quinta-feira, 24 de maio de 2012

KORA

 Kora é nome de um instrumento ancestral e tradicional da África Ocidental. Segundo reza a lenda a Kora é associada aos Jinns (génios), cujos espíritos se embebedam perigosamente com os sons da Kora. A lenda conta que o primeiro instrumentista da Kora foi um Jinn, que a tocava, escondido num buraco invisível do solo. Um caçador que se embrenhou na floresta, ficou fascinado com aquele som que não conseguiu localizar. Porém, ao decifrar uma adivinha escrita no solo, o caçador aproveitando uma forte ventania, lançou uma rede na direcção do som que ouvia; o Jenni fugiu e o caçador, ao puxar a rede, descobriu que ela continha uma Kora.
As origens da Kora, segundo tradições orais, situam-se no reino de Sunjata Keita que fundou o Império do Mali, em 1235, embora contrariadas por outras vozes que as datam no começo do ano 1800. Todos os Jelis (nome Maliano atribuído aos tocadores da Kora) alinham pelo mesmo diapasão quanto à localização do seu uso inicial: o reino de Kaabu (actual Guiné-Bissau). Na Gambia, Jalis é o nome atribuído aos tocadores da Kora e, segundo a tradição, o primeiro Jali a tocar a Kora, foi Jali Madi Wuleng.
A Kora é um instrumento fabricado manualmente, sendo composta pela metade simétrica de uma cabaça (miirango), cuja origem se situa em várias regiões da savana africana ocidental e em cujo corpo se abrem dois orifícios por onde passará um braço ou pescoço feito de pau-rosa, incorporado com 21 cordas (Konso) que provinham da pele do antílope, sendo, posteriormente, substituídas pelo nylon das canas de pesca, como consequência do quase desaparecimento do antílope, por volta do ano 1950.
As primeiras gravações conhecidas com a Kora datam de 1930, mas, apenas, em 1980, o instrumento conheceu uma grande expansão fora de África, graças aos músicos da Guiné, Mory Kanté e Jali Moussa Diawara, da Gambia, Foday Musa Suso, Dembo Konté e Kausu Kouyate e do Mali, Toumani Diabaté.
Como se depreenderá, este texto, apenas pretendeu resumir, em poucas palavras, toda uma longa história tradicional da Kora. As fontes de que eu fiz uso, pertencem à revista “Songlines” de 2001 e ao primeiro volume do livro “World Music”.
Como final feliz, recomendo, vivamente, dois CDs com dois dos maiores expoentes da Kora: “New Ancient Strings” de 1999, com o duo Toumani Diabate e Ballaké Sissoko e “Deli”, de Ballaké Sissoko, de 2000.

Oeiras, 17/10/2009 – Jorge Brasil Mesquita
mOINHO DAS aNTAS, 10/01/2010 - JORGE BRASIL MESQUITA - 14h17

Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 24 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 18H22. 

quarta-feira, 23 de maio de 2012

AFLUENTES POEMÁTICOS - XIII - BARRO LUARENTO

REMO NA RAIVA DO OLHAR
COM PALAVRAS DE PENÚRIA
E ESCUTO NO PULSAR
DE UMA IMENSA FÚRIA
AS GARGANTAS DA CORAGEM
QUE, EM CANTOS DE SEGREDO,
SACODEM ESSA VORAGEM
QUE, EM NOME DO DEGREDO,
ALCATROA A SOLIDÃO
COM PAISAGENS DE PORÃO.
MAS EM TUDO O QUE TREME
HÁ ESSAS VIDAS SEM LEME,
HÁ ESSES CORPOS DE VENTO
E O RASGAR DO PENSAMENTO
QUE LHES LAVA O ALENTO 
CO´A VOZ DO BARRO LUARENTO.
E EIS QUE ESCAVAM, AMANTES,
OS FUTUROS DILETANTES.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 23 de Maio de 2012, às 17H50.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 23 de Maio de 2012, às 17H51, e, concluído, às 18h20 do dia 23 de Maio de 2012.

CISCOS DIÁRIOS - 23 DE MAIO DE 2012

Dia após dia, cresço por fora e diminuo por dentro. O cerco das palavras, que era intenso e denso nas galochas dos meus espaços interiores, vai-se relaxando e, eu, sem querer, vou-me perdendo nos labirintos do seu bosque que, embora frondoso, se vai cerrando, encerrando-me na catástrofe dos seus limites. A memória dos seus trilhos infatigáveis vão sendo riscados, pouco a pouco, pela cegueira incrédula deste envelhecer que modela o equilíbrio da espontaneidade com as mãos calosas do inverno que não perdoa os afectos do seu tempo. Amigo destes colapsos diários, abraço tudo o que posso com esse desejo, quasi fanático, de nada perder à visibilidade do meu quotidiano. O espantalho dos seus campos mitigados assustam-se com a impertinência da minha frontalidade ante o desespero da sua inutilidade. Esta é a luta diária do meu cérebro que, nas espigas da criação, floresce, por inteiro, nas rotas do seu futuro precário. Sou a tempestade da bonança na caverna da esperança, esse saber de não ser, sendo, tudo o que se pesa na balança da boa temperança. 
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 23 de Maio de 2012, às 13H35, na Biblioteca Nacional.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 23 de Maio, às 13H36, e, concluído, às 14H24 do dia 23 de Maio de 2012.

MEMÓRIAS SONORAS - I - ROSA DE HIROSHIMA

Quando a história assalta e revista a memória, encontra algumas pérolas musicais que recordam acontecimentos fundamentais que pertencem ao percurso da Humanidade. “Rosa de Hiroshima” é uma pérola sonora inesquecível, com um poeminho lindíssimo do poeta Vinicius de Moraes e música de Gerson Conrad. O tema vinha incluído no primeiro álbum do grupo brasileiro Secos e Molhados, formados por Ney Matogrosso na voz, João Ricardo nos violões, harmónica e voz, Gerson Conrad em violões e voz e Marcelo Frias na bateria e em percussão. “Rosa de Hiroshima” relembra o lançamento e as consequências da bomba atómica americana sobre a cidade de Hiroshima em 06/08/1945.
Aqui ficam o poema e o local do vídeo no You Tube.

www.youtube.com/watch?v=mrJgYwIlG0Y.

Rosa de Hiroshima
Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.
Vinicius de Moraes/ Gerson Conrad

Jorge Manuel Brasil Mesquita
Recriado, em 23 de Maio de 2012, às 13H08, na Biblioteca Nacional.

terça-feira, 22 de maio de 2012

AFLUENTES POEMÁTICOS - XII - FORMIGAS DE CARNE

NO REFUGO DOS PENSAMENTOS
HÁ FORMIGAS DE CARNE,
OSSOS DE FUGAS DIÁRIAS,
NOS ACEPIPES DAS  NOITES CRUAS.
SÃO CLAUSTROS DE SINÓNIMOS
QUE VESTEM QUADROS DE CORES
AOS CEMITÉRIOS DA CONSCIÊNCIA,
GARGANTAS QUE MODELAM DORES
AOS SUBTERRÂNEOS DA CORAGEM
E SORRISOS QUE SE INVENTAM
À FULIGEM DOS OLHOS SEM ARTE
PARA ROMPEREM O CERCO DO MEDO
E PLANTAREM NAS AVES DO TEMPO
A LIBERDADE DA AURORA.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 22 de Maio de 2012, às 18H06, na Biblioteca Nacional.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 22 de Maio de 2012, às 18H07, e, concluído, às 18H17 do dia 22 de Maio de 2012

CISCOS DIÁRIOS - 22 DE MAIO DE 2012

Na paixão do dia sinto a revolta trocista do olhar. Atravesso as avenidas da cidade como se fosse uma ilha imaginária. A solidão é este revistimento bucólico no coração da cidade alheia ao som dos meus passos paginados pela musicalidade de uma Lua cheia que só eu avisto entre os ramos despidos de luz. Admiro as árvores que pastoreiam os passeios e ouço o canto dos seus pássaros. Os meus ouvidos sorriem, os meus lábios emitem sons de uma linguagem que desconheço o sentido. A cidade e o seu formigueiro humano revolvem-se em ondulações de vida parada. Adormeço, acordado, num raio perdido de Sol que, em um abraço de amizades férteis, me envia para o segredo do Universo. Despeço-me da cidade e, ela, despede-se de mim acordando a noite dos adornos pastorícios. Partir é sinónimo de chegar. Em cada esquina do meu segredo encontro o desejo desse amor que me acaricia com brisas de ternura e me lambe as feridas profundas das memórias que me ocultam do mundo que me rodeia. Pássaro negro que se confunde com a noite, voo para onde a sede me engole o corpo de água. Fonte eu sou, em rio me tornarei, buscando a foz do meu silêncio. A noite sabe ao que venho. Com o olhar trocista e sem paixão.   
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 22 de Maio de 2012, às 17H24, na Biblioteca Nacional.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 22 de Maio de 2012, e, concluído, às 17H58 do dia 22 de Maio de 2012.

