de 2012, às 17H24, na Biblioteca Nacional.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 22 de Maio de 2012, e, concluído, às 17H58 do dia 22 de Maio de 2012.

CRITICARTE - III - POESIA

Não desconheço que a Poesia é um objecto de Arte. Mas também não é menos verdade que a Poesia é um mero consumo de palavras que se agrupam num recreio de estilos perpendiculares. Qual a utilidade da Poesia? Não lhe encontro nenhuma, a não ser a de explorar os sentidos, mergulhando-os no ácido sulfúrico da génese humana. Será o poeta um arquitecto de obras sem projecto? A evidência é o claro anúncio dos seus dividendos. Será o Poeta um candidato à posteridade? Ele pensa que sim. A poesia responde-lhe que talvez. A Poesia é um bolo comum ou uma faca de dois gumes? Para a maioria é um faca de dois gumes em que, um, está mais afiado do que o outro. A intuição de um é a realidade de que o outro não se aplica à tenda dos costumes. Os verso livre está sempre afiado, para a globalidade da maioria, enquanto o outro é julgado por ser ferrugento e arcaico. Portanto, não está na moda, é despiciendo, é letra morta. Aplicar regras ao pobre do poema é enriquecê-lo com a pobreza da liberdade. O verso livre é a marca de água do nosso tempo e quem se atreve a poetar com as regras que uma certa justeza de ritmo impõe, é, pela certa, um foragido das letras castigado pelo engano. O sintético da liberdade é uma obra de Arte eloquente, a grossura, rimada e ritmada, é uma bebedeira de um ébrio poético que se esconjura, mal a crítica redundante lhe desaperta os atilhos do calçado esburacado pelas traças do arcaísmo ridículo. Não tenho dúvidas, Álvaro de Campos esmaga-me, mas os seus imitadores são uma tragédia defecada por Shakespeare numa noite de pesadelos. A Poesia é um todo, os Poetas, certos Poetas, candidatos à imortalidade, são uma parcela rudimentar dos que escrevem prosa poética julgando que a Poesia é a boca que lhes cabe por direito. Direito uma ova! Brincar à Poesia, também eu brinco e não me atrevo a pôr-me em bicos de pés, mas uso, sem qualquer pudor ou prurido, os dois gumes da faca poética. Bem afiados, como convém a toda a Poesia, que a Poesia é a musicalidade da Literatura.    
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 22 de Maio de 2012, às 14H33, na Biblioteca Nacional.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 22 de Maio de 2012, às 14H33, e, concluído, às 15H21 do dia 22 de Maio de 2012.

AFLUENTES POEMÁTICOS - XI - MARMITA DE PALAVRAS

ROÇA-ME, ROÇA-ME ESTA PALIDEZ
DESTE CORPO SEDENTO,
DESTA MARMITA DE PALAVRAS
QUE, EM VÃO, DEGUSTO
PARA VARRER A SOLIDÃO
QUE ME EXPLORA O VÍCIO
DE ARDENTE NÃO SER
NO BAILADO DOS SENTIDOS.
SINTO A RIGIDEZ DOS MÚSCULOS OCULARES
E A CEGUEIRA DO SEU HORIZONTE,
ESSA DOR DORMENTE DA URGÊNCIA,
MANIFESTO QUE NÃO SE MANIFESTA
NA PELE CARCOMIDA PELO CARUNCHO DA TROÇA,
NEM NA DOÇURA DO ESTRUME
QUE SE PLANTA
NA FARSA DESÉRTICA DO CAOS
E NA BÓIA CALEFETADA PELO MEDO
DE TRANSPIRAR HUMANIDADE
ONDE HUMANO NÃO SOU.
CAMINHA,
CAMINHO SEM A BÚSSOLA DO TEMPO
AO ENCONTRO DO PASSO CONCRETO
QUE, SEM VERTIGENS, SEM DÚVIDAS,
REGISTA NA ELOQUÊNCIA DA VIDA
O SABOR DA SABEDORIA DEFINITIVA.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 22 de Maio, às 13H34, na Biblioteca Nacional.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 22 de Maio de 2012, às 13H35, e, concluído, às 14H00 do dia 22 de Maio de 2012.

