Entrei no Quadrante, escolhi um lugar, coloquei na mesa os jornais que trazia comigo e, em seguida, fui abastecer-me com umas costeletas, batatas, vinho e sobremesa. Sentei-me, à mesa, comi, sem pressas, e dispersei os meus pensamentos pelos ossos intragáveis da vida. Os olhos, embora vivos, adormeceram nessa Morte de silêncios que nos contorna os escolhos das noites superficiais que, estrategicamente, mais não são do que Gigantes Adamastores ameaçando-nos com os tumultos da instabilidade emocional e a verticalidade das irrealidades efémeras. Fui comendo, enquanto os meus dentes, dotados de pautas musicais, diluíam, em sinfonias fragmentadas, fráguas de dores que só eu compreendo e componho à doce inevitabilidade das fugas passageiras. Nem Bach as digeriria. Acabei de comer, degustando a monotonia de uma efervescência momentânea. Abri os jornais - o Jornal de Letras e A Bola - domestiquei as palavras do seus artigos e ingeri, de novo, a distância do horizonte que se alarga à feminidade das grutas onde se resguarda a atmosfera dos meus conflitos mentais. A sua utilidade resume-se aos desejos de possuir as identidades secretas dos sonhos que, sonhados, irradiam a surpresa sorridente das pontes que atravesso para alcançar a percepção segura deste corpo inadiável. Acordei a realidade, olhei à minha volta, observei sem observar, levantei-me e abandonei o Quadrante. Colado a fotografias de memórias gastas, esturguei o passo e, na paragem, mesmo junto ao Centro Cultural de Belém, apanhei o Eléctrico 15E, como se apanhasse a universalidade da minha irrelevância, essa realidade que se perde na distância de algaritmos sem alfabeto.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 20 de Maio de 2012, às 14H00, no Café-Restaurante Quadrante do Centro Cultural de Belém.
Escrito, directamente, no blogue, no Rossio, no dia 20 de Maio de 2012, às 15H29, e, concluído, às 16H18 do dia 20 de Maio de 2012.
domingo, 20 de maio de 2012
ESPIRROS - I - DORES
DÓI-ME O UNIVERSO DO FUTURO E A COSMOLOGIA DO SEU PENSAMENTO FINITO.
Jorge Manue Brasil Mesquita
Criado, em 20 de Maio de 2012, às 14H30, no Café-Restaurante Quadrante e no eléctrico 15E.
Escrito, directamente, no blogue, no Rossio, no dia 20 de Maio de 2012, às 15H16, e, concluído, às 15H18 do dia 20 de Maio de 2012.
Jorge Manue Brasil Mesquita
Criado, em 20 de Maio de 2012, às 14H30, no Café-Restaurante Quadrante e no eléctrico 15E.
Escrito, directamente, no blogue, no Rossio, no dia 20 de Maio de 2012, às 15H16, e, concluído, às 15H18 do dia 20 de Maio de 2012.
sábado, 19 de maio de 2012
CANÇÃO - VIII - TIRSTE E EXILADO
COMO UM REFUGIADO
VIVO ISOLADO
TRISTE E EXILADO
NESTE PAÍS EM QUE NASCI
E EMBORA HAJA AMOR
NESTE CORPO EM FLOR
SÓ SE VÊ RUBOR
NESTE PAÍS EM QUE FLORI.
NO COMEÇO
HAVIA O DESCONHEÇO
AGORA QUE TE CONHEÇO
NÃO TEM PREÇO
O VALOR DESTE APREÇO
POR ESTA NOSSA INFÂNCIA
QUE SE BEBE À DISTÂNCIA.
P´RA ONDE É QUE VAMOS
EM QUE PÉ ESTAMOS.
COMO UM RENEGADO
VIVO ATRACADO
AO CAIS DO EMBUÇADO
NESTE PAÍS EM QUE NASCI
E EMBORA HAJA AMOR
NESTE CORPO EM FLOR
SÓ SE OUVE UM RUMOR
NESTE PAÍS EM QUE FLORI.
NO COMEÇO
HAVIA O DESCONHEÇO
AGORA QUE TE CONHEÇO
NÃO TEM PREÇO
O VALOR DESTE APREÇO
POR ESSA DOCE SALIVA
QUE O CORAÇÃO CATIVA.
P´RA ONDE É QUE VAMOS
EM QUE PÉ ESTAMOS.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criada, em casa, em 18 de Maio de 2012, entre as 22H00 e as 23H00.
Continuada no caminho para o comboio da Linha do Estoril, em 19 de Maio de 2012, às 10H30.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 19 de Maio de 2012, às 12H47, e concluída, às 13H10 do dia 19 de Maio de 2012.
Corrigido, em 20 de Maio de 2012, às 15H12, no Rossio.
VIVO ISOLADO
TRISTE E EXILADO
NESTE PAÍS EM QUE NASCI
E EMBORA HAJA AMOR
NESTE CORPO EM FLOR
SÓ SE VÊ RUBOR
NESTE PAÍS EM QUE FLORI.
NO COMEÇO
HAVIA O DESCONHEÇO
AGORA QUE TE CONHEÇO
NÃO TEM PREÇO
O VALOR DESTE APREÇO
POR ESTA NOSSA INFÂNCIA
QUE SE BEBE À DISTÂNCIA.
P´RA ONDE É QUE VAMOS
EM QUE PÉ ESTAMOS.
COMO UM RENEGADO
VIVO ATRACADO
AO CAIS DO EMBUÇADO
NESTE PAÍS EM QUE NASCI
E EMBORA HAJA AMOR
NESTE CORPO EM FLOR
SÓ SE OUVE UM RUMOR
NESTE PAÍS EM QUE FLORI.
NO COMEÇO
HAVIA O DESCONHEÇO
AGORA QUE TE CONHEÇO
NÃO TEM PREÇO
O VALOR DESTE APREÇO
POR ESSA DOCE SALIVA
QUE O CORAÇÃO CATIVA.
P´RA ONDE É QUE VAMOS
EM QUE PÉ ESTAMOS.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criada, em casa, em 18 de Maio de 2012, entre as 22H00 e as 23H00.
Continuada no caminho para o comboio da Linha do Estoril, em 19 de Maio de 2012, às 10H30.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 19 de Maio de 2012, às 12H47, e concluída, às 13H10 do dia 19 de Maio de 2012.
Corrigido, em 20 de Maio de 2012, às 15H12, no Rossio.
sexta-feira, 18 de maio de 2012
AFLUENTES POEMÁTICOS - IX - SONOLÊNCIA MACIA
RASGAR O SILÊNCIO COM A DOR DO RUÍDO
CRAVAR COM PUNHAIS DE ADORNO
A PELE HÚMIDA DO DESESPERO
E INVENTAR À CEGUEIRA DO CANSAÇO
A FOGOSIDADE DA MATRIZ CLARA
QUE ESMERA A SAGACIDADE
COM O DELEITE DA SONOLÊNCIA MACIA
PARA QUE OS CAVALOS RUBROS DA IMPACIÊNCIA
ESPELHEM NO DORSO DOS AFAGOS DÓCEIS
A RESISTÊNCIA DAS PALAVRAS MAGNÍFICAS
QUE FECUNDAM ÀS PÉTALAS PERFUMADAS DO PARTO
A RIQUEZA RESPLANDECENTE DA HUMANIDADE.
E EIS QUE HUMANOS NASCIDOS DO TEMPO
SE TRANSFORMAM EM RENOVAÇÃO ETERNA DE LUZ PRIMAVERIL.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 18 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 17H05.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 18 de Maio de 2012, às 17H06, e, concluído, às 17H33 do dia 18 de Maio de 2012
CRAVAR COM PUNHAIS DE ADORNO
A PELE HÚMIDA DO DESESPERO
E INVENTAR À CEGUEIRA DO CANSAÇO
A FOGOSIDADE DA MATRIZ CLARA
QUE ESMERA A SAGACIDADE
COM O DELEITE DA SONOLÊNCIA MACIA
PARA QUE OS CAVALOS RUBROS DA IMPACIÊNCIA
ESPELHEM NO DORSO DOS AFAGOS DÓCEIS
A RESISTÊNCIA DAS PALAVRAS MAGNÍFICAS
QUE FECUNDAM ÀS PÉTALAS PERFUMADAS DO PARTO
A RIQUEZA RESPLANDECENTE DA HUMANIDADE.
E EIS QUE HUMANOS NASCIDOS DO TEMPO
SE TRANSFORMAM EM RENOVAÇÃO ETERNA DE LUZ PRIMAVERIL.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 18 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 17H05.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 18 de Maio de 2012, às 17H06, e, concluído, às 17H33 do dia 18 de Maio de 2012
CISCOS DIÁRIOS - 18 DE MAIO DE 2012
Cheiro ao suor tépido das avenidas gordurosas. Transporto, no dorso levemente dobrado e entorpecido, a saturação complexa dos pontos de exclamação que traduzem o ponto de rotura de um cérebro, ébrio e sonolento, que se estilhaça em fragmentos de várias estirpes. Cada estirpe é um modelo dessas ambições que se vendem ao desbarato na gordura das negociações. A vida é um complexo habitáculo de suores que se transpiram nos trampolins da discórdia. A concórdia é o desejo fatal da renúncia ao cinismo patibular. Modera-se o tempêro para se evitar a natureza picante do oxigénio poluído. A discórdia pode ser a concórdia do despique que se agride. A deontologia da vida, que se arrisca na pose diária do conformismo, é esse confronto entre o pacifismo da alma e o rudimentarismo do flagedor das inércias. Tudo se evita para nada se evitar. O suor que transpiro é o cheiro da fragrância onde nidifica a vingança dos que se limitam a pavonear-se na gordura bafienta dos Peeping Tom, esse prazer que se desfruta em nome de uma malfeitoria. Este tempo de desperdício em que se esfarela a gordura dos suores frios, é uma avenida de insensibilidade portuária. Conhece-se a existência do porto, desconhecendo-se quem a ele se atraca. A vida é uma gordura de suores, sem vida.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 18 de Maiode 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H57.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 18 de Maio de 2012, às 14H58, e, concluído, às 15H41 de 18 de Maio de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 18 de Maiode 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H57.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 18 de Maio de 2012, às 14H58, e, concluído, às 15H41 de 18 de Maio de 2012.