CRITICARTE - III - POESIA

Não desconheço que a Poesia é um objecto de Arte. Mas também não é menos verdade que a Poesia é um mero consumo de palavras que se agrupam num recreio de estilos perpendiculares. Qual a utilidade da Poesia? Não lhe encontro nenhuma, a não ser a de explorar os sentidos, mergulhando-os no ácido sulfúrico da génese humana. Será o poeta um arquitecto de obras sem projecto? A evidência é o claro anúncio dos seus dividendos. Será o Poeta um candidato à posteridade? Ele pensa que sim. A poesia responde-lhe que talvez. A Poesia é um bolo comum ou uma faca de dois gumes? Para a maioria é um faca de dois gumes em que, um, está mais afiado do que o outro. A intuição de um é a realidade de que o outro não se aplica à tenda dos costumes. Os verso livre está sempre afiado, para a globalidade da maioria, enquanto o outro é julgado por ser ferrugento e arcaico. Portanto, não está na moda, é despiciendo, é letra morta. Aplicar regras ao pobre do poema é enriquecê-lo com a pobreza da liberdade. O verso livre é a marca de água do nosso tempo e quem se atreve a poetar com as regras que uma certa justeza de ritmo impõe, é, pela certa, um foragido das letras castigado pelo engano. O sintético da liberdade é uma obra de Arte eloquente, a grossura, rimada e ritmada, é uma bebedeira de um ébrio poético que se esconjura, mal a crítica redundante lhe desaperta os atilhos do calçado esburacado pelas traças do arcaísmo ridículo. Não tenho dúvidas, Álvaro de Campos esmaga-me, mas os seus imitadores são uma tragédia defecada por Shakespeare numa noite de pesadelos. A Poesia é um todo, os Poetas, certos Poetas, candidatos à imortalidade, são uma parcela rudimentar dos que escrevem prosa poética julgando que a Poesia é a boca que lhes cabe por direito. Direito uma ova! Brincar à Poesia, também eu brinco e não me atrevo a pôr-me em bicos de pés, mas uso, sem qualquer pudor ou prurido, os dois gumes da faca poética. Bem afiados, como convém a toda a Poesia, que a Poesia é a musicalidade da Literatura.    
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 22 de Maio de 2012, às 14H33, na Biblioteca Nacional.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 22 de Maio de 2012, às 14H33, e, concluído, às 15H21 do dia 22 de Maio de 2012.

AFLUENTES POEMÁTICOS - XI - MARMITA DE PALAVRAS

ROÇA-ME, ROÇA-ME ESTA PALIDEZ
DESTE CORPO SEDENTO,
DESTA MARMITA DE PALAVRAS
QUE, EM VÃO, DEGUSTO
PARA VARRER A SOLIDÃO
QUE ME EXPLORA O VÍCIO
DE ARDENTE NÃO SER
NO BAILADO DOS SENTIDOS.
SINTO A RIGIDEZ DOS MÚSCULOS OCULARES
E A CEGUEIRA DO SEU HORIZONTE,
ESSA DOR DORMENTE DA URGÊNCIA,
MANIFESTO QUE NÃO SE MANIFESTA
NA PELE CARCOMIDA PELO CARUNCHO DA TROÇA,
NEM NA DOÇURA DO ESTRUME
QUE SE PLANTA
NA FARSA DESÉRTICA DO CAOS
E NA BÓIA CALEFETADA PELO MEDO
DE TRANSPIRAR HUMANIDADE
ONDE HUMANO NÃO SOU.
CAMINHA,
CAMINHO SEM A BÚSSOLA DO TEMPO
AO ENCONTRO DO PASSO CONCRETO
QUE, SEM VERTIGENS, SEM DÚVIDAS,
REGISTA NA ELOQUÊNCIA DA VIDA
O SABOR DA SABEDORIA DEFINITIVA.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 22 de Maio, às 13H34, na Biblioteca Nacional.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 22 de Maio de 2012, às 13H35, e, concluído, às 14H00 do dia 22 de Maio de 2012.

FISGADAS POLÍTICAS - V - INGERÊNCIA POLÍTICA

O caso que deflagrou entre o Senhor Ministro Miguel Relvas e o jornal O Público tem as características de uma redondilha maior. O Senhor Ministro Miguel Relvas, há que reconhecê-lo, tem demonstrado, através das suas várias intervenções políticas, desconhecer a distinção entre autoridade e autoritarismo. A autoridade, quando exercida com discernimento político, aceita-se, em Democracia,ainda que se possa discordar dos seus objectivos. O autoritarismo é um objecto repelente que se introduz, maquievelicamente, nos discursos da política dictaturial. Para melhor defenir a fluidez intratável do Senhor Ministro Miguel Relvas direi que os seus abusos de inconsciência política se assemelham a concertos de música pimba. O Senhor Ministro dá-nos música que, decifrado o seu conteúdo, se transforma, nos nossos ouvidos, em uma reles pimbalhada, com saída pela direita baixa. Curioso estou, em conhecer qual vai ser a posição da ERC, e, muito especialmente, do seu Presidente. Será que estaremos na presença de uma outra posição pimbalheira? A ver vamos!
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 21 de Maio de 2012, às 21h00, no Comboio da Linha do Estoril..
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 22 de Maio de 2012, às 12H59, e, concluído, às 13H17 do dia 22 de Maio de 2012.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

AFLUENTES POEMÁTICOS - X - INSTINTO DE ME LER

SEGUINDO O INSTINTO DE ME LER,
SALTO PÁGINAS DE SABER,
ARRASO A ESCRAVATURA DA IGNORÂNCIA
E PENETRO, FUNDO, NESSA DISTÂNCIA
QUE, EM DEBATES DE RISO,
ME PROCLAMA A FALTA DE SISO
O ARGUMENTO DE NÃO O TER,
A CIÊNCIA DE NADA VER
ENTRE A VIDA QUE SE VIVE
E A LAUDA NADATÓRIA QUE SOBREVIVE
À BANCURA DO TALVEZ
E À MIGRAÇÃO DA PALIDEZ
QUE SE ENRAÍZA NO HÁLITO FUGAZ
DA PALAVRA QUE NADA FAZ
À SOLIDÃO DESTA PAZ
QUE ME RÓI OS CONCEITOS DO SEBO
E OS PRECEITOS QUE CONCEBO
À FERTILIDADE DA CONSCIÊNCIA
PARA RESUMIR ESTA IMPERTINÊNCIA
DE NADA SENTIR
QUANDO ME SENTO A SORRIR
ENTRE O COICE QUE EMUDECE
E A MEMÓRIA QUE SE ESQUECE.
SEGUINDO O INSTINTO DE ME LER
ESCREVO COM A FACA DO PRAZER.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 21 de Maio, de 2012, às 15H18, na Biblioteca Nacional.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 21 de Maio de 2012, às 15H19, e, concluído, às 15h47 do dia 21 de Maio de 2012.