FISGADAS POLÍTICAS - V - INGERÊNCIA POLÍTICA

O caso que deflagrou entre o Senhor Ministro Miguel Relvas e o jornal O Público tem as características de uma redondilha maior. O Senhor Ministro Miguel Relvas, há que reconhecê-lo, tem demonstrado, através das suas várias intervenções políticas, desconhecer a distinção entre autoridade e autoritarismo. A autoridade, quando exercida com discernimento político, aceita-se, em Democracia,ainda que se possa discordar dos seus objectivos. O autoritarismo é um objecto repelente que se introduz, maquievelicamente, nos discursos da política dictaturial. Para melhor defenir a fluidez intratável do Senhor Ministro Miguel Relvas direi que os seus abusos de inconsciência política se assemelham a concertos de música pimba. O Senhor Ministro dá-nos música que, decifrado o seu conteúdo, se transforma, nos nossos ouvidos, em uma reles pimbalhada, com saída pela direita baixa. Curioso estou, em conhecer qual vai ser a posição da ERC, e, muito especialmente, do seu Presidente. Será que estaremos na presença de uma outra posição pimbalheira? A ver vamos!
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 21 de Maio de 2012, às 21h00, no Comboio da Linha do Estoril..
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 22 de Maio de 2012, às 12H59, e, concluído, às 13H17 do dia 22 de Maio de 2012.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

AFLUENTES POEMÁTICOS - X - INSTINTO DE ME LER

SEGUINDO O INSTINTO DE ME LER,
SALTO PÁGINAS DE SABER,
ARRASO A ESCRAVATURA DA IGNORÂNCIA
E PENETRO, FUNDO, NESSA DISTÂNCIA
QUE, EM DEBATES DE RISO,
ME PROCLAMA A FALTA DE SISO
O ARGUMENTO DE NÃO O TER,
A CIÊNCIA DE NADA VER
ENTRE A VIDA QUE SE VIVE
E A LAUDA NADATÓRIA QUE SOBREVIVE
À BANCURA DO TALVEZ
E À MIGRAÇÃO DA PALIDEZ
QUE SE ENRAÍZA NO HÁLITO FUGAZ
DA PALAVRA QUE NADA FAZ
À SOLIDÃO DESTA PAZ
QUE ME RÓI OS CONCEITOS DO SEBO
E OS PRECEITOS QUE CONCEBO
À FERTILIDADE DA CONSCIÊNCIA
PARA RESUMIR ESTA IMPERTINÊNCIA
DE NADA SENTIR
QUANDO ME SENTO A SORRIR
ENTRE O COICE QUE EMUDECE
E A MEMÓRIA QUE SE ESQUECE.
SEGUINDO O INSTINTO DE ME LER
ESCREVO COM A FACA DO PRAZER.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 21 de Maio, de 2012, às 15H18, na Biblioteca Nacional.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 21 de Maio de 2012, às 15H19, e, concluído, às 15h47 do dia 21 de Maio de 2012.

HARMONICA BLUES - II

Não tardou que a chuva, em grossas bátegas, polvilhasse o solo poeirento e o alcatrão da auto-estrada 999. Das vaginas abertas nasciam bisontes que, mal se tingiam com os aromas da liberdade, partiam à desfilada em uma nuvem de poeiras cósmicas e perdiam-se nos corredores profundos da Via Láctea. Os blues da minha harmónica produziam notas que se elevavam na atmosfera e engordavam as bochechas do vento que, em golpes sucessivos, lançavam sobre o solo uma toalha de campos algodoeiros onde homens de capuzes acendiam as fogueiras aos Inquisidores das lascívias humanas que, em um tribunal, julgavam o Manual dos Inquisidores, julgando tratar-se do processo de Joana D´Arc, mas levados ao engano, não se sabe bem por quem, acabaram por ouvir a versão do Leonard Cohen que, sentado na berma da estrada, compunha os versículos de um poema emigrante. Neste lapso de tempo, perdido a destempo, os diabitos rubros, absorvidos pelos iões da ciência adulta, rolavam sobre os seus skates e, demoniacamente, mudavam de cor consoante ouviam, no seu i pod, os discursos mutantes da política veraneante que debutava na auto-estrada 999, onde os buracos são esconderijos de palavras malfeitoras. Mudei de harmónica, agora canarinha, mudei de blues: "See That My Grave Is Kept Clean".       
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 21 de Maio de 2012, às 13H58, na Biblioteca Nacional.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 21 de Maio de 2012, e, concluído, às 14H41 do dia 21 de Maio de 2012.