HARMONICA BLUES - I
Sentei-me à berma da estrada universal. Olhei para Norte e o seu horizonte era cruzado pelas pérolas de bilro. Olhei para Sul e o meu olhar foi cruzado pelas variações das mil e uma noites. Retirei das minhas calças de veludo negro uma harmónica, toda em azul marinho, que encontrei no templo das criações, O Crossroad, bati com ela em uma das minhas pernas e, levando-a aos lábios, entoei um blues coroado de riquezas harmónicas. Os meus olhos transformaram-se em dois pontos rubros de onde saltaram dois diabitos vermelhos com a curiosidade de terem os rabitos dourados. As suas mãos seguravam dois skates de cor negra com arabescos dourados. Saltaram para cima deles e, ao mesmo tempo que executavam um conjunto de mariposas sedutoras, pintaram a manta ao Touro Sentado que, sentado na elegância do cosmos, observava com toda a atenção as notas - sinais de fumo - que se escapuliam da minha harmónica e, inspirado pelo espírito de Manitu, decifrou-as e deu início aos rituais de uma maravilhosa dança da chuva.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 18 de Maio de 2012, na Estação de Picoas do Metropolitano de Lisboa, às 11H30.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 18 de Maio de 2012, às 12H35, e, concluído, às 13H00 do dia 18 de Maio de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 18 de Maio de 2012, na Estação de Picoas do Metropolitano de Lisboa, às 11H30.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 18 de Maio de 2012, às 12H35, e, concluído, às 13H00 do dia 18 de Maio de 2012.
quinta-feira, 17 de maio de 2012
ZIPS SONOROS - IV - "BLINDING BY THE LIGHT"
Abro o Zip. Escavo, em profundidade, a memória dos sons. Encontro o ano de 1976. A composição escolhida dá pelo nome de "Blinding By The Light", interpretada pelos Manfred Mann Earth Band. O autor do tema: Bruce Springsteen. Recuemos um pouco mais nas escavações. Estamos, em 1962, ano em que o Sul-Africano Manfred Mann forma, em Inglaterra, a Mann-Hugg Blues Band, inseridos no revivalismo dos blues britânicos. Desejosos de alcançarem fama e proveito transformam-se nos Manfred Mann e enveredam pelo Pop. Depois de dois flops, gravam "54321" que os lançará, defenitivamente, na estrada memorável da música popular dos anos sessenta. Contudo, não é meu propósito rever toda a sua carreira, mas sim realçar a importância do grupo em gravar temas de Bob Dylan. Fizeram-no de uma forma requintada. Temas como "If you Gotta Go, Go Now", "With God On Our Side" e, muito especialmente, "Just Like a Woman", que mereceu um comentário elogioso de Dylan. Foi esta capacidade que Mann tinha de recriar temas de outros autores que, em 1976, a sua nova banda, batizada de Manfred Mann Earth Band, converteu numa preciosidade histórica o tema "Blinding By The Light", garantindo um reconhecimento a Bruce Sprigsteen que, até então, não passava de um ilustre desconhecido. Confesso que foi ela que me levou a descobrir os dois primeiros e notáveis albuns de Bruce. Mas, igualmente, confesso, que prefiro a versão dos Mann, à de Springsteen. O tema é uma cavalgada sonora muito ao jeito de Bruce e é, excelentemente interpretada por Chris Thompson, tema onde as aliterações formam uma espécie de puzzle temático e, o seu conteúdo, um manifesto urbano. Nunca me canso de a ouvir sempre que posso. Façam o mesmo, mas ouçam as duas versões. Optem pela que vos agradar mais. E pronto, escavação feita, zip fechado.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 17 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 17H07.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 17 de Maio de 2012, às 17H08, e, concluído, às 17H49 do dia 17 de Maio de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 17 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 17H07.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 17 de Maio de 2012, às 17H08, e, concluído, às 17H49 do dia 17 de Maio de 2012.
CISCOS DIÁRIOS - 17 DE MAIO DE 2012
Ao olhar para o quadro negro e digitalizado da minha vida corrente, descubro, nas imagens que o giz branco da virgindade desenha, a ausência do sol afectivo e a presença feminina de uma lua que me descreve, com detalhe, os pormenores de uma respiração engelhada e a tecelagem das dúvidas permanentes. A vida que me corre nas veias é um suspensório de ideias, segurando as calças dos seus movimentos para que não caia na tentação de fugir aos bolsos dos seus segredos. Penso, logo existo. Aonde e porquê? A longevidade é curta e banal, se me recolher à matéria recôndita de uma pulsação, elástica e irregular, que traduz, nos concertos da sua evolução, a traição de um instinto prededor. Se me despojo da realidade para inventar diálogos íntimos de fertilidade humana, concluo, sem demonstrar infidelidades à Humanidade, que rodeio ambiguidades de natureza lógica, vasculhando, no mais profundo do meu ser, a razão da existência e a mesquinhez de uma essência pastoril que se orienta pela linguagem cerrada do seu pastor. As metamorfoses que insemino nas palavras que apascento, desenvolvem conceitos de espontaneidades que me cultivam a imaginação e me ferem com o poder da crítica, desconhecendo, eu, quais as consequências das suas culturas extensivas. Reformado pela polivalência dos costumes, habito esta pertinência de estar vivo onde nem sequer a Morte janta, sem desconhecer que, um momento haverá, em que lá virá o ponto final da sua prosa poética.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 17 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H15.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 17 de Maio de 2012, às 15H16, e, concluído, às 16H14 do dia 17 de Maio de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 17 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H15.
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 17 de Maio de 2012, às 15H16, e, concluído, às 16H14 do dia 17 de Maio de 2012.
CANÇÃO - VII - SOPINHAS DE GORGULHO
ACABEMOS COM O ORGULHO
E SEMEEMOS O BANDULHO
COM SOPINHAS DE GORGULHO
E PENINHAS DE FEIJÕES
QUE LARGADAS EM SERMÕES
SÃO O GOSTO DE MILHÕES.
DIZIAM QUE TINHAM PLANOS
P´RA NOS TIRAREM DO CAOS.
DEPOIS DE ANOS APÓS ANOS
RESTA A SEITA DOS MAU-MAUS
E A RECEITA DOS SICRANOS
QUE NOS TORNARÁ INSANOS.
RASPE-SE O FUNDO AO TACHO
MAS SE NELE NADA ACHO
É LIMPAR-SE O PENACHO
A QUEM USA AS HOSSANAS
E LANCEMO-NOS COM GANAS
ÀS VORAGENS DOS SEUS TANAS.
DIZIAM QUE TINHAM PLANOS...
ACABEMOS CO´O PALEIO
E OS BIGODES DO RECEIO
AOS ASTUTOS DO RECHEIO
QUE PRESCREVEM A EMENTA
CO´AS GARGANTAS DA PIMENTA
E AS FINTAS DA TORMENTA.
DIZIAM ELES QUE TINHAM PLANOS...
ACABEMOS COM O RANÇO
QUE NOS BARALHA A PANÇA
E O BICO DO BICHO MANSO
QUE SE ABRE E AVANÇA
PARA ASCENDER À GRAÇA
DE SER O PODER DA TRAÇA.
E DIZIAM ELES QUE TINHAM PLANOS...
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, ontem à noite, em casa, às 22H30, sob a influência da música dos Steely Dan.
Escrito e continuado, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 17 de Maio de 2012, às 12H58, e, concluída, às
E SEMEEMOS O BANDULHO
COM SOPINHAS DE GORGULHO
E PENINHAS DE FEIJÕES
QUE LARGADAS EM SERMÕES
SÃO O GOSTO DE MILHÕES.
DIZIAM QUE TINHAM PLANOS
P´RA NOS TIRAREM DO CAOS.
DEPOIS DE ANOS APÓS ANOS
RESTA A SEITA DOS MAU-MAUS
E A RECEITA DOS SICRANOS
QUE NOS TORNARÁ INSANOS.
RASPE-SE O FUNDO AO TACHO
MAS SE NELE NADA ACHO
É LIMPAR-SE O PENACHO
A QUEM USA AS HOSSANAS
E LANCEMO-NOS COM GANAS
ÀS VORAGENS DOS SEUS TANAS.
DIZIAM QUE TINHAM PLANOS...
ACABEMOS CO´O PALEIO
E OS BIGODES DO RECEIO
AOS ASTUTOS DO RECHEIO
QUE PRESCREVEM A EMENTA
CO´AS GARGANTAS DA PIMENTA
E AS FINTAS DA TORMENTA.
DIZIAM ELES QUE TINHAM PLANOS...
ACABEMOS COM O RANÇO
QUE NOS BARALHA A PANÇA
E O BICO DO BICHO MANSO
QUE SE ABRE E AVANÇA
PARA ASCENDER À GRAÇA
DE SER O PODER DA TRAÇA.
E DIZIAM ELES QUE TINHAM PLANOS...
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, ontem à noite, em casa, às 22H30, sob a influência da música dos Steely Dan.
Escrito e continuado, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 17 de Maio de 2012, às 12H58, e, concluída, às
quarta-feira, 16 de maio de 2012
CISCOS DIÁRIOS - 16 DE MAIO DE 2012
As cotoveladas que sofro na vida assemelham-se a um baloiço de almas desvalidas. Sinto o eco das suas passadas nas fronteiras do meu espelho mental que refletem as harmonias de caprichos inúteis. Tempos houve em que o Mito de Sisifo se aplicava às regras dos que pretendiam moldar as chaves dos meus conteúdos ilusórios. Nestes processos de abcessos alheios avistei, constantemente, a saga das abelhas sem colmeia. Picam ao acaso e poisam onde tudo é volúvel. São traças de veludos pesados que rasgam sem a sensibilidade das tainhas vogando ao sabor da corrente. Pescam o que precioso lhes parece e, na hora da tosquia, verbalizam o irracionalismo dos dementes. A Nausea saliva-me as horas do poente, enquanto navego, solitário, pelo doce remanço da imaginação fértil, lambendo às labaredas de um amor vago a tranquilidade do meu silêncio nos ruídos ávidos da vida que vagueia e desfalece na aposentação dos seus remorsos itálicos. Sentado na gávea dos meus sonhos, observo a invisibilidade de tudo o quanto me rodeia, e descubro na palidez do horizonte a rota dos teus cabelo sedosos e nocturnos. Afago-os com um gesto meigo e deslumbro-me com o feitiço da tua languidez perpétua. Sabes, sou esse teu desejo de me saberes balouçando na réstea pacifica desta ilha que sou. Rodeado de silêncio por todos os lados, grávido de ternura e de sensualidade. Eis-me, só, na Ilha dos Amores.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 16 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H56
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 16 de Maio de 2012, às 14H57, e, concluído, às 15h33 do dia 16 de Maio de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 16 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 14H56
Escrito, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 16 de Maio de 2012, às 14H57, e, concluído, às 15h33 do dia 16 de Maio de 2012.
CANÇÃO - VI - ROCA O AR
SE TUDO O QUE SINTO
É SOLIDÃO
E A DOR COM QUE PINTO
O CORAÇÃO
NÃO SEI
MAS SEI
QUE PROVO ESSA DISTÂNCIA
ENTRE MIM E A TUA FRAGRÂNCIA.
DIAS HOUVE EM QUE FOSTE REAL
NAS PORTAS DO MEU OLHAR
MAS EU COMO UM RURAL
NÃO TE SOUBE ENCONTRAR
NO SAL DO MAR.
A NOITE DOS TEUS CABELOS
SÃO O SOL DO MEU TEAR
QUE A SEDE DE TECÊ-LOS
EM BROCADOS DE LUAR
ROCA O AR
SE TUDO O QUE FALHA
É A PAIXÃO
E A DOR QUE SE ENCALHA
POR ILUSÃO
NÃO SEI
MAS SEI
QUE TUDO EM MIM RENOVO
AO PROVAR COMO TE PROVO
NA DOÇURA DA PUREZA
NA CANDURA DA CERTEZA.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, ontem à noite, em casa, às 10H20 do dia 15 de Maio de 2012, sob a influência do album "Argus", dos Wishbone Ash.