HARMONICA BLUES - II

Não tardou que a chuva, em grossas bátegas, polvilhasse o solo poeirento e o alcatrão da auto-estrada 999. Das vaginas abertas nasciam bisontes que, mal se tingiam com os aromas da liberdade, partiam à desfilada em uma nuvem de poeiras cósmicas e perdiam-se nos corredores profundos da Via Láctea. Os blues da minha harmónica produziam notas que se elevavam na atmosfera e engordavam as bochechas do vento que, em golpes sucessivos, lançavam sobre o solo uma toalha de campos algodoeiros onde homens de capuzes acendiam as fogueiras aos Inquisidores das lascívias humanas que, em um tribunal, julgavam o Manual dos Inquisidores, julgando tratar-se do processo de Joana D´Arc, mas levados ao engano, não se sabe bem por quem, acabaram por ouvir a versão do Leonard Cohen que, sentado na berma da estrada, compunha os versículos de um poema emigrante. Neste lapso de tempo, perdido a destempo, os diabitos rubros, absorvidos pelos iões da ciência adulta, rolavam sobre os seus skates e, demoniacamente, mudavam de cor consoante ouviam, no seu i pod, os discursos mutantes da política veraneante que debutava na auto-estrada 999, onde os buracos são esconderijos de palavras malfeitoras. Mudei de harmónica, agora canarinha, mudei de blues: "See That My Grave Is Kept Clean".       
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 21 de Maio de 2012, às 13H58, na Biblioteca Nacional.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 21 de Maio de 2012, e, concluído, às 14H41 do dia 21 de Maio de 2012.

EPITÁFIOS - I - ROBIN GIBB

Quando a Morte se apossa da Vida, recorre-se à memória para nos avivar o que, eternamente, viverá. As canções de Robin Gibb, dos Bee Gees, recorriam ao romantismo e ao lirismo sonoro como poentes sonoros que nos embelezam os tímpanos e nos colam aos sentimentos que elas nos despertam. "I Started a Joke". Eis um epitáfio que define uma Vida.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 21 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H24.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 20 de Maio de 2012, às 13H25, e, concluído, às 13H39 do dia 21 de Maio de 2012. 

domingo, 20 de maio de 2012

CISCOS DIÁRIOS - 20 DE MAIO DE 2012

Entrei no Quadrante, escolhi um lugar, coloquei na mesa os jornais que trazia comigo e, em seguida, fui abastecer-me com umas costeletas, batatas, vinho e sobremesa. Sentei-me, à mesa, comi, sem pressas, e dispersei os meus pensamentos pelos ossos intragáveis da vida.  Os olhos, embora vivos, adormeceram nessa Morte de silêncios que nos contorna os escolhos das noites superficiais que, estrategicamente, mais não são do que Gigantes Adamastores ameaçando-nos com os tumultos da instabilidade emocional  e a verticalidade das irrealidades efémeras. Fui comendo, enquanto os meus dentes, dotados de pautas musicais, diluíam, em sinfonias fragmentadas, fráguas de dores que só eu compreendo e componho à doce inevitabilidade das fugas passageiras. Nem Bach as digeriria. Acabei de comer, degustando a monotonia de uma efervescência momentânea. Abri os jornais - o Jornal de Letras e A Bola - domestiquei as palavras do seus artigos e ingeri, de novo, a distância do horizonte que se alarga à feminidade das grutas onde se resguarda a atmosfera dos meus conflitos mentais. A sua utilidade resume-se aos desejos de possuir as identidades secretas dos sonhos que, sonhados, irradiam a surpresa sorridente das pontes que atravesso para alcançar a percepção segura deste corpo inadiável. Acordei a realidade, olhei à minha volta, observei sem observar, levantei-me e abandonei o Quadrante. Colado a fotografias de memórias gastas, esturguei o passo e, na paragem, mesmo junto ao Centro Cultural de Belém, apanhei o Eléctrico 15E, como se apanhasse a universalidade da minha irrelevância, essa realidade que se perde na distância de algaritmos sem alfabeto.     
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 20 de Maio de 2012, às 14H00, no Café-Restaurante Quadrante do Centro Cultural de Belém.
Escrito, directamente, no blogue, no Rossio, no dia 20 de Maio de 2012, às 15H29, e, concluído, às 16H18 do dia 20 de Maio de 2012.

ESPIRROS - I - DORES

DÓI-ME O UNIVERSO DO FUTURO E A COSMOLOGIA DO SEU PENSAMENTO FINITO.
Jorge Manue Brasil Mesquita
Criado, em 20 de Maio de 2012, às 14H30, no Café-Restaurante Quadrante e no eléctrico 15E.
Escrito, directamente, no blogue, no Rossio, no dia 20 de Maio de 2012, às 15H16, e, concluído, às 15H18 do dia 20 de Maio de 2012.

sábado, 19 de maio de 2012

CANÇÃO - VIII - TIRSTE E EXILADO

COMO UM REFUGIADO
VIVO ISOLADO
TRISTE E EXILADO
NESTE PAÍS EM QUE NASCI
E EMBORA HAJA AMOR
NESTE CORPO EM FLOR
SÓ SE VÊ RUBOR
NESTE PAÍS EM QUE FLORI.

NO COMEÇO
HAVIA O DESCONHEÇO
AGORA QUE TE CONHEÇO
NÃO TEM PREÇO
O VALOR DESTE APREÇO
POR ESTA NOSSA INFÂNCIA
QUE SE BEBE À DISTÂNCIA.

P´RA ONDE É QUE VAMOS
EM QUE PÉ ESTAMOS.

COMO UM RENEGADO
VIVO ATRACADO
AO CAIS DO EMBUÇADO
NESTE PAÍS EM QUE NASCI
E EMBORA HAJA AMOR
NESTE CORPO EM FLOR
SÓ SE OUVE UM RUMOR
NESTE PAÍS EM QUE FLORI.

NO COMEÇO
HAVIA O DESCONHEÇO
AGORA QUE TE CONHEÇO
NÃO TEM PREÇO
O VALOR DESTE APREÇO
POR ESSA DOCE SALIVA
QUE O CORAÇÃO CATIVA.

P´RA ONDE É QUE VAMOS
EM QUE PÉ ESTAMOS.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criada, em casa, em 18 de Maio de 2012, entre as 22H00 e as 23H00.
Continuada no caminho para o comboio da Linha do Estoril, em 19 de Maio de 2012, às 10H30.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 19 de Maio de 2012, às 12H47, e concluída, às 13H10 do dia 19 de Maio de 2012.
Corrigido, em 20 de Maio de 2012, às 15H12, no Rossio.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

AFLUENTES POEMÁTICOS - IX - SONOLÊNCIA MACIA

RASGAR O SILÊNCIO COM A DOR DO RUÍDO
CRAVAR COM PUNHAIS DE ADORNO
A PELE HÚMIDA DO DESESPERO
E INVENTAR À CEGUEIRA DO CANSAÇO
A FOGOSIDADE DA MATRIZ CLARA
QUE ESMERA A SAGACIDADE
COM O DELEITE DA SONOLÊNCIA MACIA
PARA QUE OS CAVALOS RUBROS DA IMPACIÊNCIA
ESPELHEM NO DORSO DOS AFAGOS DÓCEIS
A RESISTÊNCIA DAS PALAVRAS MAGNÍFICAS
QUE FECUNDAM ÀS PÉTALAS PERFUMADAS DO PARTO
A RIQUEZA RESPLANDECENTE DA HUMANIDADE.
E EIS QUE HUMANOS NASCIDOS DO TEMPO
SE TRANSFORMAM EM RENOVAÇÃO ETERNA DE LUZ PRIMAVERIL.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 18 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 17H05.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 18 de Maio de 2012, às 17H06, e, concluído, às 17H33 do dia 18 de Maio de 2012

CISCOS DIÁRIOS - 18 DE MAIO DE 2012

Cheiro ao suor tépido das avenidas gordurosas. Transporto, no dorso levemente dobrado e entorpecido, a saturação complexa dos pontos de exclamação que traduzem o ponto de rotura de um cérebro, ébrio e sonolento, que se estilhaça em fragmentos de várias estirpes. Cada estirpe é um modelo dessas ambições que se vendem ao desbarato na gordura das negociações. A vida é um complexo habitáculo de suores que se transpiram nos trampolins da discórdia. A concórdia é o desejo fatal da renúncia ao cinismo patibular. Modera-se o tempêro para se evitar a natureza picante do oxigénio poluído. A discórdia pode ser a concórdia do despique que se agride. A deontologia da vida, que se arrisca na pose diária do conformismo, é esse confronto entre o pacifismo da alma e o rudimentarismo do flagedor das inércias. Tudo se evita para nada se evitar. O suor que transpiro é o cheiro da fragrância onde nidifica a vingança dos que se limitam a pavonear-se na gordura bafienta dos Peeping Tom, esse prazer que se desfruta em nome de uma malfeitoria. Este tempo de desperdício em que se esfarela a gordura dos suores frios, é uma avenida de insensibilidade portuária. Conhece-se a existência do porto, desconhecendo-se quem a ele se atraca. A vida é uma gordura de suores, sem vida.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 18 de Maiode 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H57.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 18 de Maio de 2012, às 14H58, e, concluído, às 15H41 de 18 de Maio de 2012.