EPITÁFIOS - I - ROBIN GIBB

Quando a Morte se apossa da Vida, recorre-se à memória para nos avivar o que, eternamente, viverá. As canções de Robin Gibb, dos Bee Gees, recorriam ao romantismo e ao lirismo sonoro como poentes sonoros que nos embelezam os tímpanos e nos colam aos sentimentos que elas nos despertam. "I Started a Joke". Eis um epitáfio que define uma Vida.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 21 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H24.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 20 de Maio de 2012, às 13H25, e, concluído, às 13H39 do dia 21 de Maio de 2012. 

domingo, 20 de maio de 2012

CISCOS DIÁRIOS - 20 DE MAIO DE 2012

Entrei no Quadrante, escolhi um lugar, coloquei na mesa os jornais que trazia comigo e, em seguida, fui abastecer-me com umas costeletas, batatas, vinho e sobremesa. Sentei-me, à mesa, comi, sem pressas, e dispersei os meus pensamentos pelos ossos intragáveis da vida.  Os olhos, embora vivos, adormeceram nessa Morte de silêncios que nos contorna os escolhos das noites superficiais que, estrategicamente, mais não são do que Gigantes Adamastores ameaçando-nos com os tumultos da instabilidade emocional  e a verticalidade das irrealidades efémeras. Fui comendo, enquanto os meus dentes, dotados de pautas musicais, diluíam, em sinfonias fragmentadas, fráguas de dores que só eu compreendo e componho à doce inevitabilidade das fugas passageiras. Nem Bach as digeriria. Acabei de comer, degustando a monotonia de uma efervescência momentânea. Abri os jornais - o Jornal de Letras e A Bola - domestiquei as palavras do seus artigos e ingeri, de novo, a distância do horizonte que se alarga à feminidade das grutas onde se resguarda a atmosfera dos meus conflitos mentais. A sua utilidade resume-se aos desejos de possuir as identidades secretas dos sonhos que, sonhados, irradiam a surpresa sorridente das pontes que atravesso para alcançar a percepção segura deste corpo inadiável. Acordei a realidade, olhei à minha volta, observei sem observar, levantei-me e abandonei o Quadrante. Colado a fotografias de memórias gastas, esturguei o passo e, na paragem, mesmo junto ao Centro Cultural de Belém, apanhei o Eléctrico 15E, como se apanhasse a universalidade da minha irrelevância, essa realidade que se perde na distância de algaritmos sem alfabeto.     
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 20 de Maio de 2012, às 14H00, no Café-Restaurante Quadrante do Centro Cultural de Belém.
Escrito, directamente, no blogue, no Rossio, no dia 20 de Maio de 2012, às 15H29, e, concluído, às 16H18 do dia 20 de Maio de 2012.

ESPIRROS - I - DORES

DÓI-ME O UNIVERSO DO FUTURO E A COSMOLOGIA DO SEU PENSAMENTO FINITO.
Jorge Manue Brasil Mesquita
Criado, em 20 de Maio de 2012, às 14H30, no Café-Restaurante Quadrante e no eléctrico 15E.
Escrito, directamente, no blogue, no Rossio, no dia 20 de Maio de 2012, às 15H16, e, concluído, às 15H18 do dia 20 de Maio de 2012.

sábado, 19 de maio de 2012

CANÇÃO - VIII - TIRSTE E EXILADO

COMO UM REFUGIADO
VIVO ISOLADO
TRISTE E EXILADO
NESTE PAÍS EM QUE NASCI
E EMBORA HAJA AMOR
NESTE CORPO EM FLOR
SÓ SE VÊ RUBOR
NESTE PAÍS EM QUE FLORI.