Escrito e continuado, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, em 16 de Maio de 2012, às 13H55, e, concluída, às 14H20 do dia 16 de Maio de 2012
É SOLIDÃO
E A DOR COM QUE PINTO
O CORAÇÃO
NÃO SEI
MAS SEI
QUE PROVO ESSA DISTÂNCIA
ENTRE MIM E A TUA FRAGRÂNCIA.
DIAS HOUVE EM QUE FOSTE REAL
NAS PORTAS DO MEU OLHAR
MAS EU COMO UM RURAL
NÃO TE SOUBE ENCONTRAR
NO SAL DO MAR.
A NOITE DOS TEUS CABELOS
SÃO O SOL DO MEU TEAR
QUE A SEDE DE TECÊ-LOS
EM BROCADOS DE LUAR
ROCA O AR
SE TUDO O QUE FALHA
É A PAIXÃO
E A DOR QUE SE ENCALHA
POR ILUSÃO
NÃO SEI
MAS SEI
QUE TUDO EM MIM RENOVO
AO PROVAR COMO TE PROVO
NA DOÇURA DA PUREZA
NA CANDURA DA CERTEZA.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, ontem à noite, em casa, às 10H20 do dia 15 de Maio de 2012, sob a influência do album "Argus", dos Wishbone Ash.
Escrito e continuado, directamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, em 16 de Maio de 2012, às 13H55, e, concluída, às 14H20 do dia 16 de Maio de 2012
AFLUENTES POEMÁTICOS - VIII - HÁBITO NOCTURNO
AGARRO A NOITE COM A RAIVA DOS MEUS DENTES
E CAMINHO PELA SUA BOCA DE TEMPO
COM BOTINAS DE SILÊNCIO.
QUE PROCURA O MEU CORPO?
QUE ENCONTRA O MEU OLHAR?
QUE FOME É ESTA QUE SE REGALA EM SEGREDO?
SERÁ O PRAZER DESCONHECIDO DA TUA LÍNGUA AMANTE
LAMBENDO OS MEUS LÁBIOS DE TÉDIO?
DESCONHEÇO ESTE VAGAR LUMINOSO DE UM AMOR
QUE SE ENROLA NESTA PELE DORMENTE
COM O PRAZER DA CORAGEM INSENSATA
ENROSCADA EM LIBERDADES DE TENTAÇÃO MUSCULADA.
MÚSCULOS DE TERNURA,
ABRAÇOS DE TENTAÇÃO
E UM DILÚVIO DE PALAVRAS DOCES
SUSSURRADAS AOS OUVIDOS DESTE AMANTE INESPERADO.
AGARRO A NOITE COM O DESESPERO DA MADRUGADA
E RENUNCIO AO DIA DE TODOS OS DIAS
PARA ME SAGRAR SAGRADO NO POEMA DO TEU HÁBITO NOCTURNO.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 16 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H22.
Escrito, diretamente, no blogue, no dia 16 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H23, e, concluído, às 13h44 do dia 16 de Maio de 2012.
E CAMINHO PELA SUA BOCA DE TEMPO
COM BOTINAS DE SILÊNCIO.
QUE PROCURA O MEU CORPO?
QUE ENCONTRA O MEU OLHAR?
QUE FOME É ESTA QUE SE REGALA EM SEGREDO?
SERÁ O PRAZER DESCONHECIDO DA TUA LÍNGUA AMANTE
LAMBENDO OS MEUS LÁBIOS DE TÉDIO?
DESCONHEÇO ESTE VAGAR LUMINOSO DE UM AMOR
QUE SE ENROLA NESTA PELE DORMENTE
COM O PRAZER DA CORAGEM INSENSATA
ENROSCADA EM LIBERDADES DE TENTAÇÃO MUSCULADA.
MÚSCULOS DE TERNURA,
ABRAÇOS DE TENTAÇÃO
E UM DILÚVIO DE PALAVRAS DOCES
SUSSURRADAS AOS OUVIDOS DESTE AMANTE INESPERADO.
AGARRO A NOITE COM O DESESPERO DA MADRUGADA
E RENUNCIO AO DIA DE TODOS OS DIAS
PARA ME SAGRAR SAGRADO NO POEMA DO TEU HÁBITO NOCTURNO.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 16 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H22.
Escrito, diretamente, no blogue, no dia 16 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H23, e, concluído, às 13h44 do dia 16 de Maio de 2012.
terça-feira, 15 de maio de 2012
CISCOS DIÁRIOS - 15 DE MAIO DE 2012
Sou um calafrio de dias póstumos. Os meus pensamentos são riscos diários, soprando as metáforas do olhar que transcendem o limiar do absurdo. Cada passo que dou sob os concertos humanos da cidade, revelam a esfinge deste corpo que partilho com as sombras da idade. Ser-se jovem para não se ser velho é um prazo que se valida ao custo de vida. Sob os mantos do silêncio componho sonatas de Outono que o Verão derrete para não decifrar esta ousadia de escrever desafios à docilidade do tempo que nos costura com os pregões da conformidade inapelável. Por muitas perguntas que crave, neste exílio permanente, à suavidade embrionária dos sorrisos complacentes, não lhes ouço os sussurros lacinantes, nem a musicalidade das lágrimas blasfemas. Os dias são dias, as noites são noites, e nada se ouve no lento deslizar das nuvens que são promessas de vãs fertilidades. Tudo é efémero. E efémero serei eu, nas águas ligeiras de um rio sem fronteiras. A Morte é um cancioneiro de pássaros, perdidos na combustão do tempo. Assim, eu voarei.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 15 de Maio de 2012, às 17H46, na Biblioteca Nacional.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 15 de Maio de 2012, às 17H47, e, concluído, às 18H15 do dia 15 de Maio de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 15 de Maio de 2012, às 17H46, na Biblioteca Nacional.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 15 de Maio de 2012, às 17H47, e, concluído, às 18H15 do dia 15 de Maio de 2012.
CANÇÃO - V - MAGRO E RASO
TENHO QUE MUDAR O CURSO
DE TODA A MINHA VIDA
E ALTERAR O PERCURSO
A ESTA VELHA FERIDA
QUE CO´ABCESSOS E CAROÇOS
FORRAM A PAZ DOS MEUS OSSOS.
E SE A FONÉTICA DO OCASO
PERFUMAR A PELE DO VENTO
ESTE CORPO, MAGRO E RASO,
SERÁ O VÉU DO SEU CONVENTO.
E SE O QUE SOBRAR DO ASCETA
FOR UM PAPIRO SEM LEME
SEREI A DOR DO PROFETA
QUE NA VIDA NADA TEME,
NEM OS ABISMOS DA FOME,
NEM NOITES QUE A BOCA COME.
E SE A MÉTRICA DO ACASO
OLVIDAR O FOGO DA TINTA
ESTE CORPO, MAGRO E RASO,
SERÁ O QUADRO QUE SE PINTA
EM NOME DA NATUREZA
QUE, HUMANA, SE FEZ BELEZA.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em casa, na noite do dia 14 de Maio de 2012, às 10H30, sob influência do album "Argus", dos Wishbone Ash.
Escrito e continuado, diretamente, no blogue, no dia 15 de Maio de 2012, às 15H37, e, concluído, às 16H04 do dia 15 de Maio de 2012
DE TODA A MINHA VIDA
E ALTERAR O PERCURSO
A ESTA VELHA FERIDA
QUE CO´ABCESSOS E CAROÇOS
FORRAM A PAZ DOS MEUS OSSOS.
E SE A FONÉTICA DO OCASO
PERFUMAR A PELE DO VENTO
ESTE CORPO, MAGRO E RASO,
SERÁ O VÉU DO SEU CONVENTO.
E SE O QUE SOBRAR DO ASCETA
FOR UM PAPIRO SEM LEME
SEREI A DOR DO PROFETA
QUE NA VIDA NADA TEME,
NEM OS ABISMOS DA FOME,
NEM NOITES QUE A BOCA COME.
E SE A MÉTRICA DO ACASO
OLVIDAR O FOGO DA TINTA
ESTE CORPO, MAGRO E RASO,
SERÁ O QUADRO QUE SE PINTA
EM NOME DA NATUREZA
QUE, HUMANA, SE FEZ BELEZA.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em casa, na noite do dia 14 de Maio de 2012, às 10H30, sob influência do album "Argus", dos Wishbone Ash.
Escrito e continuado, diretamente, no blogue, no dia 15 de Maio de 2012, às 15H37, e, concluído, às 16H04 do dia 15 de Maio de 2012
CRITICARTE - II - DARK SHADOWS - TIM BURTON
Confesso que a minha resistência se foi abaixo das suas canetas. E confesso, igualmente, que tenho um fraquinho pela filmografia do realizador Tim Burton. Eis a causa da minha fraqueza. Desde que vi, pela primeira vez, "Eduardo Mãos de Tesoura", que poucos dos seus filmes têm escapado à observação cinéfila dos meus olhos. Talvez, não esteja longe da verdade, se afirmar que a maioria dos filmes do realizador são caracterizados por uma espécie de névoa sombria onde personagens e argumentos se movimentam à volta de um fio condutor que envolvem mistérios e espaços de dinamismo poético que nos atraiem como se de fantasias fantasmagóricas se tratassem. Tudo isto vem a propósito do seu último filme "Dark Shadows". O filme é um carnaval vampiresco e um festival de bruxaria, onde não falta o humor, a fantasia e os desempenhos muito bem conseguidos, antes de mais, de Johnny Depp, até ao de uma Michelle Pfeiffer, no papel de uma dama que se move com elegância entre a sua demoníaca família. A realização superior de Tim Burton manifesta-se no equilibrio perfeito entre os grandes planos de notório humor (veio-me à memória o seu filme "Mars Attacks!) e os ritmos frenéticos das sequências animalescas, todas elas marcadas pelos seus planos sombrios de que não abdica e que, do meu ponto de vista, são a sua imagem de marca. Deliciei-me com o filme e com a beleza plástica de um vampiro que, humanamente, é de um cavalheirismo notável, mesmo quanto suga as suas vítimas. A visão do M da McDonald´s e o convívio de Depp com os hippies são de um humor negro notáveis. Não desperdícem este belo filme de Tim Burton.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 15 de Maio de 2012, às 14H48, na Biblioteca Nacional.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 15 de Maio de 2012, às 14H49, è, concluído, às 15H20 do dia 15 de Maio de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 15 de Maio de 2012, às 14H48, na Biblioteca Nacional.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 15 de Maio de 2012, às 14H49, è, concluído, às 15H20 do dia 15 de Maio de 2012.