HARMONICA BLUES - I

Sentei-me à berma da estrada universal. Olhei para Norte e o seu horizonte era cruzado pelas pérolas de bilro. Olhei para Sul e o meu olhar foi cruzado pelas variações das mil e uma noites. Retirei das minhas calças de veludo negro uma harmónica, toda em azul marinho, que encontrei no templo das criações, O Crossroad, bati com ela em uma das minhas pernas e, levando-a aos lábios, entoei um blues coroado de riquezas harmónicas. Os meus olhos transformaram-se em dois pontos rubros de onde saltaram dois diabitos vermelhos com a curiosidade de terem os rabitos dourados. As suas mãos seguravam dois skates de cor negra com arabescos dourados. Saltaram para cima deles e, ao mesmo tempo que executavam um conjunto de mariposas sedutoras, pintaram a manta ao Touro Sentado que, sentado na elegância do cosmos, observava com toda a atenção as notas - sinais de fumo - que se escapuliam da minha harmónica e, inspirado pelo espírito de Manitu, decifrou-as e deu início aos rituais de uma maravilhosa dança da chuva. 
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 18 de Maio de 2012, na Estação de Picoas do Metropolitano de Lisboa, às 11H30.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 18 de Maio de 2012, às 12H35, e, concluído, às 13H00 do dia 18 de Maio de 2012.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

ZIPS SONOROS - IV - "BLINDING BY THE LIGHT"

Abro o Zip. Escavo, em profundidade, a memória dos sons. Encontro o ano de 1976. A composição escolhida dá pelo nome de "Blinding By The Light", interpretada pelos Manfred Mann Earth Band. O autor do tema: Bruce Springsteen. Recuemos um pouco mais nas escavações. Estamos, em 1962, ano em que o Sul-Africano Manfred Mann forma, em Inglaterra, a Mann-Hugg Blues Band, inseridos no revivalismo dos blues britânicos. Desejosos de alcançarem fama e proveito transformam-se nos Manfred Mann e enveredam pelo Pop. Depois de dois flops, gravam "54321" que os lançará, defenitivamente, na estrada memorável da música popular dos anos sessenta. Contudo, não é meu propósito rever toda a sua carreira, mas sim realçar a importância do grupo em gravar temas de Bob Dylan. Fizeram-no de uma forma requintada. Temas como "If you Gotta Go, Go Now", "With God On Our Side" e, muito especialmente, "Just Like a Woman", que mereceu um comentário elogioso de Dylan. Foi esta capacidade que Mann tinha de recriar temas de outros autores que, em 1976, a sua nova banda, batizada de Manfred Mann Earth Band, converteu numa preciosidade histórica o tema "Blinding By The Light", garantindo um reconhecimento a Bruce Sprigsteen que, até então, não passava de um ilustre desconhecido. Confesso que foi ela que me levou a descobrir os dois primeiros e notáveis albuns de Bruce. Mas, igualmente, confesso, que prefiro a versão dos Mann, à de Springsteen. O tema é uma cavalgada sonora muito ao jeito de Bruce e é, excelentemente interpretada por Chris Thompson, tema onde as aliterações formam uma espécie de puzzle temático e, o seu conteúdo, um manifesto urbano. Nunca me canso de a ouvir sempre que posso. Façam o mesmo, mas ouçam as duas versões. Optem pela que vos agradar mais. E pronto, escavação feita, zip fechado.      
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 17 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 17H07.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 17 de Maio de 2012, às 17H08, e, concluído, às 17H49 do dia 17 de Maio de 2012.

CISCOS DIÁRIOS - 17 DE MAIO DE 2012

Ao olhar para o quadro negro e digitalizado da minha vida corrente, descubro, nas imagens que o giz branco da virgindade desenha, a ausência do sol afectivo e a presença feminina de uma lua que me descreve, com detalhe, os pormenores de uma respiração engelhada e a tecelagem das dúvidas permanentes. A vida que me corre nas veias é um suspensório de ideias, segurando as calças dos seus movimentos para que não caia na tentação de fugir aos bolsos dos seus segredos. Penso, logo existo. Aonde e porquê? A longevidade é curta e banal, se me recolher à matéria recôndita de uma pulsação, elástica e irregular, que traduz, nos concertos da sua evolução, a traição de um instinto prededor. Se me despojo da realidade para inventar diálogos íntimos de fertilidade humana, concluo, sem demonstrar infidelidades à Humanidade, que rodeio ambiguidades de natureza lógica, vasculhando, no mais profundo do meu ser, a razão da existência e a mesquinhez de uma essência pastoril que se orienta pela linguagem cerrada do seu pastor. As metamorfoses que insemino nas palavras que apascento, desenvolvem conceitos de espontaneidades que me cultivam a imaginação e me ferem com o poder da crítica, desconhecendo, eu, quais as consequências das suas culturas extensivas. Reformado pela polivalência dos costumes, habito esta pertinência de estar vivo onde nem sequer a Morte janta, sem desconhecer que, um momento haverá, em que  lá virá o ponto final da sua prosa poética.     
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 17 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H15.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 17 de Maio de 2012, às 15H16, e, concluído, às 16H14 do dia 17 de Maio de 2012.

CANÇÃO - VII - SOPINHAS DE GORGULHO

ACABEMOS COM O ORGULHO
E SEMEEMOS O BANDULHO
COM SOPINHAS DE GORGULHO
E PENINHAS DE FEIJÕES
QUE LARGADAS EM SERMÕES
SÃO O GOSTO DE MILHÕES.

DIZIAM QUE TINHAM PLANOS
P´RA NOS TIRAREM DO CAOS.
DEPOIS DE ANOS APÓS ANOS
RESTA A SEITA DOS MAU-MAUS
E A RECEITA DOS SICRANOS
QUE NOS TORNARÁ INSANOS.

RASPE-SE O FUNDO AO TACHO
MAS SE NELE NADA ACHO
É LIMPAR-SE O PENACHO
A QUEM USA AS HOSSANAS
E LANCEMO-NOS COM GANAS
ÀS VORAGENS DOS SEUS TANAS.

DIZIAM QUE TINHAM PLANOS...

ACABEMOS CO´O PALEIO
E OS BIGODES DO RECEIO
AOS ASTUTOS DO RECHEIO
QUE PRESCREVEM A EMENTA
CO´AS GARGANTAS DA PIMENTA
E AS FINTAS DA TORMENTA.

DIZIAM ELES QUE TINHAM PLANOS...

ACABEMOS COM O RANÇO
QUE NOS BARALHA A PANÇA
E O BICO DO BICHO MANSO
QUE SE ABRE E AVANÇA
PARA ASCENDER À GRAÇA
DE SER O PODER DA TRAÇA.