NO COMEÇO
HAVIA O DESCONHEÇO
AGORA QUE TE CONHEÇO
NÃO TEM PREÇO
O VALOR DESTE APREÇO
POR ESTA NOSSA INFÂNCIA
QUE SE BEBE À DISTÂNCIA.

P´RA ONDE É QUE VAMOS
EM QUE PÉ ESTAMOS.

COMO UM RENEGADO
VIVO ATRACADO
AO CAIS DO EMBUÇADO
NESTE PAÍS EM QUE NASCI
E EMBORA HAJA AMOR
NESTE CORPO EM FLOR
SÓ SE OUVE UM RUMOR
NESTE PAÍS EM QUE FLORI.

NO COMEÇO
HAVIA O DESCONHEÇO
AGORA QUE TE CONHEÇO
NÃO TEM PREÇO
O VALOR DESTE APREÇO
POR ESSA DOCE SALIVA
QUE O CORAÇÃO CATIVA.

P´RA ONDE É QUE VAMOS
EM QUE PÉ ESTAMOS.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criada, em casa, em 18 de Maio de 2012, entre as 22H00 e as 23H00.
Continuada no caminho para o comboio da Linha do Estoril, em 19 de Maio de 2012, às 10H30.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 19 de Maio de 2012, às 12H47, e concluída, às 13H10 do dia 19 de Maio de 2012.
Corrigido, em 20 de Maio de 2012, às 15H12, no Rossio.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

AFLUENTES POEMÁTICOS - IX - SONOLÊNCIA MACIA

RASGAR O SILÊNCIO COM A DOR DO RUÍDO
CRAVAR COM PUNHAIS DE ADORNO
A PELE HÚMIDA DO DESESPERO
E INVENTAR À CEGUEIRA DO CANSAÇO
A FOGOSIDADE DA MATRIZ CLARA
QUE ESMERA A SAGACIDADE
COM O DELEITE DA SONOLÊNCIA MACIA
PARA QUE OS CAVALOS RUBROS DA IMPACIÊNCIA
ESPELHEM NO DORSO DOS AFAGOS DÓCEIS
A RESISTÊNCIA DAS PALAVRAS MAGNÍFICAS
QUE FECUNDAM ÀS PÉTALAS PERFUMADAS DO PARTO
A RIQUEZA RESPLANDECENTE DA HUMANIDADE.
E EIS QUE HUMANOS NASCIDOS DO TEMPO
SE TRANSFORMAM EM RENOVAÇÃO ETERNA DE LUZ PRIMAVERIL.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 18 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 17H05.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 18 de Maio de 2012, às 17H06, e, concluído, às 17H33 do dia 18 de Maio de 2012

CISCOS DIÁRIOS - 18 DE MAIO DE 2012

Cheiro ao suor tépido das avenidas gordurosas. Transporto, no dorso levemente dobrado e entorpecido, a saturação complexa dos pontos de exclamação que traduzem o ponto de rotura de um cérebro, ébrio e sonolento, que se estilhaça em fragmentos de várias estirpes. Cada estirpe é um modelo dessas ambições que se vendem ao desbarato na gordura das negociações. A vida é um complexo habitáculo de suores que se transpiram nos trampolins da discórdia. A concórdia é o desejo fatal da renúncia ao cinismo patibular. Modera-se o tempêro para se evitar a natureza picante do oxigénio poluído. A discórdia pode ser a concórdia do despique que se agride. A deontologia da vida, que se arrisca na pose diária do conformismo, é esse confronto entre o pacifismo da alma e o rudimentarismo do flagedor das inércias. Tudo se evita para nada se evitar. O suor que transpiro é o cheiro da fragrância onde nidifica a vingança dos que se limitam a pavonear-se na gordura bafienta dos Peeping Tom, esse prazer que se desfruta em nome de uma malfeitoria. Este tempo de desperdício em que se esfarela a gordura dos suores frios, é uma avenida de insensibilidade portuária. Conhece-se a existência do porto, desconhecendo-se quem a ele se atraca. A vida é uma gordura de suores, sem vida.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 18 de Maiode 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H57.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 18 de Maio de 2012, às 14H58, e, concluído, às 15H41 de 18 de Maio de 2012.