FISGADAS POLÍTICAS - IV - A CRISE EUROPEIA
A Grécia está a gerar um tumulto, mais emocional, que mental, em certos países da Europa Comunitária que, de comunitària, já nada tem. A possibilidade da crise grega só se resolver com o recurso a novas eleições e a possibilidade do partido Syriza, de Alexis Tsipras, vencê-las, espevita, em algumas almas penadas da velha Europa, o desejo que os gregos abandonem o Euro. Por comodidade e contra a incomodidade. Em Democracia, é bom recordá-lo, os eleitores são quem escolhe, livremente, os seus governantes e, estes, ficam incumbidos de procurarem as soluções ideais para retirarem o país da crise em que vivem. Todo o cuidado será pouco, se o desejo que alguns alimentam de atirarem a Grécia para fora do Euro, provocarem a derrocada defenitiva da CE. O medo que é visível, em alguns países, com especial relevo para a Alemanha da Kaiser Fraulein Angela Merkel, de que, politicamente, a Europa vire à esquerda, provoca-lhes pruridos ideológicos que se refletem, de imediato, nas flutuações negativas dos mercados. No fundo, são eles, e não a crise da Grécia quem estão a detonar as fraquezas que a economia europeia revela. E a austeridade é o mal maior de um crescimento económico menor.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 15 de Maio de 2012, às 14H11, na Biblioteca Nacional.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 15 de Maio de 2012, às 14H12, e, concluído, às 14H38 do dia 15 de Maio de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 15 de Maio de 2012, às 14H11, na Biblioteca Nacional.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 15 de Maio de 2012, às 14H12, e, concluído, às 14H38 do dia 15 de Maio de 2012.
FUGAS CULINÁRIAS - II - OMELETE
Qual é o desmancha-prazeres que não sabe cozinhar uma omelete? Afirma-ma o dedo mindinho que há uns quantos. Pois bem, aqui fica uma sugestão culinária: a confecção de uma omelete, diferente das vulgares.
Primeiro acto: abrir os ovos, separar as gemas das claras e depositá-las numa tigela. Escolher um número razoável de ameixas secas descoroçadas, cortando-as em pequenos pedaços para depois mergulhá-las nas gemas. Bater tudo, muito bem batido. Escolher uma boa sertã e untá-la com uns belos fios de azeite. Assim que estiver no ponto, despejar os ovos para dentro da sertã. Mal a omelete esteja vivaça, dobra-se, até ficar parecida com uma torta. Assim que ela estiver bem enrolada, retira-se da sertã e coloca-se a omelete em uma travessa vistosa. Depois, pega-se em um pincel, adequado às circunstâncias, mergulha-se em um pote de bom mel e unta-se toda a omelete com ele. Pronta? Ainda não. Falta a decoração. Escolhe-se uma boa manga, descasca-se, corta-se em fatias bem medidas, colocando-as, em seguida, à volta da omelete. Depois, é só comê-la. Uuhm! que Fome! Experimentem, vão ver que adorarão comer este belo petisco.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 15 de Maio de 2012, às 13H25, na Biblioteca Nacional.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 15 de Maio de 2012, às 13H26, e, concluído, às 13H44 do dia 15 de Maio de 2012.
Primeiro acto: abrir os ovos, separar as gemas das claras e depositá-las numa tigela. Escolher um número razoável de ameixas secas descoroçadas, cortando-as em pequenos pedaços para depois mergulhá-las nas gemas. Bater tudo, muito bem batido. Escolher uma boa sertã e untá-la com uns belos fios de azeite. Assim que estiver no ponto, despejar os ovos para dentro da sertã. Mal a omelete esteja vivaça, dobra-se, até ficar parecida com uma torta. Assim que ela estiver bem enrolada, retira-se da sertã e coloca-se a omelete em uma travessa vistosa. Depois, pega-se em um pincel, adequado às circunstâncias, mergulha-se em um pote de bom mel e unta-se toda a omelete com ele. Pronta? Ainda não. Falta a decoração. Escolhe-se uma boa manga, descasca-se, corta-se em fatias bem medidas, colocando-as, em seguida, à volta da omelete. Depois, é só comê-la. Uuhm! que Fome! Experimentem, vão ver que adorarão comer este belo petisco.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 15 de Maio de 2012, às 13H25, na Biblioteca Nacional.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 15 de Maio de 2012, às 13H26, e, concluído, às 13H44 do dia 15 de Maio de 2012.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
AFLUENTES POEMÁTICOS - VII - MEMÓRIA DO CORPO
ABRO ESTE LIVRO EM BRANCO.
COM PALAVRAS O VISTO
SEM QUE A MODA O TEÇA.
COM PINCEIS DE VIDA O PINTO
SEM AS CORES SOMBRIAS
QUE O SILÊNCIO AFAGA.
A CAPA SÃO ESTES DEDOS
FEITOS DE PALAVRAS MORTAS
A QUE O FOGO DO TEMPO
GERA A ÁGUA DE LUZ
QUE LHE CEGA A SEDE
E LHE MORDE A MORTE
COM OS DEDOS DO VENTO
QUE ACORDAM O ENCANTO
À ESCRITA QUE PERFUMO
CO´O HÁBITO DO ALFABETO
E O DESENHO DA IDADE.
LIVRO QUE FOSTE DESERTO
E, EM CARNE VIVA, CRESCESTE,
COMO POESIA DE PRANTO
QUE SE ESCONDE DO DIA
E FLORESCE À NOITE
MAL A FONTE EMBEBEDA
A MEMÓRIA DO CORPO.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 14 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 17H02.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 14 de Maio de 2012, às 17H03, e, concluído, às 17H30 do dia 14 de Maio de 2012.
COM PALAVRAS O VISTO
SEM QUE A MODA O TEÇA.
COM PINCEIS DE VIDA O PINTO
SEM AS CORES SOMBRIAS
QUE O SILÊNCIO AFAGA.
A CAPA SÃO ESTES DEDOS
FEITOS DE PALAVRAS MORTAS
A QUE O FOGO DO TEMPO
GERA A ÁGUA DE LUZ
QUE LHE CEGA A SEDE
E LHE MORDE A MORTE
COM OS DEDOS DO VENTO
QUE ACORDAM O ENCANTO
À ESCRITA QUE PERFUMO
CO´O HÁBITO DO ALFABETO
E O DESENHO DA IDADE.
LIVRO QUE FOSTE DESERTO
E, EM CARNE VIVA, CRESCESTE,
COMO POESIA DE PRANTO
QUE SE ESCONDE DO DIA
E FLORESCE À NOITE
MAL A FONTE EMBEBEDA
A MEMÓRIA DO CORPO.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 14 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 17H02.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 14 de Maio de 2012, às 17H03, e, concluído, às 17H30 do dia 14 de Maio de 2012.
CISCOS DIÁRIOS - 14 DE MAIO DE 2012
Reconheço que as cenouras vitaminam os olhos. Os olhos são canas-de-pesca nas cenouras verbais dos tempos rurais. Esta metáfora, não é uma metáfora, é uma cábula que escrevi em tempos de memórias curtas. Os meus olhos são ecrãs de imagens fluentes que estimulam as aves corredoras de um tempo que já não se vive. Há este cansaço da escrita que me fita, tão aflita, que nem eu sei o que a medita, se é desdita, se uma complexa fita que me mede a mitologia restrita de cenários que interpreto sem que actor seja, porque no palco da ilusões sou o mordomo das fantasias que ninguém desenha nos bolsos dos seus cantos. Sou vendaval de perguntas pessoais e um temporal de respostas universais com que decoro os limbos das cortesias fatais. Desconheço em que vale de sombras sou a sombra que se assusta consigo própria. Nem cenoura, nem isco, mas carne que sangra as vitaminas do seu petisco. Em nada mais sou Presente. Passado, Futuro, quem sabe? A ausência ou a urgência de tudo ser, em linhas por saber. Eis-me vitaminado, cenoura, ou não. Sou o débito do seu crédito.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 14 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H56.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 14 de Maio de 2012, às 15H57, e, concluído, às 16H28 de 14 de Maio de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 14 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 15H56.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 14 de Maio de 2012, às 15H57, e, concluído, às 16H28 de 14 de Maio de 2012.
MANIPULAÇÃO
O tema deste post é a alegria do bisturi cirúrgico aplicado aos textos que se escrevem e aos discursos que proliferam pelas bocas mediáticas. Refiro-me à Arte da Manipulação. Para ela ser compreendida, nada melhor de que uns exemplos simples que o demonstrem. Vejamos, ou, melhor, leia-se esta pequema frase:
"hoje, o Epifânio não vai às aulas, ou, se se preferir, ao emprego".
Apliquemos a Arte do Bisturi manipulador retirando a palavra "hoje". Estamos perante uma nova afirmação, concluindo-se que Epifânio, usualmente, não vai às aulas, ou ao emprego, o que, por certo, lhe trará amargos de boca perante os que o conhecem e os que o desconhecem. Mas não fiquemos por aqui. Regressemos à frase inicial e abdiquemos da palavra "não". Vejamos qual o resultado que o bisturi produziu: "hoje, o Epifânio, vai às aulas ou se se preferir, ao emprego". O resultado é exatamente o mesmo que o anterior, só que a execução manipuladora é realizada sob os auspícios da subtileza. Perante estes factos é fácil concluir o que pode acontecer quando textos escritos de uma certa forma são amplamente manipulados com o objectivo de lhes alterarem o sentido. Exemplos que se inserem neste tipo de manipulação estão os SMSs, os textos lidos ao telemóvel ou os e-mails onde se pode cortar e inserir tudo que esvazie o seu conteúdo inicial. Com estes exemplos simples não pretendo ensinar o padre nosso ao prior, mas, tão somente, chamar a atenção dos que ouvem e lêem, para os sentidos que se emitem entre o emissor e o receptor. Reconheço que escapar à manipulação é muito difícil quando se ignora ou não se procura o original. E, muitos são, os que adoram aplicar o prazer de manipular o que lhes vem parar às montagens dos seus estigmas mentais.
Este é um post cuja intenção não teve outro objectivo senão o de chamar a atenção para a realidade de todos os dias. Quem te avisa, teu amigo é.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 12 de Maio de 2012, à noite, em casa por volta das 10H30.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 14 de Maio de 2012, às 13H19, e, concluído, às 14H12 do dia 14 de Maio de 2012.
"hoje, o Epifânio não vai às aulas, ou, se se preferir, ao emprego".
Apliquemos a Arte do Bisturi manipulador retirando a palavra "hoje". Estamos perante uma nova afirmação, concluindo-se que Epifânio, usualmente, não vai às aulas, ou ao emprego, o que, por certo, lhe trará amargos de boca perante os que o conhecem e os que o desconhecem. Mas não fiquemos por aqui. Regressemos à frase inicial e abdiquemos da palavra "não". Vejamos qual o resultado que o bisturi produziu: "hoje, o Epifânio, vai às aulas ou se se preferir, ao emprego". O resultado é exatamente o mesmo que o anterior, só que a execução manipuladora é realizada sob os auspícios da subtileza. Perante estes factos é fácil concluir o que pode acontecer quando textos escritos de uma certa forma são amplamente manipulados com o objectivo de lhes alterarem o sentido. Exemplos que se inserem neste tipo de manipulação estão os SMSs, os textos lidos ao telemóvel ou os e-mails onde se pode cortar e inserir tudo que esvazie o seu conteúdo inicial. Com estes exemplos simples não pretendo ensinar o padre nosso ao prior, mas, tão somente, chamar a atenção dos que ouvem e lêem, para os sentidos que se emitem entre o emissor e o receptor. Reconheço que escapar à manipulação é muito difícil quando se ignora ou não se procura o original. E, muitos são, os que adoram aplicar o prazer de manipular o que lhes vem parar às montagens dos seus estigmas mentais.