E DIZIAM ELES QUE TINHAM PLANOS...
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, ontem à noite, em casa, às 22H30, sob a influência da música dos Steely Dan.
Escrito e continuado, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 17 de Maio de 2012, às 12H58, e, concluída, às

quarta-feira, 16 de maio de 2012

CISCOS DIÁRIOS - 16 DE MAIO DE 2012

As cotoveladas que sofro na vida assemelham-se a um baloiço de almas desvalidas. Sinto o eco das suas passadas nas fronteiras do meu espelho mental que refletem as harmonias de caprichos inúteis. Tempos houve em que o Mito de Sisifo se aplicava às regras dos que pretendiam moldar as chaves dos meus conteúdos ilusórios. Nestes processos de abcessos alheios avistei, constantemente, a saga das abelhas sem colmeia. Picam ao acaso e poisam onde tudo é volúvel. São traças de veludos pesados que rasgam sem a sensibilidade das tainhas vogando ao sabor da corrente. Pescam o que precioso lhes parece e, na hora da tosquia, verbalizam o irracionalismo dos dementes. A Nausea saliva-me as horas do poente, enquanto navego, solitário, pelo doce remanço da imaginação fértil, lambendo às labaredas de um amor vago a tranquilidade do meu silêncio nos ruídos ávidos da vida que vagueia e desfalece na aposentação dos seus remorsos itálicos.  Sentado na gávea dos meus sonhos, observo a invisibilidade de tudo o quanto me rodeia, e descubro na palidez do horizonte a rota dos teus cabelo sedosos e nocturnos. Afago-os com um gesto meigo e deslumbro-me com o feitiço da tua languidez perpétua. Sabes, sou esse teu desejo de me saberes balouçando na réstea pacifica desta ilha que sou. Rodeado de silêncio por todos os lados, grávido de ternura e de sensualidade. Eis-me, só, na Ilha dos Amores. 
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 16 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H56
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 16 de Maio de 2012, às 14H57, e, concluído, às 15h33 do dia 16 de Maio de 2012.

CANÇÃO - VI - ROCA O AR

SE TUDO O QUE SINTO
É SOLIDÃO
E A DOR COM QUE PINTO
O CORAÇÃO
NÃO SEI
MAS SEI
QUE PROVO ESSA DISTÂNCIA
ENTRE MIM E A TUA FRAGRÂNCIA.

DIAS HOUVE EM QUE FOSTE REAL
NAS PORTAS DO MEU OLHAR
MAS EU COMO UM RURAL
NÃO TE SOUBE ENCONTRAR
NO SAL DO MAR.

A NOITE DOS TEUS CABELOS
SÃO O SOL DO MEU TEAR
QUE A SEDE DE TECÊ-LOS
EM BROCADOS DE LUAR
ROCA O AR

SE TUDO O QUE FALHA
É A PAIXÃO
E A DOR QUE SE ENCALHA
POR ILUSÃO
NÃO SEI
MAS SEI
QUE TUDO EM MIM RENOVO
AO PROVAR COMO TE PROVO

NA DOÇURA DA PUREZA
NA CANDURA DA CERTEZA.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, ontem à noite, em casa, às 10H20 do dia 15 de Maio de 2012, sob a influência do album "Argus", dos Wishbone Ash.
Escrito e continuado, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, em 16 de Maio de 2012, às 13H55, e, concluída, às 14H20 do dia 16 de Maio de 2012

AFLUENTES POEMÁTICOS - VIII - HÁBITO NOCTURNO

AGARRO A NOITE COM A RAIVA DOS MEUS DENTES
E CAMINHO PELA SUA BOCA DE TEMPO
COM BOTINAS DE SILÊNCIO.
QUE PROCURA O MEU CORPO?
QUE ENCONTRA O MEU OLHAR?
QUE FOME É ESTA QUE SE REGALA EM SEGREDO?
SERÁ O PRAZER DESCONHECIDO DA TUA LÍNGUA AMANTE
LAMBENDO OS MEUS LÁBIOS DE TÉDIO?
DESCONHEÇO ESTE VAGAR LUMINOSO DE UM AMOR
QUE SE ENROLA NESTA PELE DORMENTE
COM O PRAZER DA CORAGEM INSENSATA
ENROSCADA EM LIBERDADES DE TENTAÇÃO MUSCULADA.
MÚSCULOS DE TERNURA,
ABRAÇOS DE TENTAÇÃO
E UM DILÚVIO DE PALAVRAS DOCES
SUSSURRADAS AOS OUVIDOS DESTE AMANTE INESPERADO.
AGARRO A NOITE COM O DESESPERO DA MADRUGADA
E RENUNCIO AO DIA DE TODOS OS DIAS
PARA ME SAGRAR SAGRADO NO POEMA DO TEU HÁBITO NOCTURNO.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 16 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H22.
Escrito, diretamente, no blogue, no dia 16 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H23, e, concluído, às 13h44 do dia 16 de Maio de 2012.

terça-feira, 15 de maio de 2012

CISCOS DIÁRIOS - 15 DE MAIO DE 2012

Sou um calafrio de dias póstumos. Os meus pensamentos são riscos diários, soprando as metáforas do olhar que transcendem o limiar do absurdo. Cada passo que dou sob os concertos humanos da cidade, revelam a esfinge deste corpo que partilho com as sombras da idade. Ser-se jovem para não se ser velho é um prazo que se valida ao custo de vida. Sob os mantos do silêncio componho sonatas de Outono que o Verão derrete para não decifrar esta ousadia de escrever desafios à docilidade do tempo que nos costura com os pregões da conformidade inapelável. Por muitas perguntas que crave, neste exílio permanente, à suavidade embrionária dos sorrisos complacentes, não lhes ouço os sussurros lacinantes, nem a musicalidade das lágrimas blasfemas. Os dias são dias, as noites são noites, e nada se ouve no lento deslizar das nuvens que são promessas de vãs fertilidades. Tudo é efémero. E efémero serei eu, nas águas ligeiras de um rio sem fronteiras. A Morte é um cancioneiro de pássaros, perdidos na combustão do tempo. Assim, eu voarei.        
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 15 de Maio de 2012, às 17H46, na Biblioteca Nacional.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 15 de Maio de 2012, às 17H47, e, concluído, às 18H15 do dia 15 de Maio de 2012.

CANÇÃO - V - MAGRO E RASO

TENHO QUE MUDAR O CURSO
DE TODA A MINHA VIDA
E ALTERAR O PERCURSO
A ESTA VELHA FERIDA
QUE CO´ABCESSOS E CAROÇOS
FORRAM A PAZ DOS MEUS OSSOS.

E SE A FONÉTICA DO OCASO
PERFUMAR A PELE DO VENTO
ESTE CORPO, MAGRO E RASO,
SERÁ O VÉU DO SEU CONVENTO.

E SE O QUE SOBRAR DO ASCETA
FOR UM PAPIRO SEM LEME
SEREI A DOR DO PROFETA
QUE NA VIDA NADA TEME,
NEM OS ABISMOS DA FOME,
NEM NOITES QUE A BOCA COME.

E SE A MÉTRICA DO ACASO
OLVIDAR O FOGO DA TINTA
ESTE CORPO, MAGRO E RASO,
SERÁ O QUADRO QUE SE PINTA

EM NOME DA NATUREZA
QUE, HUMANA, SE FEZ BELEZA.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em casa, na noite do dia 14 de Maio de 2012, às 10H30, sob influência do album "Argus", dos Wishbone Ash.
Escrito e continuado, diretamente, no blogue, no dia 15 de Maio de 2012, às 15H37, e, concluído, às 16H04 do dia 15 de Maio de 2012

CRITICARTE - II - DARK SHADOWS - TIM BURTON

Confesso que a minha resistência se foi abaixo das suas canetas. E confesso, igualmente, que tenho um fraquinho pela filmografia do realizador Tim Burton. Eis a causa da minha fraqueza. Desde que vi, pela primeira vez, "Eduardo Mãos de Tesoura", que poucos dos seus filmes têm escapado à observação cinéfila dos meus olhos. Talvez, não esteja longe da verdade, se afirmar que a maioria dos filmes do realizador são caracterizados por uma espécie de névoa sombria onde personagens e argumentos se movimentam à volta de um fio condutor que envolvem mistérios e espaços de dinamismo poético que nos atraiem como se de fantasias fantasmagóricas se tratassem. Tudo isto vem a propósito do seu último filme "Dark Shadows".  O filme é um carnaval vampiresco e um festival de bruxaria, onde não falta o humor, a fantasia e os desempenhos muito bem conseguidos, antes de mais, de Johnny Depp, até ao de uma Michelle Pfeiffer, no papel de uma dama que se move com elegância entre a sua demoníaca família. A realização superior de Tim Burton manifesta-se no equilibrio perfeito entre os grandes planos de notório humor (veio-me à memória o seu filme "Mars Attacks!) e os ritmos frenéticos das sequências  animalescas, todas elas marcadas pelos seus planos sombrios de que não abdica e que, do meu ponto de vista, são a sua imagem de marca.  Deliciei-me com o filme e com a beleza plástica de um vampiro que, humanamente, é de um cavalheirismo notável, mesmo quanto suga as suas vítimas. A visão do M da McDonald´s e o convívio de Depp com os hippies são de um humor negro notáveis. Não desperdícem este belo filme de Tim Burton. 
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 15 de Maio de 2012, às 14H48, na Biblioteca Nacional.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 15 de Maio de 2012, às 14H49, è, concluído, às 15H20 do dia 15 de Maio de 2012.