HARMONICA BLUES - I

Sentei-me à berma da estrada universal. Olhei para Norte e o seu horizonte era cruzado pelas pérolas de bilro. Olhei para Sul e o meu olhar foi cruzado pelas variações das mil e uma noites. Retirei das minhas calças de veludo negro uma harmónica, toda em azul marinho, que encontrei no templo das criações, O Crossroad, bati com ela em uma das minhas pernas e, levando-a aos lábios, entoei um blues coroado de riquezas harmónicas. Os meus olhos transformaram-se em dois pontos rubros de onde saltaram dois diabitos vermelhos com a curiosidade de terem os rabitos dourados. As suas mãos seguravam dois skates de cor negra com arabescos dourados. Saltaram para cima deles e, ao mesmo tempo que executavam um conjunto de mariposas sedutoras, pintaram a manta ao Touro Sentado que, sentado na elegância do cosmos, observava com toda a atenção as notas - sinais de fumo - que se escapuliam da minha harmónica e, inspirado pelo espírito de Manitu, decifrou-as e deu início aos rituais de uma maravilhosa dança da chuva. 
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 18 de Maio de 2012, na Estação de Picoas do Metropolitano de Lisboa, às 11H30.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 18 de Maio de 2012, às 12H35, e, concluído, às 13H00 do dia 18 de Maio de 2012.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

ZIPS SONOROS - IV - "BLINDING BY THE LIGHT"

Abro o Zip. Escavo, em profundidade, a memória dos sons. Encontro o ano de 1976. A composição escolhida dá pelo nome de "Blinding By The Light", interpretada pelos Manfred Mann Earth Band. O autor do tema: Bruce Springsteen. Recuemos um pouco mais nas escavações. Estamos, em 1962, ano em que o Sul-Africano Manfred Mann forma, em Inglaterra, a Mann-Hugg Blues Band, inseridos no revivalismo dos blues britânicos. Desejosos de alcançarem fama e proveito transformam-se nos Manfred Mann e enveredam pelo Pop. Depois de dois flops, gravam "54321" que os lançará, defenitivamente, na estrada memorável da música popular dos anos sessenta. Contudo, não é meu propósito rever toda a sua carreira, mas sim realçar a importância do grupo em gravar temas de Bob Dylan. Fizeram-no de uma forma requintada. Temas como "If you Gotta Go, Go Now", "With God On Our Side" e, muito especialmente, "Just Like a Woman", que mereceu um comentário elogioso de Dylan. Foi esta capacidade que Mann tinha de recriar temas de outros autores que, em 1976, a sua nova banda, batizada de Manfred Mann Earth Band, converteu numa preciosidade histórica o tema "Blinding By The Light", garantindo um reconhecimento a Bruce Sprigsteen que, até então, não passava de um ilustre desconhecido. Confesso que foi ela que me levou a descobrir os dois primeiros e notáveis albuns de Bruce. Mas, igualmente, confesso, que prefiro a versão dos Mann, à de Springsteen. O tema é uma cavalgada sonora muito ao jeito de Bruce e é, excelentemente interpretada por Chris Thompson, tema onde as aliterações formam uma espécie de puzzle temático e, o seu conteúdo, um manifesto urbano. Nunca me canso de a ouvir sempre que posso. Façam o mesmo, mas ouçam as duas versões. Optem pela que vos agradar mais. E pronto, escavação feita, zip fechado.      
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 17 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 17H07.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 17 de Maio de 2012, às 17H08, e, concluído, às 17H49 do dia 17 de Maio de 2012.