Este é um post cuja intenção não teve outro objectivo senão o de chamar a atenção para a realidade de todos os dias. Quem te avisa, teu amigo é.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 12 de Maio de 2012, à noite, em casa por volta das 10H30.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 14 de Maio de 2012, às 13H19, e, concluído, às 14H12 do dia 14 de Maio de 2012.
sábado, 12 de maio de 2012
CISCOS DIÁRIOS - 12 DE MAIO DE 2012
Não há nada que o vento não sopre. Palavras que são pedras em bocas de noite. O alvo é quem não se espera, uma elegia à loucura da fúria que se apossa de quem se esquece da sua sensibilidade e da sua vida de amante nos braços frágeis da vida. Eu, não passo de uma vela que o vento estimula em paineis de sol esgotado. Perco-me na linha do horizonte e entrego-me à solidão do meu cansaço. A vida é o meu sono.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 12 de Maio de 2012, às 17H29.
Escrito, diretamente, no blogue, em Lisboa, no dia 12 de Maio de 2012, às 17H30
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 12 de Maio de 2012, às 17H29.
Escrito, diretamente, no blogue, em Lisboa, no dia 12 de Maio de 2012, às 17H30
sexta-feira, 11 de maio de 2012
AFLUENTES POEMÁTICOS - VI - CITRINO
VOGO NO LODO
DA HIRSUTA IDADE
ISCO E ENGODO
DA PLEBEIA CIDADE
QUE A NOITE SORVE
E O VENTO ABSORVE.
ASSIM É O PASSO CITRINO
DESTE CORPO, VESTIDO
COM O CIMBALINO
DO TEMPO SUMIDO.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 11 de Maio de 2012, às 18H26, na Biblioteca Nacional.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 11 de Maio de 2012, às 18H27, e, concluído, às 18H37 do dia 11 de Maio de 2012.
DA HIRSUTA IDADE
ISCO E ENGODO
DA PLEBEIA CIDADE
QUE A NOITE SORVE
E O VENTO ABSORVE.
ASSIM É O PASSO CITRINO
DESTE CORPO, VESTIDO
COM O CIMBALINO
DO TEMPO SUMIDO.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 11 de Maio de 2012, às 18H26, na Biblioteca Nacional.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 11 de Maio de 2012, às 18H27, e, concluído, às 18H37 do dia 11 de Maio de 2012.
AFLUENTES POEMÁTICOS - V - ÁGUAS MANSAS
OH! BELA AMANTE!
REMA ESTE SONHO DE NINGUÉM
PELO ESPLENDOR DA BONANÇA,
QUE, EU, TRANQUILO,
TE OFEREÇO A FESTA DO AMOR
E, AMBOS, EM LÍBIDOS SABORES
PROVAREMOS O UNIVERSO DA POESIA,
DEITADOS AO RELENTO DA VIDA,
SUBMERSOS PELO PRAZER DAS ÁGUAS MANSAS
QUE NOS CORRERÃO PELAS VEIAS
E PELOS OS OLHARES DA PUREZA,
ESPREITANDO, ÀS ESTRADAS DO FADO,
OS SUCOS DOS NOSSOS DESEJOS.
OH! BELA AMANTE!
BEBE E AMA ESTE AMOR
QUE À DISTÂNCIA DO TEMPO QUE SE ABRE
NÃO É MAIS DO QUE A FLOR
QUE NOS UNIRÁ À SUAVIDADE DOS PÁSSAROS
VOANDO PELA PAZ DA SUA ESPERANÇA
COM ASAS DE ETERNIDADE.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 11 de Maio de 2012, às 16H35, na Biblioteca Nacional.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 11 de Maio de 2012, às 15H36, e, concluído, às 16h56 do dia 11 de Maio de 2012.
REMA ESTE SONHO DE NINGUÉM
PELO ESPLENDOR DA BONANÇA,
QUE, EU, TRANQUILO,
TE OFEREÇO A FESTA DO AMOR
E, AMBOS, EM LÍBIDOS SABORES
PROVAREMOS O UNIVERSO DA POESIA,
DEITADOS AO RELENTO DA VIDA,
SUBMERSOS PELO PRAZER DAS ÁGUAS MANSAS
QUE NOS CORRERÃO PELAS VEIAS
E PELOS OS OLHARES DA PUREZA,
ESPREITANDO, ÀS ESTRADAS DO FADO,
OS SUCOS DOS NOSSOS DESEJOS.
OH! BELA AMANTE!
BEBE E AMA ESTE AMOR
QUE À DISTÂNCIA DO TEMPO QUE SE ABRE
NÃO É MAIS DO QUE A FLOR
QUE NOS UNIRÁ À SUAVIDADE DOS PÁSSAROS
VOANDO PELA PAZ DA SUA ESPERANÇA
COM ASAS DE ETERNIDADE.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 11 de Maio de 2012, às 16H35, na Biblioteca Nacional.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 11 de Maio de 2012, às 15H36, e, concluído, às 16h56 do dia 11 de Maio de 2012.
FISGADAS POLÍTICAS - III - TROPELIAS ECONÓMICAS
Não se pode pactuar com as enormidades que eu ouvi serem proferidas por um alto responsável de um dos maiores grupos económicos portugueses com uma larga carteira de lucros. Afirmou ele, e os meus ouvidos nem queriam acreditar, que seria necessário cortar nos salários dos seus empregados para se evitarem despedimentos. Para quê? Para se aumentar os lucros ou para contibuir para se reduzirem as receitas do fisco? Viver em Democracia não é viver à custa das cautelas que nunca dão prémios. Uma Democracia a valer não se refina com Códigos Laborais que mais não são do que panfletos de ruína económica.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, na Dolce Vita, em 10 de Maio de 2012, às 19H17.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 11 de Maio de 2012, às 14H45, e, concluído, às 14H59 do dia 11 de Maio de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, na Dolce Vita, em 10 de Maio de 2012, às 19H17.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 11 de Maio de 2012, às 14H45, e, concluído, às 14H59 do dia 11 de Maio de 2012.
CISCOS DIÁRIOS - 11 DE MAIO DE 2012
Acordei com a boca seca. Levantei-me e vesti-me com um rio seco de palavras. São palavras preguiçosas, fazem da preguiça um meio de subsistência e um arauto de incoerências metalúrgicas. Ao calçar os sapatos apercebi-me de que as ideias caminham, lado a lado, com os ritmos asseados de uma valsa interpretada pelo alfabeto das transcendências mundanas. Viro-me de avesso e o avesso oferece-me as notas tradicionais de uma vida sem o amplexo de uma conjuntivite amorosa. Ao mudar-me para o exterior, para a rua da monotonia, deparo-me com o rosto sombrio do tempo. Com gestos simplórios, as palavras traduzem, de imediato, o meu estado de espírito, por um lado, irreverente, por outro, tristonho, esse estado febril de nada ser. Sendo um fantasma, sou um corpo imaginário na concentração das palavras que exploram o silêncio com as basófias das bocas iminentes. Parecem gostar de mim. Espremem-me. Sou um rio sumarento. Afinal, descubro que ao penetrar, profundamente, no alvo do meu diagnóstico, aprendi a salivar as águas saborosas da impertinência juvenil, quando esta idade que me aglutina, transforma uma árvore improdutiva, numa produção de olhares pesquisando os sentidos da selva urbana. Com eles, pinto quadros de natureza morta ou de cânticos Pop que, na sua simplicidade, são sensualidades de corpos cristalinos. As palavras, estas palavras são o carimbo de um existência que desenha, na sua essência, os calos de persistência caudalosa. Exprimem o que expresso, são o expresso para a imunidade dos pensamentos.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 11 de Maio de 2012, às 13H30, na Biblioteca Nacional.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 11 de Maio de 2012, às 13H31, e, concluído, às 14H12
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 11 de Maio de 2012, às 13H30, na Biblioteca Nacional.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 11 de Maio de 2012, às 13H31, e, concluído, às 14H12
FISGADAS POLÍTICAS - II - CONSOLIDAÇÃO ORÇAMENTAL
O Senhor Primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou, no recente encontro Luso-Espanhol, que sem consolidação orçamental não havia crescimento económico. Ora, em minha modesta opinião, a coisa é, precisamente, ao contrário: sem crescimento económico não haverá consolidação orçamental. Porquê? Porque o crescimento económico reduz o desemprego, logo haverá um decréscimo de subsídios de desemprego, aumenta as receitas fiscais e as contribuições para a Segurança Social, desafogará o PIB, reduzirá a dívida soberana, e, certamente, irá permitir uma diminuição da carga fiscal dos contribuintes portugueses que, em sua vez, se traduzirá em um aumento de consumo. Estará, ou não, correcto, este meu piar de mocho?
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 09 de Maio de 2012, às 19H10, em Dolce Vita.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 11 de Maio de 2012, às 12H52, e, concluído, às 13H05 do dia 11 de Maio de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 09 de Maio de 2012, às 19H10, em Dolce Vita.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 11 de Maio de 2012, às 12H52, e, concluído, às 13H05 do dia 11 de Maio de 2012.
quinta-feira, 10 de maio de 2012
APITOS BOLÍSTICOS- I - O ALARGAMENTO
Falemos claro! Perguntemos, sem que qualquer espécie de prurido nos aqueça os lóbulos das orelhas, quem manda, afinal, no futebol nacional? Que eu me conste, não é, certamente, o Senhor Mário Figueiredo, que, pelo que se tem visto, ouvido e lido, é um exemplo tenebroso na condução das Ligas Profissionais de Futebol. A sua forma de pensar, a sua forma de equacionar os problemas que afectam todo o futebol português, revelam um arcaísmo sibilino, uma pandemia mental quando propõe o que propõe para as duas Ligas profissionais. O Senhor Mário Figueiredo é um triturador do bem fazer, do bem planear, do bem pensar sobre a necessária revolução de que o futebol profissional carece. Que lhe interessam as dívidas dos clubes, os salários em atraso, as receitas televisivas? A sua solução resume-se a um alargamento dos estilhaços futebolísticos em que o futebol português se vai transformar a breve trecho. A sua planificação resume-se à estratégia e à táctica do tédio mental, da reverência para com os que mitigam as medalhas das gangrenas eternas e irreparáveis. O seu discurso é um somatório de irrelevâncias e de pecadilhos que vão provocar, nas raízes do edifício futebolístico, a desartificação dos estádios de futebol, o alargamento da peste económica, o afundamento da qualidade futebolística e, se nada se fizer em prol dos jovens portugueses, assistir-se-á à infâmia de se perder, de vez, o futuro do futebol português e, em nada do que digo, revelo qualquer nacionalismo bacoco. Equipas B na Liga Orangina? Alargue-se o que estreito é, segundo a filosofia, despudoradamente pecaminosa, do Senhor Mário Figueiredo. Pregar o deserto das suas ideias provoca repulsa em qualquer bom adepto de futebol. O Senhor Presidente da Federação Portuguesa de Futebol discorda, que se movimentem os carimbos tacanhos de uma Assembleia para se castigar os maus pensamentos do Senhor Fernando Gomes que, por esta altura, já deve ter percebido que se devia ter rodeado de outro tipo de personalidades, menos circunspectas, mais independentes. O que o Senhor Mário Figueiredo deseja é que os seus apaniguados estoirem com o que de bom resta no futebol português. Resumindo e concluindo, que a prosa já vai longa, não é com esfinges do calibre do Sr. Mário Figueiredo que o futebol português evoluirá e contribuirá para proceder ao seu saneamento financeiro. Para este Senhor tumultuoso de águas pantanosas, o futebol deve pairar, nas águas fumegantes do inferno dantesco. Urbi et orbi.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, no dia 27 de Abril de 2012.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 10 de Maio de 2012, às 15H53.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, no dia 27 de Abril de 2012.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 10 de Maio de 2012, às 15H53.