FISGADAS POLÍTICAS - IV - A CRISE EUROPEIA

A Grécia está a gerar um tumulto, mais emocional, que mental, em certos países da Europa Comunitária que, de comunitària, já nada tem. A possibilidade da crise grega só se resolver com o recurso a novas eleições e a possibilidade do partido Syriza, de Alexis Tsipras, vencê-las, espevita, em algumas almas penadas da velha Europa, o desejo que os gregos abandonem o Euro. Por comodidade e contra a incomodidade. Em Democracia, é bom recordá-lo, os eleitores são quem escolhe, livremente, os seus governantes e, estes, ficam incumbidos de procurarem as soluções ideais para retirarem o país da crise em que vivem. Todo o cuidado será pouco, se o desejo que alguns alimentam de atirarem a Grécia para fora do Euro, provocarem a derrocada defenitiva da CE. O medo que é visível, em alguns países, com especial relevo para a Alemanha da Kaiser Fraulein Angela Merkel, de que, politicamente, a Europa vire à esquerda, provoca-lhes pruridos ideológicos que se refletem, de imediato, nas flutuações negativas dos mercados. No fundo, são eles, e não a crise da Grécia quem estão a detonar as fraquezas que a economia europeia revela. E a austeridade é o mal maior de um crescimento económico menor.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 15 de Maio de 2012, às 14H11, na Biblioteca Nacional.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 15 de Maio de 2012, às 14H12, e, concluído, às 14H38 do dia 15 de Maio de 2012.

FUGAS CULINÁRIAS - II - OMELETE

Qual é o desmancha-prazeres que não sabe cozinhar uma omelete? Afirma-ma o dedo mindinho que há uns quantos. Pois bem, aqui fica uma sugestão culinária: a confecção de uma omelete, diferente das vulgares.
Primeiro acto: abrir os ovos, separar as gemas das claras e depositá-las numa tigela. Escolher um número razoável de ameixas secas descoroçadas, cortando-as em pequenos pedaços para depois mergulhá-las nas gemas. Bater tudo, muito bem batido. Escolher uma boa sertã e untá-la com uns belos fios de azeite. Assim que estiver no ponto, despejar os ovos para dentro da sertã. Mal a omelete esteja vivaça, dobra-se, até ficar parecida com uma torta. Assim que ela estiver bem enrolada, retira-se da sertã e coloca-se a omelete em uma travessa vistosa. Depois, pega-se em um pincel, adequado às circunstâncias, mergulha-se em um pote de bom mel e unta-se toda a omelete com ele. Pronta? Ainda não. Falta a decoração. Escolhe-se uma boa manga, descasca-se, corta-se em fatias bem medidas, colocando-as, em seguida, à volta da omelete. Depois, é só comê-la. Uuhm! que Fome! Experimentem, vão ver que adorarão comer este belo petisco.   
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 15 de Maio de 2012, às 13H25, na Biblioteca Nacional.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 15 de Maio de 2012, às 13H26, e, concluído, às 13H44 do dia 15 de Maio de 2012.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

AFLUENTES POEMÁTICOS - VII - MEMÓRIA DO CORPO

ABRO ESTE LIVRO EM BRANCO.
COM PALAVRAS O VISTO
SEM QUE A MODA O TEÇA.
COM PINCEIS DE VIDA O PINTO
SEM AS CORES SOMBRIAS
QUE O SILÊNCIO AFAGA.
A CAPA SÃO ESTES DEDOS
FEITOS DE PALAVRAS MORTAS
A QUE O FOGO DO TEMPO
GERA A ÁGUA DE LUZ
QUE LHE CEGA A SEDE
E LHE MORDE A MORTE
COM OS DEDOS DO VENTO
QUE ACORDAM O ENCANTO
À ESCRITA QUE PERFUMO
CO´O HÁBITO DO ALFABETO
E O DESENHO DA IDADE.
LIVRO QUE FOSTE DESERTO
E, EM CARNE VIVA, CRESCESTE,
COMO POESIA DE PRANTO
QUE SE ESCONDE DO DIA
E FLORESCE À NOITE
MAL A FONTE EMBEBEDA
A MEMÓRIA DO CORPO.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 14 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 17H02.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 14 de Maio de 2012, às 17H03, e, concluído, às 17H30 do dia 14 de Maio de 2012. 

CISCOS DIÁRIOS - 14 DE MAIO DE 2012

Reconheço que as cenouras vitaminam os olhos. Os olhos são canas-de-pesca nas cenouras verbais dos tempos rurais. Esta metáfora, não é uma metáfora, é uma cábula que escrevi em tempos de memórias curtas. Os meus olhos são ecrãs de imagens fluentes que estimulam as aves corredoras de um tempo que já não se vive. Há este cansaço da escrita que me fita, tão aflita, que nem eu sei o que a medita, se é desdita, se uma complexa fita que me mede a mitologia restrita de cenários que interpreto sem que actor seja, porque no palco da ilusões sou o mordomo das fantasias que ninguém desenha nos bolsos dos seus cantos. Sou vendaval de perguntas pessoais e um temporal de respostas universais com que decoro os limbos das cortesias fatais. Desconheço em que vale de sombras sou a sombra que se assusta consigo própria. Nem cenoura, nem isco, mas carne que sangra as vitaminas do seu petisco. Em nada mais sou Presente. Passado, Futuro, quem sabe? A ausência ou a urgência de tudo ser, em linhas por saber. Eis-me vitaminado, cenoura, ou não. Sou o débito do seu crédito.   
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 14 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H56.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 14 de Maio de 2012, às 15H57, e, concluído, às 16H28 de 14 de Maio de 2012.

MANIPULAÇÃO

O tema deste post é a alegria do bisturi cirúrgico aplicado aos textos que se escrevem e aos discursos que proliferam pelas bocas mediáticas. Refiro-me à Arte da Manipulação. Para ela ser compreendida, nada melhor de que uns exemplos simples que o demonstrem. Vejamos, ou, melhor, leia-se esta pequema frase:
"hoje, o Epifânio não vai às aulas, ou, se se preferir, ao emprego".
Apliquemos a Arte do Bisturi manipulador retirando a palavra "hoje". Estamos perante uma nova afirmação, concluindo-se que Epifânio, usualmente, não vai às aulas, ou ao emprego, o que, por certo, lhe trará amargos de boca perante os que o conhecem e os que o desconhecem. Mas não fiquemos por aqui. Regressemos à frase inicial e abdiquemos da palavra "não". Vejamos qual o resultado que o bisturi produziu: "hoje, o Epifânio, vai às aulas ou se se preferir, ao emprego". O resultado é exatamente o mesmo que o anterior, só que a execução manipuladora é realizada sob os auspícios da subtileza. Perante estes factos é fácil concluir o que pode acontecer quando textos escritos de uma certa forma são amplamente manipulados com o objectivo de lhes alterarem o sentido. Exemplos que se inserem neste tipo de manipulação estão os SMSs, os textos lidos ao telemóvel ou os e-mails onde se pode cortar e inserir tudo que esvazie o seu conteúdo inicial. Com estes exemplos simples não pretendo ensinar o padre nosso ao prior, mas, tão somente, chamar a atenção dos que ouvem e lêem, para os sentidos que se emitem entre o emissor e o receptor. Reconheço que escapar à manipulação é muito difícil quando se ignora ou não se procura o original. E, muitos são, os que adoram aplicar o prazer de manipular o que lhes vem parar às montagens dos seus estigmas mentais.
Este é um post cuja intenção não teve outro objectivo senão o de chamar a atenção para a realidade de todos os dias. Quem te avisa, teu amigo é.   
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 12 de Maio de 2012, à noite, em casa por volta das 10H30.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 14 de Maio de 2012, às 13H19, e, concluído, às 14H12 do dia 14 de Maio de 2012.