CISCOS DIÁRIOS - 17 DE MAIO DE 2012

Ao olhar para o quadro negro e digitalizado da minha vida corrente, descubro, nas imagens que o giz branco da virgindade desenha, a ausência do sol afectivo e a presença feminina de uma lua que me descreve, com detalhe, os pormenores de uma respiração engelhada e a tecelagem das dúvidas permanentes. A vida que me corre nas veias é um suspensório de ideias, segurando as calças dos seus movimentos para que não caia na tentação de fugir aos bolsos dos seus segredos. Penso, logo existo. Aonde e porquê? A longevidade é curta e banal, se me recolher à matéria recôndita de uma pulsação, elástica e irregular, que traduz, nos concertos da sua evolução, a traição de um instinto prededor. Se me despojo da realidade para inventar diálogos íntimos de fertilidade humana, concluo, sem demonstrar infidelidades à Humanidade, que rodeio ambiguidades de natureza lógica, vasculhando, no mais profundo do meu ser, a razão da existência e a mesquinhez de uma essência pastoril que se orienta pela linguagem cerrada do seu pastor. As metamorfoses que insemino nas palavras que apascento, desenvolvem conceitos de espontaneidades que me cultivam a imaginação e me ferem com o poder da crítica, desconhecendo, eu, quais as consequências das suas culturas extensivas. Reformado pela polivalência dos costumes, habito esta pertinência de estar vivo onde nem sequer a Morte janta, sem desconhecer que, um momento haverá, em que  lá virá o ponto final da sua prosa poética.     
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 17 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H15.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 17 de Maio de 2012, às 15H16, e, concluído, às 16H14 do dia 17 de Maio de 2012.

CANÇÃO - VII - SOPINHAS DE GORGULHO

ACABEMOS COM O ORGULHO
E SEMEEMOS O BANDULHO
COM SOPINHAS DE GORGULHO
E PENINHAS DE FEIJÕES
QUE LARGADAS EM SERMÕES
SÃO O GOSTO DE MILHÕES.

DIZIAM QUE TINHAM PLANOS
P´RA NOS TIRAREM DO CAOS.
DEPOIS DE ANOS APÓS ANOS
RESTA A SEITA DOS MAU-MAUS
E A RECEITA DOS SICRANOS
QUE NOS TORNARÁ INSANOS.

RASPE-SE O FUNDO AO TACHO
MAS SE NELE NADA ACHO
É LIMPAR-SE O PENACHO
A QUEM USA AS HOSSANAS
E LANCEMO-NOS COM GANAS
ÀS VORAGENS DOS SEUS TANAS.

DIZIAM QUE TINHAM PLANOS...

ACABEMOS CO´O PALEIO
E OS BIGODES DO RECEIO
AOS ASTUTOS DO RECHEIO
QUE PRESCREVEM A EMENTA
CO´AS GARGANTAS DA PIMENTA
E AS FINTAS DA TORMENTA.

DIZIAM ELES QUE TINHAM PLANOS...

ACABEMOS COM O RANÇO
QUE NOS BARALHA A PANÇA
E O BICO DO BICHO MANSO
QUE SE ABRE E AVANÇA
PARA ASCENDER À GRAÇA
DE SER O PODER DA TRAÇA.

E DIZIAM ELES QUE TINHAM PLANOS...
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, ontem à noite, em casa, às 22H30, sob a influência da música dos Steely Dan.
Escrito e continuado, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 17 de Maio de 2012, às 12H58, e, concluída, às