AFLUENTES POEMÁTICOS - IV - MAMBA
NÃO HÁ BOCAS QUE RESPIREM PALAVRAS
SEM QUE A MORTE LHES MOSTRE A NUDEZ
DAS PUPILAS QUE CERCAM A MUDEZ
E O SENTIDO DISFORME DAS LAVRAS,
NEM HÁ MEDOS QUE DESCUBRAM CORAGENS
ENTRE PÁGINAS DE SILÊNCIOS VIVOS
QUE DESCREVEM AS ROTAS DAS MIRAGENS
A ESSES CORPOS QUE GEMEM CATIVOS
ENTRE SENTIDOS DE RAIVAS MADURAS
E CAROÇOS DE ÁVIDAS TERNURAS.
DESCONHEÇO A FOME DA ESCRITA
QUE, EM RELÂMPAGOS DE NOITE, LAMBA
A SAUDADE DA VERDADE DESDITA
E INSPIRE A CICUTA DA MAMBA.
NÃO HÁ TEMPO SEM QUE O TEMPO MUDE,
ÀS MUDANÇAS QUE A PELE TRANSPIRA,
AS MELODIAS FUNESTAS DO ALAÚDE,
AS MALDITAS SOMBRAS DO ÓDIO, DA IRA.
DA SINISTRA E DA TRISTE VELA QUE ARDE
RESTA A CHAMA MAIS NEGRA, MAIS PURA
QUE AFAGA, E SE APAGA, COBARDE,
PARA QUE NASÇA A NOITE MAIS ESCURA
À NATUREZA DA HUMANA CURA.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 10 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H35.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 10 de Maio de 2012, às 13H35, e, concluído, às 14H33 do dia 10 de Maio de 2012.
SEM QUE A MORTE LHES MOSTRE A NUDEZ
DAS PUPILAS QUE CERCAM A MUDEZ
E O SENTIDO DISFORME DAS LAVRAS,
NEM HÁ MEDOS QUE DESCUBRAM CORAGENS
ENTRE PÁGINAS DE SILÊNCIOS VIVOS
QUE DESCREVEM AS ROTAS DAS MIRAGENS
A ESSES CORPOS QUE GEMEM CATIVOS
ENTRE SENTIDOS DE RAIVAS MADURAS
E CAROÇOS DE ÁVIDAS TERNURAS.
DESCONHEÇO A FOME DA ESCRITA
QUE, EM RELÂMPAGOS DE NOITE, LAMBA
A SAUDADE DA VERDADE DESDITA
E INSPIRE A CICUTA DA MAMBA.
NÃO HÁ TEMPO SEM QUE O TEMPO MUDE,
ÀS MUDANÇAS QUE A PELE TRANSPIRA,
AS MELODIAS FUNESTAS DO ALAÚDE,
AS MALDITAS SOMBRAS DO ÓDIO, DA IRA.
DA SINISTRA E DA TRISTE VELA QUE ARDE
RESTA A CHAMA MAIS NEGRA, MAIS PURA
QUE AFAGA, E SE APAGA, COBARDE,
PARA QUE NASÇA A NOITE MAIS ESCURA
À NATUREZA DA HUMANA CURA.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 10 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 13H35.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 10 de Maio de 2012, às 13H35, e, concluído, às 14H33 do dia 10 de Maio de 2012.
quarta-feira, 9 de maio de 2012
ZIPS SONOROS - III - "WOODSTOCK"
E aqui vai o terceiro e último zip de hoje. Vivia-se o ano de 1969, nos Estados Unidos da America, onde imperava a luta contra a guerra do Vietnam e o movimento Hippy atingia o seu ponto culminante, em Woodstock, na quinta do Senhor Yasgur. Aí se assistiu a um dos grandes concertos de música popular pontuado por grandes actuações, enquanto a enorme assistência se amava livremente, fumava o que bem lhes apetecia, e, acompanhava, dançando, as músicas que vibravam no palco. Este zip dá pelo nome de "Woodstock", composto, para a ocasião, por essa grande senhora da música popular que dá pelo nome de Joni Mitchell. Dela, houve várias versões: a dela própria, a dos Crosby, Stills, Nash and Young e a dos Mathews Southern Comfort. Qualquer uma delas é uma excelente interpretação. Contudo, a minha escolha recai na versão dos Mathews por ser aquela que mais se aproxima do encantamento a que assistiu no famoso Festival. Um som fluído, levemente folky, country e, ligeiramente, açucarado, que nos impele, quasi imperceptivelmente, a nos envolvermos, musicalmente, fisicamente, e, instintivamente, trautearmos a letra do tema que é, no fundo, a descrição sumária do acontecimento. Recomendo que ouçam as três versões. No final, a escolha é vossa. E pronto, assim se fecharam os zips de hoje, sem dúvida, com a sua chave de ouro.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 09 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 17H54.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 09 de Maio de 2012, às 17H55, e, concluído, às 18H19 do dia 09 de Maio de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 09 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 17H54.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 09 de Maio de 2012, às 17H55, e, concluído, às 18H19 do dia 09 de Maio de 2012.
CISCOS DIÁRIOS - 09 DE MAIO DE 2012
Lá fora, o Sol brilha. Aqui, na Biblioteca, desconheço o desconhecimento dos conhecimentos que se organizam, em labirintos, nas camuflagens do meu deserto encefálico. Sinto uma necessidade tola de me rir, ao colocar-me diante de um espelho imaginário. Cebolas de medo? Que olhar tão despiciendo. Que boca tão sedenta, não sei bem de quê. Esgrimir factos com a frontalidade das dúvidas, desancar, em quem merece, por desconhecer as raízes dos problemas inevitáveis, ironizar com comentários que se celebram como se fossem um modelo de racionalidades irracionais; não chocalhar argumentos que silenciam a sinceridade dos actos que se profanam como quem degusta ilacções imprudentes e viciadas pela invisualidade dos seus efeitos. O desgosto da impopularidade, ávida da popularidade, é um gosto que salivo com os dentes da raiva por quem não merece qualquer fatia de estima neste desconcerto de favas contadas pelos dedos da inépcia. Lá fora, o Sol brilha. Cá dentro, mastigo essa espécie de bolor que se vende às reticências do porvir, suporto sem calafrios, sem repelões, a incompreensão dos que só compreendem os ditados da sua unicidade vocal, amesquinhando as paisagens dos sonhos em que navegam todos aqueles que anseiam pelo ar puro da sua natureza. Bicadas há, que, apenas, atingem quem as dá. Revelam ignorância, são filhas de Belzebu, às portas do paraíso, simuladando e clamando pela inocência que a dureza da vida tem demonstrado que são notícias de invalidez verbal. Lá fora, o Sol brilha. Paz à sua alma.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 09 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 16H44.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 09 de Maio de 2012, às 16H45, e, concluído, às 17H33 do dia 09 de Maio de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 09 de Maio de 2012, na Biblioteca Nacional, às 16H44.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 09 de Maio de 2012, às 16H45, e, concluído, às 17H33 do dia 09 de Maio de 2012.
ZIPS SONOROS - II - "SAN FRANCISCO"
Abre-se o segundo Zip Sonoro de hoje, e, dele, salta uma das mais famosas composições do movimento hippy, "San Francisco", composta por John Phillips, que integrava o grupo Mama´s and Papa´s, e interpretada por Scott McKenzie. A canção, que é de uma simplicidade contagiante, glorificava a cidade de San Francisco como o centro do seu movimento que tinha como slogan, "Make Love, Not War". Mas San Francisco não se limitava a ser, apenas, o epicentro dos hippies, era, igualmente, um importante vulcão cultural que tinha as suas origens na Beat Generation. De todo este caldeirão artistico nasceu o chamado San Francisco Sound do qual faziam parte bandas como as dos Jefferson Airplane, os Grateful Dead, os Quicksilver Messenger Service, entre muitos outros que a ele se associaram, sonoramente. "San Francisco" acaba por ser um hino dedicado à paz e à Humanidade.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 09 de Maio, na Biblioteca Nacional, às 15H43.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 09 de Maio de 2012, às 15H44, e, concluído, às 16H11 do dia 09 de Maio de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 09 de Maio, na Biblioteca Nacional, às 15H43.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 09 de Maio de 2012, às 15H44, e, concluído, às 16H11 do dia 09 de Maio de 2012.
SUORES FICCIONISTAS - I - HÁ TRINTA E UM ANOS - II
1981. Finais de Julho. Saí cedo de casa, transportando às costas uma mochila com tudo o que era necessário para acampar. Despedi-me dos meus pais, rumei à estação de comboios e apanhei o primeiro que passou, até ao Cais do Sodré. Depois, apanhei o ferry-boat para Cacilhas, e, quasi sem respirar, apanhei o autocarro para Setúbal. Da estação de camionagem, já, em Setúbal, apontei os meus passos para o terminal dos ferry-boats, um dos quais me levou até Troia. Deliciei-me com a vista, enquanto os meus pensamentos se reuniam à volta de uma fogueira, contemplando o silêncio, e mascando as delícias de um céu estrelado que, aos meus olhos, se assemelhavam a um manjar de deuses. Sentia no corpo essa ansiedade juvenil da descoberta do novo, da experiência que se prova, pela primeira vez, e se goza, de antecipação, o consumo extasiado de um dos sumos da vida. Vibrei com as brincadeiras dos golfinhos e, neles vi, a poesia da natureza. Finalmente, cheguei a Tróia. Abandonei o ferry. Descalcei as sapatilhas. Os pés estavam inchados, desejando ardentemente sentir a doce suavidade do ar livre. Apanhei o autocarro que me levaria ao meu destino: a praia da Comporta, aonde me iria encontrar com três amigas, a Isa, a Gina e a Ana. Desci, mesmo junto à estrada que me levaria à praia, ao ponto de encontro. O coração vibrava, os pensamentos enrolavam-se como uma vulgar onda do mar.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 09 de Maio de 2012, às 14H34.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 09 de Maio de 2012, às 14H35 e, concluído, às 15H10 do dia 09 de Maio de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 09 de Maio de 2012, às 14H34.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 09 de Maio de 2012, às 14H35 e, concluído, às 15H10 do dia 09 de Maio de 2012.