sábado, 12 de maio de 2012

CISCOS DIÁRIOS - 12 DE MAIO DE 2012

Não há nada que o vento não sopre. Palavras que são pedras em bocas de noite. O alvo é quem não se espera, uma elegia à loucura da fúria que se apossa de quem se esquece da sua sensibilidade e da sua vida de amante nos braços frágeis da vida. Eu, não passo de uma vela que o vento estimula em paineis de sol esgotado. Perco-me na linha do horizonte e entrego-me à solidão do meu cansaço. A vida é o meu sono. 
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 12 de Maio de 2012, às 17H29.
Escrito, diretamente, no blogue, em Lisboa, no dia 12 de Maio de 2012, às 17H30

sexta-feira, 11 de maio de 2012

AFLUENTES POEMÁTICOS - VI - CITRINO

VOGO NO LODO
DA HIRSUTA IDADE
ISCO E ENGODO
DA PLEBEIA CIDADE
QUE A NOITE SORVE
E O VENTO ABSORVE.
ASSIM É O PASSO CITRINO
DESTE CORPO, VESTIDO
COM O CIMBALINO
DO TEMPO SUMIDO.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 11 de Maio de 2012, às 18H26, na Biblioteca Nacional.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 11 de Maio de 2012, às 18H27, e, concluído, às 18H37 do dia 11 de Maio de 2012.

AFLUENTES POEMÁTICOS - V - ÁGUAS MANSAS

OH! BELA AMANTE!
REMA ESTE SONHO DE NINGUÉM
PELO ESPLENDOR DA BONANÇA,
QUE, EU, TRANQUILO,
TE OFEREÇO A FESTA DO AMOR
E, AMBOS, EM LÍBIDOS SABORES
PROVAREMOS O UNIVERSO DA POESIA,
DEITADOS AO RELENTO DA VIDA,
SUBMERSOS PELO PRAZER DAS ÁGUAS MANSAS
QUE NOS CORRERÃO PELAS VEIAS
E PELOS OS OLHARES DA PUREZA,
ESPREITANDO, ÀS ESTRADAS DO FADO,
OS SUCOS DOS NOSSOS DESEJOS.
OH! BELA AMANTE!
BEBE E AMA ESTE AMOR
QUE À DISTÂNCIA DO TEMPO QUE SE ABRE
NÃO É MAIS DO QUE A FLOR
QUE NOS UNIRÁ À SUAVIDADE DOS PÁSSAROS
VOANDO PELA PAZ DA SUA ESPERANÇA
COM ASAS DE ETERNIDADE.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 11 de Maio de 2012, às 16H35, na Biblioteca Nacional.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 11 de Maio de 2012, às 15H36, e, concluído, às 16h56 do dia 11 de Maio de 2012.

FISGADAS POLÍTICAS - III - TROPELIAS ECONÓMICAS

Não se pode pactuar com as enormidades que eu ouvi serem proferidas por um alto responsável de um dos maiores grupos económicos portugueses com uma larga carteira de lucros. Afirmou ele, e os meus ouvidos nem queriam acreditar, que seria necessário cortar nos salários dos seus empregados para se evitarem despedimentos.  Para quê? Para se aumentar os lucros ou para contibuir para se reduzirem as receitas do fisco? Viver em Democracia não é viver à custa das cautelas que nunca dão prémios. Uma Democracia a valer não se refina com Códigos Laborais que mais não são do que panfletos de ruína económica.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, na Dolce Vita, em 10 de Maio de 2012, às 19H17.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 11 de Maio de 2012, às 14H45, e, concluído, às 14H59 do dia 11 de Maio de 2012.

CISCOS DIÁRIOS - 11 DE MAIO DE 2012

Acordei com a boca seca. Levantei-me e vesti-me com um rio seco de palavras. São palavras preguiçosas, fazem da preguiça um meio de subsistência e um arauto de incoerências metalúrgicas. Ao calçar os sapatos apercebi-me de que as ideias caminham, lado a lado, com os ritmos asseados de uma valsa interpretada pelo alfabeto das transcendências mundanas. Viro-me de avesso e o avesso oferece-me as notas tradicionais de uma vida sem o amplexo de uma conjuntivite amorosa. Ao mudar-me para o exterior, para a rua da monotonia, deparo-me com o rosto sombrio do tempo. Com gestos simplórios, as palavras traduzem, de imediato, o meu estado de espírito, por um lado, irreverente, por outro, tristonho, esse estado febril de nada ser. Sendo um fantasma, sou um corpo imaginário na concentração das palavras que exploram o silêncio com as basófias das bocas iminentes. Parecem gostar de mim. Espremem-me. Sou um rio sumarento. Afinal, descubro que ao penetrar, profundamente, no alvo do meu diagnóstico, aprendi a salivar as águas saborosas da impertinência juvenil, quando esta idade que me aglutina, transforma uma árvore improdutiva, numa produção de olhares pesquisando os sentidos da selva urbana. Com eles, pinto quadros de natureza morta ou de cânticos Pop que, na sua simplicidade, são sensualidades de corpos cristalinos. As palavras, estas palavras são o carimbo de um existência que desenha, na sua essência, os calos de persistência caudalosa. Exprimem o que expresso, são o expresso para a imunidade dos pensamentos. 
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 11 de Maio de 2012, às 13H30, na Biblioteca Nacional.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 11 de Maio de 2012, às 13H31, e, concluído, às 14H12

FISGADAS POLÍTICAS - II - CONSOLIDAÇÃO ORÇAMENTAL

O Senhor Primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou, no recente encontro Luso-Espanhol, que sem consolidação orçamental não havia crescimento económico. Ora, em minha modesta opinião, a coisa é, precisamente, ao contrário: sem crescimento económico não haverá consolidação orçamental. Porquê? Porque o crescimento económico reduz o desemprego, logo haverá um decréscimo de subsídios de desemprego, aumenta as receitas fiscais e as contribuições para a Segurança Social, desafogará o PIB, reduzirá a dívida soberana, e, certamente, irá permitir uma diminuição da carga fiscal dos contribuintes portugueses que, em sua vez, se traduzirá em um aumento de consumo. Estará, ou não, correcto, este meu piar de mocho? 
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 09 de Maio de 2012, às 19H10, em Dolce Vita.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 11 de Maio de 2012, às 12H52, e, concluído, às 13H05 do dia 11 de Maio de 2012.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