quarta-feira, 16 de maio de 2012

CISCOS DIÁRIOS - 16 DE MAIO DE 2012

As cotoveladas que sofro na vida assemelham-se a um baloiço de almas desvalidas. Sinto o eco das suas passadas nas fronteiras do meu espelho mental que refletem as harmonias de caprichos inúteis. Tempos houve em que o Mito de Sisifo se aplicava às regras dos que pretendiam moldar as chaves dos meus conteúdos ilusórios. Nestes processos de abcessos alheios avistei, constantemente, a saga das abelhas sem colmeia. Picam ao acaso e poisam onde tudo é volúvel. São traças de veludos pesados que rasgam sem a sensibilidade das tainhas vogando ao sabor da corrente. Pescam o que precioso lhes parece e, na hora da tosquia, verbalizam o irracionalismo dos dementes. A Nausea saliva-me as horas do poente, enquanto navego, solitário, pelo doce remanço da imaginação fértil, lambendo às labaredas de um amor vago a tranquilidade do meu silêncio nos ruídos ávidos da vida que vagueia e desfalece na aposentação dos seus remorsos itálicos.  Sentado na gávea dos meus sonhos, observo a invisibilidade de tudo o quanto me rodeia, e descubro na palidez do horizonte a rota dos teus cabelo sedosos e nocturnos. Afago-os com um gesto meigo e deslumbro-me com o feitiço da tua languidez perpétua. Sabes, sou esse teu desejo de me saberes balouçando na réstea pacifica desta ilha que sou. Rodeado de silêncio por todos os lados, grávido de ternura e de sensualidade. Eis-me, só, na Ilha dos Amores. 
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 16 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H56
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 16 de Maio de 2012, às 14H57, e, concluído, às 15h33 do dia 16 de Maio de 2012.

CANÇÃO - VI - ROCA O AR

SE TUDO O QUE SINTO
É SOLIDÃO
E A DOR COM QUE PINTO
O CORAÇÃO
NÃO SEI
MAS SEI
QUE PROVO ESSA DISTÂNCIA
ENTRE MIM E A TUA FRAGRÂNCIA.

DIAS HOUVE EM QUE FOSTE REAL
NAS PORTAS DO MEU OLHAR
MAS EU COMO UM RURAL
NÃO TE SOUBE ENCONTRAR
NO SAL DO MAR.

A NOITE DOS TEUS CABELOS
SÃO O SOL DO MEU TEAR
QUE A SEDE DE TECÊ-LOS
EM BROCADOS DE LUAR
ROCA O AR

SE TUDO O QUE FALHA
É A PAIXÃO
E A DOR QUE SE ENCALHA
POR ILUSÃO
NÃO SEI
MAS SEI
QUE TUDO EM MIM RENOVO
AO PROVAR COMO TE PROVO

NA DOÇURA DA PUREZA
NA CANDURA DA CERTEZA.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, ontem à noite, em casa, às 10H20 do dia 15 de Maio de 2012, sob a influência do album "Argus", dos Wishbone Ash.
Escrito e continuado, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, em 16 de Maio de 2012, às 13H55, e, concluída, às 14H20 do dia 16 de Maio de 2012

AFLUENTES POEMÁTICOS - VIII - HÁBITO NOCTURNO

AGARRO A NOITE COM A RAIVA DOS MEUS DENTES
E CAMINHO PELA SUA BOCA DE TEMPO
COM BOTINAS DE SILÊNCIO.
QUE PROCURA O MEU CORPO?
QUE ENCONTRA O MEU OLHAR?
QUE FOME É ESTA QUE SE REGALA EM SEGREDO?
SERÁ O PRAZER DESCONHECIDO DA TUA LÍNGUA AMANTE
LAMBENDO OS MEUS LÁBIOS DE TÉDIO?
DESCONHEÇO ESTE VAGAR LUMINOSO DE UM AMOR
QUE SE ENROLA NESTA PELE DORMENTE
COM O PRAZER DA CORAGEM INSENSATA
ENROSCADA EM LIBERDADES DE TENTAÇÃO MUSCULADA.
MÚSCULOS DE TERNURA,
ABRAÇOS DE TENTAÇÃO
E UM DILÚVIO DE PALAVRAS DOCES
SUSSURRADAS AOS OUVIDOS DESTE AMANTE INESPERADO.
AGARRO A NOITE COM O DESESPERO DA MADRUGADA
E RENUNCIO AO DIA DE TODOS OS DIAS
PARA ME SAGRAR SAGRADO NO POEMA DO TEU HÁBITO NOCTURNO.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 16 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H22.
Escrito, diretamente, no blogue, no dia 16 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H23, e, concluído, às 13h44 do dia 16 de Maio de 2012.