ZIPS SONOROS - I - "EVE OF DESTRUCTION"
Por cada Zip que se abre, uma fonte infinita de sons jorra como pepitas de ouro nas gargantas do tempo.
Estes três primeiro zips que ocuparão este espaço, abrem-se e fecham-se com relativa rapidez. São três memórias que de um certo modo se encontram ligadas por factos que se enquadram na história da música popular e na História dos Estados Unidos.
A primeira das composições, "Eve of Destruction", viu a luz do dia, em 1965, e coincidiu com o início da intervenção Estado-Unidense no Vietnam. O tema aborda de uma forma directa o sentimento de angústias e desesperos que se viviam na época da chamada "guerra fria". O conteúdo global dos seus versos é superiormente interpretado pela voz rouca e angustiada de Barry McGuire que oferece, à dimensão da composição, de P.F. Sloan, o estatuto de uma memória incontornável nas pérolas de conteúdo político-social. Para, Barry McGuire, o tema foi o grande marco da sua carreira. Ouçam o tema, e leiam, ao mesmo tempo, os versos de P.F. Sloan.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, no dia 28 de Abril de 2012.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 09 de Maio de 2014, às 14H04.
Estes três primeiro zips que ocuparão este espaço, abrem-se e fecham-se com relativa rapidez. São três memórias que de um certo modo se encontram ligadas por factos que se enquadram na história da música popular e na História dos Estados Unidos.
A primeira das composições, "Eve of Destruction", viu a luz do dia, em 1965, e coincidiu com o início da intervenção Estado-Unidense no Vietnam. O tema aborda de uma forma directa o sentimento de angústias e desesperos que se viviam na época da chamada "guerra fria". O conteúdo global dos seus versos é superiormente interpretado pela voz rouca e angustiada de Barry McGuire que oferece, à dimensão da composição, de P.F. Sloan, o estatuto de uma memória incontornável nas pérolas de conteúdo político-social. Para, Barry McGuire, o tema foi o grande marco da sua carreira. Ouçam o tema, e leiam, ao mesmo tempo, os versos de P.F. Sloan.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, no dia 28 de Abril de 2012.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 09 de Maio de 2014, às 14H04.
terça-feira, 8 de maio de 2012
CISCOS DIÁRIOS - 08 DE MAIO DE 2012
A vida é um nevoeiro que nos embacia o olhar. Distorce os contornos da realidade, afugenta a limpidez da claridade e oculta-nos as saudades da nossa saudade. As vozes que ouvimos são uma miscelânea curiosa de coros perdidos nos afluentes desse grande rio, que todos conhecem, que todos esquecem, nas águas revoltas do seu movimento perpétuo. O rio, a vida, o nevoeiro, todos se cruzam numa infinita cruzada de inconformismos silenciosos, de dores que são o parto de partidas irreparáveis e de chegadas aos conflitos que perduram para além de todos os mistérios. O mistério do nevoeiro, é o nevoeiro do mistério da vida. Este nevoeiro luta contra si próprio nessa pesquisa intensa de uma memória sagrada que conserva, entre as suas veias, o sangue vivificador da plenitude corporal, das fugas que iludem e que se iludem com os testamentos de uma imortalidade, cansada de ser inventada pelos ritmos da ancestralidade, escondida no nevoeiro das noites para nos ilibarem o prazer de viver. O nevoeiro é esta vida de não ser. Uma pulsão dramática no palco do efémero.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, no dia 08 de Maio de 2012, às 15H13.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 08 de Maio de 2012, às 15H14, e, concluído, às 15H47 do dia 08 de Maio de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, no dia 08 de Maio de 2012, às 15H13.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 08 de Maio de 2012, às 15H14, e, concluído, às 15H47 do dia 08 de Maio de 2012.
CANÇÃO - IV - MIRAGEM
Acaricio-te o rosto
mal a noite te deseja
e bebo-te o olhar de mosto
sem receio que ele me veja.
E se ao vento pergunto
que solidão é esta
que só a mim me assalta,
ouço a brisa com que unto
o amor que me resta
e o mel que te asfalta.
e mal a manhã rebenta
entre um raio de sol vivido
lambo-te a pele ciumenta
e segredo-te ao ouvido:
melopeias de xilofones,
sininhas à Peter-Pan,
melodias de cordofones
e amores com tan-tan.
Depois, logo que a coragem
adormece ao relento
me esqueço da bagagem
e me torno em pensamento,
tão veloz como o vento,
tão breve como a miragem.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criada, no comboio das 21 horas da Linha do Estoril, em 07 de Maio de 2012 e, concluída, no dia 08 de Maio de 2012, às 13H09.
Escrita, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 08 de Maio de 2012, às 14H05 e, concluída, às 14H30 do dia 08 de Maio de 2012.
mal a noite te deseja
e bebo-te o olhar de mosto
sem receio que ele me veja.
E se ao vento pergunto
que solidão é esta
que só a mim me assalta,
ouço a brisa com que unto
o amor que me resta
e o mel que te asfalta.
e mal a manhã rebenta
entre um raio de sol vivido
lambo-te a pele ciumenta
e segredo-te ao ouvido:
melopeias de xilofones,
sininhas à Peter-Pan,
melodias de cordofones
e amores com tan-tan.
Depois, logo que a coragem
adormece ao relento
me esqueço da bagagem
e me torno em pensamento,
tão veloz como o vento,
tão breve como a miragem.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criada, no comboio das 21 horas da Linha do Estoril, em 07 de Maio de 2012 e, concluída, no dia 08 de Maio de 2012, às 13H09.
Escrita, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 08 de Maio de 2012, às 14H05 e, concluída, às 14H30 do dia 08 de Maio de 2012.
segunda-feira, 7 de maio de 2012
AFLUENTES POEMÁTICOS - III - O SILÊNCIO É DE COURO
Caminho, só, inflexível.
Passos trémulos de ira
na coragem do fusível,
que se funde, que se mira
no espelho da retórica.
No seu discurso afável
balanceia a vaga prece
de que o mundo amável
é um rigor que se esquece
sob a máscara eufórica
de toda a malha que tece
a imagem metafórica.
O silêncio é de couro
e, a arte, o decoro
que a abelha e o besouro
no seu flagrante namoro
espantam a foz caduca.
Triste faro, triste sina
que ao recado assiste
pela pena que assina
esse nada que persiste
no verbo de quem estuca.
Caminho, só, invisível
no acto da pesca risível.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, no dia 07 de Maio de 2012, às 17H45.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 07 de Maio de 2012, às 17H46, e, concluído, às 18H30 do dia 07 de Maio de 2012.
Passos trémulos de ira
na coragem do fusível,
que se funde, que se mira
no espelho da retórica.
No seu discurso afável
balanceia a vaga prece
de que o mundo amável
é um rigor que se esquece
sob a máscara eufórica
de toda a malha que tece
a imagem metafórica.
O silêncio é de couro
e, a arte, o decoro
que a abelha e o besouro
no seu flagrante namoro
espantam a foz caduca.
Triste faro, triste sina
que ao recado assiste
pela pena que assina
esse nada que persiste
no verbo de quem estuca.
Caminho, só, invisível
no acto da pesca risível.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, no dia 07 de Maio de 2012, às 17H45.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 07 de Maio de 2012, às 17H46, e, concluído, às 18H30 do dia 07 de Maio de 2012.
CISCOS DIÁRIOS - 07 DE MAIO DE 2012
Neste dia de aguaceiros fortes, não passo de um pássaro meticuloso rondando as esporas do vento, como se a imperiosa necessidade de beber a vida fosse um espelho onde o meu reflexo - Ícaro despenteado - cortasse as amarras do labirinto por onde escorrem as lágrimas deste Orpheu embebido em chuvas de lágrimas que, embora invisíveis, rolam pelo silêncio do meu dia. A vida é este desespero de estar onde não estou. É um temporal de brisas no caminho empedernido desse porvir que me abraça, delicado como um anjo sem asas, sequioso de me engolir o desprezo pela fragilidade com que o enfrento. Que corpo amará o que amarei entre rugidos de medo e copos de plenitude que, embriagado pela sonolência, beberei aos escolhos de uma urgência infinita? A resposta que pesco, não a pesquei eu, brotou pura como a alegria da fonte que se lança aos braços da inocência. Inocente é este olhar, ferroso o seu lacrimejar. Duas lágrimas que o corpo fere ao destempero da noite, brasas que, no conforto da impaciência, repicam como sinos de urgência. A noite virá e, eu, serei o que os sonhos serão: olhos de Febo, corpo de Hades.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 07 de Maio de 2012, às 16H12, e, concluído, no dia 07 de Maio de 2012, às 16H58.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 07 de Maio de 2012, às 16H12, e, concluído, no dia 07 de Maio de 2012, às 16H58.
AFLUENTES POEMÁTICOS - II - RETICÊNCIAS MADURAS
Esta é a vaga que me trespassa o instinto
e deposita na areia da indiferença
o cartaz colado em um olhar disperso,
anúncio de reticências maduras,
escultura de parasita involuntário
admirada pelo imobilidade do silêncio,
pelo o ecrã de notícias, paramentado
pelas cores da noite,
vestindo-se de insanidades perfumadas,
despindo, ao olhar da nudez,
a fragilidade do riso que estrumo
ao manto diário da passividade.
Descubro no fóssil do sumo que encubro
viagens ao âmago das memórias,
memória que danifico ao tempo
para, em gargalhadas de ouro,
esculpir as rédeas do destino
que galopam, livres,
em prados de amores traquinas,
em palavras de suor
que escrevem nas raízes do tempo
a ociosidade perfeita da morte espantada.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 07 de Maio de 2012, às 15H13.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 07 de Maio de 2012, às 15H14 e, concluído, no dia 07 de Maio de 2012, às 15H41
e deposita na areia da indiferença
o cartaz colado em um olhar disperso,
anúncio de reticências maduras,
escultura de parasita involuntário
admirada pelo imobilidade do silêncio,
pelo o ecrã de notícias, paramentado
pelas cores da noite,
vestindo-se de insanidades perfumadas,
despindo, ao olhar da nudez,
a fragilidade do riso que estrumo
ao manto diário da passividade.