APITOS BOLÍSTICOS- I - O ALARGAMENTO

Falemos claro! Perguntemos, sem que qualquer espécie de prurido nos aqueça os lóbulos das orelhas, quem manda, afinal, no futebol nacional? Que eu me conste, não é, certamente, o Senhor Mário Figueiredo, que, pelo que se tem visto, ouvido e lido, é um exemplo tenebroso na condução das Ligas Profissionais de Futebol. A sua forma de pensar, a sua forma de equacionar os problemas que afectam todo o futebol português, revelam um arcaísmo sibilino, uma pandemia mental quando propõe o que propõe para as duas Ligas profissionais. O Senhor Mário Figueiredo é um triturador do bem fazer, do bem planear, do bem pensar sobre a necessária revolução de que o futebol profissional carece. Que lhe interessam as dívidas dos clubes, os salários em atraso, as receitas televisivas? A sua solução resume-se a um alargamento dos estilhaços futebolísticos em que o futebol português se vai transformar a breve trecho. A sua planificação resume-se à estratégia e à táctica do tédio mental, da reverência para com os que mitigam as medalhas das gangrenas eternas e irreparáveis. O seu discurso é um somatório de irrelevâncias e de pecadilhos que vão provocar, nas raízes do edifício futebolístico, a desartificação dos estádios de futebol, o alargamento da peste económica, o afundamento da qualidade futebolística e, se nada se fizer em prol dos jovens portugueses, assistir-se-á à infâmia de se perder, de vez, o futuro do futebol português e, em nada do que digo, revelo qualquer nacionalismo bacoco. Equipas B na Liga Orangina? Alargue-se o que estreito é, segundo a filosofia, despudoradamente pecaminosa, do Senhor Mário Figueiredo. Pregar o deserto das suas ideias provoca repulsa em qualquer bom adepto de futebol. O Senhor Presidente da Federação Portuguesa de Futebol discorda, que se movimentem os carimbos tacanhos de uma Assembleia para se castigar os maus pensamentos do Senhor Fernando Gomes que, por esta altura, já deve ter percebido que se devia ter rodeado de outro tipo de personalidades, menos circunspectas, mais independentes. O que o Senhor Mário Figueiredo deseja é que os seus apaniguados estoirem com o que de bom resta no futebol português. Resumindo e concluindo, que a prosa já vai longa, não é com esfinges do calibre do Sr. Mário Figueiredo que o futebol português evoluirá e contribuirá para proceder ao seu saneamento financeiro. Para este Senhor tumultuoso de águas pantanosas, o futebol deve pairar, nas águas fumegantes do inferno dantesco. Urbi et orbi.         
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, no dia 27 de Abril de 2012.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 10 de Maio de 2012, às 15H53.

AFLUENTES POEMÁTICOS - IV - MAMBA

NÃO HÁ BOCAS QUE RESPIREM PALAVRAS
SEM QUE A MORTE LHES MOSTRE A NUDEZ
DAS PUPILAS QUE CERCAM A MUDEZ
E O SENTIDO DISFORME DAS LAVRAS,
NEM HÁ MEDOS QUE DESCUBRAM CORAGENS
ENTRE PÁGINAS DE SILÊNCIOS VIVOS
QUE DESCREVEM AS ROTAS DAS MIRAGENS
A ESSES CORPOS QUE GEMEM CATIVOS
ENTRE SENTIDOS DE RAIVAS MADURAS
E CAROÇOS DE ÁVIDAS TERNURAS.
DESCONHEÇO A FOME DA ESCRITA
QUE, EM RELÂMPAGOS DE NOITE, LAMBA
A SAUDADE DA VERDADE DESDITA
E INSPIRE A CICUTA DA MAMBA.
NÃO HÁ TEMPO SEM QUE O TEMPO MUDE,
ÀS MUDANÇAS QUE A PELE TRANSPIRA,
AS MELODIAS FUNESTAS DO ALAÚDE,
AS MALDITAS SOMBRAS DO ÓDIO, DA IRA.
DA SINISTRA E DA TRISTE VELA QUE ARDE
RESTA A CHAMA MAIS NEGRA, MAIS PURA
QUE AFAGA, E SE APAGA, COBARDE,
PARA QUE NASÇA A NOITE MAIS ESCURA
À NATUREZA DA HUMANA CURA.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 10 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H35.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 10 de Maio de 2012, às 13H35, e, concluído, às 14H33 do dia 10 de Maio de 2012.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

ZIPS SONOROS - III - "WOODSTOCK"

E aqui vai o terceiro e último zip de hoje. Vivia-se o ano de 1969, nos Estados Unidos da America, onde imperava a luta contra a guerra do Vietnam e o movimento Hippy atingia o seu ponto culminante, em Woodstock, na quinta do Senhor Yasgur. Aí se assistiu a um dos grandes concertos de música popular pontuado por grandes actuações, enquanto a enorme assistência se amava livremente, fumava o que bem lhes apetecia, e, acompanhava, dançando, as músicas que vibravam no palco. Este zip dá pelo nome de "Woodstock", composto, para a ocasião, por essa grande senhora da música popular que dá pelo nome de Joni Mitchell. Dela, houve várias versões: a dela própria, a dos Crosby, Stills, Nash and Young e a dos Mathews Southern Comfort. Qualquer uma delas é uma excelente interpretação. Contudo, a minha escolha recai na versão dos Mathews por ser aquela que mais se aproxima do encantamento a que assistiu no famoso Festival. Um som fluído, levemente folky, country e, ligeiramente, açucarado, que nos impele, quasi imperceptivelmente, a nos envolvermos, musicalmente, fisicamente, e, instintivamente, trautearmos a letra do tema que é, no fundo, a descrição sumária do acontecimento. Recomendo  que ouçam as três versões. No final, a escolha é vossa. E pronto, assim se fecharam os zips de hoje, sem dúvida, com a sua chave de ouro.    
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 09 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 17H54.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 09 de Maio de 2012, às 17H55, e, concluído, às 18H19 do dia 09 de Maio de 2012.

CISCOS DIÁRIOS - 09 DE MAIO DE 2012

Lá fora, o Sol brilha. Aqui, na Biblioteca, desconheço o desconhecimento dos conhecimentos que se organizam, em labirintos, nas camuflagens do meu deserto encefálico. Sinto uma necessidade tola de me rir, ao colocar-me diante de um espelho imaginário. Cebolas de medo? Que olhar tão despiciendo. Que boca tão sedenta, não sei bem de quê. Esgrimir factos com a frontalidade das dúvidas, desancar, em quem merece, por desconhecer as raízes dos problemas inevitáveis,  ironizar com comentários que se celebram como se fossem um modelo de racionalidades irracionais; não chocalhar argumentos que silenciam a sinceridade dos actos que se profanam como quem degusta ilacções imprudentes e viciadas pela invisualidade dos seus efeitos. O desgosto da impopularidade, ávida da popularidade, é um gosto que salivo com os dentes da raiva por quem não merece qualquer fatia de estima neste desconcerto de favas contadas pelos dedos da inépcia. Lá fora, o Sol brilha. Cá dentro, mastigo essa espécie de bolor que se vende às reticências do porvir, suporto sem calafrios, sem repelões, a incompreensão dos que só compreendem os ditados da sua unicidade vocal, amesquinhando as paisagens dos sonhos em que navegam todos aqueles que anseiam pelo ar puro da sua natureza. Bicadas há, que, apenas, atingem quem as dá. Revelam ignorância, são filhas de Belzebu, às portas do paraíso, simuladando  e clamando pela inocência que a dureza da vida tem demonstrado que são notícias de invalidez verbal. Lá fora, o Sol brilha. Paz à sua alma. 
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 09 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 16H44.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 09 de Maio de 2012, às 16H45, e, concluído, às 17H33 do dia 09 de Maio de 2012.

ZIPS SONOROS - II - "SAN FRANCISCO"

Abre-se o segundo Zip Sonoro de hoje, e, dele, salta uma das mais famosas composições do movimento hippy,  "San Francisco", composta por John Phillips, que integrava o grupo Mama´s and Papa´s, e interpretada por Scott McKenzie. A canção, que é de uma simplicidade contagiante, glorificava a cidade de San Francisco como o centro do seu movimento que tinha como slogan, "Make Love, Not War". Mas San Francisco não se limitava a ser, apenas, o epicentro dos hippies, era, igualmente, um importante vulcão cultural que tinha as suas origens na Beat Generation. De todo este caldeirão artistico nasceu o chamado San Francisco Sound do qual faziam parte bandas como as dos Jefferson Airplane, os Grateful Dead, os Quicksilver Messenger Service, entre muitos outros que a ele se associaram, sonoramente.  "San Francisco" acaba por ser um hino dedicado à paz e à Humanidade.   
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 09 de Maio, na Biblioteca Nacional, às 15H43.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 09 de Maio de 2012, às 15H44, e, concluído, às 16H11 do dia 09 de Maio de 2012.