Descubro no fóssil do sumo que encubro
viagens ao âmago das memórias,
memória que danifico ao tempo
para, em gargalhadas de ouro,
esculpir as rédeas do destino
que galopam, livres,
em prados de amores traquinas,
em palavras de suor
que escrevem nas raízes do tempo
a ociosidade perfeita da morte espantada.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 07 de Maio de 2012, às 15H13.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 07 de Maio de 2012, às 15H14 e, concluído, no dia 07 de Maio de 2012, às 15H41
SUORES FICCIONISTAS - I - HÁ TRINTA E UM ANOS - I
Estou atrasado para o encontro. Chove torrencialmente. Os relâmpagos cicatrizam o céu e os trovões são a invocação dos espíritos que se ouve no rufar dos tambores mensageiros. Mal consigo ver a estrada. Os farois perdem-se na muralha pluviosa e a iluminação da estrada dança como saltibancos hipnóticos diante dos meus olhos que piscam como pingos de chuva nos ponteiros do relógio. As mãos grudadas ao volante provam a instabilidade do carro, sentem que a ansiedade que me pica os nervos me reduz a capacidade funcional dos sentidos. Estou frenético. Não posso falhar o encontro. Escolho o acelarador. As rodas resvalam, o carro ameaça-me, e sinto, em questão de segundos, que perdi o controlo da vida. Os faróis apontam à ravina que se esconde na berma da estrada. Subitamente, uma árvore sacode-me, violentamente. Sinto o sabor do sangue quente deslizar-me pelo rosto. Perco a sensibilidade das pernas. Nada mais me resta do que a visão de um encontro. Há trinta e um anos.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, no dia 30 de Abril de 2012, às 14H46.
Escrito, diretamente, no blogue, no dia 07 de Maio de 2012, às 14H27, e terminado às 14H55 do dia 07 de Maio de 2012, às 14H55
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, no dia 30 de Abril de 2012, às 14H46.
Escrito, diretamente, no blogue, no dia 07 de Maio de 2012, às 14H27, e terminado às 14H55 do dia 07 de Maio de 2012, às 14H55
sábado, 5 de maio de 2012
CRITICARTE - I - DIVAGAÇÃO CRÍTICA
Antes que me deformem a prosa, gostaria de esclarecer que não passo de um crítico simplório. Esta presunção de ver, talvez, o que outros, talvez, não vejam, incuba, em mim, uma perspectiva de diálogo com as Artes como se estivesse empoleirado em galhos de vaidade emplumada pelas as araras de Afrodite.
Para a maioria dos olhos e dos ouvidos que se estendem pela planície humana do planeta, terem acesso a qualquer forma de Arte, basta possuirem um computador que esteja ligado à internet ou exercitar o corpo em qualquer outro meio audiovisual. Porém, cá está o porém, ver um quadro ou ver um filme, sem ser ao vivo, não é a mesma coisa do que admirá-los em uma exposição ou em um ecrã de um cinema. Tomemos como exemplo o quadro "O Grito", de Evard Munch. Já o observei várias vezes e, em várias dimensões, mas em nenhuma delas eu pude analisar o poder real dos traços que definem a expressão de desespero do rosto que nos grita, que nos fita e nos desafia com o poder do medo. Falta-nos a visibilidade real da profundidade de campo, de absorver as definições de cor que ganham, certamente, outra vida, ao escorregarmos para dentro do quadro com uma amplitude de olhar que nos permite descobrir a veracidade e os promenores das cores que nos inundam o corpo com a sensibilidade de Munch. Visionar um filme, em casa, não é o mesmo que estarmos no interior de uma sala de cinema onde, sem darmos por isso, entramos, directamente, no filme, como espectadores, como actores secundários e acabarmos por sermos alimentados pelo prazer dos vários sentimentos que, livremente, esvoaçam nos circuitos fechados da nossa frequência cerebral. A crítica varia conforme a realidade em que estamos inseridos. Porém, cá está o porém, e, em minha opinião, uma crítica só é válida quando é feita no verdadeiro ambiente para que a obra foi criada. Tudo o mais são obras de críticas em que a crítica é mal afamada e redigida com a estocada de um florete inapto.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 05 de Maio de 2012, às 13H05.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 05 de Maio de 2012, às 13H50, e, concluída, às 14H34 do dia 05 de Maio de 2012.
Para a maioria dos olhos e dos ouvidos que se estendem pela planície humana do planeta, terem acesso a qualquer forma de Arte, basta possuirem um computador que esteja ligado à internet ou exercitar o corpo em qualquer outro meio audiovisual. Porém, cá está o porém, ver um quadro ou ver um filme, sem ser ao vivo, não é a mesma coisa do que admirá-los em uma exposição ou em um ecrã de um cinema. Tomemos como exemplo o quadro "O Grito", de Evard Munch. Já o observei várias vezes e, em várias dimensões, mas em nenhuma delas eu pude analisar o poder real dos traços que definem a expressão de desespero do rosto que nos grita, que nos fita e nos desafia com o poder do medo. Falta-nos a visibilidade real da profundidade de campo, de absorver as definições de cor que ganham, certamente, outra vida, ao escorregarmos para dentro do quadro com uma amplitude de olhar que nos permite descobrir a veracidade e os promenores das cores que nos inundam o corpo com a sensibilidade de Munch. Visionar um filme, em casa, não é o mesmo que estarmos no interior de uma sala de cinema onde, sem darmos por isso, entramos, directamente, no filme, como espectadores, como actores secundários e acabarmos por sermos alimentados pelo prazer dos vários sentimentos que, livremente, esvoaçam nos circuitos fechados da nossa frequência cerebral. A crítica varia conforme a realidade em que estamos inseridos. Porém, cá está o porém, e, em minha opinião, uma crítica só é válida quando é feita no verdadeiro ambiente para que a obra foi criada. Tudo o mais são obras de críticas em que a crítica é mal afamada e redigida com a estocada de um florete inapto.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criado, em 05 de Maio de 2012, às 13H05.
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 05 de Maio de 2012, às 13H50, e, concluída, às 14H34 do dia 05 de Maio de 2012.
CISCOS DIÁRIOS - 05 DE MAIO DE 2012
Saudações cordiais. Para todos os que gostam de sensacionalismos, eis aqui uma notícia que vos revelo em primeiríssima mão: por cada palavra que escrevo, em cada um dos posts, que faço à borla, recebo a idílica quantia de dez mil euros, o que se reflete na construção interminável de cada um deles, visando alcançar o que mais ambiciono: um cruzeiro às Antilhas. Compreendam esta minha perdição, mas um reformado, com a pensão reduzida como a minha, só serve para se sentar num banco qualquer a olhar para o espaço e sentir que as horas que passam, não dão por mim. Como não sou suficientemente sociável, não sei infiltrar-me entre os idosos que despem o seu tempo com uma suecada ou um dominó. Por isso, decidi que esta mente solitária se absorvesse com a leitura de um bom livro, nesta Biblioteca, e, renascendo para a escrita, criasse um novo blogue, para nele despejar o que bem me apetecer, como é o caso desta confissão molecular. Resta-me acrescentar que nesta luta desigual, estou só, mas é facto, não rebatível, que no final de tudo serei eu o vencedor absoluto. Apesar de tudo, ainda acredito que, neste país, a justiça não é injusta. E, agora, felizes com a notícia, espero que todos a boateiem com a descrição da gralha e com a virilidade das palavras acutilantes. Que Deus vos proteja, ó acólitos do diabo!
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 05 de Maio de 2012, às 13H12, e concluído, às 13h36 de 05 de Maio de 2012
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 05 de Maio de 2012, às 13H12, e concluído, às 13h36 de 05 de Maio de 2012
sexta-feira, 4 de maio de 2012
CISCOS DIÁRIOS - 04 DE MAIO DE 2012
Escrever o que se sente, quando não se sente, não é fácil. A facilidade é o mesmo que o consumo diário das aparências puritanas. A dificuldade não está na sede das realidades, mas no copo que a mata com os líquidos que se ingerem. A vida pode ser um prazer enlutado, mas o fumo que não se usa, apressa-nos o esquecimento e reduz-nos a memória à natureza de factos que nos enriquecem ou nos empobrecem as capacidades de sermos o que, verdadeiramente, somos. Não me visto com a influência da moda, mas a moda veste-me o olhar com a riqueza dos seus pormenores. Palmilho avenidas e ruas como qualquer passageiro mundano e perco-me, nos transportes públicos, com toda a diversidade de belezas que me ofuscam o olhar, descobrindo, com encanto, que sou tão humano como essa Humanidade que muitos desejam abraçar desconhecendo que a habitam. Escondo-a nos bolsos das calças, não para a esquecer, mas para lhe sentir o tilintar da sua harmonia. Mal cai a noite, vagueio, sombra de mim mesmo, fugindo à boca do tempo, e adormeço entre lençóis de sonhos que me ensinam a arte do deslumbramento quotidiano. Escrever é isto, não mais do que isso, isso, a palavra doméstica
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 04 de Maio de 2012, às 17H41, e, concluído, às 18H05 do dia 04 de Maio de 2012.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Escrito, diretamente, no blogue, na Biblioteca Nacional, no dia 04 de Maio de 2012, às 17H41, e, concluído, às 18H05 do dia 04 de Maio de 2012.
AFLUENTES POEMÁTICOS - I - FLAUTA DE SEGREDOS
QUE SOMBRAS SERÃO ESTAS
QUE EM FOMES DE MEDO
SÃO AS FUGAS DESERTAS,
AS VERDADES FALIDAS
DOS ESCOMBROS HUMANOS
QUE ENTRE A SOLIDÃO
E A FOZ NOCTURNA
DA SUAS PELES SEDENTAS
BUSCAM NO CORPO AMANTE
O AMOR DERRAMADO
PELA POESIA DO CANTO?
SÃO O CORO E O MANTO
QUE APELAM, ARGUTOS,
À ESPERANÇA DA MORTE,
PELOS DENTES DA VIDA
QUE CORROIEM ESSA SEDE
QUE O ETERNO MATA
E DESLUMBRA, CO´O FOGO,
O RUFAR DOS ENCANTOS,
A POESIA DA MANHÃ,
A FLAUTA DOS SEGREDOS
QUE EM NOTAS DE FRESCURA
SÃO AS ASAS FOGOSAS
DA NOSSA LIBERDADE.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criada, no dia 30 de Abril de 2012, às 14H38.
Escrito, diretamente, no blogue, no dia 04 de Maio de 2012, às 14H15, e concluída, no dia 04 de Maio de 2012, às 14H53.
QUE EM FOMES DE MEDO
SÃO AS FUGAS DESERTAS,
AS VERDADES FALIDAS
DOS ESCOMBROS HUMANOS
QUE ENTRE A SOLIDÃO
E A FOZ NOCTURNA
DA SUAS PELES SEDENTAS
BUSCAM NO CORPO AMANTE
O AMOR DERRAMADO
PELA POESIA DO CANTO?
SÃO O CORO E O MANTO
QUE APELAM, ARGUTOS,
À ESPERANÇA DA MORTE,
PELOS DENTES DA VIDA
QUE CORROIEM ESSA SEDE
QUE O ETERNO MATA
E DESLUMBRA, CO´O FOGO,
O RUFAR DOS ENCANTOS,
A POESIA DA MANHÃ,
A FLAUTA DOS SEGREDOS
QUE EM NOTAS DE FRESCURA
SÃO AS ASAS FOGOSAS
DA NOSSA LIBERDADE.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Criada, no dia 30 de Abril de 2012, às 14H38.
Escrito, diretamente, no blogue, no dia 04 de Maio de 2012, às 14H15, e concluída, no dia 04 de Maio de 2012, às 14H53.
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